Viveirismo Comunitário

O viveirismo de base comunitária se opõe ao viveirismo comercial por alguns aspectos básicos: priorização da diversidade ao invés do produtivismo e a quantidade de mudas; cultivo de espécies e variedades regionais (enfoque na conservação de recursos genéticos locais); práticas de baixo custo e acessíveis a todos; possibilidade de se desenvolver em pequenos espaços; e gestão coletiva e socialização do que é produzido.

Um viveiro que não seja produtivista e que contemple a restauração ecológica e a base comunitária cultiva predominantemente espécies nativas, priorizando-se variedades genéticas de matrizes regionais. Este princípio se aplica tanto aos cultivares crioulos (regionais de uso tradicional) quanto às espécies nativas ou “do mato” (silvestres). Também busca estimular a autonomia da população através do contato de plantas medicinais e resgate de alimentos tradicionais, sementes crioulas e propágulos vegetais. Isso se dá por meio de permanentes trocas e interações com outros viveiros e grupos.

São cultivadas espécies de interesse para os agricultores e agricultoras, povos indígenas e quilombolas, além de apresentar novas variedades (aquelas já esquecidas pelos mais jovens), fazendo o resgate e divulgando a diversidade, por meio de plantas diferentes das usuais. Assim, além de colaborar com a preservação da biodiversidade existente, provê a comunidade com uma espiral de crescimento em diversidade vegetal, fortalecendo os agroecossistemas e a emancipação produtiva com base no intercâmbio fraterno dos guardiões da agrobiodiversidade, sempre garantindo o livre acesso às sementes e mudas por parte da agricultura familiar, povos indígenas e comunidades tradicionais.

As espécies estratégicas para a restauração da biodiversidade, no que se refere à recuperação de áreas naturais e ao incentivo ao uso popular das plantas, constituem o foco do nosso projeto. Por isso, o grupo busca fazer o resgate de espécies raras, subutilizadas, não convencionais ou desconhecidas pela população, assim como da utilização das plantas alimentícias, ornamentais e madeireiras nativas, sempre com base na produção comunitária, fora da lógica hegemônica de mercado. Este resgate constitui a base da prática emancipatória da agroecologia, dos SAFs (Sistemas Agroflorestais) e da retomada de saberes locais e ancestrais de cada comunidade.

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