TRADUÇÃO, RECEPÇÃO E ANTROPOFAGIA
Leonardo Antunes, Rafael Brunhara e Guilherme Gontijo Flores
O século XX viu surgir uma série de conceitos e teorias que mudaram a maneira como recebemos, interpretamos, criamos e traduzimos obras literárias. As fronteiras entre esses diversos movimentos também se tornaram menos nítidas. Os irmãos Campos, por exemplo, apontaram para o potencial criador e crítico da tradução. Ricœur, por sua vez, insistiu em uma relação contrária, da interpretação como um movimento de tradução. Essas discussões são especialmente relevantes num momento em que nos aproximamos do centenário do movimento antropófago, cujas ideias libertárias se coadunam também com as noções de “obra aberta”, de Eco, e de “fusão de horizontes”, de Gadamer, para uma abordagem em que os limiares entre recepção, tradução e criação se apagam e se confundem. Essa confluência de posicionamentos de recepção aberta e ressignificação criativa também possui um eco na teoria de “polissistemas”, de Even-Zohar, que tenta descrever os movimentos diversos e as diversas conformações dos sistemas literários, nos quais uma mesma obra pode ter recepções, significações e valorizações muito distintas. A soma dessas e de outras teorias afins colabora para um aparato crítico e criativo capaz de criar múltiplos canais de diálogo entre passado e presente, compreendendo uma partilha do sensível, conforme Rancière, também na valoração estética das obras, na formação de cânones e nas hierarquias possíveis entre obra, tradução, retradução, recriação, adaptação etc., e entre aqueles habilitados a executar (e usufruir de) cada uma dessas modalidades.
Referências
- ANDRADE, Oswald de. O manifesto antropófago. In: TELES, Gilberto Mendonça. Vanguarda europeia e modernismo brasileiro: apresentação e crítica dos principais manifestos vanguardistas. 3ª ed. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL, 1976.
- CAMPOS, Haroldo de. Transcriação. São Paulo: Perspectiva, 2013.
- ECO, Umberto. Obra aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. Tradução de Giovanni Cutolo. São Paulo: Perspectiva, 2010.
- EVEN-ZOHAR, I. (1990). “Polysystem Studies”. Poetics Today: International Journal for Theory and Analysis of Literature and Communication. v. 11, n. 1. Disponível em: <http://www.tau.ac.il/~itamarez/works/books/ez-pss1990.pdf>.
- GADAMER, Hans-Georg. Truth and Method. Londres: Continuum, 2006.
- RANCIÈRE, Jacques. The Politics of Aesthetics. Londres: Bloomsbury Academic, 2013.
- RICŒUR, Paul. On Translation. Tradução de Eileen Brennan. Londres: Routledge, 2006.
EIXO 4 — DATA E ORDEM DAS COMUNICAÇÕES
24 de outubro (quinta)
Local: Prédio da FACED, sala 503.
1 A releitura contemporânea de Scherezade em Vozes do Deserto, de Nélida Piñon, Ana Paula Xavier Gerlach
2 The best of Tartarus: projeções para a poesia hesiódica, Bruno Palavro
3 Palavra-Performance: a palavra quer um corpo, Camila Alexandrini
4 A recepção brasileira da poesia bucólica latina pela tradução poética, Daniel Falkemback Ribeiro
5 A velha querela entre poetas e…filólogos?” Analisando critérios de tradução nas Letras Clássicas, Rafael Brunhara
6 Traduzir a sátira horaciana: a Arte poética, Guilherme Gontijo Flores
7 Derivações estéticas da Ilíada, Leonardo Antunes
8 Alegorese e exemplaridade na interpretação do mito de Narciso no Ovide Moralisé (século XIV), Rodrigo Lemos
25 de outubro (sexta)
Local: Prédio da FACED, sala 503.
9 Baudelaire na triple frontera: considerações sobre a rasura da origem, Eleonora Frenkel
10 Escrever a história da tradução: o problema da escala, Karina Lucena
11 Copiei sim: Macunaíma em tradução, Márcia Moura da Silva
12 Multitudinous heart: uma análise da tradução de poemas drummondianos para a língua inglesa, Mariane Rocha
13 Uma tradução transcriadora de Amœnitates belgicæ, de Charles Baudelaire, Rafael Prudêncio
14 A “diegese” em tradução: considerações sobre a tradução do termo diegesis em Platão e Aristóteles, Thiago Koslowsky da Rosa
15 Narrativas sobre Clitemnestra: análises comparativas, Tiago Irigaray
16 Traduções de Cortázar no Suplemento Literário de Minas Gerais, Tiago Pedruzzi
EIXO 4 — RESUMOS DAS COMUNICAÇÕES
1 A releitura contemporânea de Scherezade em Vozes do Deserto, de Nélida Piñon
Ana Paula Xavier Gerlach
Campbell, em O herói de mil faces (2007), apresenta um completo apanhado acerca dos preceitos e da genuína substância presentes no herói das mitologias mais relevantes. “O herói mitológico, saindo de sua cabana ou castelo cotidianos, é atraído, levado ou se dirige voluntariamente para o limiar da aventura” (CAMPBELL, 2007, p. 241). Através do conceito de herói apresentado por Campbell, analisamos a releitura da heroína milenar Scherezade, presente na obra de Nélida Piñon, Vozes do deserto (2004). Em Vozes do Deserto, Nélida Piñon conta uma versão inovadora da história de Scherezade de As mil e uma noites ao relatar a mesma história já conhecida mundialmente, porém utilizando um narrador em terceira pessoa para nos apresentar os sentimentos, emoções e aflições presentes nos personagens da trama. As duas principais obras analisadas são Vozes do Deserto (2004), de Nélida Piñon, e a obra Livro das Mil e Uma Noites (2017), edição mais recente traduzida do árabe por Mamede Mustafa Jarouche. Nas duas narrativas, temos personagens em comum como a Scherezade, sua irmã Dinazarda, entre outros. Porém, Nélida Piñon faz uma abordagem que se diferencia já no narrador. Neste caso, utilizamos as duas narrativas para analisar os caminhos que cada narrativa percorreu comparativamente, através de cada personagem. Através da perspectiva que a obra de Nélida Piñon apresenta sobre a personagem Scherezade, este trabalho tem como objetivo destacar a até então desconhecida complexidade da personagem ao ser representada no século XXI e, dessa forma, discutir sobre âmbitos diferentes dos conhecidos na personagem apresentada em As mil e uma noites. Neste trabalho, através deste estudo literário comparatista, faremos uma breve análise sobre quem foi Scherezade na mitologia através dos preceitos apresentados por Joseph Campbell, contextualizando sobre as principais características presentes em Scherezade que estão igualmente intensificados na obra de Nélida Piñon, e concluir com elementos e técnicas textuais desenvolvidas em Vozes do deserto o que contribuiu para que Scherezade se tornasse uma genuína contadora de histórias.
Referências
- CAMPBELL, Joseph. O Herói de Mil Faces. São Paulo: Pensamento, 2007.
- LIVRO das Mil e Uma Noites – 2º ed. –São Paulo: Globo, 2005.
- PIÑON, Nélida. Vozes do Deserto. Rio de Janeiro: Record, 2004.
Palavras-chave: Scherezade; contemporâneo; mito; releitura; comparada.
2 The best of Tartarus: projeções para a poesia hesiódica
Bruno Palavro
Este trabalho tem como objeto a Theogonia de Hesíodo, poema épico grego composto por volta de 750-650 a. C.; mais especificamente, os versos 722-819, nos quais é revelada a descrição do mitológico Tártaro. O estudo encontra-se no limiar de meu Trabalho de Conclusão de Curso – no qual uma tradução integral da Theogonia já foi empreendida – e de meu projeto tradutório para o mestrado, que dará sequência ao trabalho com outros dois poemas de Hesíodo: Trabalhos e Dias e O Escudo de Héracles. A partir de considerações gerais sobre a fragilidade do signo estético em tradução de poesia e a abordagem criativa como modo de reformular uma iconicidade poética autônoma, mas recíproca (CAMPOS, 2011), será referido o conceito de melopeia (POUND, 1976) enquanto aspecto destacado desse processo transcriativo, principalmente no que diz respeito à emulação do metro épico – o hexâmetro datílico – no texto traduzido. Após uma exposição genérica acerca dos princípios e desdobramentos da prática em questão (NETO, 2014; ANTUNES, 2009; GONÇALVES, 2016), de modo a problematizar especificamente a correspondência entre os sistemas métricos quantitativo e qualitativo das línguas em questão, serão realizadas leitura em voz alta e análise de trechos do “Tártaro desvelado” (PALAVRO, 2019) e de sua adaptação performática (ANTUNES & PALAVRO, 2018), informalmente referida como The best of Tartatus. Atestados alguns dos impasses que permeiam a abordagem hexamétrica vernácula, será reafirmada a dimensão criativa dessa prática tanto no que concerne à sua concepção quanto à sua potencial abertura para o domínio da performance, para a qual se tomará emprestada a ideia de “prática hiperestética” (GENETTE, 2010), com devidas ressalvas. Finalmente, o caráter difuso dessa reciprocidade rítmica e o desenrolar da autonomia estética da obra traduzida pela performance ensejarão considerações sobre as aspirações desse trabalho de alteridades, que se pretende radical sem ser essencial(ista) nem se perder na presunção da origem (FLORES & GONÇALVES, 2017). Exemplos finais sobre o início de meu trabalho no mestrado apontarão para esforços que, pelo ritmo do texto grafado, proferido e cantado, se materializam em práticas convergentes de uma mesma poética tradutória: a da sobrevida que se projeta na voz.
Referências
- ANTUNES, C. L. B. Ritmo e sonoridade na poesia grega antiga: uma tradução comentada de 23 poemas. Dissertação (Mestrado) – Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, FFLCH-USP, São Paulo, 2009.
- ANTUNES, C. L. B.; PALAVRO, Bruno. Theogonia (música e tradução: Bruno Palavro). 2018. (3m45s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=S1Os_qs6q3Q>. Acesso em: 17 jul. 2019.
- CAMPOS, Haroldo de. Da transcriação: poética e semiótica da operação tradutora. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2011.
- FLORES, G. G.; GONÇALVES, R. T. Algo infiel – corpo performance tradução. São Paulo: n-1 edições, 2017.
- GENETTE, Gérard. Palimpsestos: a literatura de segunda mão. Seleção de extratos e revisão: Sônia Queiroz. Belo Horizonte: Viva Voz, 2010.
- GONÇALVES, R. T. Tradução e ritmo: rêver le vers de Lucrécio. MORUS – utopia e renascimento, v. 11, n. 1, p. 181-197, 2016.
- NETO, J. A. O. O hexâmetro datílico de Carlos Alberto Nunes: teoria e repercussões. Revista Letras, n. 89, p. 184-201, 2014.
- PALAVRO, Bruno. A Theogonia de Hesíodo: traduzida & anotada pela mão de Bruno Palavro. Trabalho de Conclusão de Curso – IL-UFRGS, Rio Grande do Sul, 2019.
- POUND, Ezra. A Arte da Poesia. São Paulo: Cultrix, 1976.
Palavras-chave: Hesíodo; poesia grega; hexâmetro datílico; tradução; performance.
3 Palavra-Performance: a palavra quer um corpo
Camila Alexandrini
A tese, defendida em 2017 no Programa de Pós-Graduação em Letras da PUCRS, intitulada Palavra-Performance, é revisitada nesta proposta de apresentação de trabalho ao VIII Colóquio Sul de Literatura Comparada. A pesquisa doutoral buscou contaminar os campos da literatura e da performance, a fim de elaborar um dispositivo teórico que pudesse dar conta de expressões da literatura as quais se configuram de formas diversas, incluindo em suas produções, mas não necessariamente, outros recursos poético-artísticos – para além da palavra. Nesse sentido, a investida ao debate a respeito do ob-jeto dos estudos literários demonstrou-se um ponto importante onde foi possível se demorar. Como um pré-jeto – uma projeção anterior ao movimento em si – possuía discernimento e a pulsão para tentar fraturar a materialidade que tem regido os estudos literários a partir do advento da escrita; da ordem do registro, do manuscrito, do traço seminal da letra no papel. Sendo assim, a reflexão sobre a literatura desdobrou-se mais especificamente neste estudo em sua potencialidade performática, tendo como ponto de partida, atualmente, não só SCHECHNER (2013) e TAYLOR (2015), mas sobretudo o trabalho desenvolvido pelas performers Regina Galindo, Fernanda Magalhães, Violeta Luna, Yoko Ono, MArcia X, Claudia Paim e outras. Colocar a literatura para ser vivida como performance, assim como ZUNTHOR (2007) propõe que partamos do ponto de chegada, pode não ter uma relação direta com a apreciação deste objeto estético da literatura, tampouco com o uso estético de uma linguagem escrita, mas sim com a invenção de uma outra forma ético-estética – de uma performance ético-estética – a qual é também literatura. Compartilhar questionamentos ainda presentes, os quais apontam possivelmente para uma nova pesquisa, é o objetivo dessa proposta de comunicação, além disso, na ocasião do doutorado, sugeri cinco propostas à palavra-performance – I) Agenciar a vida; II) Ativar um corpo; III) Ressignificar a palavra; IV) Reinventar o ensino; V) Reelaborar perspectivas – sobre as quais também se espera comentar, com a finalidade de se aprofundar, analisando as performers citadas.
Referências
- GALINDO, Regina. Disponível em: http://www.reginajosegalindo.com/en/home-en/. Acesso em 17 de ago. 2019.
- LUNA, Violeta. Disponível em: http://www.violetaluna.com/. Acesso em 17 de ago. 2019.
- MAGALHÃES, Fernanda. Disponível em: http://www.fernandamagalhaes.com.br/. Acesso em 17 de ago. 2019.
- ONO, Yoko. Disponível em: http://yokoonowarzone.com/. Acesso em 17 de ago. 2019.
- PAIM, Claudia. Disponível em: https://www.claudiapaim.site. Acesso em 17 de ago. 2019.
- SCHECHNER, Richard. Performance Studies: an introduction. 3ªed. New York & London: Routledge, 2013.
- TAYLOR, Diana. Performance. 1ªed. Buenos Aires: Asunto Impreso Ediciones, 2015.
- X, Marcia. Disponível em: http://marciax.art.br/. Acesso em 17 de ago. 2019.
- ZUMTHOR, Paul. Recepção, performance, leitura. São Paulo: Cosac & Naify, 2007.
Palavras-chave: Literatura. Teoria da Literatura. Performance. Estudos da Performance.
4 A recepção brasileira da poesia bucólica latina pela tradução poética
Daniel Falkemback Ribeiro
Dentro do contexto brasileiro, nota-se como, desde o século XVIII, há a preocupação de se voltar para a literatura clássica a fim de utilizá-la como referência. Desde os árcades, a recepção das formas literárias antigas se define pelo papel que os poetas assumem como reescritores, segundo a concepção de André Lefevere (1992). Através da exploração da matéria bucólica, o nosso enfoque, esses poetas buscavam apresentar o passado como uma possibilidade de relação com seu presente que pode se dar, inclusive, pela tradução, criando-se, assim, um campo para debate da cultura clássica, nos termos de Lorna Hardwick (2000). Essa prática auxiliar para as metas formativas dos poetas arcádicos se estabeleceu definitivamente em território brasileiro e foi responsável pela constituição de um cânone do qual fazia parte Virgílio, no campo bucólico, porém não outros poetas. A tradução da obra virgiliana em língua portuguesa ocorreu por diversos meios, como atesta o levantamento de Thaís Fernandes (2018), porém a tradução poética se destaca como meio de expressão crítica e criativa que propõe novas visões não só do poeta mantuano, mas também da tradição do gênero poético em que se insere. Para a nossa apresentação, o objetivo é situar, dentro do contexto mencionado, as traduções poéticas das Bucólicas de Virgílio por Manuel Odorico Mendes (2008) e Raimundo Carvalho (2005), além das versões da Écloga II de Nemesiano por Guilherme Gontijo Flores (apud CARVALHO et al, 2017) e de poemas do Apêndice virgiliano por Marina Cavichiolo Grochocki (2019). Considerando apenas a produção latina antiga, destaca-se aí a ausência de traduções poéticas das Bucólicas de Calpúrnio Sículo e das Éclogas de Einsiedeln, sendo que ambas as obras integram nosso objeto de estudo. A fim de avaliar tais práticas tradutórias, partiremos da concepção de emulação rítmica de Guilherme Gontijo Flores e Rodrigo Tadeu Gonçalves (2014; 2017), das ideias de tradução como criação e crítica, de transcriação e de ruptura dos gêneros de Haroldo de Campos (2013), e também de algumas reflexões acerca do ritmo de Henri Meschonnic (1982; 2010). Verificaremos como os textos traduzidos dialogam com a poesia de língua portuguesa e seus ritmos e como, numa perspectiva trans-histórica, de acordo com Martindale (2006), ressignificam a literatura antiga, criando bases para uma partilha do sensível mais diversa, conforme Jacques Rancière (2000), e para uma revisão dos princípios humanistas, como proposta por Edward Said (2007).
Referências
- CAMPOS, H. A reoperação do texto. 2ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2013.
- ______. Metalinguagem e outras metas. 4ª ed. 4ª reimp. São Paulo: Perspectiva, 2013.
- CARVALHO, R. et al. Por que calar nossos amores? Poesia homoerótica latina. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
- FERNANDES, T. Virgílio no Brasil. Belas Infiéis, v. 7, n. 1, p. 351-373, 2018.
- FLORES, G. G.; GONÇALVES, R. T. Algo infiel: corpo performance tradução. Florianópolis: Cultura e Barbárie; São Paulo: n-1 edições, 2017.
- GROCHOCKI, M. C. A tradição bucólica no Apêndice Virgiliano. 381 f. Dissertação (Mestrado em Letras) – Setor de Ciências Humanas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2019.
- HARDWICK, L. Translating Words, Translating Cultures. Londres: Duckworth, 2000.
- LEFEVERE, A. Translation, Rewriting, and the Manipulation of Literary Fame. Londres: Routledge, 1992.
- MARTINDALE, C.; THOMAS, R. (Orgs.). Classics and the Uses of Reception. Malden: Blackwell, 2006.
- MESCHONNIC, H. Critique du rhythme: anthropologie historique du langage. Lagrasse: Verdier, 1982.
- ______. Poética do traduzir. Tradução de Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: Perspectiva, 2010.
- RANCIÈRE, J. Le partage du sensible: esthétique et politique. Paris: La Fabrique, 2000.
- SAID, E. W. Humanismo e crítica democrática. Tradução de Rosaura Eichenberg. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
- TÁPIA, M.; NÓBREGA, T. M. (Orgs.). Haroldo de Campos – Transcriação. São Paulo, Perspectiva: 2013.
- VIRGÍLIO. Bucólicas. Tradução e comentário de Raimundo Carvalho. Belo Horizonte: Crisálida, 2005.
- ______. Bucólicas. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Cotia: Ateliê Editorial; Campinas: Editora da Unicamp, 2008.
Palavras-chave: poesia bucólica; recepção; tradução; reescrita; ritmo.
5 A velha querela entre poetas e…filólogos? — analisando critérios de tradução nas Letras Clássicas
Rafael Brunhara
Hoje, no campo das Letras Clássicas – os estudos de Latim e Grego Clássico – observamos diversas posições acerca da tradução de textos poéticos. Estas parecem ter sido resumidas numa oposição entre “tradução poética” e “tradução filológica”. Com esta comunicação propõe-se investigar a terminologia usada por tradutores de ambas as “vertentes” ao abordar o texto poético, bem como o histórico desta distinção a partir da consideração dos chamados “critérios de tradução”, sempre explicitados e figurados como importante paratexto que mobiliza de antemão uma concepção de poesia (antiga e/ou moderna) que predispõe o leitor e, geralmente, marca a posição do tradutor diante da aparente dicotomia. Ao fim, pretendemos trabalhar com a hipótese de que tal dicotomia se dá especialmente nas Letras Clássicas em razão de especificidades históricas desta área, que assinalaram, ao longo do tempo, diversas relações com o texto poético.
Referências
- CAMPOS, H. de. Píndaro, hoje. in A arte no Horizonte do provável, São Paulo: Perspectiva, 1969.
- DUARTE, A.S. Por uma história da tradução dos Clássicos Greco-Latinos no Brasil. Translatio. Porto Alegre: vol.12, p.43-62. 2016.
- GENTILI, B. “La traduzione dai lirici. Alcune ossevarzioni sul problema del tradurre” in GENTILI, B. Poesia e pubblico nella Grecia antica. Milano: Feltrinelli, 2006, pp.311-317.
- FURLAN, M. (org.). “Dossiê: Em torno da (re-)tradução dos clássicos”. Scientia traductionis, Florianópolis: vol. 13, 281-348, 2013.
- FURLAN, M. (org.) “Dossiê: Textos clássicos & tradução”. Scientia traductionis, Florianópolis: vol. 10, 2011.
- GONÇALVES, R.T. ; VIEIRA, B. V. G. (orgs.). “Dossiê: Tradução dos clássicos em português”. Curitiba: Revista Letras, 89, 101-269, 2014.
Palavras-chave: tradução, filologia clássica, poesia greco-latina.
6 Traduzir a sátira horaciana: a Arte poética
Guilherme Gontijo Flores
A recepção moderna da Arte poética horaciana interpretou muitas vezes a obra como uma espécie de tratado poético em forma epistolar, ainda que diversas exegeses observassem a singularidade de sua organização aparentemente desordenada. A estranheza da abertura e do encerramento do poema também intrigaram os estudiosos, por destoarem de um enquadramento tratadístico tradicional e se apoiarem no riso, ao modo do que encontramos nos sermones horacianos desde a obra satírica. Levando em conta a instabilidade genérica constitutiva da Arte poética, busco apresentar alguns problemas tradutórios que envolvem a decisão de ler esta obra com ênfase nos vários momentos de riso e que demandam, sobretudo no caso de uma tradução poética, uma linguagem que restaure seu caráter satírico.
Referências
- Alberte, Antonio. “Coincidencias estético-literarias en la obra de Cicerón y Horacio”. Emerita, vol. 57, no. 1, 1989, pp. 37-88.
- Asmis, Elizabeth. “Neoptolemus and the Classification of Poetry”. Classical Philology, vol. 87, no. 3, 1992, pp. 206-231.
- Brink, C. O. Horace on Poetry: Prolegomena to the literary Epistles. Cambridge: Cambridge University Press, 1963.
- _________. Horace on Poetry II: The Ars poetica. Cambridge: Cambridge University Press, 1971.
- Falcão, Pedro Braga/ Horácio. Epístolas. Lisboa: Cotovia, 2017.
- Flores, Guilherme Gontijo. “Tradutibilidades em Tibulo” In: Scientia traductionis. N. 10, 2011. http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/scientia/article/view/1980-4237.2011n10p141/19994.
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- Golden, Leon. “Commentary to the Ars poetica” In: Hardison, O .B. & Golden, Leon (eds.) Horace for students of literature: the “Ars poetica” and its tradition. Gainesville: University Press of Florida, 1995, pp. 23-41.
- Grimal, Pierre. Essai sur l’Art Poétique d’Horace. Paris: PUF, 1968.
- Hardison, O .B. & Golden, Leon (eds.) Horace for students of literature: the “Ars poetica” and its tradition. Gainesville: University Press of Florida, 1995.
- Q. Horati Flacci Opera. ed. H. W. Garrod, Oxford, Clarendon Press, 1901.
- Q. Horati Flacci Opera. ed. F. Klingner, Leipzig, Teubner, 1959.
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- Kilpatrick, Ross S. The poetry of friendship: Horace, Epistles I. Edmonton: The University of Alberta Press, 1986.
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- Maciel, Bruno; Monteiro, Darla; Avelar, Júlia; & Bianchet, Sandra (orgs.). Epistula ad Pisones. ed. bilíngue. Belo Horizonte: FALE/UFMG, 2013.
- Maciel, Bruno Francisco dos Santos. O poeta ensina a ousar: ironia e didatismo nas Epístolas de Horácio. Dissertação de mestrado. UFMG. Belo Horizonte, 2017.
- Moralejo, José Luís & Horácio. Sátiras, Epístolas, Arte poética. Introducciones, traducción y notas de José Luis Moralejo. Madrid: Gredos, 2008.
- Prado, João Batista Toledo. Canto e encanto, o charme da poesia latina: Contribuição para uma poética da expressividade em língua latina. Tese de doutorado na Usp. São Paulo, 1997.
- Rosado Fernandes, R. M. & Horácio. Arte poética: Sátira I, 4; Epístolas II, 1 a Augusto; II, 2, a Floro; Epístola aos Pisões, ou ARTE POÉTICA. Introdução, tradução e comentário de R. M. Rosado Fernandes. 4. ed. revista e aumentada. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.
- Rostagni, Alberto. Arte poetica. Introduzione e commento di A. Rostagni. Turim: s/e, 1930.
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- Valette-Cagnac, Emmanuelle. La lecture à Rome: rites et pratiques. Courtry: Belin, 1997.
- _________. “Horácio, Arte poética 1-100”. In: Letras clássicas, n. 15. São Paulo: Edusp, 2015, pp. 88-90. Consultado em http://www.revistas.usp.br/letrasclassicas/article/view/104952/103741.
- Wickham, E.G. The Works of Horace with a Commentary. 2 vols. Oxford: Oxford University Press, 1891.
- Wickham, Edward C. & Garrod, H. W. Q. Horati Flacci Opera recognovit brevique adnotatione critica intruxit Eduardus C. Wickham, editio altera curante H. G. Garrod. Oxford: Oxford University Press, 1901.
Palavras-chave: Poesia romana, Tradução poética, Sátira, Arte Poética.
7 Derivações estéticas da Ilíada
Leonardo Antunes
A partir das traduções de um mesmo trecho da Ilíada feitas por uma série de tradutores diferentes, analisarei como essas traduções partem de (e apontam para) diferentes potencialidades poéticas do texto de Homero e, ao fazê-lo, se constituem em textos novos, autônomos, que se expandem a partir da cristalização do procedimento estético adotado. Nesse movimento, ficarão salientados, ao mesmo tempo, a identidade própria de cada tradução e suas relações de complementariedade umas com as outras e com o texto de partida.
Referências
- CAMPOS, Haroldo. Transcriação. Organizado por Marcelo Tápia e Thelma Médici Nóbrega. São Paulo: Perspectiva, 2013.
- ECO, Umberto. Obra aberta. São Paulo: Perspectiva, 1991.
- FLORES, G. G.; Gonçalves, R. T. Algo infiel. São Paulo: n-1 edições, 2017.
- HOMERO. Ilíada. Tradução de Christian Werner. São Paulo: Ubu, 2018.
- _____. Ilíada. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Rio de Janeiro, Ediouro, 2001.
- _____. Ilíada. Tradução de Odorico Mendes. Rio de Janeiro/São Paulo/Porto Alegre/Recife: W. M. Jackson Inc. Editôres, 1964.
- _____. Ilíada. Tradução de Haroldo de Campos. Vol. 1. São Paulo: Editora Mandarim, 2001.
- _____. Ilíada. Tradução de Frederico Lourenço. São Paulo: Penguin/Companhia das Letras, 2005.
- SÓFOCLES. Édipo Tirano. Tradução de Leonardo Antunes. São Paulo: Todavia, 2018.
- TÁPIA, Marcelo. “O confronto com o impossível”. Revista Circuladô, v. 3, p. 26, 2016.
Palavras-chave: Homero, Ilíada, Derivação Estética, Tradução de Poesia.
8 Alegorese e exemplaridade na interpretação do mito de Narciso no Ovide Moralisé (século XIV)
Rodrigo Lemos
A versão de Ovídio nas Metamorfoses para a história de Narciso (OVÍDIO, 2006) é uma referência central na trajetória do mito na literatura europeia. Sua presença atravessa a literatura francesa da Idade Média, especialmente em obras como o poema anônimo Narcisus et Dané (S/A, 2002) e o Roman de la Rose, de Guillaume de Lorris e de Jean de Meung (LORRIS; MEUNG, 1984). Chama a atenção, nesse conjunto de textos medievais, o Ovide moralisé, texto anônimo datado do início do século XIV que se apresenta como uma tradução das Metamorfoses (S/A, 1915) Trata-se de uma das obras mais proximamente associadas à preservação da memória dos mitos antigos durante a Idade Média, dentre os quais o de Narciso. É sobre os versos dedicados a esse mito que esta comunicação debruçar-se-á, destacando os elementos divergentes da tradução quanto ao texto original. Acordaremos especial atenção aos extratos interpolados à narrativa traduzida do latim nos quais o narrador medieval expõe uma moralidade que está ausente do poema de Ovídio. Procederemos primeiramente à exposição da estrutura narrativa da versão ovidiana de Narciso, que vai da falta motivada pela húbris do herói à expiação do erro determinada pelos deuses, fundada em um ciclo implacável, identificável também em algumas tragédias pagãs. Em seguida, será a vez do Ovide moralisé, examinando-se a sequência narrativa da tradução medieval, bem como os trechos de caráter moralizante, que trazem advertências quanto a vícios dos quais Narciso ofereceria um exemplo negativo, explicitamente o orgulho e a vaidade. Finalmente, assinalaremos como tais advertências fazem eco a outros textos, religiosos e filosóficos, que influíram na cultura literária do período medieval, dentre os quais a Bíblia (em especial o livro do “Gênesis” e o “Eclesiastes”, S/A, 2002) e a Suma Teológica, de São Tomás de Aquino (AQUINO, São Tomás de, 1888). Mostraremos, desse modo, como o quadro cultural cristão influi nessa releitura medieval do mito presente no Ovide moralisé, tanto nas passagens narrativas quanto naquelas de caráter moralizante mais acentuado. Igualmente, teremos a ocasião de discutir a noção de tradução no período medieval, sobretudo de obras pagãs, por meio do procedimento da alegorese, a qual consiste na interpretação das figuras da Antiguidade como integumenta de verdades morais e teológicas cristãs (POSSAMAI-PEREZ, 2008).
Referências
- AQUINO, T. Summa Theologiae, edição leonina. Rome: 1888, consultado no site http://www.corpusthomisticum.org em 25 de junho de 2019.
- BÍBLIA DE JERUSALÉM, nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002.
- LORRIS, G.; MEUNG, J. Roman de la Rose. Paris: Gallimard, coll. “Folio”, 1984.
- NARCISUS ET DANÉ. traduit en anglais par Penny Eley. Liverpool: The University of Liverpool Press, coll. “Liverpool Online Serie”, 2002, consultado no endereço:
- http://www.liv.ac.uk/www/french/LOS/ em 25 de junho de 2019.
- POSSAMAI-PEREZ, M. “Ovide au Moyen-Âge”, conferência proferida na Universidade de Rennes em 13 de abril de 2008, disponível no endereço: https://halshs.archives-ouvertes.fr/halshs-00379427/PDF/Ovide_au_Moyen_ge.pdf e acessado em 7 de janeiro de 2019.
Palavras-chave: Narciso; Ovídio; Ovide moralisé; tradução; alegorese.
9 Baudelaire na triple frontera: considerações sobre a rasura da origem
Eleonora Frenkel
A comunicação apresenta uma análise da transcriação do poema L’albatros (1857), de Charles Baudelaire, realizada por Douglas Diegues e publicada em Tudo lo que você non sabe es mucho más que todo lo que você sabe (2015). A tradução é pensada com Walter Benjamin, a partir do ensaio “A tarefa do tradutor” (1923), que traz reflexões sobre a tradução como um “continuum de transformações”, uma potência de desdobramento de um texto de partida que deixa de ser um original divinizado, ao qual se deve fidelidade e similitude, para ser a origem da qual emerge o contato com o divergente e o atravessamento pelo estrangeiro. Nesse sentido, contribui a perspectiva de Haroldo de Campos, que reivindica a tradução criativa como um enfrentamento da diferença e da alteridade contra um original que se impõe como autoridade; transgressora, demoníaca, a operação radical da tradução-transcriação será qualificada como “transluciferação”, uma “desmemória parricida” (CAMPOS, 1981), na qual o original se oblitera como autoridade a ser imitada. Como tradutores de Baudelaire, procura-se estabelecer uma articulação crítica entre os procedimentos de tradução levados a cabo por Benjamin e Diegues, em seus contextos específicos, questionando como suas traduções intervêm nos respectivos “polissistemas literários” (Itamar Even-Zohar, 1996) nos quais se inscrevem. Como nos mostra a análise de Lages (2007), o projeto de tradução levado a cabo por Benjamin vem a se opor à tradução realizada 20 anos antes por Stefan George, pois enquanto este opera um movimento de domesticação da língua estrangeira, Benjamin defende, apoiando-se em Rudolf Pannwitz, que o tradutor deve deixar-se abalar violentamente pela língua estrangeira, ampliando, aprofundando e libertando sua própria língua por meio do elemento estrangeiro. No contexto latino-americano, a tradução paródica do poema em francês para o portunhol selvagem pode ser lido como gesto de descolonização, onde se promove – mais do que a abertura da língua de chegada à estrangeiridade da língua de partida (entre as quais a relação histórica é de subordinação) –, o atravessamento da língua homogeneizada e imposta como nacional em um processo de conquista territorial e colonização cultural que tende ao extermínio de línguas originárias e ao apagamento de diferenças. A transdeliração de Diegues aparece como um gesto barroco de apropriação transgressiva da tradição (a partir da leitura de CAMPOS, 2011), ao traduzir para uma “língua impura”, com elementos paródicos e patéticos, um poema que se traduz para o português brasileiro desde 1878 de modo sublimador.
Referências
- BAUDELAIRE, Charles. As flores do mal. Tradução de Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012. Edição bilingue.
- BENJAMIN, Walter. “A Tarefa-Renúncia do Tradutor”. Tradução de Susana K. Lages. In: Werner Heidermann (org.). Clássicos da Teoria da Tradução, Vol. 1, Alemão-Português, Florianópolis: UFSC, Núcleo de Tradução, 2001, pp. 188-215.
- CAMPOS, Haroldo de. “Tradição, tradução, transculturação: o ponto de vista do ex-cêntrico”. Tradução de Aline de Oliveira. In: _________. Da transcriação.
- Poética e semiótica da operação tradutora. Belo Horizonte: FALE, 2011, pp. 123-131.
- ________. Deus e o diabo no Fausto de Goethe. São Paulo: Perspectiva, 1981.
- DIEGUES, Douglas. Tudo lo que você non sabe es mucho más que todo lo que você sabe. Brasil: Vento Norte Cartonera, 2015. Disponível em: https://issuu.com/elilacardenas/docs/douglas_diegues (Consultado 07/05/2019).
- EVEN-ZOHAR, Itamar. “A posición da traducción literaria dentro do polisistema literario”, Viceversa, Revista Galega de Traducción, 1996, número 2, pp. 57-65.
- LAGES, Susana Kampff. “Walter Benjamin, tradutor de Baudelaire”, Revista Alea, volume 9, número 2, julho-dezembro 2007, p. 239-249.
Palavras-chave: transcriação; origem; Baudelaire; portunhol.
10 Escrever a história da tradução: o problema da escala
Karina Lucena
No campo da história, o debate sobre sua escrita está consolidado com perspectivas diversas e consistente bibliografia, da qual participam nomes incontornáveis como Michel de Certeau, Peter Burke, Roger Chartier, Marc Bloch. A história literária, na corrente desse debate, também vem refletindo sobre formas de escrita; uma perspectiva interessante é a de Franco Moretti e suas conjecturas sobre a literatura mundial, que propõe alternativas aos recortes nacionais. Considerando esse acúmulo vindo da história e da história literária, o objetivo desta comunicação é pensar a escrita da história da tradução, em especial a partir do problema da escala. Sistema-mundo, sistema nacional, micro e macro-história são categorias percorridas neste estudo, a fim de compreender as especificidades da história da tradução. Além dos autores anteriormente citados, integram nossa base teórica Walter Benjamin, Pascale Casanova, Patricia Willson e Sergio Waisman. Para exemplificar o raciocínio, utilizamos casos do sistema literário argentino.
Referências
- BENJAMIN, Walter. Escritos sobre mito e linguagem. Organização, apresentação e notas de Jeanne Marie Gagnebin. Tradução de Susana Kampff Lages e Ernani Chaves. São Paulo: Editora 34, 2013.
- ______. La tarea del crítico. Edição de Mariana Dimópulos. Tradução de Ariel Magnus. Buenos Aires: Eterna cadencia, 2017.
- ______. Linguagem, tradução, literatura (filosofia, teoria e crítica). Edição e tradução de João Barrento. Belo Horizonte: Autêntica, 2018.
- BLOCH, Marc. Apologia da história: ou O ofício do historiador. Tradução de André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
- BURKE, Peter (org.). A escrita da história: novas perspectivas. Tradução de Magda Lopes. São Paulo: UNESP, 1992.
- CASANOVA, Pascale (1999). A república mundial das letras. Tradução de Marina Appenzeller. São Paulo: Estação Liberdade, 2002.
- CERTEAU, Michel de. A escrita da história. Tradução de Maria de Lourdes Menezes. Rio de Janeiro: Forense, 2013.
- CHARTIER, Roger. A história ou a leitura do tempo. Tradução de Cristina Antunes. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.
- LÖWY, Michael. Walter Benjamin: aviso de incêndio – Uma leitura das teses “Sobre o conceito de história”. Tradução de Wanda Nogueira Caldeira Brant. Tradução das teses Jeanne Marie Gagnebian e Marcos Lutz Müller. São Paulo: Boitempo, 2005.
- MORETTI, Franco (1997). Atlas do romance europeu 1800 – 1900. Tradução de Sandra Guardini Vasconcelos. São Paulo: Boitempo, 2003.
- ______ (2000). Conjeturas sobre a literatura mundial. Tradução de José Marcos Macedo. Novos Estudos CEBRAP. n. 58, nov. 2000.
- ______ (2013). Lectura distante. Traducción de Lilia Mosconi. Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 2015.
- WAISMAN, Sergio. Borges y la traducción. Traducción de Marcelo Cohen. Buenos Aires: Adriana Hidalgo editora, 2005.
- WILLSON, Patricia. La Constelación del Sur: traductores y traducciones en la literatura argentina del siglo XX. Buenos Aires: Siglo XXI editores, 2017.
- ______. Página impar: Textos sobre la traducción en Argentina: conceptos, historia, figuras. Buenos Aires: EThos Traductora, 2019.
Palavras-chave: história da tradução; escrita da história; escala; história literária; literatura argentina.
11 Copiei sim: Macunaíma em tradução
Márcia Moura da Silva
Em meio à efervescência do modernismo nasceu Macunaíma, obra-mestra de Mário de Andrade. Porém, antes de se tornar o cânone que hoje conhecemos, teve uma recepção conturbada, permeada por críticas negativas que atacavam sobretudo o uso inédito da linguagem oral feita pelo escritor paulista, as inúmeras conotações sexuais, consideradas inapropriadas àquela época, e a apresentação de Macunaíma como um suposto símbolo do brasileiro (LOPEZ, 1988). Mas o herói sem nenhum caráter não nasceu em 1928. A obra marioandradina teve por base o relato do etnógrafo alemão Koch-Grünberg (1924), no qual registra a história de Makunaíma, herói ardiloso dos povos pemon, que lhe contaram dois índios da região de fronteira do Brasil, Venezuela e Guiana. Tal fato causaria mais polêmica, pois como poderia um escritor tão bem conceituado simplesmente “copiar” história de outrem? Mas em resposta à defesa do escritor Raimundo Moraes, Mário de Andrade foi categórico: “copiei, sim, meu querido defensor”. Com base nessas deliberações, esta comunicação tem dois objetivos. O primeiro, apoiado nos tipos de tradução do teórico estoniano Peeter Torop (2005), é questionar se a obra marioandradina não seria ela uma tradução e se Mário de Andrade não ocuparia a dupla função de autor e tradutor da rapsódia. Na apresentação da tradução intertextual e intratextual, Torop ressalta que não há textos puros, visto que ao escrever um texto, além da reflexão pessoal, o autor recebe influências externas. Assim, sua criatividade não se manifesta somente no que diz respeito à reflexão pessoal, mas também à sua capacidade de síntese do material alheio. O papel do tradutor seria o de notar a presença do texto alheio, tornando-o reconhecível para o leitor do texto de chegada. Enquanto a tradução intertextual realiza-se quando ocorre a assimilação, implícita ou explícita, consciente ou inconsciente, de outros textos, a tradução intratextual refere-se aos vínculos do autor consigo mesmo, à sua poética. O segundo objetivo da comunicação é discutir a posição que a obra ocupa no sistema literário brasileiro, comparando-a à posição de sua tradução em língua inglesa no sistema literário de chegada com base na teoria dos polissistemas de Even-Zohar (1978), para quem as traduções têm o potencial de enriquecer o polissistema nacional ao introduzirem novos modelos e linguagem poética.
Referências
- ANDRADE, Mário. Carta aberta ao Diário Nacional, a. 5, no. 1.262. São Paulo, domingo, 20 set. 1931, p. 3.
- EVEN-ZOHAR, Itamar. Paper in historical poetics. Tel-Aviv: The Porter Institute for Poetics and Semiotics, 1978.
- KOCH-GRÜNBERG, Theodor. Del Roraima al Orinoco. Tomo II. Traducción Federica de Ritter. Caracas: Banco Central de Venezuela, 1981.
- LOPEZ, Telê Porto A. (coord.). Macunaíma, o herói sem nenhum caratér – Edição Crítica de Macunaíma. Florianópolis: Editora da UFSC/UNESCO, 1988.
- TOROP, Peeter. La traduzione totale: tipi di processo traduttivo nella cultura. Tradução de Bruno Osimo. Milano: Ulrico Hoepli Editore, 2010.
Palavras-chave: estudos da tradução; Macunaíma; modernismo; tipos de tradução; teoria dos polissistemas.
12 Multitudinous heart: uma análise da tradução de poemas drummondianos para a língua inglesa
Mariane Rocha
Este trabalho analisa três poemas de Carlos Drummond de Andrade traduzidos para língua inglesa por Richard Zenith. Os poemas foram publicados na coletânea Multitudinous heart: selected poems by Carlos Drummond de Andrade (2015). O objetivo desta análise é, reconhecendo o processo tradutório como um fenômeno intertextual, entender o diálogo entre a obra original e a obra traduzida, atentando para fatores como o contexto de recepção e examinando como o tradutor soluciona problemas próprios da tradução de poesia, como a correspondência de ritmo e sons e a correspondência semântica entre sistemas linguísticos tão diferentes quanto o inglês e o português. Assim, a presente análise não busca verificar se a tradução foi ou não fiel ao texto original, nem mesmo qualificar os erros e acertos do tradutor, espera-se, antes, entender os mecanismos de língua que o tradutor utilizou e verificar de quais maneiras o original se manifesta na tradução, a fim de aprofundar o entendimento sobre as características da lírica drummondiana que permanecem ou não nos poemas traduzidos. Para elaborar essa reflexão, além dos poemas selecionados, também são utilizadas traduções realizadas anteriormente por outros tradutores, com o intuito de comparar e contrastar diferentes abordagens do texto poético e suas soluções linguísticas, bem como as reflexões teóricas de John Gledson (2003) e Walter Benjamin (2008). É importante enfatizar que a poesia drummondiana oferece um grau de dificuldade bastante alto a qualquer tradutor, seja pela extensão de sua obra, seja pelos diferentes contextos temporais em que o poeta escreveu. Apesar disso, foi possível afirmar que o tradutor realiza um trabalho bem-sucedido na tradução drummondiana, sendo capaz de equilibrar criativamente forma e conteúdo. Zenith apresenta uma exímia capacidade de leitura dos poemas drummondianos e consegue tomar decisões sábias sobre o que preservar, o que dar destaque e, consequentemente, o que deixar em segundo plano, principalmente, quando posto em comparação a outros tradutores que trabalharam com poemas de Drummond anteriormente, como Elizabeth Bishop e John Nist, Zenith. Entendemos aqui, que ele apresenta as traduções mais sensíveis poeticamente. Traçamos assim algumas hipóteses e delimitamos o que pareceram tendências nos poemas analisados, a fim de iniciar o debate sobre essa tradução que é ainda recente.
Referências
- ANDRADE, Carlos Drummond. Nova reunião: 23 livros de poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015
- ANDRADE, Carlos Drummond. Multitudinous heart: Seletected poems, a bilingual edition. Trad. Richard Zenith. New York: Farrar, Straus and Giroux, 2015.
- BENJAMIN, Walter. A tarefa do tradutor de Walter Benjamin: quatro traduções para o português. Belo Horizonte: Fale/UFMG, 2008.
- GLEDSON, John. Influências e impasses: Drummond e alguns contemporâneos. São Paulo: Companhia das letras, 2003.
Palavras-chave: tradução literária; tradução de poesia; poesia brasileira; Carlos Drummond de Andrade, Richard Zenith.
13 Uma tradução transcriadora de Amœnitates belgicæ, de Charles Baudelaire
Rafael Prudêncio
Este trabalho tem como objetivo apresentar uma tradução inédita para o português dos poemas de Charles Baudelaire, publicados postumamente, na obra intitulada Amœnitates belgicæ. Esses poemas refletem a experiência de Baudelaire na Bélgica, em seus últimos anos de vida. Buscando ganhar prestígio e dinheiro, como lembra seu biógrafo Charles Asselineau, Baudelaire seguiu o exemplo de autores como Dickens, Thackeray, Longfellow e Poe e saiu de seu país para dar conferências, fazer leituras públicas e publicar seus livros. Na Bélgica, no entanto, o autor de Flores do Mal não tem o reconhecimento que esperava. Relatos apontam que, além da poesia de Baudelaire não despertar o interesse dos intelectuais belgas, o poeta francês era um péssimo orador. Logo, foram pouquíssimas as conferências que ele proferiu. Esses poemas são, portanto, fruto da raiva e da decepção de Charles Baudelaire e trazem um olhar do colonizador que aponta para os defeitos – que eram, na verdade, problemas de um país que ainda não estava desenvolvido – do país e do povo, sobretudo para sujeira de Bruxelas, a higiene dos Belgas e o modos das pessoas. Busca-se, nesse trabalho, fazer dois movimentos tradutórios: em um primeiro momento, realizar uma tradução literal dos poemas, procurando apenas informar o leitor a respeito do seu conteúdo semântico; em seguida, tomando-o como baliza, realizar uma tradução visando alcançar a criação de um poema análogo. Nesse sentido, a concepção de tradução como recriação, como transcriação orienta a reflexão. Uma tradução que, seguindo as ideias de Walter Benjamin (2008), não sirva apenas como um meio de comunicação. Como afirma Haroldo de Campos, na tradução de um poema, o essencial não é a reconstituição da mensagem, “mas a reconstituição do sistema de signos em que está incorporada esta mensagem, da informação estética, não da informação meramente semântica” (CAMPOS, 2010, p.100) Com essa segunda tradução pretende-se capturar o espírito do poema para recriá-lo em português, considerando tanto os aspectos formais quanto os aspectos materiais a fim de “redimir na língua própria aquela língua pura que se exilou nas alheias, a de a libertar da prisão da obra através da recriação poética”. (BENJAMIN, 2008, p.95, 96)
Referências
- ASSELINEAU, Charles. Charles Baudelaire, sa vie et son œuvre. Rugged Publishing, 2014. Edição do Kindle.
- BAUDELAIRE, Charles. Charles Baudelaire: L’édition complète. La Décimale, 2014. Edição do Kindle.
- BENJAMIN, Walter. A tarefa do tradutor. Tradução de João Barrento. Lisboa: Universidade Nova de Lisboa, 2008.
- CAMPOS, Haroldo de. A arte no horizonte do provável. São Paulo: Perspectiva, 2010.
Palavras-chave: Charles Baudelaire; literatura francesa; tradução; transcriação.
Palavras-chave: Narciso; Ovídio; Ovide moralisé; tradução; alegorese.
14 A “diegese” em tradução: considerações sobre a tradução do termo diegesis em Platão e Aristóteles
Thiago Koslowsky da Rosa
O objetivo do presente trabalho é fazer uma breve análise dos usos do conceito de “diegese” nas obras A República de Platão e a Poética de Aristóteles, considerando em seguida como esses termos foram vertidos nas respectivas traduções em língua portuguesa de Maria Helena da Rocha Pereira (1987) e Eudoro de Souza (1996), buscando avaliar o quanto as traduções podem revelar posições correntes da crítica literária e narratológica do período em que foram produzidas. O termo grego diegesis comumente traduzido para o português como “narrativa” envolve, no entanto, uma polissemia de difícil solução já nos autores gregos do período clássico como Platão e Aristóteles. Para Platão, esse termo constitui a base do fazer literário (República, 392d), sendo a mimese uma categoria dentro da diegese; posição oposta é a apresentada por Aristóteles em sua Poética, destacando, pelo contrário, a diegese como um modo da mimese (Poética, 1459b). Pretende-se, assim, avaliar as possíveis diferenças de sentido apresentadas em recortes selecionados das obras destacadas dos dois autores. Leva-se em conta também desdobramentos da crítica narratológica do século XX, como a distinção feita pelos formalistas russos entre fábula e trama (TOMACHEVSKI, 1976), a delimitação de Gérard Genette (1972) das três acepções de récit (termo francês correlato à narrativa e diegese, o qual apresenta problemas semelhantes de definição), e as três categorias de análise do récit – tempo, aspecto e modo – propostos por Tzvetan Todorov (1966). Esses autores serão importantes na análise justamente por demostrarem a dificuldade de se estabelecer um sentido primeiro para conceitos como diegese, narrativa, récit e outros termos correlatos. Para a abordagem das traduções, utiliza-se a linha da teoria dos polissistemas de Itamar Even-Zohar (1990), assim como desdobramentos dos estudos descritivos da tradução (TOURY, 1995) de modo a buscar não o juízo de valor das traduções em questão, mas a busca por fatores ou normas culturais que influenciaram nas escolhas tradutórias para o termo diegesis, assim como a recepção, a repercussão, dessas traduções dentro do seu polissistema literário.
Referências
- ARISTÓTELES. Poética. Tradução, Prefácio, Introdução, Comentário e Apêndice de Eudoro de Souza. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1994. 4 ed.
- EVEN-ZOHAR, Itamar. Polysystem studies. [ = Poetics today, v. 11, n.1], 1990. Disponível em: <https://m.tau.ac.il/~itamarez/works/books/Even-Zohar_1990—Polysystem%20studies.pdf>. Acesso em 21 jul. 2019.
- GENETTE, Gérard. Figures III. Paris: Éditions du Seuil, 1972.
- PLATÃO. A República. Introdução, Tradução e Notas de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 9 ed.
- TODOROV, Tzvetan. Les catégories du récit littéraire. Communications, 8, p. 125-151, 1966. Disponível em: https://www.persee.fr/doc/comm_0588-8018_1966_num_8_1_1120 Acesso em 21 jul. 2019
- TOMACHEVSKI, B. Temática. IN: Toledo, D. O. (Org.) Teoria da Literatura: formalistas russos. Tradução Porto Alegre: Editora Globo, 1976. p. 169-204
- TOURY, Gideon. Descriptive Translation Studies – and beyond. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins Publishing Company, 1995.
Palavras-chave: diegese; Platão; Aristóteles; polissemia; tradução.
15 Narrativas sobre Clitemnestra: análises comparativas
Tiago Irigaray
As tragédias eram um grande evento na pólis de Atenas, uma pólis onde a tensão de gênero era muito intensa (FOLEY, 2001). As tragédias falam de mitos consolidados pela poesia homérica ainda no Período Arcaico, onde a Oresteia (mito sangrento de Clitemnestra e sua família) influenciava fortemente a Odisseia. Além disso, a condição da mulher nobre do período arcaico era muito melhor do que as restrições reclusivas impostas às esposas atenienses (FOLEY, 2001). A estrutura conflituosa da tragédia, contudo, faz com que a tensão de gênero venha à tona sob a roupagem do conflito trágico, o que também acontece em muitas tragédias e comédias, como Antígona e Lisístrata. Na Oresteia, de Ésquilo, esse conflito vem imiscuído com intrincadas e diferentes concepções de justiça, outro assunto também espinhoso para a pólis. Clitemnestra planeja com seu amante, Egisto, o assassinato de seu marido, Agamêmnon, por ele ter sacrificado a filha do casal para ir para Troia. Ela clama ter feito justiça, mas é reduzida a uma mera má esposa e mulher adúltera e todo o seu sólido e válido argumento, advindo da condição da maternidade, é desconsiderado, apesar de não obter nenhuma resposta satisfatória que justifique que seu ato não era justo (CHESI, 2014). Sófocles e Eurípedes também abordaram o complexo mito da Oresteia escrevendo cada um sua respectiva Electra. No cotidiano da cidade-estado ateniense, a imagem trágica de Clitemnestra começa a ser evocada para envergonhar e acusar mulheres, uma vez que a heroína trágica “embodies the greatest threats to the cultural system of which a wife is capable” (FOLEY, 2001, pg. 201). Um ateniense acusa sua madrasta de ter executado seu pai e a compara com Clitemnestra no tribunal ateniense (CARTLEDGE, 2002). Também o estigma da mulher adúltera e todas as sanções que esta sofria passam a fazer relação com o tratamento que teve a heroína trágica. À luz do conhecimento que temos hoje sobre a dinâmica dos valores patriarcais, a recepção das supracitadas obras e a interpretação dos atos de Clitemnestra se transforma enormemente. Como metodologia, utilizo a leitura comparativa entre as diferentes representações de Clitemnestra de Homero, Ésquilo, Sófocles e Eurípedes, bem como consulta à bibliografia especializada. Os resultados obtidos até o momento indicam que há sim considerável influência de Clitemnestra no cotidiano e no imaginário da pólis ateniense, que essa influência é usada para atacar as mulheres que destoam dos valores familiares patriarcais (principalmente as esposas), e que pode haver uma interessante ligação entre a figura de Clitemnestra e o estigma da mulher adúltera.
Referências
- ARISTÓFANES. Lísistrata. Trad. Mário da Gama Kury. Zahar, Rio de Janeiro, 2006.
- CARTLEDGE, P (Org). História Ilustrada da Grécia Antiga. Trad. Laura Alves e Aurélio Rebello. Brasil: 2002.
- CHESI, G.M. The play of words – blood ties and power relations on Aeschylus’ Oresteia. Berlim: DeGrutyer, 2014.
- ÉSQUILO. Agamêmnon. Trad. Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 2004.
- ÉSQUILO. Cóeforas. Trad. Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 2005.
- ÉSQUILO. Eumênides. Trad. Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 2006.
- EURÍPIDES. Electra. Trad. Karen Amaral Sacconi. Electra de Eurípides:
- Estudo e Tradução. Tese de Mestrado em Letras Clássicas – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, 2012.
- FOLEY, H. P. Female acts in greek tragedy. New Jersey: Princeton University
- Press, 2001.
- HOMERO. Odisseia. Trad. Christian Werner. São Paulo: Cosac&Naify, 2014.
- SÓFOCLES, Antígona. Trad. Lawrence Flores Pereira. Topbooks, Rio de Janeiro, 2006.
- SÓFOCLES, Electra. Trad. Mário da Gama Kury. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1965.
Palavras-chave: Oresteia; tragédia; Grécia clássica; Clitemnestra; período arcaico.
16 Traduções de Cortázar no Suplemento Literário de Minas Gerais
Tiago Pedruzzi
O presente trabalho é parte do projeto de pesquisa intitulado Recepção de Cortázar no Brasil desenvolvido, atualmente, no Instituto Federal Catarinense, que tem como objetivo reunir os dados possíveis acerca do modo como a crítica brasileira recebeu o escritor argentino por meio das obras literárias. Basicamente, os textos de Cortázar começaram a ser traduzidos, editorialmente, na década de 70, por Glória Rodrigues e publicados pela Editora Civilização Brasileira. No entanto, em nossas pesquisas encontramos traduções para o português realizadas ainda nos anos 60, entre 1968 e 1969, bem como, traduções do começo dos anos 70 de alguns contos de Cortázar, publicados no Suplemento Literário de Minas Gerais, distribuído semanalmente, acompanhando o jornal oficial do Estado, o Minas Gerais, até 1992. Entre alguns contos, podemos citar Todos os fogos o fogo, Propriedades de um sofá, A banda, As babas do diabo, além de outros. Diante dessa situação, colocamos as narrativas originais e suas traduções e observamos diferenças que vão desde aspectos lexicais até aspectos semânticos. Assim, este trabalho busca perscrutar essas diferenças, partindo de uma análise comparativa e buscando compreender, antes de tudo, a importância que os textos traduzidos tiveram para os leitores brasileiros. Também se busca verificar se a publicação em periódico imprime algum traço que, posteriormente, foi apagado na tradução em livro. Junto a isso, não devemos ignorar que os textos publicados no periódico tinham o caráter de divulgação e que pode ter tido outro tratamento na tradução “oficial”. Para a realização de tal análise, apoiamo-nos em obras críticas que permitem, de alguma forma, pensar as escolhas por parte dos tradutores a partir, principalmente, dos níveis lexical, sintático e semântico, conforme o modelo proposto por Pagni e também, verificar quais características do texto original se mantiveram na língua meta, segundo apresenta Paulo Henriques Britto na sua obra A tradução literária. Além disso, também utilizaremos as ideias propostas por Henry Meschonnic em sua obra Poética do traduzir.
Referências
- BRITTO, Paulo Henriques. A tradução literária. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012.
- SUPLEMENTO LITERÁRIO. Estado de Minas Gerais. http://www.letras.ufmg.br/websuplit/index.php
- MESCHONNIC, Henri. Poética do traduzir. Trad. Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: Perspectiva, 2010.
- PAGNI, Andrea. América Latina como espacio de traducciones. Aportes para una historia de la traducción literaria. In: Espaço / espaços – Estudos de Literatura Comparada. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2017.
Palavras-chave: tradução; Julio Cortázar; literatura ficcional; conto; recepção.
