Faculdade de Agronomia

9 fachada

DADOS GERAIS

Denominação: Faculdade de Agronomia – Prédio Central

Endereço: Av. Bento Gonçalves, nº 7712, Campus do Vale

Município: Porto Alegre

Autor do projeto: Eng. Manoel Barbosa Assumpção Itaqui

Data do Projeto: 1909

Área construída: 3947,58 m2

Coordenador da execução: Eng. João Maria Palaof

Período de execução: 1910/1913

Código do prédio: 41301

Reinauguração após o processo de restauração: 14/10/2009
 

SITUAÇÃO E AMBIÊNCIA

O espaço geográfico escolhido para instalar a sede do Instituto de Agronomia e Veterinária da Escola de Engenharia foi uma grande área afastada do perímetro urbano, localizada entre dois morros (Santana e da Companhia) e situada entre duas estradas históricas, a do Caminho do Meio ( atual Av. Protásio Alves) e a do Dilúvio ou Mato Grosso (atual Av. Bento Gonçalves).

Domínio de antigas fazendas, apresentava na época, edificações isoladas, rarefeitas na paisagem.

Esta área hoje constitui-se na faixa de terra que vai ligar-se à parte maior do Campus do Vale.

Do terreno inicial uma parcela – 61 ha – ficou com o Instituto Pinheiro Machado (antes Patronato Agrícola) quando da criação da Universidade de Porto Alegre, em 1934, permanecendo até hoje como propriedade do Governo do Estado.

Em 1968 as Faculdades de Agronomia e Veterinária são desmembradas, sendo a área física partilhada entre as duas.

Voltado para a Av. Bento Gonçalves, o prédio central foi construído juntamente com outras edificações: cavalariça, biotério, hospital veterinário, residências para professores, pavilhões para oficinas, estábulos e galpões para máquinas e veículos. Também foram feitas canchas para esportes e instalações para gasogênio, gerador elétrico e telefone.

Posteriormente instalações para o Patronato Agrícola, laboratórios de forrageiras e estufas foram acrescidas ao conjunto.

O prédio, quando da construção, destacava-se sobremaneira na paisagem do distante perímetro urbano. Esta distância era compensada pela beleza da natureza e das instalações e plantações.

Apesar da constante expansão e adensamento urbano, permanece até hoje a característica original da implantação idílica: o destaque à paisagem natural.

Com esse entorno, o prédio central salienta-se e marca seu caráter monumental mesmo com as alterações ocorridas no traçado viário original, com alargamentos, mudanças no recobrimento e, principalmente, com o aterro do leito da rua.

 

HISTÓRICO

Em 1898, atendendo solicitação de lideranças agropecuárias foi criado um curso de Agronomia, anexo à Escola de Engenharia.

Este curso foi interrompido após a formatura da primeira turma em 1902, em razão das dificuldades econômicas e da distância física entre as aulas teóricas e as atividades práticas.

Com o aumento de 2% para 4%, pelo Governo do Estado, da taxa profissional para custear especificamente cursos nas áreas de agricultura e pecuária, foi possível criar, em 1910, o Instituto de Agronomia e Veterinária, objetivando formar capatazes rurais (nível elementar) agrônomos (nível médio e prático), engenheiros agrônomos e médicos veterinários.

A proposta para a estrutura e funcionamento do Instituto foi inspirada em modelo norte-americano que privilegiava o ensino prático-teórico, a pesquisa e a extensão rural.

Diante de tão inovador projeto de ensino que seria desenvolvido, o Governo Federal também colaborou com recursos para a sua instalação.

Adquirida a área, tem início em 1910, a construção do prédio principal.

Professores, técnicos e pesquisadores estrangeiros foram contratados, como também importados equipamentos e materiais.

De grande importância, o ensino primário e profissional agrícola era ministrado na Seção do Patronato Agrícola.

As atividades do Instituto de Agronomia e Veterinária complementavam-se com a Estação Agronômica e com o Posto de Zootecnia, ambos localizados em Viamão. A primeira pertencia ao Governo do Estado tendo sido incorporada pela Escola de Engenharia em 1910. O Posto de Zootecnia foi criado em 1911 formando capatazes rurais.

Para melhor atender às demandas do interior tanto o Patronato como a Estação e o Posto instalaram seções em várias cidades.

Entre 1921 e 1928 foi implantado o Ensino Ambulante de Agricultura. Utilizando um trem da Viação Férrea, técnicos do Instituto percorriam o interior do Estado difundindo novas práticas de agricultura e de prevenção e tratamento de doenças de animais. Carregavam mostruário de máquinas e implementos, sementes, adubos, reprodutores de várias espécies e cadastravam agricultores incentivando a criação de cooperativas.

O Instituto de Agronomia e Veterinária além do ensino destacou-se com trabalhos de pesquisa agrícola, análise do solo do Estado e seu mapeamento agro-geológico, introdução de novas culturas (ex. o soja), difusão de novas técnicas de beneficiamento de produtos rurais, melhoramento genético do rebanho gaúcho (através de reprodutores de várias raças) e também com a produção das primeiras vacinas brasileiras contra doenças de animais.

Em 1917 o Instituto passou a denominar-se Instituto Borges de Medeiros. Quando da criação da Universidade de Porto Alegre, em 1934, ganhou autonomia, desvincula-se da Escola de Engenharia e torna-se Escola de Agronomia e Veterinária. A partir de 1968 desmembram-se os cursos formando a Faculdade de Agronomia e a Faculdade de Veterinária.

A Faculdade de Agronomia iniciou a partir de 1965 o Programa de Pós- Graduação, com apoio da Universidade de Wisconsin – EUA, o que impulsionou sobremaneira a pesquisa.

Ao longo de 90 anos, tem sido significativa a vinculação da Faculdade de Agronomia com o desenvolvimento do setor produtivo do Rio Grande do Sul, tanto na qualificação de mão-de-obra como no desenvolvimento da pesquisa e nas atividades de extensão.

 

O PRÉDIO

Com partido proposto em cinco partes, o prédio apresenta no volume central três pavimentos e nas alas laterais extremas dois pavimentos.

Intermediando estas alas aparecem dois grandes espaços de distribuição e circulação – átrios –ambos com pés-direito duplos.

De volumetria marcante, original e ousado para a época, o projeto definiu no segundo pavimento as três galerias separadas pelos átrios, onde a estrutura metálica do sistema de sustentação do telhado de duas águas é a grande inovação.

A declividade do terreno permitiu a construção de uma ampla área no subsolo.

Foram previstas salas de aula, laboratórios, biblioteca, anfiteatro, salas diversas e setores administrativos, além de área para internato que incluía cozinha, refeitório e dormitórios.

O terceiro pavimento do volume central foi projetado como mansarda, servindo de dormitório e ainda com espaços laterais para serem usados como depósitos de materiais para os laboratórios.

Com amplos ambientes internos possui terraços e balcões no segundo pavimento que se voltam para os átrios existentes no primeiro pavimento.

O acesso principal localizado na fachada da Av. Bento Gonçalves está desativado sendo usadas as portas da fachada posterior como entrada.

A fachada frontal plana apresenta simetria com platibandas, frontões e ornamentações diversas. Os arcos plenos dos átrios são elementos marcantes desta fachada. Durante muito tempo os vãos eram abertos tendo sido fechados posteriormente por uma estrutura metálica em ferro com vidros.

As demais fachadas totalmente planas não apresentam elementos decorativos.

Mesmo com as diversas intervenções ocorridas no entorno, ao longo do tempo, o prédio conserva sua beleza e imponência.