Castelinho

5 fachada

DADOS GERAIS

Denominação: Castelinho

Endereço: Praça Argentina s/n, Campus Centro – 1º Quarteirão

Município: Porto Alegre

Autor do Projeto: Eng. Manoel Barbosa Assumpção Itaqui

Data do projeto: 1906

Período de Execução: 1906/1908

Área Construída: 552 m2

Código do prédio: 11103

Reinauguração após o processo de restauração: 29/06/2006

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

A praça fronteira ao conjunto arquitetônico formado pelo Château, Castelinho e Observatório Astronômico foi definida em 1857 com a urbanização da área, pois uma íngreme ladeira dificultava a saída da cidade para o caminho da Azenha. A praça recebe o nome de Independência, mas, no ano de 1921, muda para Praça Argentina.

O Campo da Redenção, zona plana e alagadiça, antiga várzea da cidade, ali iniciava, logo abaixo. A ocupação do seu lado noroeste se dá com o prédio da Escola de Engenharia, com os pavilhões e jardins da Exposição Estadual de 1901 e com um velódromo.

Em 1906 começaram a ser construídos os dois prédios para o Instituto Técnico Profissional e o Observatório Astronômico, ambos ligados à Escola de Engenharia.

A disposição das três edificações no terreno colocou o Castelinho tangenciando a rua que iniciava na praça e que recebeu o nome de Bom Fim (1916), depois trocado para Av. Osvaldo Aranha (1930).

No lado oposto da rua, havia casas construídas na grande área pertencente à Santa Casa de Misericórdia. Em parte deste espaço, a Faculdade de Medicina, que já tinha um prédio próprio desde 1900 na Rua da Alegria (atual General Vitorino), inaugura em 1909 seu Instituto Anatômico, que servia também de Necrotério para a Santa Casa.

Inúmeras modificações ocorreram no entorno da edificação, como a diminuição da área da praça Argentina,  o alargamento da Av. João Pessoa, demolições e construção de grandes edifícios. A permanência do alinhamento do 1º trecho da Av. Osvaldo Aranha permitiu, felizmente, a preservação do delicado e singular prédio.

 

HISTÓRICO

A Escola de Engenharia organizou-se abrangendo vários níveis de atuação. Seu projeto de Educação, além do ensino superior, incluía cursos primário, preparatório e de artes e ofícios. Logo após a construção do seu primeiro prédio, a Escola empenhou-se em instalar os cursos fundamentais e técnicos em espaços adequados a esses, porque as aulas estavam sendo dadas nos porões do seu edifício e em galpões. Já em 1906 começam as obras de dois prédios para o Instituto Técnico-Profissional, a mais importante escola técnica do Estado, à época, depois chamada de Instituto Parobé.

A Seção de Mecânica foi instalada no prédio menor, um espaçoso ambiente, que dispunha de ferramentas, máquinas e os mais diversos equipamentos para as aulas práticas.

A mão de obra então preparada realizava serviços para os diversos Institutos da Escola de Engenharia, assim como trabalho para particulares. A remuneração era uma forma de obter recursos para a Escola e ainda acumular fundos na Caixa de Economia dos Aprendizes. O dinheiro desta poupança, com juros de 5 % ao ano, era entregue ao aluno quando ele concluía o curso, para que pudesse iniciar sua vida profissional.

Com a construção de um edifício especial para a Seção Masculina, as dependências do Castelinho foram usadas sucessivamente pela Biblioteca Central da então Universidade Técnica e pelo Departamento de Engenharia Nuclear da Escola de Engenharia. Durante algum tempo o prédio ficou desativado. Um projeto de reforma de 1993 começou a ser executado em 1996 com administração da própria Escola de Engenharia. Após a conclusão das obras de restauração o espaço passará a ser usado pelo Núcleo Orientado para Inovação da Edificação (NORIE) – Curso de Pós-Graduação na área de Engenharia Civil.

 

O PRÉDIO

Para instalar o Instituto Técnico Profissional, a Escola de Engenharia necessitou construir 2 prédios: um maior (hoje designado Château) para as seções de Marcenaria, Carpintaria, Serralheria e ainda almoxarifado e ambulatório e outro menor (hoje designado Castelinho) para a Seção de Mecânica e também com um gabinete para o Diretor do Instituto.

Os dois prédios foram projetados em conjunto com o Instituto Astronômico e Meteorológico (hoje somente Observatório Astronômico), sendo implantados em terreno à esquerda do prédio da Escola de Engenharia.

De concepção semelhante ao Château, o prédio apresenta linguagem historicista, com inserção de elementos decorativos, inspirados no estilo Art Nouveau.

O volume da edificação é definido por um prisma, com formato hexagonal, elemento principal na hierarquia, associado a um corpo retangular longitudinal, mais baixo e secundário na composição.

Os planos das fachadas apresentam variada ornamentação, com predominância de elementos florais em cimento fundido. Destacam-se o trabalho em ferro dos guarda-corpos das sacadas e as ânforas e pedestais das platibandas.

Ressalta-se o torreão de dois pavimentos, articulado a uma ala de um pavimento, com pés-direito altos e embasamento rusticado, em proporções similares ao prédio do Château. Elemento de destaque na composição, a torre possui a escultura de um condor na ponta do lanternim do telhado. Pela concepção original do prédio, também abrigava a entrada principal, voltada para a área de acesso aos prédios (hoje Largo Paganini).

Os espaços internos do pavilhão foram divididos em torno de um corredor central, com os ambientes voltados para o exterior, onde recebiam iluminação filtrada pelos tijolos de vidro tipo pavê, importados, que vedavam os vãos das aberturas.

O projeto de reforma, iniciado em 1993, gerou muitas discussões para definir os parâmetros de intervenção. Em função disso, as obras de reforma somente começaram em 1996, com a subdivisão do avantajado pé-direito em dois pavimentos. A inserção de uma laje de concreto, engastada na alvenaria original, alterou as relações internas formais, funcionais e de proporção dos ambientes.