Está publicado nos anais da Intercom 2012 mais um artigo, escrito a seis mãos. As outras quatro pertencem à Luiza Pimenta e Camila Daniel (duas mãos para cada uma, caso estejam curiosos), alunas de graduação em Comunicação Social na UFRGS.
Dissertação "Imagem-música em vídeos para web" no Lume
Quem quiser pode ler a minha dissertação em PDF. Basta acessá-la na biblioteca digital da UFRGS:
Imagem-música em vídeos para web.
RESUMO
A presente dissertação propõe-se a investigar os modos com que a música sobrecodifica a linguagem audiovisual em vídeos para a web, criando novos processos de significação e complexificando a virtualidade musical (compreendida aqui como a totalidade irrepresentável de imagens que a expressam). O site YouTube se estabelece como um lócus privilegiado para tal estudo, pois nele encontra-se uma quantidade significativa de vídeos musicais em que a música se manifesta em todos os elementos audiovisuais, interferindo nos processos de composição audiovisual (tanto na trilha visual quanto na sonora). O que pode deste encontro derivar são atualizações e potencialidades do virtual da música, manifestadas como imagemmúsica. Os vídeos que constituem o corpus são organizados em quatro categorias mais recorrentes, ordenados de acordo com a proximidade que têm com a linguagem do videoclipe, o que permite perceber como, progressivamente, nos vídeos para web, está ocorrendo um processo de autonomização da imagem-música: mashup audiovisual; sampling audiovisual; spoof de shreds; auto-tunning. Essas práticas já estavam contidas, em potência, em audiovisuais anteriores, no cinema, na televisão, na videoarte, no videoclipe – e também nas práticas da música eletrônica –, mas somente na web elas conseguiram se manifestar a pleno. Como referencial teórico para compor o modo como será observado o fenômeno, utilizar-seão as teorias do filósofo Henri Bergson para compreender a virtualidade da música; de Gilles Deleuze, para entender os processos de significação que a sobrecodificação da música exerce sobre o audiovisual, e como ela movimenta suas estruturas através de tal processo; de Nicklas Luhmann, para compor um ponto de observação para os vídeos musicais para web diferente do que tradicionalmente se dirige ao videoclipe televisivo; e de Vilém Flusser, para compreender a natureza das imagens técnicas. Conclui-se que os vídeos para web estudados efetivamente se apartam da lógica do videoclipe televisivo, parte por não dialogarem com a lógica da indústria fonográfica, parte porque a música é resultado da montagem, e não o contrário, como ocorre normalmente em videoclipes; além disso, evidencia-se que a música é capaz de imprimir algo de si nos audiovisuais estudados, e que está ocorrendo uma tendência para a diluição da distinção entre arte figurativa e música: através desses vídeos, mostra-se possível a produção de música imaginativa, derivada da reciclagem de material audiovisual disponível na web.
Retromania e o fim das vanguardas: comentário do mediador
Fui entrevistado há duas semanas para o caderno Mais Preza, do Correio do Povo. Queriam que eu dissesse como eu achava que seria (ou como está sendo) a música de 2012. Segue, abaixo, todas as minhas considerações que não foram publicadas no jornal, e que penso que conectam com o tema abordado pelo Clube do Pop na Semana Acadêmica da Comunicação da UFRGS.
Tem um livro do Simon Reynolds, que é um crítico muito famoso de música popular, recém lançado e intitulado Retromania, no qual ele defende que a música da nossa época está viciada em olhar para o próprio passado. Entre vários exemplos, ele cita a Adele como um revival de várias outras divas do R&B do passado. Então ele diz ainda que a última década (2001-2010) não emplacou um estilo musical que a marcasse, como o grunge e o eurodance na década de noventa. Eu acho válido e importante entender esse momento que estamos vivendo, e que não podemos negar que o que parece envelhecido tem valor de mercado.
O Vaccines, por exemplo, que é uma banda nova, fazendo um clipe com fotos tiradas pelos fãs e publicadas no instagram; ou a carreira solo do Jack White, que segue aquele clima punk caipira do White Stripes, sem contar que ele está apadrinhando “crias bastardas” como a Black Belles. Temos exemplos também de 2011, mas que vão refletir muito o que deve se estabelecer para 2012: os discos de Noel Gallagher e do Beady Eye, tem respectivamente, o melhor do Noel e o melhor do Liam do Oasis em cada um. Ambos optaram por um caminho mais tranquilo, sem romper com o contrato que eles estabeleceram com seus respectivos fãs (bem o contrário do que o Radiohead fez no Kid A ou o Los Hermanos no Bloco do Eu Sozinho). 2011 e 2012 estão se marcando pela volta de grandes nomes: aqui em Porto Alegre, a Graforréia Xilarmônica recém lançou dois singles. E a volta deles é tal qual a de Beavis & Butt-head na MTV: extremamente conservadora em termos estéticos. Isso não quer dizer que é uma “saída fácil”. Fazer música nova mantendo muitos padrões estéticos e o interesse dos fãs é igualmente difícil a produzir um Kid A. O Foo Fighters também voltou dessa maneira, tentando soar como se estivessem em 1991. E conseguiram vários Grammys.
Voltando pro Simon Reynolds, teve mais uma coisa que ele disse: que talvez o gênero que melhor se consolidou como “da década de 2000” teria sido o indie rock, mas que ele não consideraria porque não atingiu o mainstream da mesma forma que o grunge conseguiu em 1990. Mas, será que não foi esse o grande mérito do indie rock dos 2000? Com o advento do MP3, dos tocadores portáteis digitais e toda a parafernália que nos permite levar no bolso mais de 1.500 discos, não teria ficado mais difícil chegar no topo das paradas? E o público não teria se segmentado, criando culturas de fãs as mais variadas?
Acho que não dá pra pensar “sucesso” hoje como se pensava há vinte anos. Como resposta a isso, eu cito o trabalho novo de Thurston Moore, do Sonic Youth, que após terminar com Kim Gordon (e consequentemente acabando com o Sonic Youth), encostou sua guitarra (e desta vez não em um amplificador) e gravou um disco com violões e violinos, e reinventou o pós-rock. Acho que é o mesmo caminho da PJ Harvey no seu disco Let England Shake, mais introspectivo. Parece que, para eles, depois de vinte a trinta anos de carreia, eles já estabeleceram todo um universo underground, que se opôs ao que estava como estabelecido, e agora esse underground também já se estabeleceu!
Desse modo, acho que uma possível tendência para a década de 10 que está começando é a seguinte: o indie rock, ou pós-rock, como queira, vai passar de um estado barroco (no sentido de tentar romper com o status quo) para um estado clássico. Eu acho que isso já está acontecendo, tem muita banda tocando nas pistas de dança e nas rádios cuja inspiração são bandas mais obscuras das décadas de 1980 e 1990. Pra mim um dos melhores exemplos é a banda The Joy Formidable, um trio galês que lançou ano passado o The Big Roar, seu primeiro disco, com muita energia e guitarras carregadas de drones (sustentação ou repetição incessante de uma mesma nota ou acorde) e ruídos, mas ao mesmo tempo respeitando o formato canção. Eles pegam o melhor do pós-rock da região deles, que é o cuidado maior com timbres ruidosos de guitarra em detrimento à melodias (característica do shoegaze), mas unem a uma estrutura mais radiofônica.
Me parece que vai ser uma época de muitas guitarras guturais, com muito reverb, ritmo dançante, e aquele efeito de rádio estragado nos vocais, como ocorre nos Strokes e todas as bandas que vieram depois, de The Killers a The Vaccines. O indie vai infectar todos os outros estilos.
Não acho também que não se criam coisas novas no atual período que o Simon Reynolds chama de “era retrô” (o Lev Manovich chama de “era remix”, então quem tem razão?)… Essa questão de o que é “original”, “novo”, “criativo” é super problemático e caro para a filosofia, mas não cabe discutir aqui… Se for pra pensar assim, Black Sabbath não era original, porque misturava blues com obscurantismo e poderíamos pensar assim de tudo o que ocorreu na música. Isso acontece porque a gente reconhece e interpreta uma imagem que vemos no mundo a partir de imagens que temos na memória, então algo “novo” sempre remete a algo “velho”.
Eu penso que as bandas de hoje, de 2012, são tão criativas quanto as anteriores, e acho muito mais difícil fazer rock agora porque temos muito mais imagens na memória do que é rock do que tínhamos em 1969. Se for necessário exemplos, eu ilustraria com Vampire Weekend, de novo com o Thurston Moore e a PJ Harvey, MGMT, Mark Ronson, Gorillaz, LCD Soundsystem e Arcade Fire. Dá pra se reconhecer os intercessores de cada um, mas ao mesmo tempo pode-se reconhecer em cada um desses artistas muitas características novas, digo, mais desprendidos de imagens antigas, e mais do que aparenta.
A música de 2011 e 2012 é muito mais do que Adele e Foo Fighters.Não podemos nos deixar levar só pelo mainstream.
E pra fechar, talvez seja isso que o indie rock dos anos 2000 vai nos mostrar: que o mainstream não comporta mais as vanguardas, como ocorreu com o grunge e o Radiohead. Graças ao acesso facilitado à música atual, os movimentos de revolução da música pop voltarão a ser minoritários.
PodCast: Retromania e o fim das vanguardas
No dia 21 de maio de 2012, o Clube do Pop organizou a palestra RETROMANIA E O FIM DAS VANGUARDAS. A mesa foi mediada por Marcelo B. Conter, e os palestrantes foram Márcio Telles e André Araújo (ambos da UFRGS). As falas de ambos tomam como base o recém-lançado livro Retromania, de Simon Reynolds. Veja também o PDF da apresentação de slides:
Introdução:
Márcio Telles:
André Araújo:
Perguntas:

Márcio Telles e André Araújo
PodCast: Scum. Agenciamentos midiáticos na conformação do metal extremo

O disco “Scum”, da Napalm Death.
No dia 21 de maio de 2012, Fabrício Silveira, doutor em comunicação e professor da Unisinos, palestrou na Semana Acadêmica da FABICO (UFRGS) sobre a dimensão midiática da experiência sonora do disco Scum, da banda Napalm Death. O Clube do Pop, do qual faço parte, organizou o evento. E gravamos um Pod Cast. Ouça na íntegra, dividido em duas partes, a palestra e as perguntas dirigidas à Fabrício:
PARTE 1:
PARTE 2:
Abaixo, alguns dos vídeos que ele mencionou na palestra:
Napalm Death – You Suffer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=yOB-vE6wqks]
Blast Beats:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Bi25Qy8oRTI]
Entrevista do Sex Pistols para a TV britânica:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wEvGzd8k6WQ]
Kurt Cobain fora da casinha:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Cyc1RJXgbwM]
PodCast: Scum. Agenciamentos midiáticos na conformação do metal extremo

O disco “Scum”, da Napalm Death.
No dia 21 de maio de 2012, Fabrício Silveira, doutor em comunicação e professor da Unisinos, palestrou na Semana Acadêmica da FABICO (UFRGS) sobre a dimensão midiática da experiência sonora do disco Scum, da banda Napalm Death. O Clube do Pop, do qual faço parte, organizou o evento. E gravamos um Pod Cast. Ouça na íntegra, dividido em duas partes, a palestra e as perguntas dirigidas à Fabrício:
PARTE 1:
PARTE 2:
Abaixo, alguns dos vídeos que ele mencionou na palestra:
Napalm Death – You Suffer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=yOB-vE6wqks]
Blast Beats:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Bi25Qy8oRTI]
Entrevista do Sex Pistols para a TV britânica:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wEvGzd8k6WQ]
Kurt Cobain fora da casinha:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Cyc1RJXgbwM]
Clube do Pop na Semana Acadêmica da Comunicação
Segunda-feira, dia 21 de maio, das 19h às 22h farei a mediação de duas palestras organizadas pelo Clube do Pop e que ocorrem pela Semana Acadêmica da Comunicação da Fabico (UFRGS).

Capa do último disco do Foo Fighters, todo gravado em equipamentos da década de 1990.
A primeira ocorre das 19h às 20h30, intitulada “RETROMANIA E O FIM DAS VANGUARDAS”. Os colegas de pesquisa Marcio Telles e André Araújo vão apresentar os principais conceitos do livro Retromania, do crítico musical Simon Reynolds, e pretendem refutar quase todos.
Nessa palestra vamos discutir essa qualidade “de olhar para seu próprio passado” que diferentes aspectos da cultura vem passando: na música e na moda isso é bem claro, mas ocorre também na fotografia (instagram p.ex.), literatura, meios de transporte (bicicleta), alimentação (Kit Kat), cinema, arquitetura, decoração e por aí vai.
Logo em seguida, temos como convidado o Prof. Dr. Fabrício Silveira, direto da Unisinos, que vai apresentar , das 20h30 às 22h – “Scum: agenciamentos midiáticos na conformação do metal extremo”.

Capa do disco que o Fabrício vai usar como objeto de pesquisa.
O Fabrício vai falar sobre a relação que ele tinha com o metal no tempo que era peruzão e morava em Santa Maria. Vai falar de pirataria pré-internet e pensar a comunicação a partir de casos extremos da música pesada. Se preparem para muito barulho! Scum é o nome de um álbum da banda Napalm Death.
A nova cultura da música
Na terça, dia 3 de abril de 2012, eu participei de uma palestra na Unisinos, organizada pelo CEPOS, sobre a nova cultura da música. Palestraram também a Profa. Adriana Amaral e Leonardo De Marchi. A mesa foi mediada por João Martins Ladeira. Eu gravei as falas em formato de PodCast, seguem abaixo (perdoem a baixa definição, os ventiladores do auditório eram muito barulhentos):
Leonardo iniciou a palestra:
Em seguida, Adriana Amaral:
E fechamos a mesa comigo:
Os vídeos que eu cito na minha fala podem ser vistos neste playlist do YouTube.
Do rei Pelé ao Messi Playstation: o futebol também é pop
Segue abaixo o áudio das apresentações da primeira mesa do Clube do Pop na Semana Acadêmica de Comunicação 2011, que ocorreu na Fabico, em 4/10.
Anderson David dos Santos
Download.
Ana Acker
Download.
Apresentação Seminário Clube do Pop.
Márcio Telles
Download.
Acesse sua apresentação com links para vídeos mencionados (Prezi).
Perguntas
Download.
Do rei Pelé ao Messi Playstation: o futebol também é pop
Segue abaixo o áudio das apresentações da primeira mesa do Clube do Pop na Semana Acadêmica de Comunicação 2011, que ocorreu na Fabico, em 4/10.
Anderson David dos Santos
Download.
Ana Acker
Download.
Apresentação Seminário Clube do Pop.
Márcio Telles
Download.
Acesse sua apresentação com links para vídeos mencionados (Prezi).
Perguntas
Download.