Minha primeira aventura acadêmica levou 16 meses para ficar pronta. Fruto de um curso de extensão de prática em pesquisa, escrevi um artigo apontando o filme Fantasia da Disney, de 1940, como uma das principais potências do que hoje compreendemos como vídeo clipe.
Escrevi o artigo em 2006, em parceria com o Prof. Alexandre Rocha da Silva, hoje meu orientador de mestrado. Usando como método de análise a Tradução Intersemiótica (de Júlio Plaza), vamos encontrando semelhanças de acontecimentos no filme com acontecimentos em videoclipes.
Um dos achados interessantes é o bate-boca que o filme gerou entre o compositor Igor Stravinsky e Walt Disney. Acontece que o desenhista não teve pudor algum ao editar a música A sagração da primavera do compositor, que retrucou dizendo que “não ia comentar uma imbecilidade irretorquível”.
Stravinski na época estava cético de que a música era incapaz de exprimir qualquer sentimento. Ver sua peça contando a história da vida na Terra, desde a primeira ameba até a morte dos dinossauros, deve ter sido como tomar um puxão de cueca até ela ser presa na testa.
Mas a riqueza das articulações entre música e desenho animado de Walt Disney falou mais alto e hoje é encarada com naturalidade a interferência nas peças musicais originais para que se possa dar um sentido ao audiovisual. Um belo exemplo disso é o clipe Come into my world, dirigido por Michel Gondry para a insossa música de Kylie Minogue. Ele interferiu na estrutura da música, mas eu vou me poupar detalhes que podem ser melhor entendidos lendo outro artigo meu que trata exatamente deste vídeo.
Importa dizer que meu filho vai se chamar Valdisnei. Eis o clipe da Kylie:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=63vqob-MljQ]
