A condição de variedade dialetal essencialmente falada, sem uma escrita sistematizada, coloca, para o tratamento dos dados do Projeto, sobretudo no que se refere à transliteração de etnotextos e à entrada de verbetes do Hunsrückisch no Dicionário, a necessidade de criar regras específicas para o seu registro escrito. Vale lembrar que a função de “escrever” até hoje ficou relegada sobretudo ao Hochdeutsch (alemão-padrão), condicionado às condições de acesso à sua aprendizagem (ver subprojeto “Cartas de Imigrantes”) e ao português, língua oficial ensinada na escola. Exemplos dessa diglossia entre a variedade falada Hunsrückisch e a variedade escrita e formal Hochdeutsch são frequentes nos dados do Projeto ALMA-H. Pense-se nos Wandschoner (toalhas de proteção da parede, penduradas normalmente atrás do fogão, contendo ditados em alemão-padrão), inscrições em sepulturas, cartas antigas da família, identificações de fotos de família, mensagens em cartões postais, além de numerosas publicações (almanaques [Kalender] etc.), que constituem o acervo da imprensa de língua alemã no Brasil.

Para preencher a lacuna na transliteração dos dados, criou-se no âmbito do Projeto o “Grupo de Estudos da Escrita do Hunsrückisch” (ESCRITHU). A partir da análise e discussão de dados do ALMA-H e do acervo de textos publicados em Hunsrückisch, o ESCRITHU elaborou um conjunto de princípios que resultaram em uma proposta de escrita que se encontra publicada na Revista Contingentia, Vol. 2, No 2 (2007), do Setor de Alemão. Ver também Altenhofen & Frey, in: Revista Contingentia, Vol. 1, No 1 (2006).

A transcrição fonética dos dados segue o Alfabeto Fonético Internacional (IPA), nos moldes em que é utilizado pelo Atlas Linguístico da Renânia Central / Mittelrheinischer Sprachatlas (MRhSA), de Günter Bellmann, Jürgen Erich Schmidt e Joachim Herrgen.