Mesa-redonda 2

24 de outubro de 2019 (quinta-feira), 10h30min a 12h

DIPLOMACIA CULTURAL E SOFT POWER

Paulo Soethe
Rodrigo de Souza Corradi
Denise Sales

Tradução literária e soft power: o projeto do Instituto de Tradução da Rússia

Na Federação Russa, em 2011, foi criado o Instituto de Tradução, que tem o objetivo de difundir a literatura russa no mundo. Sob direção de um conselho composto por tradutores, professores universitários, pesquisadores e outros especialistas, o instituto tem fornecido recursos financeiros a tradutores e editoras estrangeiras, inclusive brasileiras, para divulgação de autores e obras russas. No contexto das Poéticas (d)e Internacionalização, nos interessa analisar essa iniciativa como política de soft power, termo cunhado por Joseph Nye (2004) para abarcar as estratégias de poder que envolvem convencimento – a capacidade dos países de atrair aliados por meio da cultura, ideias políticas, iniciativas pacíficas. No caso brasileiro, o apoio do Instituto de Tradução reforça a tendência de valorização da literatura russa iniciada no final do século XIX, na esteira da crítica francesa, que recebeu e difundiu ao mundo o romance russo (GOMIDE, 2011). Integrada ao polissistema literário brasileiro (EVEN-ZOHAR, 2012), a literatura russa traduzida pode ser considerada um dos principais bens da diplomacia cultural entre Rússia e Brasil.

Referências

  • GOMIDE, Bruno Barreto. Da estepe à caatinga: O romance russo no Brasil (1887-1936). São Paulo: EDUSP, 2011.
  •  EVEN-ZOHAR, I. “A posição da literatura traduzida dentro do polissistema literário”. Trad. Leandro de Ávila Braga. In: Revista Translatio, n. 3, 2012. Disponível em: <https://seer.ufrgs.br/translatio/article/view/34674>.
  • NYE, J. S. Soft power: the means to success in world politics. Nova Iorque, PublicAffairs, 2005.

Denise Regina de Sales é graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais, com mestrado e doutorado em Literatura e Cultura Russa pela Universidade de São Paulo. Trabalha como docente do Setor de Russo no Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente realiza o pós-doutorado na Universidade Federal de Minas Gerais. Atua como pesquisadora nas áreas de Tradução Literária, Literatura Russa, Terminologia, Multimodalidade e Estudos da Tradução. É tradutora desde 2001, tendo publicado contos, novelas e romances russos, entre eles Minha vida, de Anton Tchékhov; Contos de Kolimá, de Varlam Chalámov; A fraude e outras histórias, de Nikolai Leskov.

Tenente Gustl: arabescos urbanos, intransigência militar?

Paulo Soethe

A narrativa Lieutenant Gustl (1902), de Arthur Schnitzler (1862-1931), que inaugura em língua alemã o emprego do fluxo de consciência como recurso formal literário, é monumento peculiar a uma das cidades globais do fin-de-siècle anterior ao breve e conturbado século passado. Ao apresentar o texto do autor austríaco, esta participação na mesa-redonda pretende entretecer no itinerário de Gustl uma série de considerações sobre leituras contemporâneas — e extemporâneas — da cidade como substrato e molde da escrita literária. Além disso, pretende demonstrar como, naquele texto inaugural, chocam-se e fecundam-se as lógicas incongruentes da liberdade individual e da rigidez militar, ambas inscritas, como um oxímoro, na configuração das cidades modernas.

Paulo Astor Soethe, nascido em 1968, é professor de Língua e Literatura Alemã na UFPR, em Curitiba. Autor de estudos sobre Heinrich Böll, Heinrich e Thomas Mann e João Guimarães Rosa, dedica-se à formação de professores de Alemão para a rede pública de ensino no Brasil e ao estudo de publicações brasileiras em língua alemã. Foi bolsista da Fundação Alexander von Humboldt em 2005 e 2006 em Tübingen e desenvolve projetos, em instituições nos dois países, sobre as relações literárias entre Brasil e Alemanha. Traduziu obras, entre outros, de Jürgen Habermas, Karl-Otto Apel, Aleida Assmann e Ottmar Ette, e o romance Pontos de vista de um palhaço, de Heinrich Böll. Em 2015, foi agraciado com o prêmio internacional Jacob e Wilhelm Grimm, do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD). No semestre de inverno de 2017/2018 ocupou a Cátedra Harald Weinrich na Universidade de Bielefeld, Alemanha.

Cidades e a realidade de traduzir projetos locais no meio internacional — o caso da agenda internacional de Porto Alegre

Rodrigo de Souza Corradi

No ambiente internacional existe uma crescente demanda de participação de cidades em debates antes entendidos como do âmbito único dos Estados: desenvolvimento humano, migração, mudanças climáticas. Da mesma forma, os municípios são os locais nos quais as mudanças advindas das novas ondas de tecnologia são mais sentidas: mobilidade por aplicativos, demandas por serviços cada vez mais acessíveis e móveis. Essas agendas não são adstritas aos limites de um país e as soluções (ou problemas) encontradas são naturalmente internacionais. Essa realidade cria uma necessidade de adaptar as estruturas dos municípios a dialogar com contra-partes que usam outras línguas e possuem outros códigos de conduta. O objetivo desta apresentação é entregar uma visão da prática de áreas internacionais de cidades, tendo como base a experiência da Coordenação de Relações Internacionais de Porto Alegre.

Rodrigo de Souza Corradi é bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e possui mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde o início de sua carreira profissional, Rodrigo trabalha em diferentes projetos na área de Relações Internacionais, acumulando experiências em diferentes áreas. De 2010 a 2013, Corradi trabalhou como Diretor Adjunto de Relações Internacionais da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, prestando assistência ao chefe do Departamento de Relações Internacionais. Assumiu o cargo de Coordenador de Relações Internacionais da Prefeitura Municipal de Porto Alegre em 2013, ocupando este cargo no momento. Entre outras atividades, vem desenvolvendo ações na área de resiliência em nível local e internacional. Desde outubro de 2017, Rodrigo é o Chief Resilience Officer em Porto Alegre, atuando em vários projetos para melhorar a capacidade de resiliência da cidade.