Para muitas áreas, como as Engenharias, a produção tecnológica e os documentos que registram novos métodos, processos e produtos trazem informações importantes sobre como o conhecimento está sendo transformado em soluções. Esses documentos são as patentes e as bases de patentes permitem essa prospecção tecnológica.

O foco não é somente encontrar invenções, mas entender onde pesquisa e desenvolvimento se cruzam e identificar o que já está pronto para exploração no mercado. Isso inclui as tecnologias protegidas por patentes válidas, mas também aquelas que já estão disponíveis para uso no Brasil, seja porque as patentes nacionais expiraram, seja porque patentes internacionais não foram registradas aqui dentro do prazo legal. Nesses casos, é possível explorar localmente essas inovações sem pagamento de royalties, abrindo espaço para desenvolvimento e uso livre da tecnologia.

Para pesquisar patentes, existem ferramentas gratuitas e pagas:

Clique sobre o nome da base para saber mais:

Pesquisando via classificação

Essas ferramentas permitem buscas por palavras, mas é mais interessante usar também as classificações de patentes. Eles permitem localizar tecnologias específicas entre milhões de documentos de patentes, de forma mais precisa e estruturada.

Diferentemente da busca por palavras-chave, que dependem do idioma, as classificações permitem recuperar resultados consistentes mesmo quando os termos variam. Isso é especialmente útil em áreas interdisciplinares, nas quais uma mesma solução tecnológica pode estar descrita sob enfoques distintos (químico, mecânico, energético ou ecológico).

As classificações tradicionalmente usadas são a IPC e a CPC.

A IPC – International Patent Classification é o sistema classificatório mais utilizado e universalmente adotado na organização de documentos de patentes. Criada pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI, também conhecida como WIPO – World Intellectual Property Organization), ela funciona como uma “linguagem comum” que permite comparar tecnologias de diferentes países e épocas, garantindo padronização na descrição de soluções técnicas.

Por sua ampla adoção e estabilidade, a IPC é especialmente útil para pesquisas iniciais, mapeamentos amplos e análises históricas, já que praticamente todos os escritórios de patentes do mundo aplicam essa classificação.

Em áreas como Engenharia Ambiental, Hidrologia e Energia, a IPC oferece uma base sólida para localizar tecnologias relacionadas a drenagem (E03F), tratamento de água e efluentes (C02F), obras hidráulicas (E02B) ou energia renovável (F03B, F03D), servindo como ponto de partida confiável para aprofundar buscas.

Você pode consultar os códigos da IPC no site: https://ipc.inpi.gov.br (classificação em português) ou https://ipcpub.wipo.int/ (classificação em inglês e francês)

Guia do INPI sobre a IPC: aqui.

A CPC – Cooperative Patent Classification é uma evolução mais detalhada da IPC, criada em conjunto pelos escritórios europeu (EPO) e norte-americano (USPTO).

Ela utiliza a IPC como base, mas incorpora muito mais detalhes e subclasses adicionais — como a seção Y02, voltada a tecnologias emergentes e mitigação das mudanças climáticas.

Apesar de ser tecnicamente mais precisa, a cobertura da CPC ainda não é uniforme em todos os países. Algumas bases nacionais, como a do INPI Brasil, não possuem todas as suas patentes completamente classificadas em CPC, o que significa que buscas exclusivamente por esse sistema podem retornar resultados incompletos. Por isso, recomenda-se combinar IPC e CPC nas estratégias de pesquisa, aproveitando a universalidade da IPC com o detalhamento e a atualização contínua da CPC sempre que disponível.

Você pode consultar os códigos da CPC no site: aqui

Apresentação INPI sobre a CPC: aqui.

Exceção

A Derwent, base fornecida pela empresa Clarivate, além da classificação pela IPC oferece mecanismos extras de classificação: Derwent Class Codes, organizados pela própria Derwent com foco em agrupamentos tecnológicos amplos, facilitando análises temáticas e identificação de famílias de invenções relacionadas. Eles são especialmente úteis para mapear setores industriais, detectar tendências e explorar áreas multidisciplinares nas quais as classificações tradicionais podem se espalhar em muitos códigos — e Derwent Manual Codes

Material adicional: aqui e aqui.

Na prática: usando as classificações para pesquisar por tecnologias para as áreas de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos

Para as áreas de interesse do IPH alguns códigos são tradicionais, por exemplo:
C02F – Tratamento de água, efluentes e lodos
F03D – Máquinas movidas a fluidos/energia hidráulica
E02B – Tecnologias para Engenharia Hidráulica
E03B – Sistemas de canalização (Abastecimento de água/ Sistemas de Esgoto)

Se estivermos em uma base que usa também a CPC podemos complementar nossa busca com os códigos Y, que marcam tecnologias emergentes, soluções interdisciplinares voltadas para problemas amplos, como os Y02 focados em tecnologias para adaptação às mudanças climáticas e os Y04 tecnologias de comunicação com impacto em outras áreas:

CódigoTemaExemplos de aplicação
Y02AAdaptação às mudanças climáticasGestão de recursos hídricos, barragens, prevenção de enchentes, irrigação eficiente
Y02A 20/Gestão de águaTecnologias para tratamento, dessalinização, drenagem urbana, reúso de águas residuais
Y02A 30/Proteção costeira e de riosObras hidráulicas contra erosão, inundações, aumento do nível do mar
Y02EGeração, transmissão e armazenamento de energiaEnergia hídrica, eólica, solar, geotérmica
Y02E 10/Energia renovávelTurbinas hidráulicas, sistemas de energia das marés (F03B), parques eólicos (F03D)
Y02E 60/Eficiência energéticaProcessos industriais e de tratamento com menor consumo de energia
Y02WGestão de resíduosTratamento de efluentes, lodos e resíduos sólidos, recuperação de energia
Y04S 20/Sistemas integrados (smart grids)Gestão integrada de energia em cidades inteligentes

Como usar esses códigos nas pesquisas de patentes

Nos campos de Classificação IPC/CPC, inclua por exemplo os códigos E02B, E03F, C02F ou F03B, combinados com Y02A ou Y02E para localizar soluções ambientais com enfoque em mitigação ou adaptação climática, quando a base permitir.

Use também palavras-chave e suas variantes, no INPI podemos pesquisar em português, na Latipat é importante combinar português e espanhol e nas outras bases geralmente a busca em inglês permite uma varredura mais ampla no conteúdo.

Observe as instruções da base (Ajuda/ Suporte/ Tutoriais) para verificar quais são os campos disponíveis e qual a possibilidade de uso de operadores booleanos, em geral, as bases permitem os operadores mais comuns AND, OR e NOT e algumas incluem também operadores de proximidade.

Exemplo: E03F AND Y02A20 → drenagem urbana sustentável

Exemplo: C02F AND Y02W → reúso de efluentes e recuperação energética

No caso da Derwent podemos combinar os campos da IPC, com os Derwent Class Codes e Derwent Manual Codes.
Exemplo: (DC=(P43) AND MAN=(D04-B05A)) OR IP=(C02F-001/00) → Tratamento de metais pesados na água

Algumas bases suportam também a busca por estruturas químicas: caso da Derwent e da PatentScope, quando o usuário cria uma conta WIPO. Com isso, é possível, por exemplo, criar uma busca que combine:

  • os dados de um contaminante emergente nos campos textuais (nome do fármaco genérico e nomes comerciais)
  • a estrutura química do contaminante — permitindo encontrá-lo por variações que vão além dos nomes conhecidos
  • palavras-chave que remetam à ideia de tratamento de água/efluentes e a processos de remoção
  • restrição pelos códigos de classificação da base

Exemplo:

Campo textual*: (ibuprofen OR Isobutylphenyl propanoic acid OR “variantes comerciais do nome do fármaco”)

associado a

Campo textual: (removal OR degradation OR adsorption OR oxidation OR advanced oxidation OR biodegradation OR photocatalysis OR membrane OR filtration OR “PFAS removal”)

Campo textual nesse caso varia de base para base, pode ser texto completo, títulos, resumo, conteúdo da folha de rosto, verifique os campos que a base oferece e teste potenciais combinações. Se a busca por texto completo recuperar muitos resultados que você verificar serem irrelevantes, no contexto de sua busca, tente uma busca que direciona as pesquisas em campos mais específicos.

associado ao

Campo de classificação: (C02F OR B01D OR Y02A)

associado ao

Campo de estrutura química:

Fonte: ChemSpider

Outros recursos

Para além dessas, existem ferramentas especializadas de análise de patentes e vigilância tecnológica que oferecem funcionalidades avançadas — como análise de citações, visualização de rede de inventores, tendências de mercado, monitoração de portfólios, entre outras — mas que geralmente requerem licença ou contrato institucional. Exemplo: Orbit® IP Analytics e The Lens Analytics.

Algumas instituições oferecem acesso temporário ou especializado a plataformas comerciais de análise de patentes por meio de seus escritórios de transferência de tecnologia ou programas de pós-graduação. Recomenda-se consultar o núcleo de inovação, biblioteca ou setor de TI da sua instituição para verificar as condições de uso ou a possibilidade de realização de buscas assistidas para pesquisadores.

Veja também:

Guia da Biblioteca da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto sobre o tema: aqui

Guia para docentes do INPI: aqui

Referências

IBUPROFEN. ChemSpider. Disponível em: https://www.chemspider.com/Chemical-Structure.3544.html. Acesso em: 24 nov. 2025.