Salão de Extensão destaca iniciativas relacionadas ao enfrentamento da enchente de 2024

23 de outubro de 2025 às 16:19
Tertúlias propõem reflexão sobre os desastres climáticos - Fotos: Pietro Scopel

O protagonismo da UFRGS no enfrentamento da enchente de 2024 segue vivo por meio de diversas ações desenvolvidas pela instituição. Nesta quarta-feira, 22, o Salão de Extensão realizou uma tertúlia dedicada a dez iniciativas que abordam o desastre a partir de diversas áreas do conhecimento e viabilizam o diálogo direto entre universidade e sociedade.

Vinculado ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), o “Memória 1941” conecta o passado e o presente com o propósito de criar um site informativo sobre os pontos atingidos pela enchente de 1941 em Porto Alegre. O principal recurso do projeto são fotografias que registraram o acontecimento, estimulando a divulgação do patrimônio fotográfico sobre o evento.

Também do IFCH, o “Periódico Por Uma Ideia” (PUI) consiste em um periódico e repositório digital de divulgação do conhecimento científico produzido por estudantes de História. A iniciativa já divulgou e produziu diversos materiais que pretendem promover a reflexão crítica da catástrofe, como a proposta de adoção do termo desastre crime para referir-se à enchente, em substituição à expressão desastre ambiental. A iniciativa também já promoveu intervenções em espaços públicos e quer lançar uma publicação sobre o tema.

O “Resgate de Memórias”, também oriundo do IFCH, realiza um minucioso trabalho de recuperação de fotografias familiares que estiveram submersas na enchente, utilizando uma metodologia minuciosa: separação, reprodução digital, lavagem, secagem e, por fim, reacondicionamento e devolução. Segundo a equipe, cerca de 1,2 mil famílias contataram o projeto, cujo impacto vai desde o apoio à cultura fotográfica familiar em contextos vulneráveis à consolidação da universidade como agente ativo de extensão.

A recuperação de arquivos atingidos pelas enchentes também é foco do Sépia. Criado em 2018, na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), o projeto foi responsável pelo resgate de mais de 450 documentos da Sociedade Beneficente Cultural Bambas da Orgia, de Porto Alegre. No horizonte do Sépia está identificar, junto à comunidade bambista, as fotografias recuperadas, reforçando a conexão entre a universidade e a população.

Da Faculdade de Arquitetura, o Cartografia da Hospitalidade desenvolveu o “Cartografia do Inundômetro”, em parceria com o Memorial do Rio Grande do Sul. Realizada na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, a ação buscou resgatar as memórias sobre a calamidade através de entrevistas espontâneas e de um inundômetro que marca a altura da água durante a enchente. O objetivo foi promover uma reflexão coletiva e sensível sobre os impactos da crise climática, articulando memória e debate público.

O Observatório das Consequências Jurídicas das Enchentes (OCJE), da Faculdade de Direito, atua nos impactos jurídicos e sociais da tragédia, bem como na prevenção de desastres, apoio às vítimas e restabelecimento dos serviços públicos e atividades econômicas. A iniciativa realiza estudos e pesquisas que abrangem mais de dez especialidades, como direito do consumidor, direito bancário e de seguros e direito do trabalho.

Já “Fotografia como ferramenta de reflexão crítica com adolescentes no pós-enchente”, da Faculdade de Educação (Faced), realiza oficinas de fotografia com adolescentes a partir de 12 anos da Região Metropolitana de Porto Alegre impactados pela inundação. A ação, por meio da captura fotográfica do cotidiano dos adolescentes, se propõe a promover a expressão e reflexão crítica sobre os impactos psicossociais e escolares vivenciados por eles.

Desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), “Aprender geografia para a redução de riscos e de desastres” transforma conhecimento geográfico em ação. O projeto visa valorizar a Geografia como ferramenta para compreender e mitigar riscos socioambientais, especialmente aqueles relacionados a inundações, deslizamentos e estiagem, por meio de palestras e oficinas em associações de moradores, prefeituras, universidades e escolas. Outros objetivos incluem capacitar moradores para reconhecer e agir diante de situações de perigo e estimular o protagonismo cidadão na redução de riscos.

Da Faculdade de Ciências Econômicas (FCE), a “Agenda 2030 e a formação para a extensão rural: empreendedorismo e restauração ecológica no Rio Grande do Sul” foca na implementação de ações voltadas à inclusão dos assentamentos na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), das mudanças climáticas, da cadeia da restauração ecológica e da sociobiodiversidade, com foco nos jovens e em sua formação em negócios de impacto e em assistência técnica e extensão rural.

Não menos importante, a atuação do Núcleo de Estudos em Gestão Alternativa (NEGA) durante a enchente foi tema da última apresentação da tertúlia. Vinculado à Escola de Administração (EA), o projeto apoiou o trabalho do Banco Comunitário Cascata, em Porto Alegre, auxiliando no recebimento e 

na distribuição de doações, além de ajudar mais de 40 famílias desabrigadas. A ação promove atividades de capacitação e assessoria administrativa e em gestão de projetos para Organizações da Sociedade Civil (OSC).

Para Walberto Chuvas, técnico aposentado do Instituto de Física agraciado com o título de emérito e mediador da atividade, a continuidade da universidade pública depende da valorização da Extensão. “A universidade precisa escutar as comunidades. E quem melhor viabiliza essa interação é a Extensão. A partir dessa conexão, a população consegue compreender a importância da instituição, valorizando ela como parte de si”, avalia Walberto.

Texto: Lucas Tillwitz, acadêmico de Jornalismo
Edição: Patrícia S. Lima
Revisão: Cristina Thumé Pacheco

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