1) Ver a espécie, que planta é essa que está sendo plantada e características como: a) sua região de origem; b) seu tamanho, espaçonecessário (rural ou urbano) e seu desenvolvimento (crescimento); c) exigência de solo, luz, água (regas?) d) tamanho do berço (profundidade, larguras, 60 x 60 x 60cm ou no mínimo 40 x 40 x 40 cm, colocando muita matéria orgânica curtida, areia e argila no fundo; e) necessidade de água e luz. f) colocar um ou mais tutores (estaca de madeira) onde a muda será amarrada e um anel de proteção no pé da árvore, como um anel de cano de PVC ou garrafa pet cortadoverticalmente, ou anteparo similar, o que protegerá a base da muda dos cortes comuns de grama com fios de nylon, que provocam anelamento das mudas e morte das mesmas; g) meses sem R são os melhores para a época de plantios (maio, junho…)
2) Evitar plantar mudas próximo a prédios (distância mínima 2 a 3 m dependendo o tamanho potencial da árvore), e manter distanciamento de no mínimo 3m, 4 m, 5 m , dentre as mudas, dependendo do tamanho. Araucárias necessitam pelo menos 5 m entre elas e outras árvores ou distâncias de prédios. Regar pelo menos a cada 3 dias. Acompanhar o seu crescimento com fotos, anotar registros, e depois de anos apreciar seu crescimento e eventual produção de frutos alimentícios ou sua coleta de sementes e propagação para formar outras mudas.
Autoria: DUTRA, J. P.; SANTOS, A. A. M. dos; BARBIERI, R. L.; MARCHI, M. M.
Resumo: Sabores do butiá: delícias construídas ao longo do tempo; Os butiás, os lugares, as pessoas e as receitas; Receitas desenvolvidas por apreciadores do butiá; Receitas desenvolvidas por instituições de ensino; Receitas elaboradas por chefs de cozinha; O movimento Slow Food e o butiá; O butiá e suas possibilidades de uso culinário e gastronômico; Índice das receitas.
O Bioma Mata Atlântica não é apenas composto de florestas, e sobre isso nos fala o professor Paulo Brack sobre as vegetações de Restinga da planície costeira do Rio Grande do Sul.
Trechos de uma aula da disciplina Trabalho de Campo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ministrada por Paulo Brack e João André Jarenkow, nos dias 1 e 2 de julho de 2023, na Planície Costeira do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, município de Arroio do Sal.
A subida ao Morro Santana iniciou em 2004, a partir da iniciativa de alguns estudantes que perceberam a desconexão da Biologia – UFRGS com o Morro. Estes estudantes, entre eles o botânico Martin Grings, após subidas propostas pelo Prof. Dr. Valdely F. Kinupp, deram início à tradicional atividade.
Contrapondo-se aos trotes depreciativos e opressores, a subida ao Morro Santana tem como objetivo proporcionar uma primeira aproximação dos novos estudantes com a beleza e o potencial de estudo do Santana.
O Morro Santana no contexto dos morros de Porto Alegre
Os morros ocupam 12.307 ha (23% da área do município) e podem ser isolados, como os distribuídos na zona sul, ou agrupados em cristas. O onjunto de morros de Porto Alegre, de modo geral, apresenta orientação nordeste/sudoeste, com altitudes predominantes entre 210 a 240 m, sendo que o ponto mais elevado localiza-se no Morro Santana, o maior dos 44 morros do município, com 311 m acima do nível do mar. Além da importância biológica, o morro tem grande relevância histórica por ter abrigado, em meados de 1740, a propriedade de Jerônimo de Ornelas, considerado o fundador da cidade de Porto Alegre. Ainda serve como fonte de recursos para a manutenção da cultura de comunidades indígenas do entorno, historicamente conectadas ao local antes mesmo da chegada de Jerônimo. A preservação deste morro também é de alta relevância para a manutenção da qualidade da águas de três bacias hidrográficas – do Arroio Dilúvio, do Arroio Passo das Pedras e do Arroio Feijó – pois o Morro Santana abriga suas nascentes. Atualmente, rodeado por grandes avenidas, como a Av. Antônio de Carvalho (leste), Av. Bento Gonçalves (sul) e a Av. Protásio Alves (norte), o Morro Santana sofre uma série de ameaças: mineradoras, saibreiras (ocasionando crateras na face noroeste), supressão indevida de vegetação, incêndios ocasionais e induzidos, ocupação irregular, especulação imobiliária, espécies exóticas invasoras, prática de motocross (ocasionado a formação de voçorocas), além da falta de segurança para pesquisadores.
Vegetação
Porto alegre consiste em um ecótono, ou seja, uma área de transição, no encontro e interpenetração de diversas formações vegetacionais, sendo possível encontrar espécies botânicas das mais diversas regiões do estado. Espécies exclusivas do bioma Mata Atlântica podem ser encontradas em “ilhas” ou distribuídas no município, muitas tendo seu limite sul de distribuição justamente no paralelo 30, em Porto Alegre. Chama atenção o fato de que entre as espécies mais frequentes da arborização urbana da capital, nenhuma seja nativa da região metropolitana, apesar das potencialidades das árvores nativas. Os morros de Porto Alegre apresentam vegetação natural distribuída em mosaicos, resultantes da associação de dois tipos de vegetação: campos e florestas, facilmente diferenciados pelos tons de verde mais claro (até amarelado) e verde mais escuro, respectivamente. De modo geral, o perfil típico do Morro Santana, assim como dos demais morros do município, é o seguinte: face norte constituída por campos, com espécies herbáceas e arbustivas, e face sul constituída por florestas, dominada pelas formas arbóreas. Isto ocorre porque há alta incidência solar ao norte, sendo a parte sul menos iluminada e mais úmida.
À medida que subimos em direção ao topo do Morro, a vegetação espontânea pode ser dividida, grosso modo, em três grupos: mata, vassoural (ou capoeira) e campo. A rocha formadora do Morro é o granito, e a vegetação corresponde às características do solo e varia conforme as condições ambientais: no topo, o solo é mais seco, raso e pobre em nutrientes, tornando-se mais úmido, profundo e fértil com o declínio da altitude. Isto ocorre porque, com o tempo, os componentes do solo vão escorrendo das partes mais altas para as mais baixas do morro por ação da chuva. No pé do morro, as condições ambientais permitem a existência de uma mata de maior porte – higrófila ou alta – com presença de muitas plantas epífitas. Subindo, ocorre a transição para mata mesófila ou baixa, caracterizada pela ocorrência de espécies da família Myrtaceae, grupo a que pertence a pitangueira (Eugenia uniflora) e várias outras frutíferas do Rio Grande do Sul. A transição da mata para o campo pode ser abrupta ou não, sendo majoritariamente marcada pela presença da vegetação conhecida como vassoural, importante componente da dinâmica sucessional no processo de expansão das florestas sobre o campo. As plantas conhecidas como vassouras sombreiam o solo e promovem o acúmulo de biomassa, provendo o solo dos nutrientes e das condições necessárias para o estabelecimento de espécies florestais mais exigentes. A partir daí, iniciam-se as formações tipicamente campestres, geralmente encontrados no topo e na encosta norte. A flora campestre é ainda mais rica se comparada à florestal, abrigando muitas espécies endêmicas, raras e ameaçadas de extinção no Rio Grande do Sul. Nos morros de Porto Alegre, o número de espécies campestres é duas vezes maior se comparado ao de florestais!
Ilustração do perfil vegetacional dos morros de Porto Alegre por Prof. Paulo Brack.
Duas espécies que habitam o morro e são de fácil reconhecimento são o butiazeiro, Butia odorata, e a tuna, Cereus hildmannianus.
Fauna
Andando pelo Campus do Vale, percebemos que não estamos sozinhos, pois outros seres habitam o Morro Santana e seus arredores e podem ser observados se prestarmos atenção e fizermos silêncio: o gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), o macaco- prego (Sapajus nigritus), o lagarto-teiú (Salvator merianae), o aracuã (Ortalis guttata), espécies de serpentes e de pequenos roedores, além de animais domésticos que surgem juntamente com a ocupação urbana. Há relatos recentes de observação de bugio-ruivo (Alouatta guariba) por moradores das redondezas, mas sem confirmação. Em um inventário rápido realizado em 2007, a ocorrência de 15 espécies de mamíferos foi registrada para o Morro Santana, sendo a maioria de roedores, e contando com espécies generalistas. A face sul teve um maior número de espécies possivelmente devido à fisionomia vegetacional, com predomínio de cobertura vegetal arbórea, conferindo mais abrigo aos animais silvestres.
As interações ecológicas entre as espécies de mamíferos são importantíssimas para a conservação de outras espécies, não apenas animais, principalmente em ambientes fragmentados. Gambás, morcegos, primatas, roedores e canídeos, como o graxaim, desempenham um papel na manutenção da diversidade de plantas, através da dispersão e predação de sementes. Além dos mamíferos, aves, répteis, anfíbios e invertebrados também desempenham papéis essenciais para a manutenção da biodiversidade. Um exemplo de impacto ocasionado pela ação antrópica no entorno do Morro Santana é o anel viário do Campus do Vale da UFRGS, onde há numerosos registros de atropelamentos de animais.
Conservação
Dos 1.000 ha do Morro Santana, 600 são pertencentes a UFRGS, o que reforça a responsabilidade da Universidade com a sua conservação ambiental e com as comunidades vizinhas. Tendo em vista a alta riqueza biológica do Santana, desde 1980 existe o interesse no estabelecimento de uma Unidade de Conservação (UC) nas terras da universidade, o que garantiria maior proteção a sua área. Em 2006, foram estabelecidos em lei o limite de 321,12 ha e a categoria de Refúgio da Vida Silvestre (REVIS). Diversos esforços foram feitos visando à efetiva implantação da unidade, contudo, ela nunca saiu do papel. Em agosto de 2015, em Assembléia Extraordinária, o Grupo de Trabalho pelo Morro Santana foi criado pelos estudantes, com o objetivo de estudar e propor alternativas para a implementação de uma UC do Morro Santana.
No dia 14 de julho de 2022, o Grupo Viveiros Comunitários participou em parceria com o projeto Lixo não é lixo: reciclando práticas e ideias do Centro Cultural da UFRGS da Oficina de Compostagem Doméstica. A oficina buscou trazer informações sobre como pode ocorrer a compostagem dos resíduos alimentares utilizando como recipiente baldes reaproveitados, mostrando desde o feitio e utilização da composteira até o manejo e uso do composto e chorume resultantes do processo. Foi ministrada pelos viveiristas Fabrício Paris, Maria Berto e Marina Fülber no Centro Cultural, no Campus Centro. Os registros, realizados pela UFRGS TV, podem ser assistidos a seguir.
Agroecologia é agricultura orgânica? Por que tem outro nome?
A resposta é porque a agricultura orgânica ainda permanece com o enfoque da agricultura convencional. Ela simplesmente troca os agentes químicos por orgânicos, deixa correr as causas e somente combate os sintomas. Ela pode ser ecológica mas também pode ser cem por cento antiecológica, e as receitas que ela obriga a obedecer através de suas normas, são praticamente todas do clima temperado e têm pouca vantagem no clima tropical, a começar pelo composto, que é enterrado, seguido pelo combate de pragas e doenças e à produção de produtos biologicamente inferiores.
A agroecologia tem um enfoque holístico. Vê os ciclos e sistemas naturais que tenta manejar. Por exemplo: erosão, enchente e secas têm sua razão na perda de porosidade da superfície do solo. Portanto, não os combate por curvas de nível, micro bacias, barragens, retificação dos rios e irrigação, mas conserta onde o ciclo da água foi interrompido, isto é, na superfície do solo, que se tornou impermeabilizado e estéril pela falta de matéria orgânica.
A agroecologia não fornece receitas, ela fornece conceitos.
A matéria orgânica serve para agregar o solo. Por exemplo: a agricultura orgânica dá a receita de como fabricar o composto e o aplica em lugar do adubo químico. Para ela, o composto é fertilizante em forma orgânica. A agroecologia pergunta: o que o composto faz no solo? Ele deve agregá-lo formando poros que permeabilizam sua superfície. Portanto, não necessita ser composto mas pode ser qualquer material orgânico, a partir de restolhos e palha até a adubação verde. O que cada um vai aplicar depende das possibilidades de cada propriedade.
O composto é adubo em forma orgânica? Não, ele fornece nutrientes no fim de sua decomposição, mas isso é uma espécie de brinde. Ele deve permeabilizar o solo para a água, o ar e as raízes.
Um sistema radicular extenso e profuso abastece a planta com os nutrientes necessários e ao mesmo tempo dá acesso à água armazenada em camadas mais profundas. Neste sentido o pior que pode acontecer é que se forma uma laje em pouca profundidade. E esta sempre se forma quando o solo é desprotegido contra o impacto de chuva. Mas também o sistema radicular permanece pequeno, muitas vezes atacado por nematoides, quando faltar boro. O boro deficiente quase em todos os solos da região do cerrado é essencial para todas as culturas.
A proteção da superfície do solo é fundamental, seja ela por uma cobertura morta, um plantio adensado, a consorciação de culturas ou mesmo uma lona plástica.
O solo não somente mantém sua estrutura granular mas ao mesmo tempo é mais fresco. Acima de 32 graus C, a planta não consegue mais absorver água. E se uma laje confina a raiz `a camada superficial, durante as horas quentes do dia a planta não consegue absorver água. E em solo sombreado a planta necessita de menos nutrientes, especialmente menos cálcio, zinco e boro. Sabe-se, por exemplo no cacau, que árvores sombreadas têm muito menos doenças do que estas em pleno sol.
Portanto, a agroecologia não trabalha com normas mas fundamentalmente com o solo segundo a antiga sabedoria: Solo doente- Planta doente-Homem doente.
Somente em um solo sadio crescem plantas sadias porque aqui recebem todos os nutrientes que necessitam para formar todas as substâncias a que são geneticamente habilitadas. Estas substâncias não são necessárias para produzir grãos ou frutas, mas elas dão sabor, odor e valor nutritivo que atualmente os produtos convencionais não possuem mais.
A planta que não consegue formar proteínas, mas permanece nos aminoácidos, não forma açúcares de maior peso molecular ou graxos de estrutura complexa e sempre estará sujeita ao ataque de fungos, bactérias, vírus e insetos que existem para decompor o que é fraco, doente, velho e morto para que o jovem e vigoroso possa prosperar. Todos os organismos de decomposição são programados por enzimas para determinadas estruturas químicas.
Quando as plantas são atacadas porque já são doentes e elas permanecem doentes, mesmo se os insetos ou microrganismos foram controlados ou matados como mostram as fotografias Kirlian (na figura, vemos as fotos de um gladíolo que tem sua energia sendo perdida, com as luzes na vertical mostrando a saída da energia da planta).
Como tudo na natureza, também os nutrientes existem em determinadas proporções e se estas forem desequilibradas, por exemplo, por uma adubação elevada de nitrogênio ou um excesso de fósforo, os nutrientes relativos entram em deficiência e a planta pode ser atacada por insetos ou microrganismos. Este desequilíbrio também pode ser provocado por defensivos, como maneb, zineb ou organoforforados ou mesmo por “produtos orgânicos” como calda sulfocálcica ou a calda bordalesa.
Assim, na agroecologia não se procura combater o “parasita” mas sim nutrir melhor a planta. Podemos dar como exemplo o aparecimento dos ácaros. Estes somente aparecem em plantas ou árvores com aminoácidos livres e um acúmulo de açúcares redutores. Quando tratado com calda sulfocálcica, os ácaros morrem mas aí aparecem as cochonilhas. Na agroecologia, tenta-se restabelecer a proteosíntese e transformar esses açúcares de baixo peso molecular. Ou quando aparece a lagarta do cartucho no milho, é porque está faltando boro. A agricultura convencional planta milho Bt para matar as lagartas; na agroecologia se aduba o milho com boro e ela desaparece.
As variedades transgênicas, tanto as RR como Bt continuam com enfoque temático, combatendo sintomas e tentando matar tanto invasoras como parasitas. Porém elas não modificam a situação indicada pelo parasita ou invasor. Assim, o milho Bt, embora limpo das lagartas do cartucho (Spodoptera frugiperda) continua deficiente em boro, a soja RR, embora limpa de invasoras (como como a leiterinha ou amendoim-bravo) que indicou a deficiência de molibdênio, continua com a deficiência, mostrando um número de vagens reduzidas bem como seu número de grãos.
Isso tudo mostra que as variedades transgênicas são livres de parasitas e invasoras, porém os problemas continuam e são somente encobertos. Portanto, não são uma medida para aumentar a produção, mas são somente uma política de avestruz não querendo ver os problemas, que resultam na decadência avançada dos solos, especialmente provocados pela aração profunda e as elevadas quantidades de NPK que desequilibram os outros nutrientes das plantas, causando-lhes doenças.
Referência: Arquivos textos Ana Maria Primavesi. Disponível em: < https://anamariaprimavesi.com.br/category/textos/?fbclid=IwAR1g41v6SFDxP7_y02JOC0drApzeLK0Xjvzaq1qlaLhesjEbr17VhFtSM_c > Acesso em 17 de fevereiro de 2022