Ana Maria Primavesi – Agroecologia e Agricultura orgânica

A política de avestruz na agricultura

Agroecologia é agricultura orgânica? Por que tem outro nome?

A resposta é porque a agricultura orgânica ainda permanece com o enfoque da agricultura convencional. Ela simplesmente troca os agentes químicos por orgânicos, deixa correr as causas e somente combate os sintomas. Ela pode ser ecológica mas também pode ser cem por cento antiecológica, e as receitas que ela obriga a obedecer através de suas normas, são praticamente todas do clima temperado e têm pouca vantagem no clima tropical, a começar pelo composto, que é enterrado, seguido pelo combate de pragas e doenças e à produção de produtos biologicamente inferiores.

A agroecologia tem um enfoque holístico. Vê os ciclos e sistemas naturais que tenta manejar. Por exemplo: erosão, enchente e secas têm sua razão na perda de porosidade da superfície do solo. Portanto, não os combate por curvas de nível, micro bacias, barragens, retificação dos rios e irrigação, mas conserta onde o ciclo da água foi interrompido, isto é, na superfície do solo, que se tornou impermeabilizado e estéril pela falta de matéria orgânica.

A agroecologia não fornece receitas, ela fornece conceitos.

A matéria orgânica serve para agregar o solo. Por exemplo: a agricultura orgânica dá a receita de como fabricar o composto e o aplica em lugar do adubo químico. Para ela, o composto é fertilizante em forma orgânica. A agroecologia pergunta: o que o composto faz no solo? Ele deve agregá-lo formando poros que permeabilizam sua superfície. Portanto, não necessita ser composto mas pode ser qualquer material orgânico, a partir de restolhos e palha até a adubação verde. O que cada um vai aplicar depende das possibilidades de cada propriedade.

O composto é adubo em forma orgânica? Não, ele fornece nutrientes no fim de sua decomposição, mas isso é uma espécie de brinde. Ele deve permeabilizar o solo para a água, o ar e as raízes.

Um sistema radicular extenso e profuso abastece a planta com os nutrientes necessários e ao mesmo tempo dá acesso à água armazenada em camadas mais profundas. Neste sentido o pior que pode acontecer é que se forma uma laje em pouca profundidade. E esta sempre se forma quando o solo é desprotegido contra o impacto de chuva. Mas também o sistema radicular permanece pequeno, muitas vezes atacado por nematoides, quando faltar boro. O boro deficiente quase em todos os solos da região do cerrado é essencial para todas as culturas.

A proteção da superfície do solo é fundamental, seja ela por uma cobertura morta, um plantio adensado, a consorciação de culturas ou mesmo uma lona plástica.

O solo não somente mantém sua estrutura granular mas ao mesmo tempo é mais fresco. Acima de 32 graus C, a planta não consegue mais absorver água. E se uma laje confina a raiz `a camada superficial, durante as horas quentes do dia a planta não consegue absorver água. E em solo sombreado a planta necessita de menos nutrientes, especialmente menos cálcio, zinco e boro. Sabe-se, por exemplo no cacau, que árvores sombreadas têm muito menos doenças do que estas em pleno sol.

Portanto, a agroecologia não trabalha com normas mas fundamentalmente com o solo segundo a antiga sabedoria: Solo doente- Planta doente-Homem doente.

Somente em um solo sadio crescem plantas sadias porque aqui recebem todos os nutrientes que necessitam para formar todas as substâncias a que são geneticamente habilitadas. Estas substâncias não são necessárias para produzir grãos ou frutas, mas elas dão sabor, odor e valor nutritivo que atualmente os produtos convencionais não possuem mais.

A planta que não consegue formar proteínas, mas permanece nos aminoácidos, não forma açúcares de maior peso molecular ou graxos de estrutura complexa e sempre estará sujeita ao ataque de fungos, bactérias, vírus e insetos que existem para decompor o que é fraco, doente, velho e morto para que o jovem e vigoroso possa prosperar. Todos os organismos de decomposição são programados por enzimas para determinadas estruturas químicas.

Quando as plantas são atacadas porque já são doentes e elas permanecem doentes, mesmo se os insetos ou microrganismos foram controlados ou matados como mostram as fotografias Kirlian (na figura, vemos as fotos de um gladíolo que tem sua energia sendo perdida, com as luzes na vertical mostrando a saída da energia da planta).

Como tudo na natureza, também os nutrientes existem em determinadas proporções e se estas forem desequilibradas, por exemplo, por uma adubação elevada de nitrogênio ou um excesso de fósforo, os nutrientes relativos entram em deficiência e a planta pode ser atacada por insetos ou microrganismos. Este desequilíbrio também pode ser provocado por defensivos, como maneb, zineb ou organoforforados ou mesmo por “produtos orgânicos” como calda sulfocálcica ou a calda bordalesa.

Assim, na agroecologia não se procura combater o “parasita” mas sim nutrir melhor a planta. Podemos dar como exemplo o aparecimento dos ácaros. Estes somente aparecem em plantas ou árvores com aminoácidos livres e um acúmulo de açúcares redutores. Quando tratado com calda sulfocálcica, os ácaros morrem mas aí aparecem as cochonilhas. Na agroecologia, tenta-se restabelecer a proteosíntese e transformar esses açúcares de baixo peso molecular. Ou quando aparece a lagarta do cartucho no milho, é porque está faltando boro. A agricultura convencional planta milho Bt para matar as lagartas; na agroecologia se aduba o milho com boro e ela desaparece.

As variedades transgênicas, tanto as RR como Bt continuam com enfoque temático, combatendo sintomas e tentando matar tanto invasoras como parasitas. Porém elas não modificam a situação indicada pelo parasita ou invasor. Assim, o milho Bt, embora limpo das lagartas do cartucho (Spodoptera frugiperda) continua deficiente em boro, a soja RR, embora limpa de invasoras (como como a leiterinha ou amendoim-bravo) que indicou a deficiência de molibdênio, continua com a deficiência, mostrando um número de vagens reduzidas bem como seu número de grãos.

Isso tudo mostra que as variedades transgênicas são livres de parasitas e invasoras, porém os problemas continuam e são somente encobertos. Portanto, não são uma medida para aumentar a produção, mas são somente uma política de avestruz não querendo ver os problemas, que resultam na decadência avançada dos solos, especialmente provocados pela aração profunda e as elevadas quantidades de NPK que desequilibram os outros nutrientes das plantas, causando-lhes doenças.

Referência: Arquivos textos Ana Maria Primavesi. Disponível em: < https://anamariaprimavesi.com.br/category/textos/?fbclid=IwAR1g41v6SFDxP7_y02JOC0drApzeLK0Xjvzaq1qlaLhesjEbr17VhFtSM_c > Acesso em 17 de fevereiro de 2022

Lista das árvores e arbustos nativos estratégicos para plantios no bioma Pampa

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Flora do Parque Natural Municipal Saint’Hilaire

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Listas de Espécies Ameaçadas e Raras da Flora de Porto Alegre

Documento-do-GT-Listas-das-Especies-Ameacada-e-Raras-da-Flora-com-Ocorrencia-em-Porto-Alegre-aprovado-pela-CTANPUR-30-07-2021-com-anexos-1-e-2-1-1

Relatório GVC 2020

Participação do GVC na Semana Acadêmica Biologia 2021

Inscrições através do instagram @petbioufrgs
Inscrições pelo formulário: https://forms.gle/KhqrAJpyuiffNS3E6

Gravação do Encontro ConversAção “Comunidades Quilombolas e Agrobiodiversidade no Litoral médio do RS”

Está disponível no canal do youtube do GVC a gravação do encontro online realizado no dia 10/06/2021 com participação de Guilherme Rosa da Silva, Marcus Vinicius Mouzer, Alana Casagrande e Lucas Nascimento.

Também estamos disponibilizando na Biblioteca virtual do GVC alguns materiais bibliográficos, links e vídeos sugeridos sobre comunidades quilombolas no RS.

Agradecemos muito a presença de todes, e em especial o Guilherme, Vini, Alana e Nascimento pela troca!!

Para acompanhar as atividades do GVC e participar dos próximos encontros ConversAção estamos no Instagram e Facebook e tu também pode assinar o blog por email.

Há braços!

ConversAção “Comunidades Quilombolas e Agrobiodiversidade no Litoral médio do RS”

🌿GRUPO VIVEIROS COMUNITÁRIOS CONVIDA:🌿

Participe do encontro online “COMUNIDADES QUILOMBOLAS E AGROBIODIVERSIDADE NO LITORAL MÉDIO DO RS” no dia 09/06 às 18h com:

Guilherme Rosa da Silva – Engenheiro agrônomo, mestre em Ciência do solo, doutorando do PPG Ciência do Solo UFRGS e quilombola no litoral médio do RS (Quilombo de Casca).
Marcus Vinicius Mouzer – Biólogo, mestre em Desenvolvimento Rural (PGDR) onde dissertou sobre a comunidade Quilombola do Limoeiro e professor de Ciências Naturais no ensino fundamental.
Alana Casagrande – Bióloga, Dra. em Agroecossistemas e ativista pelo Movimento Slow Food.
Lucas S. Nascimento – Biólogo e capoeirista, vive há mais de 10 anos em uma agrofloresta, no fundo do vale da forqueta em Maquiné-RS. Atualmente mestrando na Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da UFRGS.

🌿 Próxima Quarta-feira DIA 09/06 às 18h.

🌿 Acesso ao vivo no link https://meet.jit.si/conversacaoGVC

Esperamos vocês!

Evento: Terça Ecológica “Mata Atlântica no Litoral Norte (RS): situação, ameaças e saídas sustentáveis” hoje às 19h.

O evento realizado pelo NEJ e Fórum da Área de Preservação Ambiental (APA) Morro de Osório, será transmitido através do Facebook EcoAgência de Notícias Ambientais, no dia 25 de maio às 19h.

Palestrantes:
• Paulo Brack, biólogo e professor da UFRGS
• Simone de Souza, produtora agroecológica
• Dilton de Castro, ecólogo e vice-presidente do Comitê da Bacia do Rio Tramandaí
• Ricardo Dagnino, geógrafo e professor da UFRGS. 

Link para transmissão: EcoAgência de Notícias Ambientais | Facebook
ou EcoAgência de Notícias Ambientais — Publicações | Facebook

Mais informações no site EcoAgência Solidária de Notícias Ambientais (ecoagencia.eco.br)

Lembrança da Mostra Biodiversidade pela Boca 2014

Documentário produzido pelo Coletivo Catarse

Memórias de tempos de celebrar e compartir a biodiversidade!

Está disponível no youtube do Coletivo Catarse o registro da Mostra Biodiversidade pela Boca, evento promovido pelo Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente em 2014, com participação do GVC.

Mesmo em tempos difíceis, as sementes sempre germinaram e germinarão!

Seguimos