De auxiliar de cozinha a “homem do dinheiro”, André Lima Walezak tem muitas histórias para contar. Atualmente fiscal dos Restaurantes Universitários (RU), na Divisão de Alimentação (DAL), André já se movimentou bastante entre os diversos campi da UFRGS para buscar o dinheiro arrecadado nos RUs e depositar no Banco do Brasil.
Mas que história é essa? Dinheiro no RU? De onde e para quem? Vem com o Laranja na Colher para explorar as curiosidades que o André tem para compartilhar!
André entrou na Universidade há 35 anos, para trabalhar como auxiliar de cozinha no RU 01. Naquela época, ainda não era necessário prestar concurso, pois esse tipo de ingresso não estava regulamentado. Dessa forma, André fez um cadastro na Gestão de Pessoas da UFRGS e logo foi chamado para trabalhar na cozinha. Em 1990, houve mudança na legislação e os funcionários foram incorporados no serviço público.
André relembra: “no dia que entrei na cozinha, eu pensei em ir embora… (risos) pois os panelões eram enormes, e eu encostava muito meus braços naquelas panelas quentes, meus braços estavam todos marcados, pois não tinha ainda o costume, né?”. Aos poucos, no entanto, foi pegando o ritmo e as suas queimaduras diminuíram. Conheceu sua esposa dentro do RU, formou família e fez muitos amigos. Outra memória que ele traz é a forma como a comida era servida: existia um sistema de esteira em que os próprios colaboradores da cozinha serviam a comida para os estudantes. André comenta que esse trabalho precisava ser feito com cuidado e delicadeza, para que os alunos se sentissem confortáveis na hora de realizar suas refeições.
Sua passagem pela cozinha, entretanto, foi de apenas dois anos, pois logo em seguida foi convidado a trabalhar como operador de caixa do mesmo RU. André relata que o convite para ser caixa veio pois o cargo exigia dinamismo e rapidez para que as filas andassem mais depressa, o que ele sempre procurou fazer em todas as suas tarefas, além de sempre ter sido considerado muito simpático e comunicativo com as pessoas. Lidar com as pessoas, aliás, sempre foi um ponto alto na vida de André.
Por conta disso, ele coleciona histórias marcantes da época em que foi operador de caixa no RU 01 Como nesse restaurante vinham (e ainda vêm) muitos estudantes moradores da Casa do Estudante da UFRGS (CEU), alguns não tinham o valor de R$0,50 que na época era exigido dos beneficiários PRAE para pagar pelas refeições. Para ajudá-los, André emprestava seu dinheiro e criou um caderninho em que anotava o nome deles. Quando o estudante “quitava” suas dívidas, André zerava a conta, até que o estudante precisasse pedir ajuda novamente. “Com o passar dos anos, muito depois, uma vez chegou um rapaz, ele já estava formado e ele quis me dar um presente… eu disse que não precisava porque o que eu fiz por ele teria feito por qualquer um, mas ele fez questão de me dar o presente, pois ajudei muito na vida dele, para poder almoçar… Se não fosse pela minha ajuda, talvez ele nem tivesse se formado.”
André trabalhou como caixa de 1990 a 2005 e, depois disso, foi “recolher o dinheiro da universidade”. Ele ri e comenta: “não existe essa profissão, na realidade, né?”. Essa foi a sua ocupação até 2017, época em que o usuário do RU precisava efetuar o pagamento em dinheiro direto ao operador de caixa para poder realizar a sua refeição. Atualmente, com o sistema de tickets, André não teria mais dinheiro para recolher.
Segundo ele, o período em que foi o “homem do dinheiro” foi o mais feliz em sua carreira, pois sempre gostou de movimento e dinamismo, o que essa ocupação lhe proporcionava todos os dias. Porém, o motivo que o levou a ser convidado para essa função não foi o mais feliz: “o colega que antes recolhia o dinheiro foi assaltado na frente do Banco do Brasil, no pátio da Universidade, e teve tiro ainda! A pessoa atirou e fugiu…” Grandes emoções! André comenta que, após o trágico incidente, a UFRGS providenciou maior segurança para essa tarefa, e junto com ele, sempre estavam dois ou três colegas da Segurança Universitária acompanhando a atividade.
Ele conta que passava em todos os RUs para recolher o dinheiro, basicamente composto por muitas moedas, tendo em vista que os valores das refeições no RU sempre foram baixos. Na época em que ele trabalhou como “homem do dinheiro”, os estudantes beneficiários PRAE pagavam R$0,50 por refeição, estudantes não-beneficiários, R$1,30 e os servidores da Universidade, R$1,75. Cada operador de caixa separava o dinheiro e colocava em saquinhos plásticos de embalagem de feijão e grampeava seu nome e o código. André recolhia todos esses saquinhos e transportava em uma bolsa escolar sua. “Aí depois resolveram mudar para malote, pois nas minhas férias, um dos saquinhos se perdeu…”.
Depois de recolher todos os malotes dos RUs, era a hora de conferir os valores. A contagem desse dinheiro era feita toda manualmente e era depositado no dia seguinte. Essa era a rotina diária de André, que gostava muito dessa ocupação pois proporcionou contato com diversos cenários. Além disso, comenta que aprendeu muito nesse período, tanto pela responsabilidade que o trabalho exigia, como pela convivência com as pessoas. “Quando terminou essa função [de recolher o dinheiro], eu fiquei muito triste pois eu gostava muito, apesar de dizerem que era perigoso… Recebi muito apoio da chefia e dos colegas e agora tô aprendendo a gostar da minha nova função.” E é assim, com serenidade no olhar e tranquilidade na fala que André Walezak termina essa conversa. O servidor que já viu e viveu de tudo um pouco nos RUs da UFRGS tem em mente que ainda muita coisa vai mudar e espera que a universidade pública resista por muito tempo.
Texto elaborado por Nut Fabiana Tanabe, CRN2 9727.






Um comentário
Que texto lindo!! Muito feliz em conhecer mais sobre o André!