Mesa-redonda 3

25 de outubro de 2019 (sexta-feira), 9h a 10h

FRONTEIRAS INTERNAS EM TEMPOS DE INTERNACIONALIZAÇÃO

Pedro Mandagará
Anselmo Peres Alós
Rita Schmidt

A tradução no Antropoceno: “Natureza” e “Nação” em dois pensadores ameríndios

Pedro Mandagará

Nesta fala, mostrar-se-á como dois pensadores ameríndios, Davi Kopenawa e Ailton Krenak, descrevem as relações entre Natureza e Nação em suas falas e escritas. De alguma forma, ambos pensam o mundo a partir de seu fim, dialogando com uma tradição apocalíptica. Ambos consideram o aquecimento global e a destruição ambiental como processos que destroem não apenas o mundo ameríndio, mas a todos e todas. Ambos, também, consideram possibilidades de atrasar essa “queda do céu” ou fim do mundo natural, mas para isso é necessário repensar a relação entre a política (nacional ou internacional) e as políticas (de desenvolvimento). Para isso, os conceitos de “Nação” e “Natureza” devem ser repensados a partir da tradução conceitual das ontologias ameríndias.

Pedro Mandagará é graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2005), Mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (2008) e Doutor em Letras pela PUCRS (2012). Atualmente, é Professor Adjunto da Universidade de Brasília e pesquisador do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea (GELBC). É editor assistente da Revista Cerrados (UnB). Trabalha com literaturas indígenas brasileiras e com ecocrítica.

Drag families, queer nations: resistir ao terrorismo de Estado heterossexual

Anselmo Peres Alós (UFSM)

Das drag families estadunidenses retratadas em Paris is Burning (1990, dir. Jennie Livingston) à lógica da homofobia parental discutida por Sarah Schulman (Ties that Bind, 2009), passando pela clássica antologia organizada por Michael Warner (Fear of a Queer Planet, 1993), é possível rastrear uma evidente lógica de terror de Estado a ameaçar a vida, a cidadania e os direitos mais básicos das comunidades gay-les-bi-transexuais. Do levante de Stonewall Inn em 1969 às comemorações pela conquista do direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo (legalizado no Brasil em 2013), o Estado-Nação cooptou as multidões queer em nome de um homonacionalismo (cf. Jasbir Puar, Terrorist Assemblages, 2007) que vem higienizando as comunidades queer em nome da lógica do capitalismo internacional. O que implica pensar o Brasil (e consequente demanda epistemológica por internacionalização nas instituições produtoras de conhecimento, especialmente as universidades) nesse contexto, já que o país que mais mata transexuais é também um dos mais desejados destinos para o turismo gay euro-estadunidense?

 Anselmo Peres Alós é Doutor em Letras (2007) pela UFRGS e Professor Adjunto IV na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Foi Professor Visitante na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu/PR e Professor-Leitor junto ao Instituto Superior de Ciência e Tecnologia de Moçambique. É Líder do Grupo de Pesquisa “Trânsitos teóricos e deslocamentos epistêmicos: feminismos, estudos de gênero e teoria queer”. Membro da ANPOLL desde 2017, junto ao Grupo de Trabalho “Homocultura e Linguagens”. Membro da ANPOF desde 2018, junto ao Grupo de Trabalho “Filosofia e Gênero”. Membro do Comitê Assessor de Ciências Humanas e Sociais (incluindo Letras e Artes) da FAPERGS, Gestão 2017-2019.  

Rita Schmidt realizou curso de pós-graduação na Universidade de Pittsburgh (EUA), recebendo o título de M.A em 1978 e o de PhD em 1983. De 1994 a 2017, foi professora titular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no Departamento de Línguas Modernas. Desde 2017 é professora titular aposentada com vínculo de docente convidada do Programa de Pós-Graduação de Letras da UFRGS. É Bolsista de Produtividade 1B do CNPq, com atuação na área de literatura comparada com foco na literatura de autoria de mulheres a partir de aportes de teorias feministas e pós-coloniais, com ênfase nas relações entre estudos de gênero, de violência e de trauma na perspectiva de interfaces entre literatura, filosofia e direito.