O projeto BIRS foi desenvolvido por Walter Koch, no Instituto de Letras da UFRGS, entre os anos 1985 e 1987, com o objetivo de mapear as áreas bilíngues do Rio Grande do Sul e, com isso, subsidiar os levantamentos da variação do português rural no Atlas Linguístico Etnográfico da Região Sul do Brasil (ALERS). A metodologia do projeto baseou-se em um levantamento por correspondência em que se enviou às Juntas de Serviço Militar de cada um dos municípios do Estado um conjunto de questionários a serem preenchidos por escrito, pelos alistados ou responsável da Junta. Com isso, pretendeu-se obter uma base de dados comparável e representativa de toda a área do Rio Grande do Sul, na medida em que todos os informantes eram jovens na faixa etária de 18 anos, pertencentes ao sexo masculino. Apesar de a amostra não ter obtido retorno da totalidade dos pontos (cobrindo cerca de 80% da área do Estado), seu valor histórico está no fato de garantir, ao menos para o RS, dados comparativos sobre a vitalidade e manutenção das línguas de imigração no período em questão. Esses dados preenchem uma lacuna do censo demográfico do IBGE que perdura desde 1950, última vez em que se inquiriu sobre “outras línguas faladas no lar”, além do português. O questionário enviado às Juntas (ver abaixo) indagava sobre as línguas faladas na geração dos alistados e dos seus pais. Além disso, as perguntas sobre o domicílio e local de nascimento dos falantes, assim como também os sobrenomes dos pais, fornecem informações para uma análise dos processos migratórios e relações de casamento interétnico.

Os resultados da enquete (v. Altenhofen 1990) apontaram para esse período um índice geral de 26,41% de bilíngues (incluindo geração dos pais e dos alistados). Desse total, o alemão aparece com 56,61%, em 1º lugar, como língua adicional mais falada no RS, seguido do italiano (33,94%) e do polonês (3,97%). Na comparação entre as duas gerações, constatou-se uma redução de 11,75% na média geral de falantas bilíngues, ou seja, houve, segundo a amostra, uma perda linguística de 30,85% para 19,10%, da geração dos pais para a geração dos filhos em idade de alistamento militar.

Questionário do BIRS / UFRGS / Instituto de Letras (Coord. Walter Koch)