A produção musical nos canais do YouTube (3/5)

Quando se trata de blogs, uma das definições mais aceitas entre pesquisadores é a da organização cronológica: “as últimas atualizações aparecerem no início do site e as mais antigas abaixo, e cada bloco de texto é obstinadamente encabeçado pela data (e horário) da publicação” (SIBILIA, 2005, p. 48). Nos canais do YouTube, a ordem cronológica está lá no registro de cada vídeo, mas não é relevante para os músicos. O vídeo atual é destaque, mas os antecedentes não aparecem em ordem cronológica na barra direita. E mesmo que estivessem, pelo menos para boa parte dos músicos, não faria muita diferença – afinal, as canções devem ser atemporais – o usuário navega pelos vídeos dos canais como navega por um CD, de faixa em faixa.

Mas há também os músicos que tentam evidenciar uma cronologia em seu trabalho, como exemplo do canal Songs from a hat, de Abby Simons, cujo projeto, finalizado, utilizava um método de criação de músicas desafiando seus assinantes: em vídeos musicais de periodicidade semanal, sugere ao espectador inserir um possível título de música nos comentários do vídeo. Na semana seguinte, ela imprime os títulos sugeridos em tiras de papel, as coloca em um chapéu, e sorteia uma, que será tema e título de uma música que ela deve compor e publicar no YouTube em uma semana. O projeto terminou no 35º episódio. Sabendo que o YouTube não indica a data dos vídeos, especialmente na busca, Abby os numerou em seus títulos.

Embora os músicos tenham de recorrer a artifícios para explicitar que seu canal é um vídeo blog, no topo de cada vídeo aparece o nome do canal. Mesmo quando o usuário não acessa o canal, ele exerce sob o vídeo uma espécie de “entidade”, o significa, o emoldura (KILPP, 2005). Como acontece muito de um mesmo vídeo ser duplicado por outros usuários (o que acontece mais com digitalizações de programas da TV), funciona como uma espécie de assinatura do autor do vídeo, a garantia de que foi feito por ele.

Referências bibliográficas

KILPP, Suzana. Mundos televisivos. Porto Alegre: Armazém Digital, 2005.

SIBILIA, Paula. A vida como relato na era do fast-forward e do real time: algumas reflexões sobre o fenômeno dos blogs. Em Questão, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 35-51, jan./jun. 2005.

 

 

 

 

Daniel Johnston and his Worried Shoes

Eu já comentei em posts dispersos por aí a obra de Daniel Johnston. Esse ano comemoramos o cinquentenário de nascimento deste músico controverso em suas ações mas muito direto em sua obra.

Vocês podem pesquisar por aí, mas em resumo, Daniel é de família religiosa, e incomodou muito os pais que queriam vê-lo contribuir para a obra de Deus ao invés de só querer saber de desenhar e compor músicas. Logo cedo, ao final da adolescência, foi diagnosticado como maníaco depressivo, o que piorou ainda mais depois das várias viagens de ácido no começo do anos 80. Em meio a tudo isso, Daniel fez por conta própria várias fitas K7 gravadas na garagem de casa com dezenas de canções próprias em cada uma. Ele passava cópias para quem visse na rua, e sua fama no meio musical independente tomou grandes proporções.

Mas como era autodidata maluco que era, a maior parte do seu trabalho soa desafinado, o que para muitos é o charme, e que evidenciaria uma estética da baixa definição, que nos faria ignorar por um tempo as regras e padrões para concentrarmos em nos sensibilizar mais e analisar menos.

Daniel é direto, cru, singelo.

Recomendo a audição da canção Worried Shoes. Na foto que compõe o vídeo, Daniel aparece ainda são, antes da maldição que o tomou nos anos 1980. Aliás, Daniel entrou numa paranoia em que ele era enviado de Deus e tinha que ajudar as pessoas a se livrar do Satanás. Quando foi pra Nova Iorque em companhia do Sonic Youth, Daniel passava metade do show discursando sobre o número 6 (o diabo. O DIABO), o 7 (Jesus), o 8 (Deus, eu acho, não lembro), e 9 (o homem). “Number nine, number nine, number nine”, ele falava, em menção à música dos Beatles. A partir daí o discurso se perdia ainda mais. À noite, Daniel sumiu do apartamento, e os membros do Sonic Youth foram procurá-lo. Encontraram Daniel pregando a quatro ventos com o violão no ombro.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=urjJ06T_Dms]

Daniel é tão referenciado que suas composições já foram regravadas por Beck, Butthole Surfers, Wilco, Sonic Youth, Pearl Jam e uma penca de outras bandas.

A mesma canção de antes, agora na voz de Karen O, do The Yeah Yeah Yeahs, mais limpa e bonitinha. Fica a seu cargo decidir qual é melhor. Trilha sonora de Onde vivem os monstros. Não preciso dizer que Spike Jonze é outro que é fã da obra de Johnston.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=yQMcA0Q4T6c]

Por fim, depois de ter ficado num sanatório no começo dos anos 90, Daniel passou a ser intensamente medicado, e hoje toma cerca de 15 pílulas por dia para manter “no nosso mundo”. Se é difícil encarar Worried Shoes original sem sentir o peso da HUMANIDADE, que tal a densidade da exibição abaixo, datada de 2009? Daniel treme não por vergonha, mas provavelmente por causa da medicação. Adicione aí vida sedentária, vício em cigarro e muita Montain Dew, o que refletiu em obesidade e rouquidão. Daniel vive com os pais, idosos, e é cuidado por eles, que até hoje tem de lhe fazer  almoço, janta, levar pro médico e assim por diante. Eles também são seu empresário, e, embora tenham levado muito tempo para aprender a importância de Daniel como artista, hoje já não o veem com o diabo no couro.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=OVnnwoMeKOQ]

Pelo menos, de acordo com a mamãe Johnston “de vez em quando ele arruma o próprio quarto”.

Se Daniel não é uma lição de vida estilo Luciano Huck, ao menos ele é capaz de mexer com as nossas, mas se de modo diabólico ou celestial vai depender do ouvinte.

A produção musical nos canais do YouTube (2/5)

Seguimos a empreitada para compreender os canais do YouTube como redes sociais que colaboram nas estratégias dos músicos.

Acesse o canal do YouTube da banda Pomplamoose. Repare que ele, como todos os outros, é dividido em duas metades, que mostram as possibilidades de navegação como rede social/blog: na primeira, que mostra o topo do canal, como muitos blogs, possui um cabeçalho com logotipo, seguido do vídeo (post) mais recente, com links ao lado para posts anteriores.

Logo abaixo, vem o perfil do canal, num formato mais similar ao de uma rede social como o MySpace: à esquerda, foto do perfil e as possibilidades de adicionar como amigo, dados e estatísticas e outras informações. À direita, os canais pessoais dos músicos e outros trabalhos paralelos, seguido dos canais que a banda assina, os usuários que assinam o canal, e enfim uma lista de comentários do canal.

Esse misto de blog e rede social começa a gerar perguntas: afinal é um ou outro? Essas definições que tentamos dar acabam diluídas nas práticas. No MySpace, por exemplo, há a opção de inserir um blog em seu perfil, com espaço até para comentários. Em contrapartida, Playlists do MySpace podem ser incorporadas aos blogs, e assim por diante. As redes sociais vêm apresentando funções umas das outras para tentar manter o usuário o maior tempo possível logado nelas. E nessa “diluição das definições”, alguns espaços da web que não eram entendidos nem foram elaborados como redes sociais, acabam sendo

apropriados pelos atores com este fim. É o caso do Fotolog, dos weblogs, do Twitter, etc. São sistemas onde não há espaços específicos para perfil e para a publicização das conexões. Esses perfis são construídos através de espaços pessoais ou perfis pela apropriação dos atores. […] weblogs não são sites de redes sociais, mas podem ser apropriados como espaços de construção e exposição dessas redes. (RECUERO, 2009, p. 103)

No YouTube aconteceu o contrário. Ele possui todos os elementos que uma rede social necessita, mas o uso predominante é como repositório. Se resta alguma dúvida de que o YouTube é uma rede social, basta lembrar a definição de Boyd & Ellison para redes sociais. São “aqueles sistemas que permitem i) a construção de uma persona através de comentários; ii) a interação através de comentários; e iii) a exposição pública da rede social de cada ator” (apud RECUERO, 2009, p. 102). O YouTube permite as três.

Pois bem, se tanto os blogs quanto o YouTube são redes sociais, se cada vídeo recebe registro de data e hora quando é postado, e se há espaço para comentários em cada “post” (URL individual do vídeo), deve haver menos distinção entre um canal do YouTube e um blog específico do que imaginamos. Nos parece que fazer essa comparação, encontrando semelhanças e diferenças entre um e outro, seja um atalho para compreender os canais, dado a raridade de pesquisas científicas tanto sobre estes como qualquer tipo de vídeo blog.

Está bem claro que um canal do YouTube pode ser considerado um vídeo blog, desde que tenha algumas características específicas, que vão variar de acordo com o uso que o músico vai fazer do canal. Nos faz lembrar do texto de Boyd, quando ela mostra que se olharmos para as práticas, os blogs não são somente um gênero, mas uma mídia através da qual a comunicação acontece (2006, p. 19). Então, as práticas e a expressão dos usuários interferem e constituem o que entendemos por blogs (idem, p. 11).

Referências Bibliográficas

BOYD, Danah. A blogger’s blog: exploring the definition of a medium. IN: Reconstruction: studies in contemporary culture, v. 6, n. 4, pp. 1-19, 2006. Disponível em: <http://reconstruction.eserver.org/064/boyd.shtml>. Acesso em 11 abr. 2011.

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.


A produção musical nos canais do YouTube (1/5)

Quando eu fiz a disciplina “Blogs e Ecadeamento Midiático”, ministrada por Alex Primo no PPGCOM UFRGS em 2010/1, produzi um artigo como trabalho final. O resultado será publicado online, neste blog, partido em cinco posts. Não há relação direta com a minha pesquisa “Imagem-música em vídeos para web”, mas colaborou no esclarecimento de algumas questões que tinha do YouTube.

Resumo: Esta sequência de posts observa canais de músicos amadores do YouTube de modo a compreender como o ambiente do site interfere na produção musical e nas estratégias dos músicos. Entendendo os canais como vídeo blogs, pretende ainda lançar um novo olhar para o YouTube ao encará-lo não só como repositório de audiovisuais, mas também como uma rede social onde amadores, livres da lógica da indústria fonográfica, criam novas práticas e estéticas musicais.

Enquanto assistia aos vídeos da dupla Pomplamoose, resolvi acessar seu canal no YouTube ao invés de pesquisar por busca ou por vídeo relacionado, como normalmente fazemos. Nele, é possível navegar entre suas produções, acessar o iTunes para comprar suas canções, descobrir as relações que estabeleceram com outros usuários do YouTube que também são músicos, ver o desenvolvimento do grupo a cada vídeo postado e entender melhor a proposta dos VideoSongs. Acabei descobrindo diversas coisas que a maior parte dos usuários não acessa.

É estranho notar como não se dá atenção para os canais do YouTube: a somatória de exibições de vídeos postados pelo Pomplamoose passa dos 53 milhões (dados de abril de 2011), enquanto os de visualização de seu canal mal passaram os 6 milhões. Essa relação é similar em outros canais de músicos. Mas são eles que evidenciam boa parte das inovações que a música vem sofrendo pelo portal. Daí a importância de não entendê-lo apenas como um repositório de audiovisuais.

Acontece que canais são ambientes que ficam um pouco escondidos pela navegação. A ação comum do usuário que busca por vídeos, independente de possuir login ou não é navegar pela busca ou por vídeos relacionados, sem acessar canais. E assim, raramente se entra nos canais de usuários. Mas para artistas o canal exerce uma função fundamental, reunindo todos seus trabalhos e criando assim um conceito mais forte para sua obra. Normalmente se ignora a questão de que o autor que publica um vídeo está, automaticamente, compondo seu canal no YouTube, que, por sua vez, independente das intenções desse usuário, acaba agenciando sentidos.

O autor de vídeos musicais é incentivado a produzir e a criar por motivos bem diferentes dos da indústria fonográfica. Ao postar um vídeo, espera-se que seja comentado, seja compartilhado, receba vídeos-resposta, incentive as pessoas a comprarem suas músicas no iTunes. Liberto da lógica da indústria fonográfica, agora, ele produz e pensa sua produção para uma rede social de compartilhamento de vídeos.

Aliás, a produção científica também ignora o fato de que o YouTube é uma rede social. No final do livro de Raquel Recuero (um dos poucos) sobre o assunto (2009), a autora cita algumas das principais redes, como o Orkut e o Twitter, mas não cita o YouTube, que atualmente é o segundo site mais acessado do mundo, só perdendo para o Facebook. É preciso lembrar que para postar um vídeo, para comentar, para receber atualizações por email, é preciso criar um login, que automaticamente cria um canal. E mesmo para o usuário sem login, que só assiste a vídeos, ele está vendo um resultado de artistas que produziram vídeos pensando nas possibilidades de compartilhamento e interação que o YouTube proporciona.

No próximo post, vamos tratar dessa ideia de encarar o YouTube como rede social.

Referências Bibliográficas

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

Resumen del artículo "El doble estatuto de la Música en los VideoSongs"

El doble estatuto de la Música en los VideoSongs

In: GUAL, I. B. et al. Actas del IV Congreso internacional sobre análisis fílmico: Nuevas tendencias e hibridaciones de los discursos audiovisuales en la cultura digital contemporánea, Universitat Jaume I, Castellón, Espanha. Ediciones de las ciencias sociales, Madrid, 2011. ISBN: 978-84-87510-57-1

Marcelo Bergamin Conter
Alexandre Rocha da Silva

El artículo se propone a discutir el estatuto de la música en vídeos para web, pensando la producción del sentido a partir de las actualizaciones de la música en todos los elementos del audiovisual, incluso en aquellos no-reconocidamente musicales. Foca los videosongs del grupo Pomplamoose, dirigidos por Jack Conte.

El videosong es un método de edición de vídeos musicales que subvierte la lógica del mercado de la industria fonográfica: diferente del videoclip televisivo tradicional, en que los músicos hacen playback de canciones pré-grabadas, las imágenes de ellos tocando son capturadas en el mismo momento en que el sonido de cada instrumento es grabado. Las trillas de audio son entonces sincronizadas y sobrepuestas en editor de audio, donde son mixadas, y después son sincronizadas con las imágenes en software de edición de vídeo. El resultado en la trilla musical es una canción tradicional, pero en la trilla de imagen, la edición imita las estructuras musicales – es dotado de una musicalidad.

Al asistir a los vídeos hospedados en el canal del YouTube del grupo Pomplamoose, surgieron para nosotros algunas cuestiones: los planos tardan mientras tarda la nota, o son cortados para que la frase musical pueda tardar? Algunas imágenes, que tardan menos de un segundo, al ser montadas en secuencia, imitan una frase musical? Serian esas duraciones audiovisuales en verdad duraciones musicales? Que sentidos son producidos por este montaje?

Para encaminar el desarrollo de tales cuestiones, proponemos denominar las imágenes que tardan en el ecrã de samplers audiovisuales. En el ámbito estrictamente musical, samplers son muestras sonoras digitalizadas, como una nota de piano, y que son utilizadas para componer músicas. En el vídeo en cuestión, serian samplers audiovisuales esos casi-planos que justa-puestos, en repetición o en relación con otros serian capaces de producir una dada musicalidad.

Tal método hace con que la Música sea el protagonista en este tipo de audiovisual. Ella estructura la narrativa y los montajes que de ella advienen. El modo como se hace la edición de las tomadas audiovisuales interpreta elementos significantes de la música, pero cuando agregados no producen necesariamente sentido, tendiendo siempre más para una experiencia estética. El mérito estaría entonces en la capacidad del grupo Pomplamoose reterritorializar la Música en el terreno de los audiovisuales musicales; no producir una música distinta, pero producir diferencia en la Música, utilizando el audiovisual como un instrumento musical capaz de imaginar Música, de presenta-la por medio de imágenes – visuales y sonoras –, por lo tanto.

Siendo así, no nos parece adecuado partir de la análisis de las relaciones entre el visual y el sonoro, como viene haciéndose históricamente en estudios sobre videoclip. Ese modo de observación entiende la música como mero elemento dentro de la trilla sonora. Entendiéndola como una virtualidad, podemos analizar sus relaciones con el audiovisual como un todo (tanto en la trilla visual como en la sonora). Tal pensamiento esperamos que produzca un nuevo modo de comprensión de las prácticas técnicas, culturales y estéticas musicales y audiovisuales que emergen en la cibercultura.

Submissão de trabalhos e etiqueta para o Sempós

 

Normas

O trabalho deve seguir o padrão que você quiser, desde que não seja em Comic Sans. O tema também, desde que seja sobre baixa cultura (no melhor estilo Adorno) exceto Chaves. O trabalho pode ser submetido em forma de relato verbal, descrevendo sua ideia com um copo de de ceva na mão, aos gritos.

Sugestões de grafia

Quando for fazer citação curta, use “o meu broder […]”. Quando for fazer longa, use “olha só o que o cara disse: […]”. Em caso de paráfrase, diga “é que nem o loco diz, né véi: […]”. Se for apresentar um conceito, afaste-se da mesa e não volte mais.

Formatação

Use tom de voz elevado, e aumente o tom a cada copo de ceva. Se estiver na Tia Vilma ou no Speed, não limpe a boca enquanto mastiga ou relata. Se estiver na Pinacoteca, alguns narizes empinados de hipsters poderão se incomodar. Caso ocorra, grite “Sou Sempós!”. Use um arqueamento de no mínimo 30 graus de coluna.

Traje para o coquetel

Mochila sem bottons: durante o Sempós, não existe política, classe social ou reputação de qualquer ordem; tênis sujo; celular com lanterna; cabelo gentilmente ensebado de três dias sem lavar; camiseta do vigésimo Compós, que deve ser utilizada até apresentar o quinto furo, abaixo da linha do sovaco.

Duração das apresentações

As durações são imprevisíveis, mas não fique falando sozinho. Não leia exatamente o que escreveu no Power Point.

Bebidas

Você pode beber o que quiser, desde que pague a conta.

Comidas

Idem.

Hospedagem

Se você mora longe de casa, tente um couch surfing com um colega, ou esconda-se no quinto andar da Fabico. Ninguém nunca sobe lá.

Puxando o saco dos professores

Os professores, por possuírem pós, não participam do evento. Você vai ter que se contentar com seus pares.

 

1º Encontro Anual dos Sempós – Fabico/UFRGS, 2011

Sempós: Associação Local dos Chinelões sem Titulação em Comunicação

OBS: a programação sofrerá adições ao longo da semana.


PROGRAMAÇÃO


TERÇA-FEIRA 21/6

16h – RODOVIÁRIA- Fechamento de casa e venda de pasteis

17h – FACHADA DO SALÃO DE ATOS – Protesto contra a valoração quantitativa de produção acadêmica da Capes e da CNPq. Traga sua panela, cadeira de praia, cachorro e chimarrão!

19h – BAMBUS – Coquetel de abertura do congresso


QUARTA-FEIRA 22/6

10h30 – AUDITÓRIO 2 – Sala aberta para o aquecimento para exibição do documentário sobre a vida e a obra de Daniel Johnston

11h – AUDITÓRIO 2 – Exibição e debate do documentário “The Devil and Daniel Johnston” (Clube do Pop) 13h – FERREIRA LANCHES – Reunião-almoço: crítica aos franceses mau-humorados

14h – TIA VILMA –  Mesa (de bar) temática: Repercussão da Compós: enaltação à Luhmann, Flusser, Latour e Chico Rudiger – Por um novo paradigma da epistemologia da comunicação – #NOT

16h – CORREDORES DA FABICO – Pregação de cartazes do Manifesto pelo movimento de retrogradação intelectual do espírito. De volta às experiências primeiras!


QUINTA-FEIRA 23/6

Feriado (que bolsista Sempós não é de ferro)


SEXTA-FEIRA, 24/6


12h – LANCHERIA DO PARQUE – Mesa (de bar) temática: CIBERCULTURA PARA GENTE GRANDE – um panorama para além dos pop stars integrados da fabico


14h – VIENA CAFÉ – Mesa (de bar) temática: COMO LER OS PÓS MODERNOS – esquecendo lyotard, maffesoli, durand e bachelard

17h3o – Odeon – Mesa (de bar) temática: A CULTURA DO LO-FI: NEO ARCADISMO OU COSMÉTICA DO TOSCO?

19h – PÁTIO DA FABICO – Fogueira de São João sustentável. Combustível: livros de Baudrillard, Lyotard, Debord, Foucault, Bhabha, Derrida, e, claro, Paulo Coelho.

21h – PINACOTECA – Laboratório experimental: Rimbaud e o absinto (com Alexandre Rocha da Silva)


SÁBADO, 25/6


20h – SPEED LANCHES – Mesa (de bar) temática: lixo cultural no YouTube

21h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: profile de gente morta no Orkut

22h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: clichês futebolísticos na televisão

23h – LAIKA – Festa de encerramento: Boomshakalaika


DOMINGO, 26/6

04h – PAMPA BURGUER – Janta de encerramento

06h – POSTINHO DA VENÂNCIO –  Reunião dos coordenadores de GT

Vídeos da aula de 21/6

Adianto os vídeos que serão analisados na terça-feira.

Falando nisso, dá pra quem não mandou ainda enviar DE UMA VEZ os ppts Bebeth disponibilizar no Moodle? Se não mandarem, eu juro que abaixo a nota, hein? Vamos colaborar com os colegas: pode ser que o seu PPT ajude a produção do artigo de algum colega. Ciência se faz assim, galera.

O palíndromo videográfico de Michel Gondry, Sugar Water:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=EN9auBn6Jys]

As bagunças tempo-espaciais misturando diferentes técnicas do diretor em Let Forever Be:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=s5FyfQDO5g0]

O milagre que Gondry fez com a música insossa Come into my world:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=63vqob-MljQ]

E por fim a viagem na falha de codec de MPEG de Ray Tintori, em Evident Utensil:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mvqakws0CeU]

The Devil and Daniel Johnston

O Clube do Pop é o nome provisório de um grupo de alunos do PPGCOM da UFRGS que vem se reunindo de vez em quando para falar sobre o universo Pop. É uma turma aberta para quem quiser participar, mas não é nem um pouco institucionalizada. Quem se interessa por lixo cultural, futebol, proflies de gente morta no Orkut, Stefhany do Cross Fox, Auto-tune do Joel Santana, celebridades online, narcisismo no ciberespaço e cachaça será muito bem vindo. Esperamos por você!

Debatedores (não-confirmados): Ana Maria Acker, Ana Migowski, André Araújo, Camila Cornutti, Daniela Schmitz, Gabriela Zago, Marcelo B.Conter, Márcio Telles, Susan Liesenberg

Trailer do filme:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wJZOe65eA4Y]

Argh, fábricas de música!

Pode passar desapercebido pelos olhos dos usuários do YouTube, mas o clipe enjoado de Rebecca Black – Friday não só foi produzido pela ARK Music Factory como foi enviado ao site através do canal trizzy66, que orgulhosamente apresenta o clipe da princesa dos Spoofs de 2011 em sua capa. Vejam nos vídeos dos canais quantos astros pop eles possuem – e colocam na mesma esteira de produção.

Trago isso para discussão porque a ARK é uma daquelas gravadoras do pior tipo – daquelas que caçam talentos jovens para inserir num processo fordiano de produção musical. Não sei se além do clipe produzem a canção também, mas reparem que essa outra estrela, Alana Lee Hamilton, passou por todos os estágios de Friday:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=0xHfRUW99aI]

Mas o que pessoalmente mais me enoja é essa plastificação excessiva do áudio. Não precisa prestar muita atenção pra notar o auto-tune descarado, dessa vez não para criar aquele efeito de robô em curto-circuito, mas para simular uma afinação perfeita, sobre-humana da pequena Alana. O super-homem de Nietzsche na sua pior forma.

E não é só a voz, mas todos os instrumentos são todos muito corretos. Essa perfectibilidade me assusta, porque é uma robotização extrema. Claro, tudo o que está no YouTube é digitalizado, mas nesses casos o produto passou por tantos softwares de correção é pufiricação do áudio que chegam num patamar de semelhança àqueles demos dos antigos teclados Casio.

Não é insuportável porque irrita, mas porque é excessivamente neutro. Pra mim isso é a morte do som, é mais fraco do que o silêncio.

Se querem ouvir e ver algo que realmente irrita (pelo bem ou pelo mal, dependendo do seu gosto), eu recomendo um Daniel Johnston em sua fase decadente:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=rxQPeC_yr-M]