Drag punk: rock, fetiche e a quebra dos padrões

Valkiria Montezuma

Para quem não me conhece, prazer sou Valkiria Montezuma, completarei 3 anos de drag agora em 2024.  Faz pouco mais de um ano que eu de fato encontrei meu estilo, meu mundo, a essência de Valkiria. Neste ensaio, compartilho com vocês meu processo.

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Valkiria Montezuma. Fonte: Acervo pessoal da artista.

Desde que conheci a arte drag, sempre gostei de drags que fogem do padrão, com maquiagens mais extravagantes, drags carecas, de barba, que quebram com a estética “feminina”. Quando comecei a assumir a identidade de drag careca, usei de referência artistas como Ikaro Kadoshi e Sasha Velour (que ainda são minhas inspirações). Comecei a performar um estilo que pouco via em palcos, o rock. A partir disso, iniciei a construção da drag alternativa e punk, que tenho hoje.

Atualmente,  eu digo que encontrei a minha essência, juntei vários elementos para compor minha expressão artística para além dos estereótipos banais. Uso muito de inspiração no horror, em personagens de filmes de terror, na estéticas de bandas de rock, em drags como Danny Cowlt, Mary Sunahine (uma drag babadeira da Grécia), Tristan Soledade, Betina Polaroid e, é claro, no mundo fetichista. É em cima disso que eu crio minhas montações e performances,  me jogando no mundo com um olhar atento para o que está além da norma.

Eu sou do meio fetichista e tive oportunidade de levar a Valkiria para performar dentro da Motel Fetish (festa fetichista de Porto Alegre). Como a temática da festa é sobre BDSM e fetiches, eu levei isso para uma performance, que é a que mais gosto, a primeira que fiz, com uma música do Rammstein que faz alusão a fetiches. Minha performance é cheia de elementos fetichistas, como o streaptease, grampos nos mamilos, um spank e, o auge, derramar cera de vela sobre meu corpo. As pessoas vão à loucura e amam o que eu faço. Continuo frequentando a Motel Fetish e sempre levo algo dentro da temática proposta, buscando fazer o público delirar. De certa forma, isso me abriu portas, pois é a segunda vez que estou indo para São Paulo perfomar em uma festa fetichista grande de lá. Já perfomei na Leather Night, no Dominatrix Bar, e estou indo para performar a Lets Play dentro da Spicy Club.

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Valkiria Montezuma. Fonte: Acervo pessoal da artista.

Acredito que drag é sobre arte, criatividade, sem ter um padrão único, todos são livres para se expressar  e experimentar. Eu amo trazer sempre algo diferente, alternativo, e levar para os palcos o meu mundo particular. Claro que nem sempre é fácil, infelizmente há uma certa resistência das casas a chamar drags nessa estilo e pouco espaço em Porto Alegre para isso. Porém, eu jamais vou perder minha essência para agradar alguém. Tudo o que eu quero mostrar para as pessoas é que a arte drag não tem gênero, não tem certo ou errado, não tem padrão estético. Os padrões estão aí para serem quebrados!

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