Participação GVC no Salão de Extensão UFRGS

Resumo da Tertúlia pro Salão (23/10):

“Os projetos de extensão do Grupo Viveiros Comunitários, fundado em 1997 por estudantes e professores de Ciências Biológicas da UFRGS, tem como pano de fundo o problema do afastamento das sociedades modernas em relação à natureza, o que podemos também chamar de “apartheid ecológico”. Os estudantes de biologia tiveram a iniciativa de tentar superar esta condição, também desfavorável para quem mais estuda a vida, construindo práticas que resgatem em parte esta relação necessária para a superação da degradação ambiental que se aprofunda. O quadro da crise, a condição de um Estado e de um país riquíssimos em biodiversidade e sociobiodiversidade, em perdas crescentes, impõe a necessidade de refletirmos as bases da degradação ambiental e os desafios para esta superação. Além disso, o grupo questiona o paradigma produtivista que homogeneíza a paisagem, ameaça a biodiversidade e está associado ao modelo hegemônico que tem também influência na universidade. Como contraponto, busca-se o resgate da diversidade biológica, com base nas plantas, em especial nativas, e nas culturas que valorizam esta diversidade e os modos de vida locais associados ao tema. Acredita-se que a saúde ambiental depende desta reaproximação da natureza ao convívio humano. E, para tanto, procura-se a (re)instrumentalização do uso e manejo de plantas e a interação dos conhecimentos e práticas entre o saber popular e o acadêmico. O desenvolvimento de viveiros, o cultivo de mudas nativas, incluindo árvores e plantas alimentícias não convencionais, a interação com as comunidades tradicionais indígenas e quilombolas, as ações em escolas e ocupações verdes estão entre as ações realizadas pelo grupo. E a visibilidade do tema para o meio acadêmico e para a sociedade, dentro do possível, é o desafio das ações de extensão do GVC, sempre lembrando que o conhecimento e as práticas emergem também do intercâmbio e da vivência com saberes populares. Além da produção de mudas para trocas e doações inclusive para povos indígenas e comunidades tradicionais, ou mesmo com atividades com escolas, o GVC traz o debate de políticas públicas dobre a Biodiversidade e Agrobiodiversidade. No momento, trazemos atividade de debates com ênfase à agroecologia, à conservação da biodiversidade, por meio do tema relativo às Metas da Biodiversidade 2020 (Metas de Aichi). No ano de 2020, este será um assunto central do GVC, já que a ONU terá que fazer um balanço das políticas que estavam sendo previstas para serem atingidas em 2020 em acordos internacionais que o Brasil, incluindo os estados da Federação, assinou, mas pouco fez para cumprir. O balanço será realizado em atividades de se trazer à tona relatórios técnicos com estes balanços, a fim de se apontar soluções urgentes para fazer frente ao “apagão” da bioconservação e da sustentabilidade ecológica. E, neste caso especial, focaremos na necessidade de incremento dos viveiros e da promoção do uso e manejo sustentáveis de nossa biodiversidade”