Referência
ALVES, Brunna D’Luise Turato Lotti. Horticultura comunitária urbana e periurbana: estudo de casos múltiplos na cidade de Campinas. Trabalho de Conclusão de Curso (Monografia) – Curso de Engenharia Agronômica do Instituto Federal Catarinense – Campus Santa Rosa do Sul Santa Rosa do Sul. 2020. (Orientador: Rosana Icassati Corazza). Disponível em: https://www.ufrgs.br/agriurb/download/monografia-horticultura-urbana-campinas-2016/ . Acesso em 17/09/2021.
Original: https://repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/976803
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Resumo
O objetivo precípuo deste trabalho consiste em analisar o funcionamento da agricultura urbana com ênfase nas hortas comunitárias e verificar se estas se encontram dentro da lógica da Economia Solidária. O trabalho também faz uma breve discussão sobre a definição do conceito de agricultura urbana fundamentado em um embasamento teórico definindo as principais vantagens e desvantagens da prática com estudo de caso em Campinas. Com o objetivo especifico buscou-se compreender as práticas de autogestão dos recursos no plano comunitário, analisando sob os princípios de solidariedade e cooperação, como se dão as relações sociais e econômicas e como estas requalificam os sentidos do trabalho. A metodologia, compreende-se em duas etapas. Na primeira, de revisão bibliográfica, buscou-se compor o referencial teórico sobre Agricultura Urbana e Periurbana e Economia Solidária. Na segunda fase, de cunho documental, identificam-se as iniciativas de hortas comunitárias na cidade de Campinas, a partir de fontes secundárias, envolvendo dados disponibilizados pela Prefeitura Municipal de Campinas, bem como caracterizar os projetos de acordo com os IDHMs dos bairros. Na terceira etapa uma pesquisa de campo realizada no Parque Itajai 3, cujo objetivo foi conhecer de forma mais sistemática e aprofundada os princípios, as práticas e os resultados que vêm sendo alcançados por essas iniciativas, por meio de visitas técnicas e de entrevistas com os atores envolvidos. Os resultados mostraram a dificuldade de pesquisa relacionando Agricultura Urbana, Periurbana e Horticultura, sendo que as descobertas conceituais e distinções dos conceitos são superficiais e a realização de campo torna-se incompatível com a proposta, de modo que há uma inexistência da informação sistematizada sobre as hortas no município de Campinas
Destaques:
O trabalho inclui um anexo contendo o instrumento de coleta de dados (entrevistas).
Quadro 1 – Hortas Urbanas e Periurbanas de Campinas: síntese de informações das iniciativas levantadas
Dicotomia campo – cidade (p. 11)
A dicotomia campo-cidade é um assunto que remete a alguns conflitos, nos quais o limite de ambos pode não ser muito claro. Esta relação é trabalhada por Santos (1997), sendo que a definição de campo-cidade está além da percepção da paisagem ou das atividades desenvolvidas, o rural e o urbano são categorias que remontam um aspecto abstrato, particular e interno de um determinado espaço, no caso, o rural e o urbano se enquadra na concepção de abstrato, enquanto o campo e a cidade representariam o concreto. Nesse sentido, é interessante perceber que as categorias apresentadas são distintas entre si, ambas estão fazendo parte uma do espaço da outra.
Nota-se que as áreas de agricultura se relaciona a uma racionalidade devoradora. É nesse sentido que são mais vulneráveis que as cidades, visto ser sujeito a um processo de regulação, que é comandado pelas forças de mercado hegemônicas, deixando para trás as formas precárias de regulamentação local ou pelo poder público. (SANTOS, 1997)
No entanto a cidade é um lugar que se recusa a difusão rápida e fácil do capital novo, o estudo da mesma exige a necessidade de articular o conceito de espaço, sendo que a cidade é ao mesmo tempo um lugar e uma região, visto ser uma totalidade e suas partes dispõem de um movimento combinado, segundo uma lei própria. (SANTOS,1997)
Em relação ao planejamento Santos (1997) decorre que “Nesse sentido que se pode dizer que o planejamento das cidades se torna mais possível, se não mais fácil, que o planejamento das áreas agrícolas. ” (SANTOS, 1997, pág.67)
Reforçando tal argumento, o reconhecimento de um contínuo cidade/campo não significa o desaparecimento da cidade e do campo como unidades distintas, mas a constituição de áreas de transição e contato entre esses espaços, caracterizados pelo compartilhamento, no mesmo território, de usos de solos, interesses políticos e econômicos e práticas socioespaciais. (SPOSITO, 2006)
Citações:
SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo. Globalização e Meio Técnico-Científico Informacional. 3. ed. Editora Hucitec: São Paulo, 1997.
SPOSITO, M. E. B. A questão cidade-campo: perspectivas a partir da cidade. In: SPOSITO, M. E. B; WHITACKER, A. M. Cidade e Campo: relações e contradições entre urbano e rural. 1. ed. Editora Expressão Popular: São Paulo, 2006.


