No dia 09 de agosto último, tivemos a sessão de
qualificação do projeto do mestrando Pedro Albertão Wink, de título “A educação
em tempos de reforma: o Ensino Médio e as disputas por hegemonia no Conselho
Estadual de Educação/RS (CEED/RS). Fazemos este registro porque Pedro é o
primeiro orientando em pós-graduação vinculado ao Enunciar cotidianos a
concluir a primeira etapa de seu trabalho de pesquisa.
Integraram a banca as professoras Conceição Paludo e
Neusa Chaves Batista e o professor Jorge Alberto Rosa Ribeiro, ambos do
Programa de Pós-Graduação em Educação/UFRGS. As contribuições dos colegas foram
assertivamente produtivas para a continuidade do trabalho do mestrando, que
passará em breve a incursões junto às reuniões do CEED e a entrevistas com
conselheiros acerca das posições político-sociais representadas naquele âmbito
de deliberação.
No
primeiro semestre de 2019, tivemos participação em bancas de qualificação e defesas
finais, em nível de graduação e mestrado. No curso de Pedagogia, integramos a avaliação
do trabalho de conclusão de curso de Vitória Sant’Anna Silva, de título “A
dimensão educativa da escola de samba: uma pesquisa bibliográfica”. Vitória realizou
sua investigação com orientação da profa. Dra. Karine Santos e discutiu os
saberes produzidos naqueles espaços segundo cinco pesquisas de pós-graduação,
indiciando potenciais articulações entre os campos artístico-popular e
educacional.
No mestrado, foram quatro bancas, em quatro linhas de pesquisa diferentes (Filosofia da Diferença; Ensino de Geografia; Trabalho, Movimentos sociais e Educação; e Educação, Cultura e Humanidades). Primeiramente, participamos da qualificação do projeto de Mariana Horlle, sob orientação do Prof. Dr. Máximo Adó, “As lacunas de Órion: arquivo e testemunho na Educação Social. Neste caso, conhecemos uma interessante escrita no limiar entre realidade e ficção, a nos provocar sobre a prática do educador social. Em seguida, estivemos com colegas do Programa de Pós-Graduação em Geografia para a apreciação do projeto de Felipe da Costa Franco, orientado pelo prof. Dr. Nestor André Kaercher, “Educação para além das aulas: a relação educativa com o espaço”, no qual o autor nos propõe analisar a apropriação do espaço escolar pelos jovens estudantes de uma escola de ensino médio de Porto Alegre.
A terceira defesa foi o exame de qualificação da proposta de Salete V. Facco, orientanda da Profa. Dra. Maria Clara Bueno Fischer, de título “Trabalho, educação e saberes: experiências de mulheres quilombolas em Porto Alegre/RS”. Salete se propõe a uma metodologia dialógica de oficinas de produção artesanal com vistas a compreender como mulheres quilombolas conservam seus saberes tradicionais. Por fim, a defesa final da dissertação de Ricardo G. Pfitscher, “Disposições e estratégias nas transições de estudantes de curso tradicional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul”. Com orientação da Profa. Dra. Célia Caregnato, Ricardo discutiu a transição para o ensino superior de estudantes trabalhadores que ingressaram no curso de Odontologia noturno da UFRGS e, para tanto, estabeleceu pertinente apropriação das contribuições de Pierre Bourdieu e Bernard Lahire.
O período de 2019/01 foi também o da participação no 8° Congresso Ibero americano em Investigação Qualitativa, Lisboa, Portugal, com o trabalho “Individuação em periferias urbanas: aportes desde a produção de narrativas”. Uma versão expandida da apresentação realizada online pode ser encontrada aqui. O texto completo consta na aba ‘Publicações’ do blog. Neste artigo, agraciado com uma menção honrosa, procuramos discutir as condições de individuação em contextos de periferia urbana da cidade de Porto Alegre, destacando aspectos metodológicos na produção e análise de narrativas de itinerários biográficos.
Mais recentemente, por fim, tivemos o lançamento do livro ‘Direitos humanos em debate: educação e marcadores sociais da diferença’, em 04/09. O Enunciar cotidianos participou na organização do Ciclo que originou a publicação e tem entre os artigos uma introdução ao eixo ‘Direito à cidade, juventudes e gênero’. É possível fazer o download do livro completo gratuitamente no site da editora. Ver aqui.
De
agosto de 2018 a julho de 2019, realizamos atividades de pesquisa no bairro
Lomba do Pinheiro, vinculadas ao projeto ‘Tempos versados: éticas e capitais
nas narrativas da alegria’, que prevê imersão em quatro localidades de diferentes
regiões de Porto Alegre até 2021/02.
Contamos, inicialmente, com o apoio do Centro da Juventude –
Leste. Por lá, observamos as relações de sociabilidade nos horários de
intervalo, estivemos em diálogo com jovens que frequentavam o espaço e
realizamos uma roda de conversa sobre atividades de lazer e redes sociais.
Depois do período de observação, passamos a interlocuções online e seguimos falando sobre as práticas na
comunidade via Whatsapp e Facebook Mesenger. Foi esta uma forma de
nos integrarmos a uma atividade corrente entre nossos interlocutores.
Em
seguida, trabalhamos na aplicação de questionários, na realização de grupos de
discussão e em entrevistas com jovens trabalhadores matriculados nas redes
públicas de ensino, incluindo três escolas (EJA e EM) nas cercanias do Centro. Fizemos
ainda entrevistas narrativas com antigos moradores do bairro, com vistas a conhecer
mais da história da localidade e das experiências de ativismo e ocupação do
tempo por lá.
Em
2019/02, passaremos à última localidade prevista, possivelmente o Campo da
Tuca. Assim, seguindo com nosso propósito de conhecer atividades de lazer e
relações de sociabilidade no tempo livre, pretendemos dialogar com ativistas do
funk. Também neste período, devemos intensificar nossas interlocuções no espaço
escolar, com vistas a compreender como os jovens articulam suas diferentes
práticas culturais.
Os preparativos ocuparam todo o dia. Vamos, perguntou Marçal. Vamos, disse Marta. Marçal ia pôr o carro em movimento, Cipriano Algor disse bruscamente, Espera!
Saiu da furgoneta e dirigiu passos para o
forno. Quando saiu de aí a pouco, servia-se do casaco para transportar algo
pesado, uns quantos bonecos. Cipriano Algor aproximou-se da porta da casa e começou
a dispor as estatuetas no chão, de pé, firmes na terra molhada. Nessa altura já
os outros viajantes tinham decido da furgoneta, um a um entraram no forno e
trouxeram bonecos para fora. Então Cipriano Algor entrou na olaria e retirou
com todo cuidado da prateleira as estatuetas defeituosas e reuniu-as às suas
irmãs escorreitas e sãs. Com a chuva tornar-se-ão em lama, e depois em pó
quando o sol a secar, mas esse é o destino de qualquer um de nós. Agora não é
só diante da casa que as estatuetas estão de guarda, também defendem a entrada
da olaria.
Agora podemos ir-nos. A furgoneta fez a manobra e desceu a ladeira. Alguns quilômetros andados, Marçal disse, havia um cartaz, daqueles grandes, na fachada do Centro. São capazes de adivinhar o que ele dizia, perguntou. Não temos ideia, responderam ambos, e então Marçal disse, como se recitasse, brevemente: abertura ao público A caverna de Platão, atração exclusiva, única no mundo, compre já a sua entrada.
No segundo semestre de 2018, como atividades concernentes à vinculação ao Programade Pós-Graduação em Educação (PPGEDU/UFRGS), iniciamos a docência e a orientação em temáticas relativas aos projetos de pesquisa que temos conduzido. São três orientandos de mestrado no momento, com os seguintes temas: jovens e o trabalho no comércio de drogas ilícitas; juventudes e ensino médio em tempos de reformas; e Murga uruguaia e participação juvenil.
As disciplinas que ministramos foram o Seminário Avançado ‘“Periferias” e processos de individuação: aproximações a práticas e itinerários juvenis’, a Prática de pesquisa ‘Práticas culturais e trabalho em meios populares: itinerários de pesquisa’ e o Seminário Especial ‘Juventudes e periferias: experiências de pesquisa’, sendo que para este contamos com a participação da Profa. Dra. Shirlei Rezende Sales (Observatório da Juventude – PPGEDU/UFMG) e do Prof. Dr. Mário Sérgio I. Brum (PPGECC/UERJ).
Junto ao Programa, as disciplinas e as orientações estão vinculadas à linha de pesquisa ‘Trabalho, movimentos sociais e educação’. A partir delas, procuramos trazer à discussão as vivências de pesquisa em contextos socialmente vulnerabilizados, bem como introduzimos referentes para compreender a socialização e os processos de individuação em periferias urbanas, particularmente no que tange às juventudes. Então, as atividades culturais-artísticas, as experiências da educação e as produções laborais compõem o quadro de práticas desde o qual estamos produzindo nossas narrativas.
No segundo semestre de 2018, tivemos participação em pelo menos três importanteseventos. O primeiro deles foi a roda de conversa “Interação dialógica, impacto acadêmico e intervenções fotográficas em ações de extensão”, junto à exposição“Fotografia e o fazer do DEDS – sentidos a partir do olhar extensionista”, promovida pelo Departamento de Educação e Desenvolvimento Social da universidade (DEDS/UFRGS). A roda foi realizada no Museu da UFRGS no dia 10 deagosto e tivemos a oportunidade de compartilhar experiências na produção de imagens fotográficas em projetos de extensão e pesquisa.
Já no final do mês de outubro, organizamos a mesa redonda ‘Direito à cidade, juventudes e gênero’, como atividade integrada ao Ciclo Direitos Humanos em Debate, promovido pela Faculdade de Educação/UFRGS durante todo o ano de 2018. Então, recebemos as professoras Betânia Alfonsin (PUCRS) e Shirlei R. Sales (UFMG) e o professor Mário Sérgio I. Brum (UERJ) para discutir relações de poder, direitos e escrituras produzidas na produção dos espaços sociais.
Participamos também da ‘8ª Conferencia Latino Americana e Caribeña de Ciencias Sociales –Primero Foro Mundial del Pensamento Crítico’, entre os dias 19 e 23 denovembro, em Buenos Aires. O evento reuniu conferencistas de diferentes regiões do mundo e contou com expressivo número de painelistas inscritos, em diversos temas. O propósito do evento concernia ao debate sobre as lutas por democracia e justiça social, especialmente no continente latino americano. Então, integramos o eixo ‘Juventudes y políticas de infancia’ e apresentamos o trabalho “Juventudes, práticas culturais e trabalho: reflexões sobre suportes e diferenciação laboral nas periferias”.
Em agosto de 2018, passamos a realizar atividades de pesquisa no bairro Lomba doPinheiro. A mudança de localidade compõe a metodologia do projeto ‘Temposversados: éticas e capitais nas narrativas da alegria’, que prevê imersão em cincolocalidades em diferentes regiões de Porto Alegre.
Iniciamos nossa interlocução com apoio da rede de contatos já produzida em campo. Chegamos, inicialmente, ao Centro de Promoção da Criança e do Adolescente (CPCA) e ao Centro da Juventude – Leste. Por lá, estamos em diálogo com jovens que frequentam o espaço e realizamos uma roda de conversa sobre atividades de lazer e redes sociais. Depois do período de observação, passaremos a interlocuções online e seguiremos falando sobre as práticas na comunidade via Whatsapp. Foi esta uma forma de nos integrarmos a uma atividade corrente entre nossos interlocutores.
Fizemos ainda entrevistas narrativas com antigos moradores do bairro, com vistas aconhecer mais da história da localidade e das experiências de ativismo e ocupação do tempo por lá. No primeiro semestre de 2019, seguiremos na Lomba do Pinheiro. Trabalharemos na aplicação de questionários, na realização de grupos de discussão e em entrevistas com jovens trabalhadores matriculados nas redes públicas de ensino, incluindo aqueles com quem estabelecemos diálogo até o momento.
Participamos da XII Reunião Científica Regional da ANPED, realizada entre os dias 23 e 26 de julho de 2018, na Faculdade de Educação da UFRGS. Além de compor a comissão organizadora do evento, apresentamos trabalho no eixo 03, ‘Educação Popular e Movimentos Sociais’, intitulado “Redes do entorno escolar: diálogo com moradoras idosas do bairro Restinga/Porto Alegre”.
O tema do evento foi ‘Educação, democracia e justiça social’, visando provocar debates concernentes ao momento político que vivemos no país, assim como aos ataques que a área de educação vem sofrendo, na forma de restrição de recursos ou de projetos que tendem a cercear a autonomia da comunidade escolar.
Nosso trabalho versou sobre interlocuções com integrantes da ala das baianas de escola de samba sediada no bairro Restinga, assinalando as redes sociais que foram suportes significativos à produção das experiências daquelas mulheres, em contextos onde os recursos sociais e a presença do Estado é insuficiente e desigualdades de classe e gênero se fazem muito expressivas. Então, o lugar da escola é problematizado desde o espaço de possíveis dos sujeitos.
Entre as atividades do projeto ‘Tempos versados: éticas e capitais nas narrativas da alegria’, produzimos o vídeo “Fragmentos… veredas e encontros”. Este resultou de diálogos acerca das atividades de lazer realizadas no bairro Restinga. Foi a culminância de um trabalho que incluiu aplicação de questionários, entrevistas e grupos de discussão.
Em abril/2018, estivemos na sede da ONG Emancipa e exibimos o vídeo para moradores daquela localidade. A sequência da exibição, tivemos um debate sobre as condições para fruição do tempo livre e ocupação do espaço público no bairro, com destaque aos limites impostos pelas intercorrências de violência associadas ao tráfico de drogas.
O vídeo pode ser assistido em nosso canal no Youtube (aqui) ou mesmo neste blog, na aba ‘Imagens e narrativas’.