Coordenador Geral (2002-2007):
Cléo Vilson Altenhofen

Coordenador Geral (1987-2001):
Walter Koch

Membros Coordenadores regionais:
Mário Silfredo Klassmann – UFRGS (Coord. Equipe RS)
José Luís da Veiga Mercer – UFPR (Coord. Equipe PR)
Hilda Gomes Vieira – UFSC (Coord. Equipe SC até 2005)
Felício Wessling Margotti – UFSC (Coord. Equipe SC a partir de 2005-1)

Demais membros pesquisadores:
Oswaldo Antônio Furlan – UFSC
Basílio Agostini – PUC-PR

Parceria:
Equipes de Pesquisadores da Área de Letras das Universidades Federais do Paraná (UFPR), Santa Catarina (UFSC) e do Rio Grande do Sul (UFRGS)

APOIO:
Fapergs

A ênfase do ALERS recai na variação diatópica do português rural falado pelas classes menos escolarizadas na região sul do Brasil. Cabe, no entanto, destacar os seguintes pontos que o distinguem dos demais atlas linguísticos brasileiros:

1º) A densidade da rede de pontos, constituída de 275 localidades rurais distribuídas pelos estados do Rio Grande do Sul (95), Santa Catarina (80) e Paraná (100) (ver mapa da rede de pontos) e escolhidas segundo critérios de densidade demográfica, constituição da população, idade do ponto e distribuição simétrica no espaço.

2º) Consequentemente, o fato de sua rede de pontos se estender por mais de um estado; a maioria dos atlas linguísticos foi inicialmente estadual, ou seja, se restringiu aos limites de um estado da Federação.

3º) O ALERS foi o primeiro a incluir perguntas morfossintáticas.

4º) Apesar de ser considerado um atlas linguístico monodimensional, por priorizar a variação diatópica do português rural e mais conservador, o ALERS incorpora aspectos de outras dimensões. Assim, sobretudo na dimensão dialingual, tem-se informantes monolíngues e bilíngues em uma outra língua dominante na localidade em estudo, principalmente alemão, italiano e polonês. Em 19 pontos urbanos, foram realizados, além disso, levantamentos sociolinguísticos complementares para descrição da variação diastrática, que, no entanto, não chegaram a ser analisados no processo de cartografia.

Tipo de ponto inquérito conforme o bilinguismo PR % SC % RS % Total
Ponto bilíngue com informante bilíngue 15 15 44 55 25 26,32 84 (30,55%)
Ponto bilíngue com informante monolíngue 62 62 24 30 37 38,95 123 (44,73%)
Ponto monolíngue com informante monolíngue 23 23 12 15 33 34,74 68 (24,73%)
Total de pontos 100 80 95 275 (100%)

5º) Vale destacar, por fim, o fato de o ALERS ter publicado o conjunto dos dados com os diferentes questionários, não apenas de uma parte, geralmente de cartas fonéticas ou lexicais. Em uma área de pesquisa que exige fôlego e persistência, esta é uma constatação nem sempre óbvia.

Para a realização das entrevistas – em cada ponto, um informante único homem ou mulher – com idade acima de 35 anos, foram utilizados três questionários básicos: QFF = questionário fonético-fonológico; QMS = questionário morfossintático; QSL = questionário semântico-lexical), acrescidos de gravações de conversas livres. Considerando que cada ponto resultou em uma média de quatro fitas de gravação de 60min de entrevista, tem-se um total de aproximadamente 1.127 horas de gravação, perfazendo cerca de 300.000 dados linguísticos analisáveis do português falado na área em estudo. O banco de dados assim constituído foi etiquetado e digitalizado, para estudos futuros, de comparação diacrônica. Está em planejamento sua disponibilização em uma plataforma online, a demais pesquisadores interessados.

A relevância do ALERS, especificamente para o ALMA-H e outros estudos que se vier a realizar sobre a variação do português tanta nessa região, quanto na fala de migrantes procedentes do sul do Brasil para outras regiões, reside no fato de fornecer uma base de comparação e controle das variantes com as quais os imigrantes alemães e seus descendentes efetivamente entraram em contato. O ALERS é, para o ALMA-H, neste sentido, base de consulta obrigatória, assim como o são os atlas de Wenker e o MRhSA (ver REDE-SprachGIS – Forschungszentrum Deutscher Sprachatlas, Univ. Marburg).

O projeto ALERS teve sua origem em 1980, com um Grupo Interdepartamental para o Estudo da Variação Lingüística do Rio Grande do Sul, no Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A finalidade principal do Grupo consistia na retomada das pesquisas dialetológicas de Heinrich A. W. Bunse, que anos antes já havia iniciado levantamentos preliminares para a elaboração de um atlas lingüístico do Rio Grande do Sul. Uma síntese desse projeto aparece publicada em um pequeno volume de 1969, Estudos de dialetologia no Rio Grande do Sul (problemas, métodos, resultados).

Em 1982, durante o I Encontro de Estudos do Bilingüismo e da Variação Lingüística da Região Sul, realizado pelo então Centro de Lingüística Aplicada do Instituto de Letras, a partir do Grupo Interdepartamental, foram definidos os procedimentos para concretizar a ideia do Atlas, bem como ampliar o seu alcance para toda a Região Sul, com o apoio e participação efetiva das universidades federais de Santa Catarina e Paraná.

Em 1987 se formou a equipe – de natureza interinstitucional –, constituída de três grupos estaduais, sediados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal do Paraná (UFPR), sob a coordenação geral de Walter Koch (UFRGS), que imediatamente iniciou a execução do Projeto. Em 2000, assumiu a coordenação geral do ALERS Cléo Vilson Altenhofen, que já havia participado do Projeto desde o seu surgimento.

A publicação do ALERS englobou os seguintes volumes:

ALERS-Introdução: Atlas Lingüístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil. v. 1: Introdução. Org. por Altenhofen, Cléo V.; Klassmann, Mário S. & Koch, Walter em coautoria com Agostini, Basílio; Furlan, Oswaldo; Margotti, Felício Wessling; Mercer, José Luiz da Veiga; Vieira, Hilda Gomes. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Curitiba: Editora da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 2002. 116 p. [ISBN 857025640X]

ALERS-Cartas Fonéticas e Morfossintáticas (1.ed.): Atlas Lingüístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil. v. 2: Cartas fonéticas e morfossintáticas. Org. por Altenhofen, Cléo V.; Klassmann, Mário S. & Koch, Walter em coautoria com Agostini, Basílio; Furlan, Oswaldo; Margotti, Felício Wessling; Mercer, José Luiz da Veiga; Vieira, Hilda Gomes. Porto Alegre: Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); Curitiba: Editora da Universidade Federal do Paraná (UFPR); Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 2002. 430 p. [CVA] [ISBN 8570256418] – Obs.: apresenta 70 cartas fonéticas e 102 cartas morfossintáticas.

ALERS-Introdução & Cartas Fonéticas e Morfossintáticas (2.ed.): Atlas Lingüístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil (ALERS): Introdução, Cartas fonéticas e morfossintáticas. 2a. ed. Org. por Koch, Walter (†); Altenhofen, Cléo V.; Klassmann, Mário S. em coautoria com Agostini, Basílio; Furlan, Oswaldo; Margotti, Felício Wessling; Mercer, José Luiz da Veiga; Vieira, Hilda Gomes (†). Porto Alegre: Editora da UFRGS; Florianópolis: Editora da UFSC, 2011. 512 p. [ISBN 978-85-386-0132-6]

ALERS-Cartas Semântico-Lexicais: Atlas Lingüístico-Etnográfico da Região Sul do Brasil (ALERS): Cartas Semântico-Lexicais. Org. por Altenhofen, Cléo V.; Klassmann, Mário S. em coautoria com Agostini, Basílio; Altenhofen, Cléo V.; Furlan, Oswaldo; Klassmann, Mário; Koch, Walter (†); Margotti, Felício Wessling; Mercer, José Luiz da Veiga; Vieira, Hilda Gomes (†). Porto Alegre: Editora da UFRGS; Florianópolis: Editora da UFSC, 2011. 960 p. Autores: [ISBN 978-85-386-0133-3] – Obs.: apresenta 375 mapas linguísticos com os respectivos quadros de variantes, sobretudo de variáveis lexicais, mas também fonéticas, morfofonêmicas e etnográficas.

Exemplo de mapa (cf. ALTENHOFEN, 2005)