Mesa-redonda 4

25 de outubro de 2019 (sexta-feira). 10h30min a 12h

A HISTÓRIA DA GUERRA DO PELOPONESO COMO LITERATURA E COMO TEORIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Breno Battistin Sebastiani
Gabriel Pessin Adam

A gênese grega do Realismo das Relações Internacionais

Gabriel Pessin Adam

O Realismo, em suas diversas vertentes (clássico, estrutural, ofensivo, defensivo, neoclássico), continua sendo a principal corrente teórica das Relações Internacionais, tendo sobrevivido com louvor aos vários ataques sofridos nas últimas décadas. As origens mais citadas dessa teoria são os pensadores de Ciência Política Nicolau Maquiavel e Thomas Hobbes, aquele pela valorização da história, pelo pragmatismo político e pela concepção do Estado moderno, e este em função da definição do Estado de Natureza, o qual equivale à estruturação do sistema internacional desde a paz de Vestfália (1648). Contudo, a genealogia da corrente teórica pode tranquilamente retroagir alguns séculos a mais a fim de encontrar a obra História da Guerra do Peloponeso (século V a.C.), de Tucídides. Ao narrar e refletir sobre o conflito entre peloponésios e atenienses, o autor grego lançou as bases para a compreensão acerca de temas centrais para as relações internacionais até hoje, como, por exemplo, as diferenças de poder entre os Estados (ou cidades-Estado, neste caso), a relevância das escolhas de política externa realizadas pelos governantes e as consequências de tais atos, que no limite negativo podem levar à destruição de suas sociedades. Portanto, é possível afirmar que premissas básicas do Realismo, como a busca pela sobrevivência em um ambiente anárquico e desigual, no qual a arbitrariedade e a guerra são elementos constantes, já faziam parte da concepção de Tucídides acerca da política internacional.

Referência

TUCÍDIDES. História da Guerra do Peloponeso — Livro I. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

Gabriel Pessin Adam é formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela PUC-RS. Após realizar especialização em Responsabilidade Civil, em curso promovido pela UFRGS e pelo Ministério Público, e atuar como advogado, ele confirmou que gostava de estudar, mas não especificamente os temas do mundo jurídico. Assim, iniciou o curso de Ciências Sociais, também na PUC-RS, o qual não foi concluído porque ingressou no Mestrado em Relações Internacionais da UFRGS. Depois, emendou o Doutorado em Ciência Política, também na UFRGS, pesquisando na linha de Política Internacional. Desde 2011, conseguiu atingir a meta de se tornar professor (e abandonar a advocacia!), quando foi contratado pela ESPM-POA para dar aulas no curso de Relações Internacionais. No ano seguinte, foi contratado também pela UNISINOS, para igualmente ministrar aulas em Relações Internacionais. Assim, hoje o autor é professor nas duas instituições, sendo que na UNISINOS também atua no curso de Direito (o afastamento não foi completo, after all!).

Intimidação como política e os insights de Tucídides

Breno Battistin Sebastiani

Como lidar com a intimidação tornada política? O intuito desta palestra é discutir situações de tensão, confronto ou guerra declarada nos quais o historiador ateniense identificou a instrumentalização do medo como fator desencadeador ou agravante. Serão também examinadas diferentes respostas a formas de intimidação na tentativa de sistematizar modos de resistência os mais eficazes. A palestra busca resgatar contribuições do historiador antigo ainda capazes de inspirar reflexões, senão mesmo práticas, contra bullies antipolíticos contemporâneos. 

O professor Breno disponibilizou um material de referência para a sua fala. Clique aqui para baixar em PDF.

Breno Battistin Sebastiani é professor Associado de Língua e Literatura Grega do DLCV/FFLCH/USP (2002-), Bacharel e Licenciado em História (1999), Mestre (2002/FAPESP) e Doutor (2006) em História Social, e Livre-Docente (2016) pela USP, tendo atuado como Professor Visitante na Università degli Studi dell’Aquila (2018-2019) e realizado estágios de pesquisa na Universidade de Atenas e na Universidade de Creta (2008/CNPq). Lidera o GP “Democracia: discursos gregos, desafios atuais” (USP/CNPq). É co-organizador, com Olivier Devillers (U. Bordeaux-Montaigne), de Sources et modèles des historiens anciens (Bordeaux: Ausonius, 2018) e de A poiesis da democracia (Coimbra, IUC, 2018) com D. Leão, C. Werner, L. Sano e M. Soares, autor de Fracasso e verdade na recepção de Políbio e Tucídides (Coimbra, IUC, 2017) e tradutor dos livros completos de Políbio (São Paulo: Perspectiva/FAPESP, 2016). Atualmente se dedica aos projetos de pesquisa “Democracia e verdade em Heródoto e Tucídides” (2017-9, CNPq-PQ2-CALL) e “Crises (staseis) e mudanças (metabolai). A democracia ateniense na contemporaneidade” (CAPES/FCT, 2019-2020).