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Afinal, o que é a Síndrome de Burnout?

Por Carolina Meira Moser, médica psiquiatra da Divisão de Promoção da Saúde

A Síndrome de Burnout (SB), também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, pode ser compreendida como uma combinação de cansaço físico, esgotamento emocional e exaustão cognitiva que é atribuída à atividade laboral. 

 Embora não possa ser definida como uma doença, a SB foi reconhecida como fenômeno ocupacional pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2018, tendo sido incluída na 11a Classificação Internacional de Doenças (CID-11).  Trata-se de uma condição associada a um continuum relacionado ao estresse, representando uma resposta patológica a estressores do ambiente de trabalho, que pode progredir para depressão e até mesmo suicídio.

O conceito de burnout ganhou ênfase especialmente nas chamadas “profissões de serviços humanos”, nas quais a base do trabalho consiste na relação entre quem presta e quem recebe o serviço. Estima-se que em profissões onde há contato interpessoal contínuo e envolvimento emocional intenso, como profissionais da saúde, da segurança e da educação, as taxas de SB possam ser especialmente elevadas. No entanto, a SB pode ocorrer em indivíduos com qualquer tipo de trabalho ou ocupação. Inclusive, ao que tudo indica, trabalhar com clientes ou pacientes não é um fator de risco em si. O principal problema reside nas condições em que esse trabalho ocorre, dentre as quais podem ser citadas as dificuldades de liderança, falta de reconhecimento e valorização, conflitos interpessoais, bullying e assédio. Nesse contexto, cabe destacar que fatores ambientais, suporte social, presença de transtornos psiquiátricos e características de personalidade interferem na resposta do indivíduo a eventos estressantes de forma adaptativa ou não; logo, podem ser fatores protetivos ou representar riscos para o desenvolvimento da SB.  

A despeito de ser alvo de discussão na literatura científica, o entendimento mais utilizado para a SB até o momento tem sido o desenvolvido por Maslach e colaboradores,  que a definem como um fenômeno que engloba  três dimensões (Maslach & Leiter, 2016):

1) Exaustão: sentimentos de falta de energia, esgotamento e fadiga crônica resultantes de demanda excessiva de trabalho e do estresse;

2) Despersonalização: distanciamento emocional e sentimentos de negativismo, sarcasmo e descaso relacionados ao trabalho; atitude apática ou desapegada em relação aos colegas e às atividades laborais;

3) Redução da realização profissional: sentimentos de inadequação e baixa autoestima decorrentes da crença de que os objetivos profissionais não foram alcançados, levando à perda de interesse e do significado do trabalho.  Por fim, é importante mencionar que alguns dos sintomas da SB parecem se assemelhar aos da depressão (como anedonia, perda de interesse ou prazer, humor deprimido, fadiga ou perda de energia, concentração prejudicada, sentimentos de inutilidade, alterações de apetite, problemas de sono e, inclusive, ideação suicida) e da ansiedade (componentes cognitivos, somáticos, emocionais e comportamentais desencadeados pela ameaça percebida). Contudo, um fator fundamental para o diagnóstico diferencial da SB é a associação do início dos sintomas a estressores no trabalho e a relação desses sintomas, ao menos inicialmente, à atividade laboral.

Republicação de artigo publicado na edição de abril de 2021 no InformAção Saúde.

Referências

Kristensen, T. S., Borritz, M., Villadsen, E., & Christensen, K. B. (2007). The Copenhagen Burnout Inventory: A new tool for the assessment of burnout. https://doi.org/10.1080/02678370500297720. doi:Work & Stress, Vol. 19, No. 3, July–September 2005, pp. 192–207

Maslach, C., & Leiter, M. P. (2016). Understanding the burnout experience: recent research and its implications for psychiatry. World Psychiatry: official journal of the World Psychiatric Association (WPA), 15(2). doi:10.1002/wps.20311

WHO. (2019). International Classification of Diseases, 11th Revision (ICD-11): World Health Organization.

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