Agricultura urbana como instrumento de desenvolvimento na perspectiva de Amartya Sen

BRITO, Aurélia. Agricultura urbana como instrumento de desenvolvimento na perspectiva de Amartya Sen: um estudo em hortas na cidade de Araguaína-TO. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais. Universidade Federal do Tocantins. Programa de pós-graduação em Demandas Populares e Dinâmicas Regionais – PPGDIRE. (Orientador: Prof. Dr. Luciano da Silva Guedes; Coorientador: Prof. Dr. Júlio César Suzuki). Araguaína, Tocantins, UFT, 2020.

Disponível originalmente em: https://docs.uft.edu.br/share/proxy/alfresco-noauth/api/internal/shared/node/4FEDzJAYQ2-2qSqALtEkcw/content/Disserta%C3%A7%C3%A3o%20Final%20de%20Aur%C3%A9lia%20Matos%20Brito.pdf

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Resumo

Este estudo teve como objetivo analisar a relação das hortas intraurbanas com o desenvolvimento na perspectiva de Amartya Sen. Para tanto, foi realizado um estudo de caso em hortas localizadas na zona intraurbana do município de Araguaína-TO. Investigaram-se oito hortas (casos), tendo sido os dados colhidos por meio das técnicas de entrevista semiestruturada a partir de formulário-base cujos dados foram discutidos por meio da análise de conteúdo. Foi investigado se este tipo de agricultura urbana, evidenciado por meio das hortas, poderia ser considerado um instrumento potencial para o processo de desenvolvimento teorizado por Amartya Sen, sendo considerado que para que haja desenvolvimento todas as formas de privação de liberdade devem ser removidas, sendo que a liberdade deve ser um meio para que se atinja o desenvolvimento e um objetivo também a ser alcançado. O estudo permite considerar que a horta se apresenta como um instrumento positivo para ser utilizado, entretanto, o empreendimento por si só não consegue eliminar todas as formas de privação de liberdade e capacidade, considerando que muitas delas se perfazem pela ausência do Estado. Do ponto de vista positivo, foi possível compreender que o empreendimento proporciona uma renda favorável para os horticultores, levando em conta a baixa capacitação escolar e técnica, o que reflete diretamente nos bens e serviços aos quais tem acesso e nas condições de moradia, que foram consideradas satisfatórias considerando os dados levantados. O empreendimento agrícola também traz contribuição para a economia local, dada a produção local dos vários tipos de resultados advindos das plantações, o que reverbera positivamente nas questões de emprego e renda, bem como o impacto na composição do espaço urbano, pois contribui para limpeza e paisagem. Ainda que seja potencial, a horticultura a partir dos dados não se revelou como uma simples escolha, já que foi mais a impossibilidade de outras oportunidades que levaram os horticultores para aquele empreendimento, e ainda assim muito bem quisto pelos entrevistados que não se imaginam em outra profissão, além de expressarem que dentre outras escolhas possíveis esta é a mais vantajosa, principalmente economicamente. As questões desfavoráveis ao empreendimento estão ligadas ao próprio tipo de trabalho que exige fisicamente dos produtores e a falta de reconhecimento e investimento do poder público e privado na atividade, o que influencia na escassez de capital para aplicar e expandir. Foi possível inferir que os horticultores são privados de liberdades básicas ligadas às oportunidades sociais, como educação, saúde e saneamento básico que dizem sobre o bem-estar. Portanto, a horta é um empreendimento potencial para trabalhar alguns aspectos ligados às oportunidades sociais dentro do processo do desenvolvimento, ainda que não consiga lidar com todos, e como apresentado tem muitos aspectos positivos o que a coloca como uma possibilidade viável que deveria ser mais utilizada, em especial no escopo das políticas públicas que visam o desenvolvimento.

Dissertação: Hortas comunitárias: Uma tecnologia social para produção de saúde

Referência

OLIVEIRA, Taren. Hortas comunitárias: Uma tecnologia social para produção de saúde. Dissertação (Mestrado Profissional) Pós-graduação em Saúde e Gestão do Trabalho). Universidade do Vale do Itajaí. Itajaí (Santa Catarina), 2018. (Orientadora: Dra. Stella Maris Brum Lopes). Disponível em: https://docplayer.com.br/175638468-Hortas-comunitarias-uma-tecnologia-social-para-producao-de-saude.html. Acesso em: 20/10/2021.

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Resumo

Com o processo de modernização do campo, as cidades tiveram um crescimento expressivo, sem que houvesse um planejamento prévio. Neste contexto, surge a agricultura urbana e periurbana, aqui representada pela horta comunitária, que têm contribuído para solucionar alguns dos problemas relacionados a este crescimento. A horta comunitária pode ser um espaço de produção de saúde por ter o potencial de promover encontros que visam à conexão das pessoas não pelas patologias ou diagnósticos, mas o olhar para a própria história também se revela um momento de saúde, também pode ser uma tecnologia social ao propiciar um desenvolvimento coletivo através da articulação de conhecimentos e saberes voltados a transformação social. O objetivo desta dissertação é sistematizar uma proposta de tecnologia social voltada a produção de saúde baseada na horta comunitária. Para alcançar este objetivo se fez necessária uma pesquisa qualitativa. Os procedimentos metodológicos foram divididos em dois momentos. O primeiro teve por objetivo analisar a experiência de um projeto de horta comunitária em relação a sua operacionalização e resultados, realizou-se uma análise documental buscando dados a partir de categorias temáticas prévias: Contextualização da idealização do projeto da horta comunitária; Estrutura metodológica da implantação e Processos avaliativos dos resultados, dispondo de quatro Trabalhos de Conclusão de Residência para esta coleta. Identificou-se através dessas categorias temáticas que a metodologia de um projeto pode potencializar ou atenuar uma proposta de horta comunitária como tecnologia social e o projeto analisado deveria ter utilizado uma metodologia participativa para efetivação da transformação social. No segundo momento foram realizadas entrevistas com três participantes do projeto de implantação da horta comunitária com o objetivo de reconhecer a experiência dos sujeitos participantes do projeto de implantação da horta comunitária e sua relação com a produção de saúde. O período da coleta de dados foi de setembro de 2017 a março de 2018 envolvendo análise documental e entrevistas com os participantes do projeto de implantação. Obteve-se como resultado que a horta foi fonte de autoestima, autorrealização, valorização e pode ser um instrumento para efetivação da participação social. Através desses dois objetivos foi verificada as fragilidades e potencialidades do projeto de implantação. Evidenciou-se que o “modo de fazer” pode potencializar ou atenuar uma tecnologia social e por compreender que produção de saúde também se dá nos encontros e no olhar a própria história, pois pensar em si recupera situações vividas que lhe foram relevantes. Conclui-se que a horta comunitária pode ser uma tecnologia social. Acredita-se na potência da tecnologia social como um modo de desenvolver por meio da escuta a produção conjunta de demandas, a articulação de conhecimentos e fazeres, e que favoreçam a transformação social. Como produto desta dissertação se propõe uma sistematização com base na horta comunitária como uma tecnologia social que produz saúde, podendo ser utilizada por profissionais de todas as áreas que buscam a transformação da sociedade onde atuam.

Palavras chaves: Agricultura Urbana; Produção de Saúde, Tecnologia Social.

Dissertação: Núcleo Litoral Solidário – Rede Ecovida de Agroecologia, Litoral Norte Gaúcho – 2008

Referência

SOUZA, J. Z. C. Comércio Solidário na Prática do Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia. 2008. 181 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Desenvolvimento Rural, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2008. Disponível em: http://hdl.handle.net/10183/15362. Acesso em: 17/09/2021.

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Resumo

A dissociação entre ação econômica e ação ecológica, assim como o desenraizamento dos fatores sociais inerentes à economia, levaram à construção de sociedades marcadas por desigualdades sociais e por problemas distributivos. É neste contexto que se consolida o projeto político do desenvolvimentismo econômico com base produtivista. Ao mesmo tempo, historicamente, também se formam ‘resistências’ aos modelos hegemônicos. Aqui, tratamos destas resistências através das expressões contemporâneas da Agroecologia e da Economia Solidária – cujos paradigmas se direcionam para a construção de uma sociedade (ou de sociedades) justas e equilibradas. E é no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, onde agricultores e consumidores agrupam-se no Núcleo Litoral Solidário da Rede Ecovida de Agroecologia, conformando um ciclo local de produção e consumo de alimentos agroecológicos, que esta pesquisa se desenvolve. Objetivamos, através da realização de uma observação participante, identificar como se dá a autonomia – entendida como a autogestão dos grupos que conformam a Rede e, também, em relação à dependência dos mercados ‘hegemônicos’ – através da articulação de grupos organizados em rede. Para tanto, identificam-se os atores deste núcleo, caracterizando-os, e analisando as interdependências que se estabelecem através das relações que se estabelecem. Sendo que a cooperação é uma característica inseparável dos processos de desenvolvimento social, procuramos verificar se a participação na rede está motivada por respostas sociais, ambientais e culturais, e não somente por questões econômicas (no sentido utilitarista) e, também, se tais ações, entendidas sob a ênfase da economia solidária, depende de arranjos institucionais mediados para se constituírem, ao mesmo tempo que sua continuidade necessita da apropriação dos atores envolvidos. A existência de uma rede com estas características supõe a articulação de uma economia plural, ou seja, relações sociais que se estabelecem, nestas cadeias produtivas, dotados de significações mais amplas sobre o fazer econômico. Observamos que tais circuitos alternativos se caracterizam por diversas formas de autonomia, como a suficiência e a qualidade alimentar, e que diversos elementos não monetários motivam as ações econômicas. A associação entre a práxis da economia solidária e da agroecologia torna-se tanto evidente quanto importante para novas pesquisas e para corroborar com a formulação de políticas públicas no sentido do desenvolvimento rural sustentável.