Instituto Eletrotécnico

8 fachada

DADOS GERAIS

Denominação: Instituto Eletrotécnico
Endereço: Av. Osvaldo Aranha, nº 103
Campus Centro – 1º Quarteirão
Município: Porto Alegre
Autor Projeto: Eng. Manoel Barbosa Assumpção Itaqui
Área Construída: 3340 m2
Execução: Francisco Andrighetto e Paolo Paganini
Período: 1906 – 1910
Ampliações: 1ª ampliação – logo após a construção inicial
2ª ampliação – 1951 – construção do 3º pavimento
Código do Prédio: 11106

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

O prédio do Instituto Eletrotécnico está localizado na esquina da Av. Osvaldo Aranha com a Rua Sarmento Leite. Quando da construção do edifício, a via que iniciava na Praça da Independência, atual Praça Argentina, já estava definida – era a Rua do Bom Fim. A designação oficial Av. do Bom Fim foi dada em 1916 e substituída por Osvaldo Aranha em 1930.

Uma das faces do prédio estava voltada para o caminho que ligava a embocadura da então Travessa 1º de março com a Rua da Conceição, hoje une quarteirão da Rua Sarmento Leite. O local da implantação da obra havia sido ocupado anteriormente por pavilhões para animais na Exposição Agro-industrial de 1901, que fora instalada em parte do Campo da Redenção (antiga Várzea). Uma alta chaminé, construída para a central termoelétrica do Instituto, sobressaía na paisagem de então.

Durante muito tempo, quando o movimento das ruas ainda era pequeno, trilhos de bondes se cruzavam nesta esquina, enquanto no ar viam-se inúmeros cabos elétricos. A relação do prédio com o entorno é hoje bem diferente. Edifícios altos se ergueram nas proximidades, os prédios com fundos para os terrenos da Santa Casa foram demolidos e a construção do Túnel da Conceição modificou significativamente o trânsito.

HISTÓRICO

Criado oficialmente em 7 de março de 1908, o Instituto Eletrotécnico da Escola de Engenharia foi o primeiro estabelecimento do gênero no país voltado para o ensino de Eletricidade e da Mecânica. Formava engenheiros mecânicos e eletricistas e técnicos montadores.

O ensino teórico e prático era ministrado segundo os mais modernos conceitos de mecânica e eletricidade, em diversas oficinas. Professores e chefes de oficinas eram, na sua maioria, contratados na Europa. Grandes mestres vieram da Alemanha e Estados Unidos.

O Instituto prestou serviços à indústria eletrotécnica, em expansão no Rio Grande do Sul e Brasil e desenvolveu importantes estudos para a produção de energia. Junto a ele funcionou uma usina elétrica, para abastecer de energia toda a Escola de Engenharia.

Para as aulas e atividades práticas, que exigiam um espaço diferenciado, foi elaborado e executado o projeto especial de um prédio com oficinas e laboratórios. Os equipamentos foram comprados nos Estados Unidos e na Europa pelo professor João Lüderitz.

Em 1922, recebeu o nome de Instituto Montaury, em homenagem ao Intendente de Porto Alegre, pelo constante apoio à Escola de Engenharia. Desde sua instalação foi um órgão de vanguarda nos novos conhecimentos de mecânica e eletricidade.

Os diversos laboratórios implantados ao longo do tempo, permitiram ao Instituto celebrar intercâmbio com instituições do mundo inteiro e executar projetos conjuntos com várias entidades e empresas, possibilitando a aplicação de tecnologias avançadas.

Após 1955, o curso foi desdobrado, formando Engenheiros Eletricistas e Engenheiros Mecânicos. Atualmente, no prédio funciona o Departamento de Engenharia Elétrica.

O PRÉDIO

Sua implantação segue as características da arquitetura da época, com forte marcação no acesso principal em esquina, demonstrando simetria como ordenação espacial. A composição da planta baixa, em ângulo, valoriza a esquina como ponto de inflexão das duas alas que compõem a volumetria básica do edifício, apresentando formas e linhas rígidas.

A marcação do eixo central de acesso é feita com um pórtico com grossas pilastras, encimado por um pequeno balcão. As fachadas apresentam um tratamento simplificado com destaque para os vidros tipo pavê, e dos quais ainda restam alguns, que vedam aberturas e óculos. As esculturas de cimento fundido, figuras femininas representando a Eletricidade e a Mecânica, que foram executadas pelo italiano Giuseppe Gaudenzi, dão ao prédio um toque de beleza.

O piso original, de ladrilhos hidráulicos, permanece até hoje nas áreas de circulação e no balcão. Sólidas fundações de granito sustentam a alvenaria de tijolos maciços.

De concepção menor, o prédio recebeu sucessivas e imperceptíveis ampliações. Estas foram realizadas pelo próprio autor do projeto, o Eng. Itaqui, alterando os espaços construídos inicialmente.

Solários com vidros em curva, detalhe moderno à época, utilizados para iluminação de alguns ambientes e a central termoelétrica do Instituto, com uma marcante chaminé, foram demolidos nos anos 1970. Durante algum tempo, uma delicada grade delimitava a área externa do acesso principal.

Originalmente com dois pavimentos, recebeu o maior acréscimo no ano de 1951, quando o Setor de Obras da Universidade executa um terceiro pavimento. Com esse aumento, houve uma alteração das proporções do prédio. O emprego de platibandas permaneceu após a ampliação, sendo as mesmas refeitas com simplicidade de detalhes. Foram eliminados todos os adornos superiores, assim como doze aberturas com grades das alas laterais, que ficaram reduzidas a quatro e colocadas junto aos vértices da fachada do acesso principal com as outras duas faces. Os dois mastros para bandeiras também foram deslocados da posição original.

Várias intervenções internas foram realizadas destacando-se a construção de mezaninos em partes do pavimento térreo. A cobertura, antes em telhas francesas, foi substituída por uma laje de concreto.