
Em 1917, quando mulheres e crianças labutavam até 16 horas diárias, irrompeu em São Paulo a primeira grande luta operária brasileira, dirigida por anarquistas.
Leia matéria completa aqui.

Em 1917, quando mulheres e crianças labutavam até 16 horas diárias, irrompeu em São Paulo a primeira grande luta operária brasileira, dirigida por anarquistas.
Leia matéria completa aqui.


A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
(QUINTANA, Mario. Nova Antologia Poética. 9. ed. São Paulo: Globo, 2003.)
Assista à belíssima declamação deste poema por Antônio Abujamra aqui.

Foto: Raphael Poesia
Na narrativa hegemônica, da mídia e do senso comum, as periferias são zonas de medo e carência, o que deriva de uma produção simbólica pobre, sem levar em conta toda a complexidade destes territórios. Com a web, esse discurso encontra um contraponto, ainda que disperso, rico sobre a potência criativa das favelas.
Leia matéria completa aqui.

Em 24 de março, realizamos o terceiro grupo de discussão sobre as atividades de “tempo livre” no bairro Restinga, desta vez com a participação de estudantes da Escola Estadual Raul Pilla. Os debates anteriores, realizados em janeiro, contaram com moradores e ativistas idosos, adultos e jovens-adultos. Este procurou contemplar as práticas de jovens-adolescentes.
Procuramos garantir uma distribuição equilibrada entre meninos e meninas, considerando ainda os diferentes anos do ensino médio e distintas tomadas de posição em relação às práticas escolares.
Contrastados aos demais grupos, este se destacou pela diversidade das referências culturais citadas para seus cotidianos. De uma parte, poderíamos aventar uma vivência da condição juvenil de maneira mais plena, dada a vivência institucional escolar ampla, sem que precisem trabalhar até o momento. De outra, parece haver um aproveitamento intenso da diversidade de opções de consumo, com algumas incursões pela língua inglesa.
Há um considerável consumo de narrativas ficcionais de TV e internet (seriados e novelas), ampla fruição musical e um gosto disseminado pelas redes sociais, em especial aquelas com postagens mais curtas e instantâneas. O objetivo da navegação estaria sobretudo na interação e sociabilidade.
Além disso, foi possível observar segmentações de gênero (um tanto tradicionais) nas opções de lazer e no acesso ao espaço público. Apesar dos riscos interpostos pelos agentes do tráfico, os jovens (especialmente, os meninos) demonstram resistir, fazendo incursões em grupo para festas ou para jogar futebol nos campos do bairro. As meninas, embora também ocupem o espaço público, diziam tender a atividades em casa, em função dos riscos da rua.

“E lá tem negros, na capital do Rio Grande do Sul?”. A pergunta que norteia a análise do pesquisador Marcus Vinicius de Freitas Rosa sobre racismo em Porto Alegre tem razão de ser. Brasileiros aprendem na escola (e com a ajuda do senso comum) a estabelecer uma forte associação entre o Estado e a presença de imigrantes europeus. Essa imagem de região “embranquecida” e “europeizada” é reforçada, ainda hoje, em reportagens dedicadas a noticiar ao restante do País o “rigoroso inverno” e as ocasionais “nevascas” sulinas. Retratado dessa forma, o Rio Grande do Sul – europeu, frio e distante – se contrapõe à imagem de um Brasil tropical e mestiço.
Leia a matéria completa aqui.

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

As ocupações de diversos institutos e faculdades da UFRGS teve fim na semana anterior ao natal, mas, conforme os ocupantes, a movimento não termina com a saída dos prédios, apenas se modifica a forma de atuar. O primeiro espaço ocupado foi o Prédio de Salas de Aula do Instituto de Letras, no dia 26 de setembro, em seguida, outras dezenas de cursos também optaram pela ocupação.
O movimento não surgiu com a UFRGS nem com as universidades. Protestar por meio de ocupações no ambiente estudantil começou no Chile, em 2011; no Brasil, escolas paulistas foram as primeiras em 2015. Em cada momento, havia pautas correspondentes ao contexto político; as ocupações de escolas, institutos federais e universidades em 2016, das quais UFRGS fez parte, teve como principais objetivos barrar a PEC 55 (241), a MP 746 e o Projeto Escola sem Partido; além de pautas referentes a cada ocupação.
Para manter a ocupação e buscar maior efetividade, é necessário muito engajamento e participação, inclusive e principalmente para superar o desgaste e as pressões para sair dos espaços. A forma de organização, embora existam algumas variações, foi bastante semelhante na UFRGS: havia busca por horizontalidade tanto na divisão de tarefas, quanto na tomada de decisões, sendo realizada por meio de assembleias. O senso de coletividade mostrou-se essencial nessa forma de manifestação, havendo, ainda, consideráveis esforços para fazer as minorias serem contempladas nas deliberações, não sendo necessário apenas a aprovação de um número maior de pessoas para decidir posicionamentos.
Pensando nas aprendizagens resultantes do processo de ocupação, estudantes afirmam que ela mostrou a importância de estar inserido em atividades políticas e de buscar a mudança que se deseja, tanto diretamente, no dia a dia, quanto por pressão aos que atuam em instâncias de poder institucional. Na ocupação do espaço público, foi preciso conviver e produzir atividades e experiências de forma compartilhada e redefinir formatos e prioridades. Talvez, um dos desafios das manifestações políticas, especialmente das ocupações universitárias nesse caso, seja sair da esfera acadêmica, ainda elitista, e acessar o cotidiano das pessoas, sendo mais influente.

As ocupações de escolas, institutos federais e universidades em 2016 – além de chamar atenção para os acontecimentos políticos, posicionando-se contra a PEC 55 (241), a MP 764 e o Projeto Escola sem Partido – mostraram novas possibilidades do uso de espaços destinados à educação, muitas delas voltadas para experiências ligadas às artes.
Na UFRGS, dezenas de institutos e faculdades foram ocupados e, além das aulas e debates sobre o contexto político, oficinas das mais diferentes manifestações artísticas aconteceram, assim como intervenções – temporárias ou não – foram realizadas nos prédios ocupados. O Instituto de Artes da UFRGS, especialmente, desenvolveu oficinas de técnicas que são trabalhadas nas disciplinas curriculares, porém, aconteceram de forma diferente, muitas vezes deixando os espaços abertos para os estudantes praticarem.
Atividades envolvendo saraus literários, prática de estêncil, produção de cartazes, intervenções poéticas, aulas de canto, apresentações musicais, entre muitas outras formas de manifestação artística estavam presentes nas mais diversas ocupações, independentemente de terem os cursos relação direta ou não com arte. Vale refletir de que forma a arte representa uma demanda dos estudantes dentro da universidade e de outros espaços de educação que é deixada de lado muitas vezes. E que formas de aprendizado político-estéticas tais manifestações proporcionam e expressam, visto que estiveram tão presentes nesses espaços também de educação.
Ao final das ocupações, foram deixadas marcas do movimento político por meio de intervenções, algumas efêmeras, outras nem tanto. No Prédio de Salas de Aula do Instituto de Letras, salas utilizadas na ocupação foram batizadas com nomes de “mulheres de luta” como Ângela Davis, na Faculdade de Educação, as mãos dos estudantes foram gravadas em uma das paredes do saguão, assim como diversas outras pinturas foram realizadas pelo prédio. Cada ocupação deixou suas marcas artísticas, muitas delas no espaço ocupado, outras em vídeos e cartazes publicados nas redes sociais, todas expressando a importância do movimento de ocupações de 2016.

Se você vem do Brasil e algum estrangeiro desavisado lhe perguntar qual é o gênero musical mais autêntico do país, a sua resposta, rápida e precisa, com toda a certeza será “o samba” (por sinal, é capaz que o próprio forasteiro já saiba disso). Mas por que o samba parece nos representar assim tão bem? Façamos o exercício inverso.
Leia o texto completo de por Caio do Valle Souza aqui.