Livro novo saindo do forno!

Fechei negócio com a Editora Appris e muito em breve minha tese vai sair em livro. O nome será LO-FI: Música pop em baixa definição e estamos nos programando para fazer um pré-lançamento na Intercom, Congresso nacional de comunicação a ocorrer na USP no início de setembro.

Depois, mais pro fim do mês ou em outubro, vai rolar o lançamento oficial do livro em Porto Alegre e São Leopoldo!

Daniel_johnston

Clipe novo do The Gentrificators! THE NAME-DROP TURN

Deu um trabalhão fazer esse videoclipe, mas acho que ficou tri massa. Vale a pena ler, ver e ouvir, vale a pena se engajar nessa causa semiótica.

Às vezes a preguiça de não sair para enfrentar a opressão gentrificadora da urbe é maior, e aí nos sobra produzir agenciamentos coletivos de enunciação de dentro de nossos quartos. QUE SEJA ASSIM, mas que cause alguma diferença na nossa relação estética para com essa Porto Alegre que fecha as portas para a arte de rua, para as miçangas, que quer cercar a Redenção e simular o modelo foucaultiano de prisão ao contrário (voltado para os civis, para as ~pessoas de bem~). ESSE VÍDEO É O PANÓPTICO, VOCÊ NUNCA SABE QUANDO ELE ESTÁ OLHANDO UM VÍDEO QUE VOCÊ MESMO POSTOU NO YOUTUBE, OLHA ALI O REFLEXO DA CIBERSHOT APARECENDO NA TELA!

PÕE NA TELA, PÕE ESSES VAGABUNDOS NA TELA!!!!

Essa é a música que vocês aplaudem? Uma música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado? Vocês não estão entendendo nada!

THE GENTRIFICATORS – NYLON STRINGS

Depois de mais de três anos de hiato, Marcelo B. Conter (membro da Musical Amizade) volta à cena do rock gaúcho com o projeto The Gentrificators. Todas as faixas foram gravadas na privacidade do seu quarto, e falam sobre as dificuldades da cena musical independente de porto alegre conseguir se sustentar. State: Province conta com 12 faixas, e o CD já está à venda no site http://lezmarecords.com.br/loja/.

Também está no ar um videoclipe para a primeira música do disco, Nylon Strings, um ode irônico ao veraneio em praias gaúchas. Na tela, um plano sequência coloca o espectador no ponto de vista de Conter (que dirigiu o vídeo), dramatizando o processo de composição do disco em seu quarto.

ASSITA AGORA O CLIPE ~~>

Bandas que dialogam com o Dream Pop

Em setembro de 2014, Marcelo Bergamin Conter e Daniela Fischer Fonseca publicaram na revista ESC:ALA o texto Dream Pop: entre temporalidades e tecnologias. Como apêndice ao texto realizaram uma lista de links para ouvir as bandas que dialogam com o gênero. Só que ficou grande demais. Abaixo segue a lista:

Cocteau Twins
Escócia, 1979 – 1997
Disco destaque: Heaven or Las Vegas, 1990.

My Bloody Valentine
Dublin, Irlanda, 1984 –
Disco destaque: Loveless 1991.
https://www.youtube.com/watch?v=eyp1R8noL6U

Chapterhouse
Reading, Inglaterra, 1987 – 1994
Disco destaque: Whirlpool, 1991.

Galaxie 500
New York, EUA, 1987-1991
Disco destaque: On Fire, 1989.

Ride
Oxford, Inglaterra, 1988 – 1996
Disco destaque: Nowhere, 1990.

Slowdive
Reading, Inglaterra, 1989 – 1995
Discos destaque: Pygmalion, 1995.

Mazzy Star
Santa Monica, EUA 1989 – 1997
Disco destaque: So Tonight That I Might See, 1993.

Old Magic Pallas
São Paulo, Brasil, 1994 – 1998
Fita demo – Pull My Daisy, 1994.

Mojave 3
Reino Unido 1995 – 2008
Disco destaque: Puzzles Like You, 2006.
https://www.youtube.com/watch?v=zKsBqtC3Tws

Au Revoir Simone
New York, EUA, 2003 –
Disco destaque: Verses of Comfort, Assurance & Salvation, 2006.
https://www.youtube.com/watch?v=gFG-cUQ1a8k

The XX
Londres, Inglaterra, 2005 –
Disco destaque: XX.

Beach House
Baltimore, EUA, 2006 –
Disco destaque: Teen Dream, 2010.

Loomer
Porto Alegre, Brasil, 2008 –
EP Mind Drops, 2009.
EP Coward Soul, 2010.

Grimes
Vancouver, Canadá, 2010.
Disco: Visions, 2012.

Youth Lagoon
Boise, EUA, 2010 –
Disco destaque: Wondrous Bughouse, 2013.

Still Corners
Londres, Inglaterra, 2011 –
Discos:
Creatures of an Hour 2011;
Strange Pleasures 2013.

Como adquirir o livro

No momento há três modos de adquirir Imagem-música em vídeos para web.

1) Diretamente com o autor (Marcelo B. Conter), via email (bconter@gmail.com) ou deixando um contato no comentário abaixo.

2) Na Associação de Práticas e Pesquisas em Humanidades, que fica na Av. Oswaldo Aranha, 510, Porto Alegre/RS.

3) Através do site da Livraria Cultura, neste link.

Lançamentos do livro

Fiquei muito satisfeito com os dois lançamentos do meu livro, primeiro na Intercom, em Manaus, depois no Bar da Pinacoteca. Abaixo uma foto feita por Marcello Silva de Paulo lá na UFAM. Reparem que na esquerda da imagem a Immacolata estava autografando o livro do grupo de pesquisa dela, o que atraiu mais pessoas para ao menos folhearem o meu livro e o do GPESC, ambos publicados pela Editora Kazuá:

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Já na Pinacoteca foram muitos amigos de Porto Alegre prestigiar a função. Agradeço a presença de todos!

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Release e booktrailer do livro "Imagem-música em vídeos para web"

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=BIFzmV1wT1c]

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Não seria nenhum exagero afirmar que o site de compartilhamento de vídeos Youtube é peça fundamental para compreender a cultura contemporânea. Funcionando como um mapa de tudo que se produz em termos audiovisuais, suas características vão de encontro com o próprio princípio da internet, a produção e distribuição independente de conteúdo. Não admira, portanto, que grande parte do material disponível no site seja da apropriação de vídeos que se tornaram famosos, os chamados memes, transformando-os em algo inesperado. É o caso do vídeo MC Jeremias, que utilizou programas de edição para transformar uma reportagem sobre um jovem bêbado numa delegacia em um grudento funk batidão. A profusão desse tipo de atitude, iconoclasta e motivada por um espírito de criação, foi o que motivou o acadêmico Marcelo B. Conter a escrever o livro Imagem-Música em Vídeos Para Web, com lançamento no mês de Agosto pela Editora Kazuá.

O livro, resultado da dissertação de mestrado de Marcelo em Comunicação pela UFRGS, aborda vídeos que surgem através de processos caracterizados como remixagens audiovisuais. Assim como na música eletrônica, os vídeos que o autor utiliza como material de análise, são produto de mash-ups, ou seja, da combinação de materiais dispersos pelo Youtube para formar algo diferente. Mas o que há de novo em relação aos mash-ups e samplers tradicionais é a relação inseparável entre a imagem e a música, daí o título do trabalho.

Imagem-música, o conceito trabalhado por Marcelo para definir esses vídeos, vem da insólita relação entre a filosofia francesa de Gilles Deleuze e Henri Bergson, com os métodos anárquicos e dispersos característicos da internet. Pode parecer estranho, à primeira vista, esse casamento, mas a partir das ideias desses filósofos não só é possível compreender os modos de produção de um gênero cada vez maior de vídeos presentes no Youtube, mas também delinear de que modo nos relacionamos com a cultura contemporânea e os artifícios de criação em seu interior.

Marcelo, que também é músico e produtor audiovisual, não se prende às velhas definições e separações entre alta e baixa cultura. Compreende os vídeos na web como um contínuo, capaz de abarcar manifestações como o Funk da Menina Pastora, as diversas paródias de 4:33 – peça musical de John Cage que consiste em quatro minutos e 33 segundos de pausa –, ou os métodos inovadores de composição musical da banda Pamplamoose, onde cada trecho musical tocado é acompanhado por um vídeo correspondente, formando uma verdadeira sinfonia pop audiovisual.

Com lançamento marcado para o dia 14 de setembro, no bar Pinacoteca (rua da República, 409), o livro de Marcelo B. Conter é peça fundamental para compreender nosso tempo e cultura, provando que mesmo dos lugares mais inusitados existe espaço para reflexão e filosofia.

Haverá cópias do livro à venda no lançamento, e em breve no site da Zun.

Por André Araújo

Ruído, ruído por todo lado! …reverberando e ressoando…

Quando se trata da área de Comunicação Social, às vezes eu fico com a impressão de que há dois termos que não são problematizados o suficiente: RUÍDO e SILÊNCIO. Há, claro, teorias na área que apresentam questões relacionadas a ambos, mas o que me parece que falta é um estudo mais GLOBAL, que enfrente o desafio de compreender ambos os fenômenos em diferentes áreas, não só na música, nas sonoridades e oralidade, mas suas outras possíveis manifestações que podem ser, sim, visuais, táteis, olfativas e talvez até gustativas!

Não há dúvida, no entanto, que o caminho de entrada para o desafio de compreender melhor o que é (ou pode ser) ruído e silêncio se dá pela pelo som. E se o leitor tem interesse nessa área, ou até estuda música pop ou audiovisual, tenho duas excelentes sugestões de leitura. São os livros Reverberations e Resonances, ambos derivados de trabalhos apresentados em um congresso sobre ruído na Universidade de Salford, Manchester, ocorrido em 2010.

Ambos os livros abordam o ruído em suas mais diversas concepções. Reverberations, o primeiro a ser publicado (2012), foca na filosofia, estética e política, como seu subtítulo promete, mas também o discute no audiovisual. Os temas por si só já surpreendem, como, por exemplo, um estudo sobre amusia, uma espécie de doença neurológica em que o paciente é incapaz de reconhecer a música como tal – ele a percebe como ruído, e qualquer gênero musical o incomoda profundamente. Benjamin Halligan, um dos editores das publicações, escreve sobre o uso do ruído como agente de sentido quando as palavras não são capazes de significar, de explicar um determinado fenômeno afetivo. Por sinal, há vários capítulos que abordam procedimentos sonoros em salas de cinema para provocar efeitos que o visual não é capaz, por exemplo, o uso de ondas sonoras mais graves do que o ouvido é capaz de ouvir, mas que fazem vibrar nosso corpo e causar sensações de perigo e mal estar. No extremo oposto da faixa de frequência, Robert Walker escreve sobre Cinematic Tinnitus, uma versão audiovisual do zumbido auditivo, outro recurso para fazer o espectador sentir mal estar através do som. Estudos como esses fazem falta numa área que ainda engatinha na compreensão dos seus fenômenos sonoros, que ainda usa Schafer e sua paisagem sonora como muleta para conseguir pular do visual para o sonoro utilizando terminologias que se referem ao visual para compreender o sonoro (essa foi uma provocação medíocre sem base científica, estilo mesa de bar. Aceito críticas).

Reverberations também apresenta reflexões relevantes sobre o silêncio, e mostra a complexidade da dicotomia que este termo faz com o ruído. Às vezes, silêncio pode apenas significar um ambiente em que os ruídos são baixos o suficiente para não nos incomodar, assim como ruídos constantes podem ser importantes para anular ruídos indesejados, gerando, assim, um ambiente “silencioso”. De fato, John Cage já dizia, não existe silêncio total: se você entrar na sala com o melhor isolamento sonoro do mundo, vai acabar ouvindo sua circulação sanguínea agindo nas frequências graves e o seu sistema neurológico nos agudos. Sim, o corpo é uma orquestra sinfônica!

Este ano, 2013, saiu o segundo volume, Resonances, que aborda ruído e música contemporânea. Este particularmente tem me interessado mais, pois tem muitos capítulos que se relacionam com o tema da minha tese. Pra quem aí é pilhado em música pop, este é o livro: encontrei análises muito interessantes sobre MC5, Beatles, Lou Reed, My Bloody Valentine, The Who, e até lo-fi Neo-Zelandês!

Um dos editores, Nicola Spelman, escreveu sobre o famigerado Metal Machine Music, o disco mais bizarro da carreira de Lou Reed, no qual o papai dos indies compôs uma sinfonia de microfonias. Só isso e nada mais. Se você acha isso loucura, imagine que TRANSCREVERAM essa bagunça toda em partituras e executando com instrumentos de orquestra! Esse é o tipo de informação que ambos os livros nos apresentam, acompanhados, é claro, de boas reflexões.

Benjamin Halligan também tem um artigo publicado neste volume, desta vez pensando no shoegaze como a terceira onda do psicodelismo. Se na década de 1960 tivemos o acid rock (rock psicodélico) como representante do Summer of love, e a acid house (dance music) na década de 1980, a virada da mesma década para a próxima apresentaria o shoegaze como o terceiro movimento psicodélico da música pop, incorporando elementos dos precedentes como a repetição incessante de elementos melódicos, ruídos e drones, direcionando para uma viagem lisérgica à base de muita distorção, feedbacks, delays e sintetizadores.

George McKay toma como tema um assunto recorrente na imprensa especializada: na mesma medida que nossos ídolos envelhecem, vemos que estão todos ficando surdos ou com problemas sérios de audição. Já Michael Goddard nos apresenta o longínquo e ainda (morto)vivo movimento lo-fi que ocorreu na Nova Zelândia em 1980, com bandas de rock chicletão e guitarrinhas. Eu mesmo virei fã do Dunedin sound. Para os interessados em sons fora do eixo UK-US, recomendo acessar o site da Flying Nun, a principal gravadora do gênero.

Vale dizer ainda que o congresso do qual derivou ambos os livros também contou com os brasileiros Vinícius Andrade Pereira, José Cláudio Siqueira Castanheira e Rafael Sarpa. O trio fez shows no congresso: juntos formam a banda Simbiotecnoises. Castanheira publicou um capítulo em Reverberations, e Sarpa em Resonances.

E nem apresentei todos os capítulos. Ambos os volumes são enormes, e tem sido ótimos para eu conhecer gêneros musicais, filmes, abordagens teóricas e cenas musicais que eu não fazia ideia que existiam. Nada melhor que atualizar-se com uma boa leitura!

Referências:

GODDARD, M.; HALLIGAN, B.; HEGARTY, P. Reverberations: the philosophy, aesthetics and politics of noise. Norfolk: Continuum, 2012.

GODDARD, M.; HALLIGAN, B.; SPELMAN, N. Resonances: noise and contemporary music. Norfolk: Bloomsbury, 2013.