Entre o rebolado e a coreografia

Z: Zonas Zumbidos e um Zzzzilhão de Coisas 

por Guilherme Vivan, Linda Schwarz, Luiza Weiler, Nicoly Ramão e Raquel Bruhn

O cenário musical nacional contemporâneo se expandiu muito além das músicas brasileiras e anglófonas, abrindo espaço para que sonoridades de diversos continentes circulem e criem novas comunidades de escuta. Nossa intenção inicial era observar esse fenômeno na festa de K-pop Black Cherry, mas, ao ampliar o olhar, percebemos que dinâmicas semelhantes acontecem também no funk, no reggaeton e em outras expressões musicais que ressoam territorialidades, afetos e disputas. Para Proto (2019):

A complexidade e discrepância sócio-cultural que se instaura no Brasil é  o que dita o caosmo destas polifonias territoriais, que organizam-se no  fluxo das linhas de escape, através da arte e da insurgência, em busca de estabelecer uma resistência política, cultural e emergencial. (PROTO, 2019. p. 122)

Dessa forma, decidimos analisar não apenas a festa de K-pop, mas também uma festa de reggaeton, a fim de compreender como se dá a relação de consumo e afeto dos fãs com esses gêneros musicais dentro do fenômeno da festa aqui em Porto Alegre. Queríamos compreender como o público interage com esses gêneros musicais estrangeiros, relativamente novos, e que tem feito bastante sucesso. Também tínhamos o desejo de observar a forma como a música se manifestava em cada um dos eventos: entender como o som, no lugar de instituição social, cultural e política, aproximava e distanciava cada um desses estilos e dessas comunidades.

Dia 24 de outubro, fomos em uma festa de música latina, a Caliente, edição Noche de Los Muertos, que aconteceu no bar Ocidente. A festa era dividida entre a pista “latina”, onde tocavam músicas majoritariamente em espanhol, enquanto a pista do segundo andar tocava música brasileira. E, no próximo dia, depois de não tanto sono, mas bastante café, fomos numa festa de K-pop, a Black Cherry. Também era uma edição de Halloween, desta vez na Workroom. 

Os locais das duas festas são bem diferentes. Fundado em 1980 no coração do Bom Fim, o bar Ocidente é uma das casas de festa mais antigas da cidade de Porto Alegre, com um público fiel frequentador do espaço. É tão tradicional que sequer precisa de um letreiro, se destacando apenas como um prédio amarelo na esquina da Osvaldo Aranha.

A fachada leva apenas um discreto símbolo gráfico do ocidente na grade da janela, o círculo preto com um ponto vermelho. Foto: Google Maps

Em contrapartida, o Workroom é um local de referência entre a comunidade alternativa de Porto Alegre. Bar de drag, o espaço é recheado de cores vibrantes por todos os lados, manifestos políticos que decoram as paredes e luzes multicoloridas que contribuem para criar uma ambientação intensa. Infelizmente, o bar estava se preparando para encerrar suas atividades só uma semana depois da Black Cherry de Halloween, no dia 1° de novembro. De acordo com a DJ da Black Cherry Ágatha Souza, “É um espaço que era muito necessário, principalmente para a comunidade drag. Foi meio inesperado, ainda mais nesse meio político atual de Porto Alegre. É um ponto de resistência a menos.”

Letreiro luminoso da Workrooom era um farol no meio da rua deserta e até na frente da boate enchia de gente, que saía para fumar e conversar. Foto: Guilherme Vivan

Apesar disso, Júlia Rocha, uma das organizadoras e também DJ da festa, destaca que a Black Cherry é uma festa itinerante, e deve continuar ocupando espaços de expressão alternativa na Capital e na região metropolitana. De acordo com ela, o desenvolvimento da festa acompanha as mudanças no mundo do K-pop há mais de uma década. “A Black Cherry existe desde 2011 e ela era lá em São Leopoldo na época. A gente alugava vanzinhas para fazer caravana pra ir juntos. Ela iniciou com uma festa de J-rock e K-pop, as duas coisas juntas, e depois evoluiu para uma festa só de K-pop”, conta ela.

O que a galera quer escutar 

Um dos melhores lugares para entender quem é o público de uma festa é na fila. Na Caliente, a primeira a chegar foi a Raquel, que pôde observar as pessoas chegando, bebendo, fumando, e entrando na casa. A idade do público chamava a atenção, a maioria com mais de 30 anos, mais velhos que a gente. Ainda do lado de fora, algumas pessoas um pouco mais jovens falavam em espanhol, as mesmas que horas depois dariam seus depoimentos em uma entrevista no fumódromo da festa.

Quanto à sexualidade, na Black Cherry, o público majoritariamente LGBTQIAP+ fortalecia o senso de comunidade. Na Caliente, a configuração heteronormativa era responsável pela criação de uma tensão entre os frequentadores dos dois gêneros. De acordo com Trotta (2023), todas as relações interpessoais, quando são permeadas pela música, abrem margem para a criação de incômodos e angústias:

Proponho aqui pensar o gosto musical no sentido inverso. Não apenas como um elemento que agrega sensibilidades convergentes ou divergentes (como os “haters”), mas como um contexto norteador de movimentos de rechaço a determinadas experiências musicais que funciona como potencializador de incômodos. (TROTTA, 2023, p. 26)

Nesse sentido, na festa no Ocidente, pudemos observar a manifestação desse incômodo na proximidade e frequência com a qual os homens abordam as mulheres, causando um ambiente por vezes desconfortável para as participantes do gênero feminino. Naquele ambiente, a música com letras e danças marcadas pela sensualidade parecia atuar como um potencializador para mais expressões do cunho do desejo.

Na Caliente, havia muitos casais em ambas as pistas, mas os da pista brasileira pareciam mais animados. Entre si, compartilhavam mais beijos, mais abraços, mais dança “agarradinha”. Christian, um colombiano de Bogotá que mora em Porto Alegre há oito meses, acredita que essa característica seja uma diferença cultural. “Em termos de festa, diria que o relacionamento com as pessoas é bem diferente aqui [no Brasil]”, conta, “Não quero ser explícito, mas aqui as questões interpessoais são de muito mais confiança do que como acontece em Bogotá. Esses relacionamentos não se dão em um primeiro encontro como acontece muitas vezes aqui no Brasil. Essa é uma grande diferença para mim”.

Festa Morta-Viva

Tô me preparando para festa latina e pensando na roupa. Será que vou com a camiseta de turista escrito Machu Picchu, alguma do brasil ou aquela que acabei de comprar da URSAL (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Não que eu tenha ido pro Peru ou conhecido a URSAL kkkkk, comprei todas no brechó mesmo. Decido ir com a da URSAL. Talvez alguém ache engraçado e queira falar com a gente. Chamo meu mototáxi e vou pro Ocidente sentindo o vento forte ao som de Tropicoqueta da Karol G no fone pra entrar no clima.

Chegamos lá, no Día de los Muertos do Ocidente. Uma sexta-feira à noite perfeita: clima ameno, ar propício e céu limpo. Aquele tipo de noite que parece feita pra coisas boas acontecerem. Em Porto Alegre, o Ocidente é quase um mito boêmio da cidade. Mas pra maioria de nós, era a primeira vez. 

Estávamos animados e, quando entramos mais ou menos às 23h30 esperávamos uma pista fervendo e encontramos meia dúzia de pessoas mais velhas, uns casais desanimados, uma galera perdidos. Será que chegamos cedo demais? A gente olhava uns pros outros com aquela cara de “é isso?”. Fazíamos anotações, não dançávamos. O corpo parado, o olhar analítico. E isso já era um sinal. Estávamos buscando por algo, sem ter nenhuma pista de energia, acontecimento ou frenesi. 

Resolvemos então fazer a maquiagem do dia de los muertos. Por que não? Era gratuito, chegar e fazer. Na fila, vemos algumas pessoas sentadas, que pareceriam ser do Chile ou Colômbia. Sentimos alguns olhares, especialmente de homens. Com um grupo majoritariamente de mulheres, estávamos nos sentindo desconfortáveis. Decidimos ver se a maquiagem nos animaria.

Maaaas, depois de um tempinho na fila o espaço começou a ficar um pouco mais recheado de gente e de dança e nos surpreendemos com o quanto deu pra aproveitar a pista de música latina. As músicas foram muito envolventes e o coração latino se rendeu. Os sons eram de tão longe geograficamente, e ao mesmo tempo tão perto culturalmente. Ficávamos procurando identificações.

Esse divo que esperava conosco na fila de maquiagem mais tarde iria distribuir uns shots de tequila direto da garrafa aompanhados de uma sacudida na cabeça de quem tomava. Foto: Linda Esperanza

Quando vimos que uma das integrantes do grupo chegou com uma blusa bem curta, falamos “¡Ui que latina!”. Cada peça de roupa, gesto e fala eram um sinal da nossa própria latinidade que nos orgulha. Mesmo assim, não foi uma festa tão boa. Sentimos que estávamos nos esforçando para curtir, trocamos de pista e de lugar constantemente, à procura de algo que não estava lá.

Fora do Brasil, ser latino é motivo de orgulho. Na Caliente, sentimos o que é ser latino no restante da América Latina. Dentro do Brasil, nem entendemos direito nossas diferenças, principalmente na palavra latino. Essa festa parecia mais nos diferenciar do que unir-nos. Os brasileiros para cá num andar, o resto para lá, noutro andar.

Parece que a festa não teve uma conexão identitária entre os participantes tão grande, como veríamos na Black Cherry, no dia seguinte. Faz sentido, afinal não era uma festa para um gênero, como reggaeton, era só uma festa “latina” – conceito bastante amplo. No público, não víamos uma riqueza de símbolos ou semelhanças indicando comunidade.

Na pista brasileira tocou bastante forró, e algumas coisas mais tradicionais, em vez de pop, funk e rap, gêneros brasileiros mais exportados para outros países. Era uma playlist com mais complexidade do que o estereótipo estrangeiro de música brasileira. Ao contrário da festa latina, que tocou apenas o reggaeton e salsa. Isso se confirmou a partir da nossa entrevista com César, um mexicano de 34 anos que mora há um pouco mais de um ano em Porto Alegre.

“Eu acho que o povo brasileiro acredita muito que o negócio da música hispana é muito reggaeton. Mas nem sempre. Tipo, reggaeton foi bem da Colômbia, do Caribe. Mas, no México, na real, a gente tem música muito diferente. Música que até certo ponto é muito mais parecida que sertanejo e forró, sabe? […] Então, é bem diferente, pelo menos aqui agora no ocidente, tá rolando um negócio de música latina hispânica ser reggaeton e salsa. Ok. Mas isso não envolve todos os países que falam espanhol, entendeu? […] Até certo ponto, eu consigo me identificar um pouco também com essa música, principalmente porque a letra é em espanhol.”

  • Foto: Linda Esperanza

 

Na festa de k-pop, qual o seu idol favorito? 

Antes mesmo da festa, já tínhamos expectativas positivas. Conversamos previamente com a Júlia Rocha e a Ágatha Souza, DJs envolvidas na Black Cherry. Ambas exalaram uma real paixão por música, por performance e por criar um espaço seguro e acolhedor para quem ama o K-pop. 

“Combinei de uma amiga minha de vir na minha casa para nos arrumarmos e irmos juntas para a festa. Tomei banho, me vesti e quando ela chegou fomos para o meu quarto. Mostrei para ela minha coleção de photocards. Começamos a nos maquiar enquanto conversávamos sobre o mundo do K-pop, sobre músicas novas, músicas velhas, fofocas de grupos e etc. Comentei com ela que eu passei algum tempo meio distante do K-pop e por isso estava escutando uma playlist com os lançamentos mais novos para me “inteirar” sobre o assunto. Ninguém quer parecer uma poser, certo? Conversamos tanto que saímos de casa às 23h30.”

Mesmo sem todos conhecermos muito sobre o K-pop, pudemos perceber como essa comunidade funciona como um grupo extremamente diverso e, ao mesmo tempo, unido. Nas entrevistas que fizemos durante a festa, chamou atenção a variedade demográfica do público, pessoas completamente diferentes convivendo num mesmo espaço sem estranheza, uma heterogeneidade que não é tão natural em outras festas e que costuma criar tensões.

Perguntamos sobre fantasias, músicas esperadas e percepções sobre a noite. As respostas mostraram uma expectativa forte típica da comunidade K-pop: animação, energia, coreografias e identificação estética. Percebemos o preparo dos fãs. Para eles, não era simplesmente uma balada, houve um planejamento prévio, gastando tempo preparando as fantasias e aprendendo coreografias. Entre o público leigo, percebemos curiosidade, um certo estranhamento positivo e admiração pela dedicação dos fãs.

O público vibrava em unidade, como uma onda que varria a pista de dança. Foto: Guilherme Vivan

Esse sentimento também foi compartilhado pelas organizadoras, que ainda ficam impressionadas com o engajamento dos frequentadores. “Para mim, o grande diferencial da Black Cherry é o público. O pessoal sempre fala que o nosso público dança muito, porque o K-pop tem essa coisa da coreografia, né? Ele é um estilo musical muito visual, na minha percepção. Porque não é um estilo que tu só escuta, o negócio é tu assistir enquanto tá escutando. Ele tem todo um negócio visual do conceito da roupa, da dança, de tudo”, comenta Júlia. “E a gente bota músicas que o pessoal sabe dançar, porque o negócio mesmo é que o pessoal vai pra festa pra dançar. Não é ‘vou ir pra pegar gente, pra ficar bêbado’, não. O pessoal vai dançar mesmo”. 

Uma festa de K-pop, que envolve uma performance muito mais coreografada, pensada e simbólica, contrastava com a Caliente que teve muito mais sensualidade, improviso, rebolado e interação. Na Black Cherry, tudo parecia ensaiado, mesmo quando não era. A animação surgia naturalmente, mas ao mesmo tempo havia um quê performático, algo que faz parte da cultura: dançar do jeito certo importa.

Esse objetivo, de participar e fazer danças coreografadas, expõe uma lógica na construção dos set radicalmente diferente entre as duas festas. Os DJs da Black Cherry precisam tocar músicas que sejam bastante conhecidas e amplamente consumidas pelo fandom a ponto de decorarem a coreografia. Na festa latina, o objetivo é muito mais de criar uma “vibe”. O público desconhecer a música tem um impacto menor porque não precisam ter preparado uma coreografia para serem afetados por ela do jeito desejado. As transições mais longas e intervenções dos DJs nas faixas também eram mais frequentes na Caliente do que na Black Cherry pelo mesmo motivo. Intervir demais nas músicas de K-pop podia atrapalhar a coreografia, algo que não era um problema na festa latina.

Quando subimos no palco para fotografar a DJ Ágatha, conseguimos ver a pista toda. Na frente, todos dançavam perfeitamente sincronizados. Sabiam cada passo, cada quebra e refrão. É assombroso ver algumas dezenas de pessoas se movimentando em sincronia sem qualquer ensaio conjunto prévio. Mais pra longe do palco a sincronia ia se diluindo em tentativas de acompanhar a coreografia.

A make verde da DJ (pintada de Elphaba de Wicked) derretia com o calor da casa cheia, mas ela seguia tocando com a energia contagiante e eventualmente se abanando com o leque. Às vezes uma ou duas pessoas subiam com ela no palco e dançavam coreografias perfeitas, mas não era algo invasivo, era natural e respeitoso.

A DJ Ágatha Souza ferveu e suou tanto que até retocamos a maquiagem verde na foto, que já tava derretendo. Foto: Guilherme Vivan

Isso também despertou reflexões sobre ambientação: enquanto muitas festas ocidentais (trocadilho intencional) seguem uma lógica mais hierárquica (seguranças rígidos, pouca interação, receio com câmeras), o clima da Workroom era completamente diferente, íntimo e participativo, quase familiar. Os seguranças se mostraram tranquilos e acostumados com a pista mais performática, fantasias, câmeras e gravações.

O público, então, amou as câmeras, algo que nem sempre acontece nas festas. Às vezes o ser registrado pode gerar incômodo. Na Black Cherry, ao contrário, muita gente pedia pra aparecer, queria registrar, queria mostrar sua fantasia. Fomos confundidos com fotógrafos oficiais e tiramos fotos de um monte de gente 

O público veio em sua maioria fantasiado e alguns traziam elementos da comunidade K-pop. Na calça de uma delas podemos ver um photocard, um pequeno cartão colecionável com a foto de um idol(artista de K-pop). Foto: Guilherme Vivan

E a pista realmente estava quente — MUITO quente. Quando fomos para o meio dela, a energia era ainda maior: mais apertado, mais calor, mais animação. Distribuíram pirulitos, todo mundo pegou, e isso virou outro símbolo da festa, pequenos elementos que fortalecem ainda mais o senso de comunidade.

“Em certos momentos eu senti vergonha de dançar, mas ao mesmo tempo me senti inspirada, então fui observando e replicando como dava. E tudo isso sendo mulher: algo que, em outras festas, sempre vem acompanhado de incômodos como olhares insistentes, cantadas ou falta de respeito. Aqui, ao contrário, me senti muito segura. As pessoas estavam focadas na música, na dança, nos grupos, e não em sexualizar corpos.”

  • Foto: Guilherme Vivan

Difícil caber a expressão musical de um país num set, né?

O som nas duas festas visitadas é o que transforma o local em território, o grupo em comunidade. E para nós, a maior diferença entre as festas foi justamente a relação do público com o gênero musical de outro país, fora do “mainstream”.

“Ao analisarmos estas manifestações artísticas e culturais, percebemos estar diante de processos performativos de ordem efêmera que, através de agentes sonoros expressivos capazes de produzir um território mutável, questionam o complexo arte-cultura legitimado institucional e socialmente.” (PROTO, 2019. p. 121)

Na festa latina, a música era um plano de fundo, era apenas o tema da festa, já na de K-pop, o gênero é algo celebrado, comemorado, compartilhado. Com isso, podemos pensar a festa latina como uma balbúrdia, pessoas conversando, flertando, bebendo enquanto uma música toca e poucos sabem a letra. Já na festa de K-pop, o que escutamos é o uníssono dos fãs cantando palavra por palavra, em inglês ou, mesmo, em coreano, e dos pés batendo chão de forma sincronizada enquanto a maioria dança.

Na Caliente, as músicas eram parecidas, bem animadas, com um ritmo rápido. Era impossível ficar parado, mesmo não conhecendo a música. Às vezes tinham remix de músicas com um toque de música eletrônica. O que faz sentido, considerando o ritmo e a velocidade das batidas do reggaeton. Enquanto isso, na pista das brasilidades estava tocando músicas de gêneros como o forró e mpb, com um ritmo mais embalado, mais romântico. Já na festa de K-pop, em meio às performances, existia uma troca de ritmos. O K-pop consegue misturar estilos diferentes em apenas uma música, com partes mais puxadas para o hip hop, outras partes mais pop e outras mais eletrônicas. A música é tão bem trabalhada e construída que essas mudanças podem nem ser percebidas por alguém de fora da comunidade. Na festa de K-pop também ouvimos remix, mas dessa vez era de K-pop com funk dos anos 2000, um momento muito esperado e especial tanto para os frequentadores como para a DJ. Quando o Brasil se conecta com a Coreia, quando dois gêneros se tornam um. 

Na Caliente também ouvimos funk. Isso chamou atenção porque foi um gênero musical brasileiro que apareceu nas duas festas com bastante destaque. E causou nos públicos de ambas um êxtase, acendendo uma explosão de rebolado pela pista e deixando a dança mais frenética ainda. É como se, para esses públicos, fosse uma necessidade dançar esse ritmo. Parece que o gênero é uma exigência para atingirmos um estado orgásmico de movimentos que buscamos quando vamos a uma balada, até dançar sem ter mais qualquer pensamento na cabeça.

No pós-festa, revisitando as fotos e lembrando da vibe, percebemos o quanto essa experiência foi marcante. A Black Cherry apresentou muitos de nós a uma cultura musical que não conhecíamos, mas que nos recebeu de braços abertos. A Caliente deveria ser uma orgia. E demorou, mas no final encontramos o frenesi que buscávamos. Mas existe maior orgia do que rever amigos antigos, conhecer novas pessoas, entrevistar pessoas com ideias, sentimentos e culturas diferentes, analisar festas, e se conectar com amigos da faculdade? Que tesão transformar uma festa flopada e uma festa desconhecida em um acontecimento marcante. E ainda dançar por entre linhas.

Lembra um verso da Marina Lima que ouvimos na primeira festa “A felicidade não está escondida nem no passado e nem no futuro”. Temos capacidade de criar momentos de alegria. Se fantasiando, comungando, aglomerando, dançando, cantando. Expressando nossos sentimentos e também pertencendo a uma identidade cultural ou a uma tribo, um fandom.

Entramos nas festas com o intuito de observar a relação do público brasileiro com dois  gêneros musicais não-anglófonos que foram submetidos a um processo de internacionalização nas últimas décadas. Saímos dos dois eventos, no entanto, com uma pilha de impressões e sensações que resultaram em uma análise bem mais complexa e íntima do que havíamos antecipado.

Apesar das diferenciações apontadas anteriormente sobre o ambiente e o público, há pontos de convergência entre as duas noites. As experiências vivenciadas na Caliente e na Black Cherry revelam um movimento singular sobre o envolvimento do público brasileiro com os gêneros escutados (reggaeton, salsa, K-pop): um fluxo de afastamentos e fricções que dialogam entre si e, eventualmente, produzem conflito.

Essa tensão e atrito que atravessam toda a cena se manifestam de maneiras distintas conforme as circunstâncias do ambiente e a subjetividade de cada um dos frequentadores. Ainda é possível, porém, apreender um senso de comunidade nos dois casos, que é construído sobre os princípios mais fundamentais de qualquer rolê – a música, a pista e as pessoas dançando. São essas características que permitem uma forma de “intervenção coletiva”, e que transformam a participação nas festas num ato de resistência por si só. De acordo com Fernandes:

“Podemos pensar como a ideia de contágio é negociada entre as pessoas: a transmissão, muito além do caráter físico, é um mecanismo social, que atua no controle do que é permitido, na manutenção dos tabus, diferenciando o que é sagrado do que é profano. O risco da contaminação é a desordem, o risco de uma ruptura do que está estabelecido. Mudança. Perigo.” (FERNANDES, 2025. p. 60)

Sob essa lógica, é possível perceber que, apesar das evidentes e marcantes diferenças entre os sons apresentados, a música cumpre um papel similar na Caliente e a Black Cherry: o do contágio. Na vivência de ambas as noites, passamos a entender o som e a sonoridade não como um elemento secundário que reside no plano de fundo das festas, mas como um mecanismo dominante que possibilita, em última instância, a criação de uma experiência comunitária e social do rolê, transmitida e propagada entre todos os envolvidos.

Acompanhamos de perto o esforço dos organizadores, a dedicação dos fãs, a diversidade da comunidade e como o Brasil responde ao K-pop e ao reggaeton: com intensidade, criatividade e uma pitada daquela energia brasileira que transforma qualquer evento em algo maior do que só uma festa. 

Acima de tudo, foi legal ver como esses ritmos não anglófonos produziram nos corpos dos participantes consequências distintas, que uma festa de rock, por exemplo, não conseguiria. Junto das letras e da identidade das festas, a Caliente instiga no público um sentimento de identificação regional intrínseco. Já na Black Cherry, motivava nos participantes um esforço ativo de pertencimento à tribo.

O grupo estava se divertindo na festa. Na bolsa da Raquel (esquerda), um photocard. Foto: Guilherme Vivan

Referências

TROTTA, Felipe da Costa. Gosto musical, moral e incômodos. MATRIZes, São Paulo, Brasil, v. 17, n. 2, p. 25–48, 2023. 

FERNANDES, Eduarda Heineck. Contágio: pista de dança e intervenção coletiva.   BERNARDO, Gabriel (org.). Marginália Metropolitana. Porto Alegre: Marginália Metropolitana, 2025.

PROTO, Camila. Territórios resistentes: arte, som e sociedade. In: CASTANHEIRA, J. C. S; et al. (Orgs.). Poderes do som: políticas, escutas e identidades. Florianópolis: Insular, 2019. p. 107-126.

 

Texto realizado como atividade final para a disciplina Seminário de Cultura e Comunicação, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter e mestrando Gabriel Guedes Gil. Publicada na edição #2 da revista digital Z: Zonas Zumbidos e um Zilhão de Coisas.

Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), UFRGS, dezembro de 2025.

O que é meio de comunicação hoje?

Por Marcelo Bergamin Conter

Palestra realizada para a aula aberta “Dos meios de comunicação às indústrias criativas”, ocorrida na FAMECOS, PUCRS, em 29 de agosto de 2023

            Quando o professor Deivison Moacir Cezar De Campo me convidou pra falar sobre “o que é meio de comunicação hoje?”, eu imediatamente lembrei de Marshall McLuhan. Ou seja, não interpreto a pergunta querendo respondê-la sugerindo qual é o meio do momento, e sim, como os meios contemporâneos estão transformando radicalmente a forma como nos comunicamos. McLuhan não apenas fez uma análise impressionante dos meios de comunicação de sua época, os anos 1960, como também projetou como estaríamos nos comunicando agora. Operando com uma linguagem similar a da publicidade, ele criou aforismos que mais pareciam slogans publicitários. O mais celebrado, e alguns de vocês já devem ter ouvido, é “o meio é a mensagem”. Mas não nos enganemos: ele não quer dizer com isso que o conteúdo é irrelevante, tampouco uma inversão de valores. O que está implícito ali é que “amensagem é a mudança de escala, cadência ou padrão que este meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas”. Ou seja, o meio configura e controla a proporção e a forma das ações e associações humanas. O Drive-Tru só existe porque existe a malha rodoviária. A lâmpada só liga e essa palestra só pode acontecer neste formato porque turbinas estão girando com a força d’água em Itaipu. O meio pretende-se transparente, como a água do aquário para os peixes, como a televisão que se pretende janela para a realidade.

            Na época em que McLuhan escreveu suas teses, a energia elétrica, a transmissão via satélite, o rádio e a televisão estavam proporcionando ao mundo a possibilidade de tornar a comunicação praticamente instantânea. Nós, que vivemos 60 anos depois destas ideias, já nascemos imersos na comunicação simultânea. Mas eu gostaria hoje de destacar uma diferença que existe entre as mídias da época de McLuhan para as mídias digitais.

            Quando ouvimos rádio AM ou FM a informação é fragmentada e convertida em ondas senoidais que vibram milhões de vezes por segundo, rebatem na ionosfera e perambulam em tempo real pela atmosfera para que qualquer receptor possa sintonizá-la. Com a TV aberta é parecido, mas o sinal passa da ionosfera e é rebatido por satélites.

            Obviamente, quando eu ouço rádio ou vejo TV aberta, eu não posso voltar, assistir de novo, fazer buscas. O fluxo radiofônico ou televisivo se confunde com o fluxo da minha vida. Não é à toa que a TV acompanha nossas rotinas: jornal no café da manhã para sair ao trabalho bem-informado; receitas antes do almoço; jornal de infotenimento no almoço seguido de esportes, para boa digestão; e assim por diante. Era preciso esperar até tarde da noite para ver um episódio novo de uma série, a gente via um único episódio por semana e depois isso era assunto com os amigos para a semana inteira, porque todo mundo assistia tudo ao mesmo tempo. Assim era a vida até a virada do milênio.

            Como bem expressa Philip Dubois, a informática veio para absorver todas as mídias anteriores. Ela traduz qualquer informação visual ou sonora em bits, que podem ser arquivados em unidades de armazenamento como discos rígidos. Navegar pela internet é, sempre, vasculhar um arquivo. Um grande arquivo que seria construído pela comunidade, pelo povo, como muitos profetizaram.

            Diferentemente da instantaneidade e do fluxo constante da televisão e do rádio, os dados que acessamos pelo computador ou celular são sempre uma duplicata de um dado que está arquivado em outro lugar. Enquanto a TV analógica era uma imagem do presente, na internet, tudo é sempre uma imagem do passado. Mesmo quando assistimos “TV ao vivo” pela internet. Quem vê um jogo de futebol pela web e ouve o vizinho que ainda tem rádio gritando gol dois minutos antes sabe do que eu estou falando. É que TV pela internet envolve uma série de procedimentos de codificação, decodificação, buffer, compressão de dados, descompressão de dados, passagem por vários pitstops(servidor, caixa da internet do prédio, modem, computador) e tudo isso causa o famoso delay. Se pesquisarmos pelo endereço da Famecos no Google, daqui mesmo, essa requisição pode sair do continente para voltar com os resultados. No meio do caminho, pode passar por um cabo submarino enquanto um tubarão tenta morder a informação.

            Então, por mais ágil, transparente e aparentemente simultânea que a experiência com a web nos pareça, nós estamos sempre olhando para uma imagem, um som ou um texto do passado, quase como um telescópio que observa a luz de estrelas que não mais existem. Então, retomando a pergunta, o que é meio de comunicação hoje?, eu diria que são os meios que lidam menos com o presente e o futuro e, ao invés disso, investem-se de imagens do passado para reorganizá-lo no presente.

            Lembrando que, de acordo com Henry Bergson, o passado não é o que foi, mas o que é, o que se acumula no presente, como uma bola de neve que incha a medida que avança. O que é meio de comunicação hoje? É o acúmulo de todo o passado dos meios de comunicação. Nós ainda fotografamos, ainda filmamos, ainda escrevemos.

            Gostaria de relembrar outra coisa que o McLuhan disse. Ele percebeu que, toda vez que um novo meio de comunicação surgia, ele precisava imitar as mensagens dos meios anteriores. Quando surge a internet, surge o termo “página” para se referir às URLs, porque era preciso que a web se parecesse com livros, revistas, bibliotecas, algo que já estávamos acostumados, até que ela tomasse sua própria forma. E ela vai fazer isso resgatando o princípio do arquivo, que é a base de todo sistema informático que utilizamos. E um meio de comunicação que tem como fundamento a produção de sentido partindo do tratamento de dados arquivados irá certamente afetar os modos como produzimos cultura.

            Quem percebeu isso com clareza foi o crítico musical Simon Reynolds, que em 2010 escreveu o livro Retromania. Ele reconheceu que entre 2001 e 2010 não surgiu nenhum gênero musical novo que tomasse conta das paradas, mas uma grande revisitação de estéticas de décadas passadas, como é evidente na obra de Amy Winehouse, White Stripes, Strokes, Florence & The Machine, eu adicionaria aí Cachorro Grande, para ficar apenas em alguns exemplos. Ele percebe aí um reflexo dos novos hábitos de escuta de música, que mudam dramaticamente com o advento do Napster, da pirataria e em especial do acesso à memória total da música pop por meio de sites como o YouTube. A nova geração de músicos passa a ser menos influenciada pelas tendências impostas pelo mainstream e as modas do momento e mais pelo mar de informação que o arquivo digital oferece. 

            Na década seguinte, entre 2011 e 2020, softwares de edição não-linear e controladores MIDI irão facilitar processos criativos, mas em cima de samples, a partir do arquivo, portanto. Se na década passada a norma erainspiração no passado, agora parte-se para o sampleamento dos arquivos do passado. Imaginem uma bola de neve que incha à medida que se refere a si própria. O gênero musical que melhor representa esse novo cenário é o vaporwave. Em síntese, trata-se do rearranjo do arquivo audiovisual e sonoro da era da web 1.0 – com todas as suas promessas futurísticas, gráficos assépticos, sons de alerta de sistemas operacionais como Windows 95 etc. – sendo colocados em justaposição com imagens visuais e sonoras relacionadas simbolicamente ao capitalismo financeiro dos anos 1980 – comerciais de TV de multinacionais; Muzak; smooth jazz e outros gêneros musicais típicos de spas, resorts e saguões de hotéis cinco estrelas –. O que o vaporwave fez foi colocar na frente do palco aqueles sons e imagens que antes pensávamos apenas ser parte do fundo para realizarmos um consumo irônico – aquele jingle chato do McDonald’s que trocávamos de canal quando começava, aquela música cafona do Kenny G que tocava na sala de espera do dentista.

            Com o vaporwave relembramos aberturas de seriados, comerciais de TV da nossa infância e percebemos que estas memórias eram compartilhadas não só com nossos amigos, mas com pessoas do mundo inteiro, porque, obviamente, são expressões do capitalismo financeiro. Pickering e Kightley são certeiros ao dizerem que “ao invés de nos lembramos de experiências pessoais, é mais provável que nos lembremos de experiências mediadas e, como tal, a mediação do passado é um processo pelo qual a mídia pode fixar e limitar a memória social”.

            O vaporwave é uma expressão do underground. Do lado do mainstream, estamos vivenciando a era da plataformização, o caminho pelo qual se tem conseguido combater a pirataria, mesmo que isto implique em músicos mal pagos e o enfraquecimento das cenas locais. Nos entregamos às plataformas, mas sem desconfiar que, assim como o vaporwave, elas também realizam as suas operações no arquivo, ressignificando o passado nos seus próprios termos. A plataformização acabou com a utopia da web 1.0, com a ideia de que o mundo virtual seria horizontal e sem fronteiras. Há uma dimensão política por trás disso tudo, uma lógica neoliberal que estabelece controle dos fluxos e da retenção de informação para fins de arquivamento de dados por parte de empresas privadas. Jussi Parikka escreve em seu livro O que é arqueologia da mídia que

O poder não mais é circulado e reproduzido apenas através de espaços físicos e instituições – como a clínica ou a prisão analisadas por Foucault – ou práticas de linguagem, mas ocorre nos interruptores e relés, software e hardware, protocolos e circuitos dos quais nossos sistemas técnicos de mídias são feitos.

            Na época das mídias analógicas, a gente via um televisor na sala e poderia dizer para si “olha, um meio de comunicação”, e depois para o rádio e “olha, outro meio”. Hoje, nós estamos imersos em um meio de comunicação que arquiva tudo o que processa. E com isso eu quero dizer imersos em diferentes sentidos. Primeiro que essa não é uma ideia nova. Muniz Sodré já escreveu sobre o bios midiático, McLuhan sobre a Aldeia Global, e antes ainda, Vernadsky falava em noosfera. Ondas de wi-fi, 4g, 5g, bluetooth, AM, FM, VHF, UHF e tantas outras como a frequência dos bombeiros, da polícia e as rádios piratas, estão ocupando a atmosfera, o que também não é nenhuma novidade. 

            Em 2013, numa Semana da Imagem na Unisinos, Vinícius Andrade Pereira comentou que a ideia de offlinetinha acabado. A gente ainda saía da internet, desconectava o computador, mas quando reconectava tinha que lidar com os emails e demais mensagens que nos enviaram enquanto estávamos fora, porque o arquivamento não para mais. Naquela época, a falsa separação entre real e virtual já começava a erodir. 

            Dez anos depois e a coisa ficou muito mais intensa, porque não existe mais o offline: hoje os programas que utilizamos ou escondem os caminhos pelos quais nós podemos nos desconectar ou sequer nos dão essa opção. Saímos da sociedade disciplinar de Fouacult para a Sociedade de Controle de Deleuze. Luís Martino sintetiza esta ideia, dizendo que “as informações eletrônicas sobre o indivíduo permitem que seus padrões de consumo, lazer e ações cotidianas sejam continuamente monitorados e redesenhados nos gráficos e planilhas”. Sejam as fotos e vídeos que tiramos nas viagens, as opiniões que emitimos nas redes sociais, tudo isto vira arquivo para que o poder circule a partir não só da extração descontrolada dos recursos naturais, como tem sido desde os primeiros estágios do capitalismo, mas também para que o poder circule a partir da mineração descontrolada de nossos dados pessoais. Bifo Berardi denomina este estágio de semiocapitalismo. E é isto que quero dizer com imersão, por que a produção de sentido se confundiu com a produção de capital. A experiência de vida, hoje, é a de viver imerso em um grande meio de comunicação, cada um no seu Show de Truman pessoal, mergulhado na tediosa tarefa de produzir imagens do passado para alimentar o semiocapitalismo. E parece não haver alternativa, porque nós nos conformamos, nós assinamos os termos de condições, nós estamos assistindo a chegada do antropoceno por meio de produtos da industrialização, que é um dos principais agentes da mudança climática. Os meios de comunicação e os meios de poluição são os mesmos. Para Mark Fisher, a situação que vivemos é deprimente, porque se antes o grande problema social na era do capitalismo industrial era o tédio (trabalhar 30 anos numa mesma fábrica e depois se aposentar), o grande problema social do capitalismo tardio é que ele substituiu o tédio pela ansiedade, seja pelo caminho da precarização do trabalho, seja pelo caminho das micro doses de distração que as redes sociais nos oferecem com drops de imagens do passado. Observando por este ângulo crítico, percebemos que as crises políticas, ecológicas, sociais, culturais e sanitárias que estamos vivendo, portanto, são sobretudo uma crise de futuro.

What is the brother? Celebrificação na web

No dia 6 de outubro de 2011, o Clube do Pop fez sua terceira mesa na Semana Acadêmica da Comunicação, intitulado What is the brother? Celebrificação na web. Quem não assistiu pode, por aqui, ouvir em podcasts a apresentação de cada palestrante, além de suas apresentações:

Do ponto de vista dos palestrantes, o computador registrando o podcast e os espectadores.

Marcelo Bergamin Conter
Lo-fi: o fascínio pelas imagens de baixa definição 

Download do podcast.
Download da apresentação.

Susan Liesenberg
Celebridades da internet e Stefhany do Cross Fox, a princesa do povo

Download do podcast.
Download da apresentação.

Camila Cornutti
Celebridades: as apropriações e as remediações nos blogs Cleycianne, Katylene e Te Dou Um Dado

Download do podcast.
Download da apresentação.

Pedro Veloso
Celebrificação no blog Emily Diz Olá

Download do podcast.
Blog Emily Diz Olá.

Perguntas parte 1

Download.

Perguntas parte 2

Download.

Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

Frame de "Let Forever Be", música de Chemical Brothers e direção de Michel Gondry (1999)

Quando eu fiz meu trabalho de conclusão em 2007 (Unisinos, orientado pela Suzana Kilpp), analisei alguns videoclipes do diretor Michel Gondry, evidenciando seu meticuloso trabalho de articulação das trilhas visuais e sonoras. Neste artigo eu e Suzana conseguimos fazer uma aproximação dos estudos sobre música com os de audiovisual, trazendo ainda a filosofia de Bergson para dar conta das sincronias dos elementos audiovisuais. Esse artigo foi publicado em março de 2010, mas a revista saiu como de novembro de 2009.

Pra quem estuda novos métodos de montagem em audiovisual (Cinema, TV, web…), acho que vale muito a pena, pois nele revela-se parte dos truques desse grande diretor de cinema e vídeo que é o Michel Gondry.


Novos construtos de tempos audiovisuais simultâneos no videoclipe

CMC (Comunicação, Mídia e Consumo – ESPM – SP)
Vol. 6, No 17 (2009): Comunicação e representações do feminino

O artigo indica algumas tendências de atualização da imagem-música em videoclipes. Elas foram observadas na articulação das trilhas visuais e sonoras de três vídeos, todos dirigidos por Michel Gondry e produzidos entre os anos de 1996 e 1999, nos quais se encontra um uso muito criativo de tempos audiovisuais simultâneos. Esses são analisados na perspectiva teórica de autores que trabalham com o conceito de tempo relacionado à percepção e à memória. O artigo também toma por referência autores que pensam o audiovisual e a música em sua perspectiva técnica, estética e filosófica.

Palavras-chave: Videoclipe. Imagem-música. Michel Gondry. Tempos audiovisuais simultâneos.