Imagens das catástrofes climáticas passam diante de nossos olhos em produtos midiáticos diversos, como noticiários, documentários e vídeos em redes sociais, mas os sons empregados nesses materiais, talvez por sua efemeridade, talvez pelo ocularcentrismo característico das sociedades ocidentais, são frequentemente negligenciados por nossa percepção habituada. O Antropoceno irrompe e a intrusão de gaia se faz ver, ouvir e sentir cotidianamente, desde os temporais cada vez mais frequentes até eventos de grande porte como a enchente de maio de 2024. As mudanças de escala e de padrão dos eventos climáticos forçam alterações nas categorias de pensamento a partir das quais até então partiam nossas discussões a respeito da natureza das imagens visuais e sonoras.
No dia 19/11, a partir das 18h30, o Núcleo de Pesquisa Semiótica e Sonoridades oferece uma aula aberta no Auditório 1 da Fabico/UFRGS, contando com a participação especial da artista e pesquisadora Camila Proto. Doutoranda em Artes Visuais pela UFRJ, foi indicada ao 13º Prêmio Açorianos de Artes Plásticas (2020), na categoria “Artista em Início de Carreira”, e recebeu o 6º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea (2023). O evento conta ainda com o Prof. Marcelo Bergamin Conter e os bolsistas de iniciação científica Augusto Schu e Gabriel Ortega.
Apresentaremos alguns primeiros encaminhamentos de um programa de investigação coletivo sobre as narrativas do Antropoceno, com foco no papel das sonoridades em nos surpreender, criar e mover.
O evento integra a disciplina Teorias da Comunicação – Turma B, mas o convite se estende para discentes da Turma A, a toda a comunidade Fabicana e demais interessados.
CHAMADA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS – Primeira Circular
IV Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades (CIPS)
Silêncios
Datas: 04 a 07 de junho de 2025
Local: Universidade Federal do Espírito Santo – Vitória/ES – Brasil
Etapa online: 31 de maio de 2025
É conhecida a narrativa do compositor John Cage que, submetido a uma experiência de silêncio profundo em uma câmara anecóica, constatou que ainda conseguia ouvir os sons internos de seu próprio corpo. Essa história nos confronta com a inevitabilidade de um fenômeno complexo, de natureza múltipla e inesgotável: o silêncio.
O silêncio, que pareceria, em princípio, uma contraposição ao som, uma espécie de negativo, revela-se como um transbordamento das fronteiras do audível. A música ocidental explicita a importância incontornável dos silêncios, do pentagrama à sintetização sonora. Na partitura, a pausa é elemento marcado e significante, parte fundamental da própria composição. No digital, o silêncio é um bloco de tempo sem pulsar que se acrescenta à timeline composicional. A ausência de som, pode-se concluir, não é nulidade de sentido, mas sim o resultado parcial de uma maquinação comunicacional mais ampla de jogos de força a serem cartografados sob perspectivas interdisciplinares.
Ao adotar os silêncios como tema, procuramos não apenas tratar de perspectivas discursivas mais formalistas no espectro musical, mas também trazer a discussão para os campos social e político, pensando o silenciamento de povos, de vivências e de repertórios culturais. Apesar da constatação contrária de Cage, o silêncio pode também ser algo que nos acompanha e nos confronta com a ameaça constante da inexistência, do apagamento e da dissolução. Esse paradoxo intrínseco à ideia de silêncio apresenta-se como um importante tema a ser resgatado e atualizado para compreender os desafios do tempo presente no campo das sonoridades.
A IV CIPS acolhe propostas de apresentações científicas e performances artísticas (para estas, realizaremos uma chamada separada em breve). Recebemos trabalhos que lidem com toda sorte de suporte, formato, mídia que lide com as sonoridades. Algumas das perspectivas, mas não as únicas, que interessam a esta conferência, são:
Ecologias sonoras: ruídos que silenciam, silêncios que amplificam;
Imagens e silêncios; vazios e ruídos;
Tecnologias e modelos de produção de silêncio;
Som, imobilidade e morte;
Estéticas do silêncio;
Ambiências e atmosferas sonoras silenciosas ou que silenciam;
Silêncios, seus afetos e processos de significação e sensação;
O silêncio nas práticas composicionais;
O devir-silêncio;
Políticas e culturas sonoras: sons, silenciamentos, lutas e insurgências de modos de vida contemporâneos.
SUBMISSÃO DE RESUMOS
Os resumos devem ser submetidos até o dia 6/12/2024 para o e-mail cips.sonoridades@gmail.com nos formatos .doc (ou .docx), informando no assunto do e-mail: “IV CIPS – Resumo”.
A IV CIPS será um evento presencial, mas contará com uma etapa online para um número limitado de trabalhos científicos aprovados pela comissão científica de proponentes localizados fora da região Sudeste ou fora do Brasil que estejam impossibilitados de participar do evento presencialmente. Reservamos 24 vagas para esta modalidade.
O texto deve estar formatado em fonte Times New Roman, Corpo 12, espaçamento 1,5. No documento, deve constar, nesta ordem:
Título da proposta;
Proponentes, seus respectivos e-mails e filiação institucional (ou atividade principal); titulação máxima, ocupação ou área de atuação, cidade, estado e país de residência;
Resumo de até 500 palavras, indicando tema, objetivos, problema de pesquisa, referencial teórico, metodologia e adesão ao tema geral do evento;
Bibliografia de até 5 títulos;
Indicação de preferência por apresentação online (número limitado de mesas, apenas para autores de fora do Brasil ou de fora da região Sudeste).
Os resumos podem ser enviados em português, espanhol ou inglês. Nós iremos nos corresponder com o primeiro autor do trabalho acerca do recebimento e avaliação do resumo.
Palestra realizada para a aula aberta “Dos meios de comunicação às indústrias criativas”, ocorrida na FAMECOS, PUCRS, em 29 de agosto de 2023
Quando o professor Deivison Moacir Cezar De Campo me convidou pra falar sobre “o que é meio de comunicação hoje?”, eu imediatamente lembrei de Marshall McLuhan. Ou seja, não interpreto a pergunta querendo respondê-la sugerindo qual é o meio do momento, e sim, como os meios contemporâneos estão transformando radicalmente a forma como nos comunicamos. McLuhan não apenas fez uma análise impressionante dos meios de comunicação de sua época, os anos 1960, como também projetou como estaríamos nos comunicando agora. Operando com uma linguagem similar a da publicidade, ele criou aforismos que mais pareciam slogans publicitários. O mais celebrado, e alguns de vocês já devem ter ouvido, é “o meio é a mensagem”. Mas não nos enganemos: ele não quer dizer com isso que o conteúdo é irrelevante, tampouco uma inversão de valores. O que está implícito ali é que “amensagem é a mudança de escala, cadência ou padrão que este meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas”. Ou seja, o meio configura e controla a proporção e a forma das ações e associações humanas. O Drive-Tru só existe porque existe a malha rodoviária. A lâmpada só liga e essa palestra só pode acontecer neste formato porque turbinas estão girando com a força d’água em Itaipu. O meio pretende-se transparente, como a água do aquário para os peixes, como a televisão que se pretende janela para a realidade.
Na época em que McLuhan escreveu suas teses, a energia elétrica, a transmissão via satélite, o rádio e a televisão estavam proporcionando ao mundo a possibilidade de tornar a comunicação praticamente instantânea. Nós, que vivemos 60 anos depois destas ideias, já nascemos imersos na comunicação simultânea. Mas eu gostaria hoje de destacar uma diferença que existe entre as mídias da época de McLuhan para as mídias digitais.
Quando ouvimos rádio AM ou FM a informação é fragmentada e convertida em ondas senoidais que vibram milhões de vezes por segundo, rebatem na ionosfera e perambulam em tempo real pela atmosfera para que qualquer receptor possa sintonizá-la. Com a TV aberta é parecido, mas o sinal passa da ionosfera e é rebatido por satélites.
Obviamente, quando eu ouço rádio ou vejo TV aberta, eu não posso voltar, assistir de novo, fazer buscas. O fluxo radiofônico ou televisivo se confunde com o fluxo da minha vida. Não é à toa que a TV acompanha nossas rotinas: jornal no café da manhã para sair ao trabalho bem-informado; receitas antes do almoço; jornal de infotenimento no almoço seguido de esportes, para boa digestão; e assim por diante. Era preciso esperar até tarde da noite para ver um episódio novo de uma série, a gente via um único episódio por semana e depois isso era assunto com os amigos para a semana inteira, porque todo mundo assistia tudo ao mesmo tempo. Assim era a vida até a virada do milênio.
Como bem expressa Philip Dubois, a informática veio para absorver todas as mídias anteriores. Ela traduz qualquer informação visual ou sonora em bits, que podem ser arquivados em unidades de armazenamento como discos rígidos. Navegar pela internet é, sempre, vasculhar um arquivo. Um grande arquivo que seria construído pela comunidade, pelo povo, como muitos profetizaram.
Diferentemente da instantaneidade e do fluxo constante da televisão e do rádio, os dados que acessamos pelo computador ou celular são sempre uma duplicata de um dado que está arquivado em outro lugar. Enquanto a TV analógica era uma imagem do presente, na internet, tudo é sempre uma imagem do passado. Mesmo quando assistimos “TV ao vivo” pela internet. Quem vê um jogo de futebol pela web e ouve o vizinho que ainda tem rádio gritando gol dois minutos antes sabe do que eu estou falando. É que TV pela internet envolve uma série de procedimentos de codificação, decodificação, buffer, compressão de dados, descompressão de dados, passagem por vários pitstops(servidor, caixa da internet do prédio, modem, computador) e tudo isso causa o famoso delay. Se pesquisarmos pelo endereço da Famecos no Google, daqui mesmo, essa requisição pode sair do continente para voltar com os resultados. No meio do caminho, pode passar por um cabo submarino enquanto um tubarão tenta morder a informação.
Então, por mais ágil, transparente e aparentemente simultânea que a experiência com a web nos pareça, nós estamos sempre olhando para uma imagem, um som ou um texto do passado, quase como um telescópio que observa a luz de estrelas que não mais existem. Então, retomando a pergunta, o que é meio de comunicação hoje?, eu diria que são os meios que lidam menos com o presente e o futuro e, ao invés disso, investem-se de imagens do passado para reorganizá-lo no presente.
Lembrando que, de acordo com Henry Bergson, o passado não é o que foi, mas o que é, o que se acumula no presente, como uma bola de neve que incha a medida que avança. O que é meio de comunicação hoje? É o acúmulo de todo o passado dos meios de comunicação. Nós ainda fotografamos, ainda filmamos, ainda escrevemos.
Gostaria de relembrar outra coisa que o McLuhan disse. Ele percebeu que, toda vez que um novo meio de comunicação surgia, ele precisava imitar as mensagens dos meios anteriores. Quando surge a internet, surge o termo “página” para se referir às URLs, porque era preciso que a web se parecesse com livros, revistas, bibliotecas, algo que já estávamos acostumados, até que ela tomasse sua própria forma. E ela vai fazer isso resgatando o princípio do arquivo, que é a base de todo sistema informático que utilizamos. E um meio de comunicação que tem como fundamento a produção de sentido partindo do tratamento de dados arquivados irá certamente afetar os modos como produzimos cultura.
Quem percebeu isso com clareza foi o crítico musical Simon Reynolds, que em 2010 escreveu o livro Retromania. Ele reconheceu que entre 2001 e 2010 não surgiu nenhum gênero musical novo que tomasse conta das paradas, mas uma grande revisitação de estéticas de décadas passadas, como é evidente na obra de Amy Winehouse, White Stripes, Strokes, Florence & The Machine, eu adicionaria aí Cachorro Grande, para ficar apenas em alguns exemplos. Ele percebe aí um reflexo dos novos hábitos de escuta de música, que mudam dramaticamente com o advento do Napster, da pirataria e em especial do acesso à memória total da música pop por meio de sites como o YouTube. A nova geração de músicos passa a ser menos influenciada pelas tendências impostas pelo mainstream e as modas do momento e mais pelo mar de informação que o arquivo digital oferece.
Na década seguinte, entre 2011 e 2020, softwares de edição não-linear e controladores MIDI irão facilitar processos criativos, mas em cima de samples, a partir do arquivo, portanto. Se na década passada a norma erainspiração no passado, agora parte-se para o sampleamento dos arquivos do passado. Imaginem uma bola de neve que incha à medida que se refere a si própria. O gênero musical que melhor representa esse novo cenário é o vaporwave. Em síntese, trata-se do rearranjo do arquivo audiovisual e sonoro da era da web 1.0 – com todas as suas promessas futurísticas, gráficos assépticos, sons de alerta de sistemas operacionais como Windows 95 etc. – sendo colocados em justaposição com imagens visuais e sonoras relacionadas simbolicamente ao capitalismo financeiro dos anos 1980 – comerciais de TV de multinacionais; Muzak; smooth jazz e outros gêneros musicais típicos de spas, resorts e saguões de hotéis cinco estrelas –. O que o vaporwave fez foi colocar na frente do palco aqueles sons e imagens que antes pensávamos apenas ser parte do fundo para realizarmos um consumo irônico – aquele jingle chato do McDonald’s que trocávamos de canal quando começava, aquela música cafona do Kenny G que tocava na sala de espera do dentista.
Com o vaporwave relembramos aberturas de seriados, comerciais de TV da nossa infância e percebemos que estas memórias eram compartilhadas não só com nossos amigos, mas com pessoas do mundo inteiro, porque, obviamente, são expressões do capitalismo financeiro. Pickering e Kightley são certeiros ao dizerem que “ao invés de nos lembramos de experiências pessoais, é mais provável que nos lembremos de experiências mediadas e, como tal, a mediação do passado é um processo pelo qual a mídia pode fixar e limitar a memória social”.
O vaporwave é uma expressão do underground. Do lado do mainstream, estamos vivenciando a era da plataformização, o caminho pelo qual se tem conseguido combater a pirataria, mesmo que isto implique em músicos mal pagos e o enfraquecimento das cenas locais. Nos entregamos às plataformas, mas sem desconfiar que, assim como o vaporwave, elas também realizam as suas operações no arquivo, ressignificando o passado nos seus próprios termos. A plataformização acabou com a utopia da web 1.0, com a ideia de que o mundo virtual seria horizontal e sem fronteiras. Há uma dimensão política por trás disso tudo, uma lógica neoliberal que estabelece controle dos fluxos e da retenção de informação para fins de arquivamento de dados por parte de empresas privadas. Jussi Parikka escreve em seu livro O que é arqueologia da mídia que
O poder não mais é circulado e reproduzido apenas através de espaços físicos e instituições – como a clínica ou a prisão analisadas por Foucault – ou práticas de linguagem, mas ocorre nos interruptores e relés, software e hardware, protocolos e circuitos dos quais nossos sistemas técnicos de mídias são feitos.
Na época das mídias analógicas, a gente via um televisor na sala e poderia dizer para si “olha, um meio de comunicação”, e depois para o rádio e “olha, outro meio”. Hoje, nós estamos imersos em um meio de comunicação que arquiva tudo o que processa. E com isso eu quero dizer imersos em diferentes sentidos. Primeiro que essa não é uma ideia nova. Muniz Sodré já escreveu sobre o bios midiático, McLuhan sobre a Aldeia Global, e antes ainda, Vernadsky falava em noosfera. Ondas de wi-fi, 4g, 5g, bluetooth, AM, FM, VHF, UHF e tantas outras como a frequência dos bombeiros, da polícia e as rádios piratas, estão ocupando a atmosfera, o que também não é nenhuma novidade.
Em 2013, numa Semana da Imagem na Unisinos, Vinícius Andrade Pereira comentou que a ideia de offlinetinha acabado. A gente ainda saía da internet, desconectava o computador, mas quando reconectava tinha que lidar com os emails e demais mensagens que nos enviaram enquanto estávamos fora, porque o arquivamento não para mais. Naquela época, a falsa separação entre real e virtual já começava a erodir.
Dez anos depois e a coisa ficou muito mais intensa, porque não existe mais o offline: hoje os programas que utilizamos ou escondem os caminhos pelos quais nós podemos nos desconectar ou sequer nos dão essa opção. Saímos da sociedade disciplinar de Fouacult para a Sociedade de Controle de Deleuze. Luís Martino sintetiza esta ideia, dizendo que “as informações eletrônicas sobre o indivíduo permitem que seus padrões de consumo, lazer e ações cotidianas sejam continuamente monitorados e redesenhados nos gráficos e planilhas”. Sejam as fotos e vídeos que tiramos nas viagens, as opiniões que emitimos nas redes sociais, tudo isto vira arquivo para que o poder circule a partir não só da extração descontrolada dos recursos naturais, como tem sido desde os primeiros estágios do capitalismo, mas também para que o poder circule a partir da mineração descontrolada de nossos dados pessoais. Bifo Berardi denomina este estágio de semiocapitalismo. E é isto que quero dizer com imersão, por que a produção de sentido se confundiu com a produção de capital. A experiência de vida, hoje, é a de viver imerso em um grande meio de comunicação, cada um no seu Show de Truman pessoal, mergulhado na tediosa tarefa de produzir imagens do passado para alimentar o semiocapitalismo. E parece não haver alternativa, porque nós nos conformamos, nós assinamos os termos de condições, nós estamos assistindo a chegada do antropoceno por meio de produtos da industrialização, que é um dos principais agentes da mudança climática. Os meios de comunicação e os meios de poluição são os mesmos. Para Mark Fisher, a situação que vivemos é deprimente, porque se antes o grande problema social na era do capitalismo industrial era o tédio (trabalhar 30 anos numa mesma fábrica e depois se aposentar), o grande problema social do capitalismo tardio é que ele substituiu o tédio pela ansiedade, seja pelo caminho da precarização do trabalho, seja pelo caminho das micro doses de distração que as redes sociais nos oferecem com drops de imagens do passado. Observando por este ângulo crítico, percebemos que as crises políticas, ecológicas, sociais, culturais e sanitárias que estamos vivendo, portanto, são sobretudo uma crise de futuro.
Nos dias 22 e 23 de junho de 2023 ocorreu a VII Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação, realizado pelo Grupo de Culturas de Pesquisa e Comunicação (GPESC) na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), contando com o apoio dos núcleos de pesquisa Corporalidades e a SemSono.
No evento, que ocorreu de forma híbrida, foram apresentados diversos trabalhos de pesquisas finalizadas e em andamento, com posterior discussão.
Os integrantes da SemSono André Santos Marchese e Marcelo Bergamin Conter apresentaram o trabalho de pesquisa “Everywhere At The End of Sample”: Lembrança e esquecimento de samples sonoros na obra de The Caretaker, que trata-se de uma investigação de uma série de expressões musicais que circulam no YouTube atualmente e que parece inaugurar novos modos de escuta e regimes de signo para a música ambiente. O trabalho faz parte do projeto de pesquisa em andamento “Semioses Afetivas na Música Ambiente Contemporânea”.
O evento, com intensas reflexões e trocas, foi mais uma oportunidade de fortalecer a relação da pesquisa e produção de conhecimento significativo, uma vez, que essa interação potencializa o aprimoramento da qualidade dos trabalhos e reflete na produção acadêmica dos participantes.
De 6 a 9 de junho de 2023, a Linha de Pesquisa Semiótica e Sonoridades (SemSono) participou da III Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades (III CIPS) na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro.
A Conferência teve como tema Sons do Fim do Mundo e se deu de modo online e presencial. Na modalidade presencial, foram 24 painéis, dez performances artísticas, e uma exposição abrangendo trabalhos audiovisuais e instalações sonoras. Como palestrantes principais, a professora e pesquisadora Ana Maria Ochoa Gautier – Tulane University (USA), especialista em auralidades, pesquisadora em história decolonial, estudos sonoros e mudanças climáticas e, também, relação entre indústrias criativas; e o professor Luis Cárcamo-Huechante – The University of Texas at Austin, pesquisador mapuche, que dialoga com textos literários, programas de rádio e música para discutir questões indígenas. Ambos contribuíram com seus conhecimentos e percepções sobre as temáticas de suas pesquisas, proporcionaram diversas reflexões e conjecturas acerca da aliança das temáticas que permeiam suas falas.
Integrantes da SemSono apresentaram seus trabalhos de pesquisa: Marcelo Bergamin Conter com Timbrando muito, economizando mais ainda: signos da precariedade de bandas brasileiras de rock independente, Ana Christina Cruz Schittler, Marcelo Bergamin Conter e Paulo Albani com Você é a última pessoa da Terra durante um inverno nuclear, Afetos do antropoceno em playlists de dark ambient no YouTube, Camila Proto com A la notácion du temps latént: decalques sonoros do mundo, Mario Arruda com Estéticas da música pop que resistem ao fim do mundo e Cássio de Borba Lucascom Códigos e Tecnologias da escuta da natureza no mercado de ruídos para o bem-estar.
O grupo ainda colaborou na organização do evento, integrando as comissões organizadora e artística.
Camila Proto, Mário Arruda e Marcelo Bergamin Conter apresentaram, ainda, a performance “Como arranjar uma ilha: movediça” no encerramento do evento que ocorreu no Tropigalpão na Glória-RJ. A conferência foi um catalisador de promoção de conhecimento e reflexões acerca das sonoridades relacionadas com a temática proposta, bem como um espaço de conexão e diálogo entre pesquisadores interessados.
O Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação – GPESC, em parceria com Grupo de Pesquisa Sonoridades, Materialidades da Comunicação e Cultura – SIMC, realiza sua VI jornada de estudos por meio de encontro presencial, na modalidade híbrida, para discutir os projetos de pesquisa de seus integrantes. O evento ocorre nos dias 7 e 8 de julho, nos turnos da manhã e da tarde.
A mesa de abertura do evento contará com as palestras de Marcia Fernanda de Mello Mendes (IFRS) e André Araujo (APPH). A programação completa, com os demais trabalhos a serem apresentados, será divulgada em breve.
O evento ocorrerá de forma híbrida e os interessados em participar como ouvintes poderão assistir ao evento de forma presencial ou online. Não haverá transmissão pública nem gravação do evento em vídeo. Como se trata de projeto de extensão cadastrado, haverá emissão de certificado para quem assistir a mais de 75% do evento.
A inscrição como ouvinte está disponível a todos os interessados até 4 de julho e pode ser feita neste link.
Agradecemos a sua participação!
Realização:
IFRS Campus Alvorada
SIMC – Grupo de Pesquisa em Sonoridades, Imagem, Materialidades da Comunicação e Cultura
SemSono – Linha de Pesquisa Semiótica e Sonoridades
GPESC – Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação
Começa amanhã, dia 18 de Novembro de 2021, o Congresso Therolinguista: A(na)rqueologias da Terra, que integra parte da programação do 7º Festival Kino Beat. A transmissão será feita a partir de link no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=dzNAKqxgrGU
“Seguindo o convite de Ursula Le Guin de disseminar a investigação therolinguística, o grupo A(na)rqueologias apresenta um encontro, no formato de congresso, que pretende ser um espaço de reflexões e propostas para uma retomada de comunicação entre seres humanos e não-humanos. Para além de um coletivo de pesquisadores, a A(na)rqueologia apresenta-se como um método científico e fabulatório para ressignificar os estratos dos fenômenos tecnológicos e comunicacionais.”
O festival, organizado em parceria pela Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grando do Sul, Oi e Associação de Therolinguística, ocorre entre os dias 14 e 30 de Novembro em modelo híbrido, com encontros on-line e presenciais, confira a programação completa no site.
Dia 10 de setembro, Marcelo B. Conter e Juliana Kolmar apresentaram o trabalho “Band in a Girl: timbragem, afetos e feminismo no rock independente brasileiro”, que integra o projeto de pesquisa “O timbre como afeto no rock independente brasileiro: uma abordagem semiótica” no evento online A(na)rqueologias Pandêmikas – Mesa 4: Desnormatizações em movimentos anarqueológicos.
Convidamos pesquisadores e artistas de todas as áreas para submissão de trabalhos para a II Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades – CIPS a se realizar online entre 9 e 11 de junho de 2021. Assim como em sua primeira edição, a II CIPS pretende promover a integração de diferentes campos do conhecimento relacionados ao som e às práticas sonoras.
O tema desta edição será “Sonoridades Fronteiriças”, que enfatiza as diferentes relações entre elementos sonoros/musicais assimilados e sedimentados nos variados contextos sociais, políticos e históricos, bem como aqueles que, por motivos diversos, são excluídos ou considerados secundários no atual modelo globalizado de produção e circulação midiática.
Conferencistas terão o privilégio de assistir os palestrantes convidados Meki Nzewi (Universidade de Port Harcourt, Nigéria) e Samantha Bennett (Universidade Nacional Australiana, Austrália).
Os seis grupos de trabalho (GTs) são:
GT 1: SONS, TECNOLOGIAS E DECOLONIALIDADE
GT 2: SONORIDADES-ESPACIALIDADES
GT 3: FRONTEIRAS E NOMADISMOS DO SOM
GT 4: SONO-SORO[RIDADES]: INTERVENÇÕES FEMINISTAS NA ARTE SONORA
GT 5: SOM E MÚSICA NAS CULTURAS DIGITAIS
GT 6: ONDE ESTÁ O OUTRO? EPISTEMOLOGIAS DO SOM E IMAGINAÇÕES SÔNICAS
Esta edição será, excepcionalmente, realizada online, por conta das atuais condições mundiais de saúde. Confira, abaixo, as instruções para submissão de trabalhos científicos e propostas de performances artísticas.
SUBMISSÃO DE TRABALHOS CIENTÍFICOS
Os resumos devem ser submetidos até o dia 31 de março para o email cips.sonoridades@gmail.com nos formatos .doc (ou .docx), informando no assunto do email “II CIPS”, seguido do GT pretendido (a indicação do GT no campo “assunto” é obrigatória).
O texto deve estar formatado em fonte Times New Roman, Corpo 12, espaçamento 1,5. No documento, deve constar, nesta ordem:
Título da proposta;
Autor(es), seus respectivos e-mails e filiação institucional (ou atividade principal);
Resumo de até 500 palavras;
Três a cinco palavras-chave;
GT pretendido.
Os resumos podem ser enviados em português, espanhol ou inglês. Alguns GTs realizarão a moderação em apenas dois desses idiomas, mas isso está indicado na descrição do grupo.
CHAMADA DE PERFORMANCES ARTÍSTICAS
A II CIPS está recebendo propostas de performances artísticas que abordam e tensionam o tema do evento, “sonoridades fronteiriças”. Serão avaliados trabalhos de qualquer natureza, desde que submetidos em vídeo e adequados para as sessões em videoconferência, devendo ter duração máxima de 10 minutos.
SUBMISSÃO DE PROPOSTAS PARA PERFORMANCES ARTÍSTICAS
Propostas para performances artísticas devem ser submetidas até o dia 31 de março para o email cips.sonoridades@gmail.com nos formatos .doc (ou .docx), informando no assunto do email “II CIPS – Performances”.
O texto deve estar formatado em fonte Times New Roman, Corpo 12, espaçamento 1,5. No documento, deve constar:
Título da proposta;
Autor(es), seus respectivos e-mails e filiação institucional (ou atividade principal);
Descrição;
Técnica/Formato
Indicação de performance pré-gravada ou ao vivo
Tempo de duração (até 10 minutos de duração)
Minibio do(s) autor(es) de até 100 palavras cada
As propostas podem ser enviadas em português, espanhol ou inglês. Visite o site www.sonoridades.net ou acompanhe nossas próximas circulares para mais informações.