23 de outubro de 2019 (quarta-feira). 10h30min a 12h
INTERFACES ENTRE GEOPOLÍTICA E LITERATURA
Andrea Kahmann (UFPel)
Gustavo Oliveira Vieira (UNILA)
Cícero Krupp da Luz (FDSM)
Vivendo de distopias: uma crítica à civilização ocidental a partir da obra Submissão, de Michel Houellebecq
Cícero Krupp da Luz
Tomando a narrativa da obra ‘Submissão’, de Michel Houellebecq, proponho reproblematizar a relação ocidente e oriente sob uma perspectiva do direito internacional crítico. O livro descreve um futuro distópico, onde imigrantes muçulmanos na França começam a deixar de ser simplesmente os esquecidos e renegados da história para ser centro de poder e de cultura. O livro trata de clichês islâmicos, mas diferencia-se de qualquer ideia leviana de vincular terrorismo e islã. Mesmo assim, o autor e o livro tornaram-se foco de especulações públicas da época, pois no mesmo dia em que aconteceram os atentados fatais contra o jornal ‘Charlie Hebdo’, em 7 de janeiro de 2015, em Paris, também, foi o dia em que o mesmo jornal publicava sátiras e críticas sobre o livro ‘Submissão’. A trágica coincidência torna o livro e o fato ainda mais interessante e revelador quanto à ignorância ocidental quanto ao islamismo e à derrota ocidental quanto ao bem viver.
Cícero Krupp da Luz é doutor em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo — USP (Bolsa FAPESP), foi pesquisador visitante da Sciences Po Paris e é mestre em Direito Público (Bolsa CNPq). Atua como professor da Graduação e do Mestrado em Constitucionalismo e Democracia da Faculdade de Direito do Sul de Minas — FDSM e como professor de Relações Internacionais e de Ciências Econômicas na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado — FECAP.
A crítica social de Érico Veríssimo: do fato à ficção e vice-versa
Gustavo Oliveira Vieira
As interfaces entre Literatura, Política, Direito, Economia e Relações Internacionais são densamente ricas na literatura de Érico Veríssimo. Em tempos de reviravoltas sobre entendimentos acerca de questões de gênero, direitos humanos, paz e política internacional, a literatura oferece alertas e problematizações que surgem sofisticadas à contemporaneidade.
Gustavo Oliveira Vieira é professor de Direito Internacional no bacharelado e mestrado em Relações Internacionais da Universidade Federal da Integração Latino Americana, onde já atuou como Reitor. Bacharel, Mestre e Doutor em Direito (UNISINOS com período sanduíche no Canadá, University of Manitoba). Autor de artigos, capítulos de livros, como “Constitucionalismo na Mundialização” (Unijuí, 2015) e “A Formação do Estado Democrático de Direito” (Unijuí, 2016). Atualmente, conduz projeto de pesquisa e extensão sobre “Paradiplomacia para Integração Transfronteiriça”.
Textos, famas e forças (ideológicas) do sistema: uma discussão a partir da História da Tradução
Andrea Kahmann
Desnaturalizando a ideia de que o processo de inclusão ou exclusão de uma obra do sistema dito de referência seria determinado pelo seu valor intrínseco, a historiografia da tradução contabiliza diversos exemplos de como interesses do mecenato e as configurações poetológicas e sobretudo ideológicas manipulam famas (LEFEVERE, [1992] 2007) e circulações. Homens e mulheres que se dedicam a tarefas várias de reescritura, como a tradução, a crítica e a docência, sobretudo em níveis elevados de ensino, bem como quem edita, antologiza e promove de qualquer modo uma obra, um/a autor/a ou mesmo toda uma literatura nacional não são isentos/as de ideologia e, portanto, são agentes de forças a impactar na posta em circulação, na aceitação ou na rejeição daquilo que lemos. Línguas nacionais, temas, obras e autores/as ungidos/as ou invisibilizados/as em determinados períodos históricos são condicionados/as por mecanismos de constrangimentos e recompensas e forças geopolíticas que os promovem. Para amparar essas discussões, analisaremos casos de (re)traduções e (re)edições, distinções e proibições em determinados períodos históricos, tais como a “escola” de tradutores de Toledo (séculos XII e XIII), o processo de conquista das Américas (a partir do século XVI) e o Brasil “independente” (séculos XIX e XX).
Referência
LEFEVERE, André. Tradução, reescritura e manipulação da fama literária. Tradução de Claudia Matos Seligmann. Bauru: Edusc, 2007. 264p.
Andrea Kahmann é graduada em Direito e Letras pela Universidade de Santa Cruz do Sul, mestre e doutora em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Atualmente, é professora na graduação e pós-graduação em Letras da Universidade Federal de Pelotas.
