Corpo tem sotaque

Iara Deodoro, de 63 anos, é mestra de dança afro-gaúcha no Grupo de Música e Dança Afro-Sul. O coletivo faz parte do Instituto Sociocultural Afro-Sul Odomodê, um dos principais espaços de referência da cultura negra em Porto Alegre. Quando Iara se interessou pela dança, ainda jovem, teve dificuldade de encontrar características específicas da negritude nessaContinuar lendo “Corpo tem sotaque”

Mãos em cena

“Nos olhos da sociedade, eu sou uma pessoa com deficiência. Nos olhos da comunidade surda, eles veem o meu nome.” Escrita pelo produtor de conteúdo digital João Gabriel Ferreira, essa frase está em destaque no WhatsApp de Alessandra Rithiele, atriz e administradora surda de 25 anos. Desde os oito, quando ingressou nas aulas de teatroContinuar lendo “Mãos em cena”

Quando o mesmo é outro

No Brasil, os rankings de livros mais vendidos e os dados sobre cinema e televisão da Ancine apontam que grande parte dos conteúdos literários e audiovisuais consumidos pelo público tem origem estrangeira. Sendo de diversas localidades e produzidos em diferentes idiomas, sua tradução é indispensável para o consumo dos brasileiros. Mas como esse processo é feito, e quais os desafios envolvidos na tradução de obras de um idioma – e cultura – para outro?

Cérebros bilíngues

Gabriel Maurente Dorizas tinha alguns meses de idade e acompanhava a mãe, Vanessa, em um supermercado de Porto Alegre. O bebê balbuciava rapidamente, ensaiando suas primeiras sílabas. Um senhor ouviu e brincou: “O que tu tá fazendo? Tá falando grego?” “Sim”, concordou a mãe, rindo. “Ele tá.” Gabriel é o filho mais velho da psicólogaContinuar lendo “Cérebros bilíngues”

Perdoa-me, Senhor, porque pequei

Nas sombras do confessionário, as palavras se transformam no elo entre os indivíduos e a divindade. Por meio delas, os católicos verbalizam suas falhas em busca da reconciliação com Deus. A Penitência, um dos sete sacramentos da Igreja Católica, é o ato em que a linguagem excede a simples comunicação; ela se torna a expressãoContinuar lendo “Perdoa-me, Senhor, porque pequei”

Vozes adormecidas

Vermelho, da Gloria Groove, é uma das músicas que Lis Vicêncio, uma criança de cinco anos, gosta de cantar. E o repertório dela não para por aí, tem Raul Seixas, Rita Lee, Michael Jackson e Lady Gaga. Natural de Porto Alegre, Lis é uma criança ativa. Gosta de dançar, brincar, desenhar e principalmente falar. “ÀsContinuar lendo “Vozes adormecidas”

No anonimato

Aos 33 anos e com perfil discreto, Roberto Arruée Witter é um fantasma. Não porque já tenha “abotoado o paletó” – pelo contrário, mantém-no aberto em um cabide atrás de sua mesa –, mas porque, como superintendente de comunicação da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS), também é ghostwriter (escritor fantasma, em inglês):Continuar lendo “No anonimato”