O Atlas Linguístico-Contatual das Minorias Alemãs na Bacia do Prata (ALMA) é um macroprojeto desenvolvido em conjunto pelas áreas de Romanística (da Christian-Albrechts-Universität de Kiel, Alemanha) e Germanística (do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil), sob a coordenação de Harald Thun (Kiel) e Cléo V. Altenhofen (Porto Alegre). Para tanto, o Projeto conta, desde janeiro de 2008, com o apoio financeiro da Fundação Alexander von Humboldt (www.avh.de), no âmbito do programa de parcerias binacionais entre institutos. Os pressupostos teórico-metodológicos que fundamentam a elaboração do ALMA orientam-se pela dialetologia pluridimensional e relacional (Thun 1996).

A fase atual do macroprojeto ocupa-se com o Hunsrückisch – definido como uma coiné de contato com o português derivada historicamente do contínuo dialetal de base francônio-renana e francônio-moselana do alemão como língua de imigração trazida ao Rio Grande do Sul a partir da primeira metade do séc. XIX (cf. Altenhofen 2004).

Objetivos

  1. constituição de um banco de dados lingüísticos e etnográficos da variedade Hunsrückisch em contato com o português e o espanhol em uma rede de 38 pontos de pesquisa selecionados na Bacia do Prata, envolvendo Paraguai (3), Misiones na Argentina (3) e sul do Brasil, nos estados do Rio Grande do Sul (23), Santa Catarina (6) e Paraná (3). A partir desse corpus, pretende-se
  2. elaborar um amplo mapeamento da variação, contatos linguísticos e uso do Hunsrückisch no espaço pluridimensional da área em estudo. O espectro de análise inclui ainda variáveis comportamentais, bem como competências dos falantes nas respectivas variedades germânicas e românicas, alternância de código, preferências lingüísticas e aspectos pragmático-funcionais, como o uso das variedades tanto em contextos culturais diferentes como também em relação à produção oral e escrita. A metodologia de coleta e análise dos dados segue quatro princípios fundamentais do modelo teórico: pluralidade de informantes, comparabilidade dos dados (para fins de cartografia e de comparação com outros estudos), interdisciplinaridade e completude (visão de conjunto dos contextos de uso) e pluridimensionalidade da variação linguística.