Espetáculo audiovisual “Luna” instiga reflexões sobre questões existenciais

Teatro | Em exibição durante o mês de novembro pela Mostra TPE, atração aborda temas como a busca pela identidade e a relação com a solidão

*Foto: Ágata Barbi

Você já se sentiu deslocado do mundo à sua volta? Já tentou se isolar para tentar compreender um pouco de si próprio? É com o intuito de expressar tais temas a partir de uma produção audiovisual intimista que o Projeto Teatro, Pesquisa e Extensão (TPE/UFRGS) exibe Luna, atração livre para todos os públicos. O espetáculo ocorre de maneira completamente virtual durante todo o mês de novembro, com sessões ao vivo todas as quartas-feiras, às 12h30 e às 19h30, no YouTube. Os ingressos para as sessões podem ser adquiridos gratuitamente pela plataforma Sympla

No espetáculo, o público irá conhecer Luna, uma mulher que se sente constantemente deslocada do mundo em que vive, até o ponto em que resolve se isolar para tentar entender e compreender um pouco de si. Durante essa trajetória de procura e conhecimento pela própria identidade e de sua essência interior, ela encontra alguém que a faz repensar totalmente essa busca. O enredo trabalha com a ideia de espelhamento do outro; nesse sentido, a mulher que Luna encontra em meio a sua caminhada não possui um nome e pode, inclusive, ser fruto de sua própria imaginação. 

Dando vida à protagonista, a graduanda de Teatro na UFRGS Mariana Fernandes conta que o espetáculo nasceu do processo do seu estágio de atuação no curso. Segundo a atriz, a prática de um projeto autoral trouxe a oportunidade de abordar questões que sempre a interessaram, como a relação com o “eu” e o modo como a solidão pode trazer sentimentos de raiva e tristeza, mas também de alegria e conforto. “A Luna tem muitas coisas a ver comigo”, afirma Mariana. “Questões que eu tenho na minha vida e na minha existência enquanto artista.”

O espetáculo foi praticamente todo concebido apenas por mulheres, algo que Mariana buscava desde o início da elaboração. A atriz conta que, ao longo da sua trajetória artística, percebeu que espaços em que trabalhava com mulheres era onde se sentia mais confortável, enquanto em espaços masculinos sentia que, muitas vezes, sua opinião era invalidada ou questionada.

“Acabou que todo o processo do Luna foi feito por mulheres – as atuações, a direção e a dramaturgia. Então, as quatro cabeças pensantes do projeto compunham uma equipe de mulheres, algo que me animou muito”

Mariana Fernandes

A pandemia fez com que o formato do espetáculo fosse completamente adaptado. A partir do momento em que Mariana percebeu que os estágios seriam online, decidiu investir na produção audiovisual. “De repente surgiu uma oportunidade que não tínhamos tido antes de experimentar: o audiovisual, essa relação com a câmera”, revela. “Essa busca de mesclar essas linguagens, de ficar entre o teatral e o audiovisual, como a gente traz o que é teatral para dentro do audiovisual e vice-versa, foi tudo uma grande experimentação.”

Luna tem como forte referência a escritora Clarice Lispector no intimismo das reflexões sobre o interior e na liberdade pessoal. Aborda de maneira delicada e sensível essa temática da construção da identidade e do encontro com a essência de si mesma.

“Acho que às vezes a gente pensa que as nossas questões são bobas, ou são tão subjetivas, tão pessoais, que elas não vão chegar no outro, mas elas chegam e de uma forma muito bonita e sensível”, afirma a atriz. 

Mariana Fernandes

Segundo Mariana, o grande intuito da atração é a maneira com que cada um se vê dentro do universo do espetáculo. Quando Luna foi exibido pela primeira vez, em março, atingiu o público de diferentes modos, e as pessoas interpretaram a história dessas duas mulheres em diferentes sentidos, o que deixou mais evidente a questão da sensibilidade e da subjetividade que o projeto traz. “Descobri dentro do Luna uma confiança que eu não tinha. Então acho que é sobre isso de a gente confiar nas nossas ideias, nas coisas que a gente pensa; a gente tem que acreditar e confiar no nosso trabalho.”

As atrizes, Bibiana Jung e Mariana Fernandes, no espetáculo Luna, dirigido por Renata Lorenzi. A produção estará na Mostra TPE, durante o mês de novembro (Foto: Gabriel Viero)

:: Serviço
19.ª Mostra Anual Universitária de Teatro – Espetáculo Luna
Todas as quartas-feiras do mês de Novembro, às 12h30 e às 19h30, no YouTube
Ingressos disponíveis na plataforma Sympla
Duração do espetáculo – 25 min
Classificação Indicativa – Livre

:: Ficha Técnica
Elenco: Bibiana Jung e Mariana Fernandes
Direção: Renata Lorenzi
Dramaturgia: Nairim Tomazin
Apoio: Nós em Arte
Orientação: Luciana Éboli