A música das plantas e a escuta na era do multitasking

Ensaio fabulatório apresentado no 1º Congresso therolinguísta: a(na)rqueologias da Terra, 24 de novembro de 2021
Link para a apresentação em vídeo

Por
Marcelo B. Conter e Lígia Lazevi

Resumo: Navegando pelo YouTube em busca de playlists para estudar e trabalhar, nos deparamos com um vídeo de Shane Mendonsa em que uma muda de manjericão e uma série de sintetizadores ocupam a tela. Captadores de contato presos aos galhos da planta conduzem variações de resistência elétrica a um aparelho de bio sonificação, que por sua vez alimenta uma série de equipamentos de síntese modular. O resultado é uma paisagem sonora onírica, apaziguadora e com toques de trilha de filme de ficção científica, remetendo às peças de ambient music de Brian Eno (excelente para ouvir enquanto ingressamos na décima segunda hora seguida de trabalho, fechando aquele freela para um cliente que polui o meio ambiente). Pretendemos especular sobre as maquinações decorrentes dos arranjos entre plantas, músicos, aparelhos de síntese modular e ouvintes ansiosos e estressados, refletindo em especial sobre novas técnicas de audição que se desenvolvem no tempo presente: uma apreciação musical enquanto se faz outra coisa, uma escuta multitasking, decorrente da impossibilidade de dispor de tempo livre para o ócio e o entretenimento devido à precarização do trabalho e aceleracionismo.

Nosso estudo parte do canal do YouTube do artista Shane Mendonsa, que vem fazendo parceria com artistas não-humanos, mais especificamente plantas artistas, na produção de música. Isto é possível graças a um aparelho de bio sonificação, neste caso o aparelho empregado é o Scíon Instruo, capaz de converter as diferenças de resistência elétrica que toda planta viva produz. O sinal em seguida passa por diversos outros aparelhos de síntese modular para gerenciar a frequência que certos samples serão executados, o que resulta numa espécie de música generativa. A música generativa é um método de composição que se organiza em um centro de gravidade tonal e produz variações de modo randômico. Mas, com a planta atuando como “programa”, temos uma outra ordem de composição. Nesse arranjo, quem é o compositor? Lembremos do editorial escrito pelo presidente da associação de Therolinguística, publicado no volume de 1974, quando se pergunta sobre “o que é Arte?”:

[Sobre “o que é Arte?”, Tolstoi] respondeu com firmeza e clareza: Arte também é comunicação. Essa resposta, creio eu, foi aceita sem revisão ou crítica pelos therolinguistas. Por exemplo: por que os therolinguistas estudam apenas animais? Ora, porque as plantas não se comunicam. […] [Mas e] se a arte não for comunicativa? Ou, se alguma arte for comunicativa e outras não? […] Ainda não erguemos nossos olhos para os horizontes mais vastos que temos diante de nós. Não enfrentamos o desafio quase aterrorizante da Planta. Se existe uma arte vegetal não comunicativa, devemos repensar os próprios elementos de nossa ciência e aprender todo um novo conjunto de técnicas. Isso está provado conclusivamente pelo fracasso – um nobre fracasso – dos esforços do Dr. Srivas, em Calcutá, usando a fotografia time-lapse, para produzir um léxico do Girassol. Sua tentativa foi ousada, mas fadada ao fracasso. Pois sua abordagem era cinética – um método apropriado para as artes comunicativas da tartaruga, da ostra e do bicho-preguiça. Ele via a extrema lentidão do movimento das plantas, e apenas isso, como o problema a ser resolvido.

O erro do Dr. Srivas, em sua pesquisa em Calcutá, foi o de pensar na cinética única e exclusivamente como um campo de estudos da física. Pela cinética musical, por exemplo, Srivas poderia ter refletido sobre a resistência elétrica do girassol como um devir musical latente na planta – portanto – uma arte comunicativa passional. Nos anais da  CIPS II , em 2021, em trabalho em parceria com o colega André Araujo, lembramos do agente da CIA Cleve Backster, que experimentou conectar os receptores de um polígrafo nas folhas de plantas. Ele reconheceu variações de resistência elétrica ao interagir com os vegetais. Ora, o som que é capturado por um microfone comum é convertido em pulsos elétricos análogos à onda sonora. É possível, portanto, “conectar” uma planta a instrumentos musicais elétricos e eletrônicos, como amplificadores e aparelhos de síntese modular.

Talvez o Dr. Srivas não tenha obtido acesso a esta tecnologia na época, mas alguns membros da associação já vinham experimentando agenciamentos entre seus corpos, aparelhos de síntese modular e cogumelos para a produção de música. O problema é que na época estudava-se a possibilidade de uma arte musical passiva produzida pelos micélios quase que exclusivamente consumo dos fungos, na forma de chá ou in natura, para em seguida tocar rock progressivo em sintetizadores, como nosso associado Keith Emerson bem tentou junto de seus amigos Greg Lake e Carl Palmer. Não havia, também, na época, uma tecnologia que permitisse uma tradução da resistência elétrica das plantas em pulsos sonoros. Mas tudo era uma questão de tempo, como nosso presidente já previa nos anos 1970:

No entanto, prevejo com alguma certeza de que [A Arte da Planta] existe e que, quando for encontrada, provará ser, não uma ação, mas uma reação: não uma comunicação, mas uma recepção. Será exatamente o oposto da arte que conhecemos e reconhecemos. Será a primeira arte passiva que conheceremos.

O que encontramos não é exatamente o que o presidente imaginava, mas passou muito perto. Se não vejamos: não sabemos ainda se essas plantas, ligadas ao Scíon Instruo, são seres conscientes, mas nota-se claramente que não estão “tocando” os instrumentos musicais – portanto, não são ativas. Mas, como seres vivos, o que faz com que a música se desenvolva, produza variações de intensidade, é o elã vital das plantas: sua luta por um lugar ao sol, seu esforço ao realizar a fotossíntese, as mudanças de estado do corpo, linhas de fuga e adaptações ao ambiente, a variações climáticas que vão deixá-la mais ou menos hidratada, tudo isto afeta os sons que ouvimos, porque a variação de resistência elétrica da planta nada mais são que sinais vitais. Podem não ser especificamente da planta, mas certamente são sinais vitais de Gaia, como veremos no exemplo a seguir. Há uma transdução – conversão de resistência elétrica conduzida pelo corpo da planta em pulso elétrico conduzido por fios de cobre – seguida de uma tradução – conversão do ritmo biológico da planta em ritmo de ritmos sonoros. É uma tradução de suas paixões alegres. Ela não sabe que sua força vital está sendo traduzida. Quer dizer, ainda não temos ferramentas científicas que sejam capazes de reconhecer se as plantas conseguem produzir música, ou ao menos controlar suas variações de resistência elétrica com o intento de controlar o pulso musical que ela mesma está produzindo. Como propõem Deleuze e Guattari (2010), uma planta pode produzir blocos de sensações a partir de sua própria semiose, sem depender necessariamente de um interpretante que lhe é externo, como uma pintura a óleo.

A planta contempla contraindo os elementos dos quais ela procede, a luz, o carbono e os sais e se preenche a si mesma com cores e odores que qualificam sempre sua variedade, sua composição: é sensação em si. (DELEUZE; GUATTARI, 2010, p. 250)

 Nesse vídeo, Shane Mendonsa conectou um pé de eucalipto que estava murcho, quase morto, ao Scíon Instruo e conseguiu um pulso elétrico estável. Num outro dia foi tentar conectar novamente e só conseguiu ligando os captadores mais perto da raiz. Tocos de madeira tratadas não produziram pulso algum, mas esta planta ainda tinha energia. Notem, colegas therolinguístas, que mesmo uma planta “quase-morta” é capaz de emitir resistência elétrica.

O arrepio de uma pena; o deslocamento de uma asa; o toque, o toque leve e quente daquele ao seu lado. Na solidão indescritível, miserável e escura, a afirmação. Na ausência, presença. Na morte, vida – D. Petri

Nos perguntamos, no entanto, se talvez a carga elétrica não esteja sendo emitida por uma rede micelial que está decompondo o eucalipto por dentro, sendo então o eucalipto só mais um dentre vários agentes do elã vital de Gaia. Mas aí já não estamos mais falando de uma música das plantas, e sim de uma música da mecanosfera.

De todo modo, se as plantas são passivas na produção desse material artístico, se elas são reféns desse agenciamento, os aparelhos de síntese modular também são. Eles precisam do input das plantas para acionar os samples, o que só ressalta a importância de nossa epistemologia para acabar de vez com o iluminismo que nos leva em direção acelerada ao fim da sociedade industrial. Nem a pandemia foi capaz de frear o aumento da poluição. Alguns oportunistas falam de industrialização 4.0, mas o fato é que nenhum rebranding do período histórico mudará a rota que tomamos no século XIX. Até parece que superamos a queima de carvão e a exploração do proletariado que fundamentaram o dito “estágio 1.0”.

Desculpem pela digressão. Após meses frente às telas trabalhando das oito da manhã até a meia noite, lendo emails durante o café da manhã e a janta, o multi-tasking virou um modo de pensar.

Voltando ao assunto da fala de hoje: Tem algo delicado nessas peças publicadas por Shane Mendonsa, no modo como a câmera é posicionada, fixa, apresentando o rack de aparelhos de síntese modular em primeiro plano e a planta ao fundo, colocando os aparelhos entre nós, ouvintes humanos e as plantas. [babel fish] Os aparelhos musicais aparecem como uma espécie de peixe de Babel, agora com a função de transdutores de sensações.

O que nos coloca em comunicação com as plantas é o sintetizador articulado com o polígrafo como um agente de comunicação aberrante, como a vespa que poliniza as orquídeas. Os estudos de André Araujo, em especial em sua sistematização do pensamento de Gilles Deleuze em busca de uma teoria da comunicação, nos ajudam a entender como torna-se possível para nós, therolinguístas, reconhecer uma arte passiva das plantas:

O logos seria como um animal, operando de acordo com uma ideia anterior acerca de sua funcionalidade – acoplamentos e reprodução. As plantas, por outro lado, seriam a expressão do antilogos, o pathos, no qual nenhuma totalização orgânica é possível. A vespa acaba tornando-se algo que não ela mesma do ponto de vista do logos, diferencia-se de si em sua dimensão animal para compor peça no aparelho reprodutor da planta, que incita esse devir por seu próprio hermafroditismo. A separação fundamental entre os sexos das plantas cria uma situação de não-comunicação, na qual é preciso intervir um elemento disparatado para inventar essa comunicação. (ARAUJO, 2020, p. 130)

Ainda que se possa colocar certo controle da obra musical nas mãos do agente humano Shane Mendonsa, vale observar as descrições de seus vídeos. Para cada planta, ele sente a necessidade de modificar os valores dos aparelhos de síntese para que se produza uma música que seja interessante para a apreciação de humanos. É preciso que o sintetizador se organize de tal forma que seja possível tal acoplamento aberrante entre vasos não-comunicantes.

Assim, nota-se que não se trata de arte passiva, mas de uma série de contágios entre os agentes envolvidos, como bem observamos na sexta-feira com o relatório sobre os fungos praticantes de intervenção artística de Tuane Eggers. Não podemos simplesmente apontar para os elementos de outros reinos e acusá-los de artistas sem perceber que nós pesquisadores e nossas ferramentas de tradução e transdução também entram nesta intrincada rede de agenciamentos para produzir arte.

Vamos pensar, a seguir, em como este tipo de música se manifesta no tempo presente.

Elaboradas com poucas variações dinâmicas, arranjos aconchegantes e ritmos estáveis, acaba por se aproximar do que estamos compreendendo por música ambiente contemporânea. Avançando nas propostas de Erik Satie, George Squier e Brian Eno, a música ambiente contemporânea também ocupa os silêncios constrangedores, compromete-se com o consumismo capitalista e pretende-se interessante tanto quanto ignorável, mas dá um passo além ao se pretender como um elixir contra a ansiedade que assola os seres humanos na era do capitalismo tardio. Até há pouco, estávamos familiarizados com versões high-tech como o vaporwave, o lo-fi hip hop, a música binaural e a música generativa, elaboradas por samples, arquivos eletrônicos e complexos algoritmos informáticos, acompanhando a utopia tecnocrata dos anos 1980 e 1990, distanciando-se da semiótica de variação contínua de Gaia, preferindo uma semiótica do eterno imutável da memória computacional, tal como o sonho de transferir a consciência para as infovias. Se assim fosse, que emprego teríamos neste delírio coletivo que não fosse o de servir de baterias para manter os computadores energizados? Com a música das plantas, a música ambiente freia tal pulsão de morte dos corpos orgânicos humanos para uma reconexão científica com Gaia.

Considerações finais

Nossos estudos confidenciais em conluio com a CIA, quando tentávamos descobrir com polígrafos se as plantas tinham de fato sentimentos, bem como os ensaios clínicos para conexão com Gaia por meio do consumo de psilocibina, que foram desenvolvidos única e exclusivamente com o intuito de resolver o problema de pesquisa proposto pelo nosso presidente, foram deturpadas pelos dissidentes da Associação que foram morar em San Francisco. Transformaram nossa ciência em um estilo de vida! Hippies catando cogumelos no meio do esterco ouvindo Jefferson Airplane e Yuppies criando esquemas de pirâmide vendendo óleos essenciais extraídos das plantas. Como se os vegetais se importassem com nossos desbalanços químicos! Enfim, o ser humano e sua insistência em achar que Gaia compensará suas intempestividades. Hoje sabemos que ela não tem poder de cura, e sim poder de contágio – contágio therosemiótico, é claro. Nós somos os poucos alunos que prestaram atenção na aula do Professor Challenger. Há toda uma semiótica da Terra esperando ser explorada e traduzida para diferentes idiomas.

Foi só quando resolvemos nos comunicar com a natureza aceitando nossa ação tecnocolonizante, isto é, vestindo nossos aparelhos de síntese modular com uma pele de vespa, é que nos foi possível enfim reconhecer a arte das plantas – não uma arte passiva, mas uma arte contagiante. Infelizmente para chegar a esta etapa milhões de humanos foram mortos: ironicamente, o sintetizador é resultado de tecnologias de decodificação de mensagens da Segunda Guerra Mundial e de técnicas de mineração desenvolviaos nas primeiras e segunda revoluções industriais. Exploramos a Terra nos dois sentidos da palavra. Paradoxos da ciência empírica.

Assim, nossas hipóteses iniciais naquele volume da revista de Therolinguística de 1973 fecham, hoje, um círculo completo: ainda não nos comunicamos com as plantas tal como nos comunicamos entre nós, mas já conseguimos produzir comunicação com elas, graças a um agente de transdução: o sintetizador, que, propomos, passe a ser considerado como ferramenta científica. Propomos que ao final do encontro, na sessão de encaminhamentos, que se adicione à pauta a aquisição de Moogs, Korgs, Rolands e Instruos para nossos laboratórios.

Referências

ARAUJO, André C. S. Deleuze e o problema da comunicação. Tese de doutorado apresentado à banca examinadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCOM-UFRGS) como requisito para obtenção do título de doutor. 2020. 175f.

BACKSTER, Cleve. Primary Perception: Biocommunication with plants, living foods, and human cells. White Rose Millennium Press, 2003.

EGGERS, Tuane. A poética dos fungos. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para obtenção do título de mestre em Artes Visuais. 2021. 187f.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Felix. O que é a filosofia? São Paulo: Editora 34, 2010.

EDITORIAL. Pelo Presidente da Associação de Therolinguística. Anúncio de uma expedição. Revista da associação de Therolinguística. Ano 12, vol. 1. Berkeley, 1973. p. 3-6.

PETRI, D.  Anúncio de uma expedição. Revista da associação de Therolinguística. Ano 12, vol. 1. Berkeley, 1973. p. 32-40.

SHANE Mendonsa. Canal do YouTube. https://www.youtube.com/channel/UCpjl7axNrHYPh53gezouYxA. Acesso em 23 nov. 2021.

SRIVAS, A. Time-lapse photography: towards a sunflower lexicon. Revista da associação de Therolinguística. Ano 8, vol. 3. Berkeley, 1969. p. 62-75.

Artigo publicado: Semioses afetivas da música ambiente em playlists do YouTube

Essa semana a revista e-Compós publicou sua edição de 2024, contando com um texto escrito por Marcelo Bergamin Conter, derivado de pesquisa que ele coordenou na época em que era professor no IFRS Campus Alvorada.

Clique aqui para acessar o artigo

O presente pretende, a partir de uma pesquisa exploratória inicial, edificar um arcabouço teórico para a investigação de playlists de música ambiente publicadas no YouTube. É desenvolvido o conceito de semioses afetivas do timbre, agenciamentos sonoros que produzem signos políticos, culturais, tecnológicos e de linguagem a partir das afecções entre ouvintes e sonoridades. A natureza transdisciplinar de nosso arranjo teórico nos provoca a recorrer a metodologias alternativas, provenientes da musicologia, da etnomusicologia e da acústica, para que se avance na investigação de hábitos de escuta de música ambiente em estudos de caso futuros.

A produção musical nos canais do YouTube (5/5)

Nos vídeos que estamos aqui analisando, muitas estratégias permanecem as mesmas: tanto Julia Nunes quanto a Pomplamoose fazem várias versões de músicas famosas. E se quando vamos a um show de uma banda desconhecida, as versões ajudam a entender as influências e propostas estéticas da banda, no YouTube o que acontece é que descobrimos a banda ao buscar pelo vídeo original, e a versão deles acaba aparecendo. Muitos conheceram Julia Nunes porque procuravam pelos Beach Boys. Daí para assistir as músicas próprias dela nos vídeos relacionados é um pulo. Os músicos também têm a noção de que os canais servem mais para quem realmente se interessou no seu trabalho. A atenção é chamada primeiro via palavras-chave. Depois, o músico tenta convencer, no final do vídeo, ao falar com o espectador, que assine seu canal e veja outros vídeos. O que Boyd fala sobre a busca na web também se aplica neste caso:

No mundo digital, costumamos usar a busca para procurar estranhos com concepções similares do mundo. Nós decoramos nossos blogs e vagamos por outros blogs como flaneurs digitais. A blogosfera é a esfera pública imaginada, o lugar habitado por todos os corpos públicos digitais (2006, p. 19, tradução minha).

Assim como é comum em blogs os autores adotarem uma postura firme e manter um estilo de escrita, em boa parte dos trabalhos dos músicos citados neste artigo, podemos encontrar na totalidade de seus vídeos estéticas e técnicas que se repetem. No Pomplamoose, é o VideoSong; no Songs From a Hat, é o desafio de fazer uma música em cima de uma ideia absurda; nos vídeos da Julia Nunes, um primeiro plano tomado da web cam de seu notebook em que ela aparece cantando e tocando seu ukulele. Todos eles repetem a ideia desenvolvida por Lasse Gjerten em Amateur, de montar as canções no software de edição de vídeo, sem fazer playback. Essas propostas se repetem incessantemente em cada vídeo, e por fim o que parece mudar efetivamente são apenas as canções. “O que o público aprecia nessa espécie de consumo não é, em última instância, o fator ‘originalidade’, mas sim, talvez, ‘a repetição e suas mínimas variações’” (ECO apud FELINTO, 2008, p. 39).

É comum na web a exploração intensa de memes (eventos que são rapidamente disseminados pela rede). Em 2007, um vídeo em que aparece o personagem Seu Madruga do seriado Chaves cantando, mas com o áudio da música Florentina do artista brasileiro Tiririca desencadeou não só milhões de exibições, mas estimulou que muitos outros usuários usassem as mesmas imagens para fazer Seu Madruga cantar dezenas de outras canções. E este é só um exemplo; o mesmo ocorreu e continua ocorrendo com vários outros memes. Mais recentemente, um videoclipe novo da banda Radiohead em que o vocalista Thom Yorke aparece dançando freneticamente foi utilizado da mesma forma que com o Seu Madruga, resultando em vídeos nos quais o músico aparece dançando ao som de Single Ladies, Dancing Queen e até o tema de carnaval da Globo.

Como podemos notar, estamos diante de um cenário que abre novos caminhos para a música se manifestar, sofrendo irritações principalmente dos modelos de blog e rede social. Caminhos abertos por artistas ingênuos, que talvez pouco tenham estudado música ou audiovisual, mas estão na ponta da vanguarda, invertendo os tradicionais valores culturais. São tendências nestes vídeos o amadorismo, a agilidade, a baixa definição, o representar a si mesmo ao invés de representar o mundo. Sem dúvida estas são características compartilhadas com vídeo blogs e blogs escritos.

Referências Bibliográficas

BOYD, Danah. A blogger’s blog: exploring the definition of a medium. IN: Reconstruction: studies in contemporary culture, v. 6, n. 4, pp. 1-19, 2006. Disponível em: <http://reconstruction.eserver.org/064/boyd.shtml>. Acesso em 11 abr. 2011.

FELINTO, Erick. Videotrash: o YouTube e a cultura do “spoof” na internet. Revista Galáxia, São Paulo, n. 16, p. 33-42, dez. 2008.

A produção musical nos canais do YouTube (4/5)

Tanto Abby Simmons como Pomplamoose registram seus vídeos em casa, na sala, na cozinha, no quarto, mostrando, após as canções, o “backstage” de seus vídeos: a vida cotidiana, o que dá uma característica intimista, um efeito reality show. Em paralelo, a ideia de que blogs são como diários íntimos é muito forte. Mesmo hoje, após o crescimento exponencial dos blogs jornalísticos, literários e outros, é comum a exposição íntima por muitos usuários. E nos vídeo blogs musicais não é diferente, como podemos ver. Mesmo os músicos que estariam preocupados mais em divulgar seu trabalho sucumbem à tentação de exibir um pouco de sua “vida real”.

Essa atitude de não sair do quarto faz lembrar Kilpp (2006, p. 10) quando fala da televisão. Para a autora, na maior parte do tempo, ao invés de a TV espelhar a sociedade, ela tem um espelho voltado para si, como acontece em programas como Video Show, TV Fama, Studio Pampa e Big Brother Brasil. A TV imagina a TV. É o que acontece também com os vídeo blogs e seus produtores: estão todos criando um universo à parte do mundo dito “real”, “offline”, como num sonho adolescente, fabricado por adultos que não querem envelhecer: “meu quarto, minhas regras”. Fugindo um pouco da música, não dá pra não mencionar os vloggers brasileiros de sucesso, como Ronald Rios e P. C. Siqueira: ambos num primeiro momento parecem falar com o internauta, mas ao ultrapassarmos a opacidade do teor conteudístico3, vemos que não passa de uma construção de imaginários. “É isso que, com a TV, estamos a perceber: que a nossa é uma época de espelhos virados” (KILPP, 2006, p. 10). Adicionemos aí os vídeo blogs.

Quando Julia Nunes (outro exemplo de sucesso, que faz seus vídeos usando o mínimo de software e apenas sua voz, um ukulele e alguns truques de montagem) faz vozes de fundo ao gravar uma versão de God Only Knows dos Beach Boys4, é interessante notar que na maior parte do tempo ela olha para a webcam (abaixo, à esquerda), mas às vezes desvia rapidamente o olhar para baixo (à direita).

 


 

Ela está olhando a sua própria imagem capturada, que aparece espelhada no monitor de seu notebook durante a gravação, cacoete que se repete durante a performance de muitos outros vloggers. Eis os espelhos virados da TV aparecendo em um novo formato. Se em reality shows como o Big Brother, em que as câmeras ficam escondidas por detrás de espelhos vazados, como os de inquérito policial, nos vídeo blogs eles são espelhos digitais, que permitem que o autor do vídeo seja diretor de si mesmo. Ele pode fazer tudo sozinho.

Isso exerce uma influência enorme nos modos de produção dos músicos. Repare que tanto Lasse Gjersten em Amateur, quanto nos VideoSongs da Pomplamoose, e nos vídeos de Julia Nunes, Tay Zonday e Abby Simmons, não estamos mais tratando de videoclipes no sentido tradicional do termo, porque as imagens que nos são mostradas foram tomadas exatamente no momento em que foram gravados os áudios. Não há playback. É um híbrido, uma performance “gravada ao vivo”. Todos eles não estão apenas se preocupando com a afinação, mas com o enquadramento também (o que deixa o vídeo ainda mais intimista).

Entendendo que os vloggers colocam “um espelho voltado para si diante da lente da câmera”, não é de se estranhar que, mesmo com todo o sucesso que os músicos de vídeo blogs conseguem, acabam estabelecendo parcerias justamente com outros vloggers, como se esse espelho fechasse as janelas para “o mundo lá fora”. A Pomplamoose praticamente atravessou os Estados Unidos de carro para encontrar Julia Nunes para gravarem canções juntos. É como aquela máxima “blogueiro cita blogueiro” (MALINI, 2008): eles não precisam da indústria fonográfica nem de outras mídias para se divulgar. Basta um linkar o outro. Isso demonstra a força do YouTube como rede social: pessoas com ideais comuns acabam se aproximando e se conhecendo, estabelecendo parcerias criativas.

Referências Bibliográficas

KILPP, Suzana. Panoramas especulares. In: UNIrevista, São Leopoldo, Vol. 1, n° 3, julho 2006.

MALINI, Fábio. Por uma Genealogia da Blogosfera: considerações históricas (1997 a 2001). In: XIII CONGRESSO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO NA REGIÃO SUDESTE, 2008, São Paulo, Anais, 2008, São Paulo: 2008.

A produção musical nos canais do YouTube (3/5)

Quando se trata de blogs, uma das definições mais aceitas entre pesquisadores é a da organização cronológica: “as últimas atualizações aparecerem no início do site e as mais antigas abaixo, e cada bloco de texto é obstinadamente encabeçado pela data (e horário) da publicação” (SIBILIA, 2005, p. 48). Nos canais do YouTube, a ordem cronológica está lá no registro de cada vídeo, mas não é relevante para os músicos. O vídeo atual é destaque, mas os antecedentes não aparecem em ordem cronológica na barra direita. E mesmo que estivessem, pelo menos para boa parte dos músicos, não faria muita diferença – afinal, as canções devem ser atemporais – o usuário navega pelos vídeos dos canais como navega por um CD, de faixa em faixa.

Mas há também os músicos que tentam evidenciar uma cronologia em seu trabalho, como exemplo do canal Songs from a hat, de Abby Simons, cujo projeto, finalizado, utilizava um método de criação de músicas desafiando seus assinantes: em vídeos musicais de periodicidade semanal, sugere ao espectador inserir um possível título de música nos comentários do vídeo. Na semana seguinte, ela imprime os títulos sugeridos em tiras de papel, as coloca em um chapéu, e sorteia uma, que será tema e título de uma música que ela deve compor e publicar no YouTube em uma semana. O projeto terminou no 35º episódio. Sabendo que o YouTube não indica a data dos vídeos, especialmente na busca, Abby os numerou em seus títulos.

Embora os músicos tenham de recorrer a artifícios para explicitar que seu canal é um vídeo blog, no topo de cada vídeo aparece o nome do canal. Mesmo quando o usuário não acessa o canal, ele exerce sob o vídeo uma espécie de “entidade”, o significa, o emoldura (KILPP, 2005). Como acontece muito de um mesmo vídeo ser duplicado por outros usuários (o que acontece mais com digitalizações de programas da TV), funciona como uma espécie de assinatura do autor do vídeo, a garantia de que foi feito por ele.

Referências bibliográficas

KILPP, Suzana. Mundos televisivos. Porto Alegre: Armazém Digital, 2005.

SIBILIA, Paula. A vida como relato na era do fast-forward e do real time: algumas reflexões sobre o fenômeno dos blogs. Em Questão, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 35-51, jan./jun. 2005.

 

 

 

 

A produção musical nos canais do YouTube (3/5)

Quando se trata de blogs, uma das definições mais aceitas entre pesquisadores é a da organização cronológica: “as últimas atualizações aparecerem no início do site e as mais antigas abaixo, e cada bloco de texto é obstinadamente encabeçado pela data (e horário) da publicação” (SIBILIA, 2005, p. 48). Nos canais do YouTube, a ordem cronológica está lá no registro de cada vídeo, mas não é relevante para os músicos. O vídeo atual é destaque, mas os antecedentes não aparecem em ordem cronológica na barra direita. E mesmo que estivessem, pelo menos para boa parte dos músicos, não faria muita diferença – afinal, as canções devem ser atemporais – o usuário navega pelos vídeos dos canais como navega por um CD, de faixa em faixa.

Mas há também os músicos que tentam evidenciar uma cronologia em seu trabalho, como exemplo do canal Songs from a hat, de Abby Simons, cujo projeto, finalizado, utilizava um método de criação de músicas desafiando seus assinantes: em vídeos musicais de periodicidade semanal, sugere ao espectador inserir um possível título de música nos comentários do vídeo. Na semana seguinte, ela imprime os títulos sugeridos em tiras de papel, as coloca em um chapéu, e sorteia uma, que será tema e título de uma música que ela deve compor e publicar no YouTube em uma semana. O projeto terminou no 35º episódio. Sabendo que o YouTube não indica a data dos vídeos, especialmente na busca, Abby os numerou em seus títulos.

Embora os músicos tenham de recorrer a artifícios para explicitar que seu canal é um vídeo blog, no topo de cada vídeo aparece o nome do canal. Mesmo quando o usuário não acessa o canal, ele exerce sob o vídeo uma espécie de “entidade”, o significa, o emoldura (KILPP, 2005). Como acontece muito de um mesmo vídeo ser duplicado por outros usuários (o que acontece mais com digitalizações de programas da TV), funciona como uma espécie de assinatura do autor do vídeo, a garantia de que foi feito por ele.

Referências bibliográficas

KILPP, Suzana. Mundos televisivos. Porto Alegre: Armazém Digital, 2005.

SIBILIA, Paula. A vida como relato na era do fast-forward e do real time: algumas reflexões sobre o fenômeno dos blogs. Em Questão, Porto Alegre, v. 11, n. 1, p. 35-51, jan./jun. 2005.

 

 

 

 

A produção musical nos canais do YouTube (2/5)

Seguimos a empreitada para compreender os canais do YouTube como redes sociais que colaboram nas estratégias dos músicos.

Acesse o canal do YouTube da banda Pomplamoose. Repare que ele, como todos os outros, é dividido em duas metades, que mostram as possibilidades de navegação como rede social/blog: na primeira, que mostra o topo do canal, como muitos blogs, possui um cabeçalho com logotipo, seguido do vídeo (post) mais recente, com links ao lado para posts anteriores.

Logo abaixo, vem o perfil do canal, num formato mais similar ao de uma rede social como o MySpace: à esquerda, foto do perfil e as possibilidades de adicionar como amigo, dados e estatísticas e outras informações. À direita, os canais pessoais dos músicos e outros trabalhos paralelos, seguido dos canais que a banda assina, os usuários que assinam o canal, e enfim uma lista de comentários do canal.

Esse misto de blog e rede social começa a gerar perguntas: afinal é um ou outro? Essas definições que tentamos dar acabam diluídas nas práticas. No MySpace, por exemplo, há a opção de inserir um blog em seu perfil, com espaço até para comentários. Em contrapartida, Playlists do MySpace podem ser incorporadas aos blogs, e assim por diante. As redes sociais vêm apresentando funções umas das outras para tentar manter o usuário o maior tempo possível logado nelas. E nessa “diluição das definições”, alguns espaços da web que não eram entendidos nem foram elaborados como redes sociais, acabam sendo

apropriados pelos atores com este fim. É o caso do Fotolog, dos weblogs, do Twitter, etc. São sistemas onde não há espaços específicos para perfil e para a publicização das conexões. Esses perfis são construídos através de espaços pessoais ou perfis pela apropriação dos atores. […] weblogs não são sites de redes sociais, mas podem ser apropriados como espaços de construção e exposição dessas redes. (RECUERO, 2009, p. 103)

No YouTube aconteceu o contrário. Ele possui todos os elementos que uma rede social necessita, mas o uso predominante é como repositório. Se resta alguma dúvida de que o YouTube é uma rede social, basta lembrar a definição de Boyd & Ellison para redes sociais. São “aqueles sistemas que permitem i) a construção de uma persona através de comentários; ii) a interação através de comentários; e iii) a exposição pública da rede social de cada ator” (apud RECUERO, 2009, p. 102). O YouTube permite as três.

Pois bem, se tanto os blogs quanto o YouTube são redes sociais, se cada vídeo recebe registro de data e hora quando é postado, e se há espaço para comentários em cada “post” (URL individual do vídeo), deve haver menos distinção entre um canal do YouTube e um blog específico do que imaginamos. Nos parece que fazer essa comparação, encontrando semelhanças e diferenças entre um e outro, seja um atalho para compreender os canais, dado a raridade de pesquisas científicas tanto sobre estes como qualquer tipo de vídeo blog.

Está bem claro que um canal do YouTube pode ser considerado um vídeo blog, desde que tenha algumas características específicas, que vão variar de acordo com o uso que o músico vai fazer do canal. Nos faz lembrar do texto de Boyd, quando ela mostra que se olharmos para as práticas, os blogs não são somente um gênero, mas uma mídia através da qual a comunicação acontece (2006, p. 19). Então, as práticas e a expressão dos usuários interferem e constituem o que entendemos por blogs (idem, p. 11).

Referências Bibliográficas

BOYD, Danah. A blogger’s blog: exploring the definition of a medium. IN: Reconstruction: studies in contemporary culture, v. 6, n. 4, pp. 1-19, 2006. Disponível em: <http://reconstruction.eserver.org/064/boyd.shtml>. Acesso em 11 abr. 2011.

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.


A produção musical nos canais do YouTube (1/5)

Quando eu fiz a disciplina “Blogs e Ecadeamento Midiático”, ministrada por Alex Primo no PPGCOM UFRGS em 2010/1, produzi um artigo como trabalho final. O resultado será publicado online, neste blog, partido em cinco posts. Não há relação direta com a minha pesquisa “Imagem-música em vídeos para web”, mas colaborou no esclarecimento de algumas questões que tinha do YouTube.

Resumo: Esta sequência de posts observa canais de músicos amadores do YouTube de modo a compreender como o ambiente do site interfere na produção musical e nas estratégias dos músicos. Entendendo os canais como vídeo blogs, pretende ainda lançar um novo olhar para o YouTube ao encará-lo não só como repositório de audiovisuais, mas também como uma rede social onde amadores, livres da lógica da indústria fonográfica, criam novas práticas e estéticas musicais.

Enquanto assistia aos vídeos da dupla Pomplamoose, resolvi acessar seu canal no YouTube ao invés de pesquisar por busca ou por vídeo relacionado, como normalmente fazemos. Nele, é possível navegar entre suas produções, acessar o iTunes para comprar suas canções, descobrir as relações que estabeleceram com outros usuários do YouTube que também são músicos, ver o desenvolvimento do grupo a cada vídeo postado e entender melhor a proposta dos VideoSongs. Acabei descobrindo diversas coisas que a maior parte dos usuários não acessa.

É estranho notar como não se dá atenção para os canais do YouTube: a somatória de exibições de vídeos postados pelo Pomplamoose passa dos 53 milhões (dados de abril de 2011), enquanto os de visualização de seu canal mal passaram os 6 milhões. Essa relação é similar em outros canais de músicos. Mas são eles que evidenciam boa parte das inovações que a música vem sofrendo pelo portal. Daí a importância de não entendê-lo apenas como um repositório de audiovisuais.

Acontece que canais são ambientes que ficam um pouco escondidos pela navegação. A ação comum do usuário que busca por vídeos, independente de possuir login ou não é navegar pela busca ou por vídeos relacionados, sem acessar canais. E assim, raramente se entra nos canais de usuários. Mas para artistas o canal exerce uma função fundamental, reunindo todos seus trabalhos e criando assim um conceito mais forte para sua obra. Normalmente se ignora a questão de que o autor que publica um vídeo está, automaticamente, compondo seu canal no YouTube, que, por sua vez, independente das intenções desse usuário, acaba agenciando sentidos.

O autor de vídeos musicais é incentivado a produzir e a criar por motivos bem diferentes dos da indústria fonográfica. Ao postar um vídeo, espera-se que seja comentado, seja compartilhado, receba vídeos-resposta, incentive as pessoas a comprarem suas músicas no iTunes. Liberto da lógica da indústria fonográfica, agora, ele produz e pensa sua produção para uma rede social de compartilhamento de vídeos.

Aliás, a produção científica também ignora o fato de que o YouTube é uma rede social. No final do livro de Raquel Recuero (um dos poucos) sobre o assunto (2009), a autora cita algumas das principais redes, como o Orkut e o Twitter, mas não cita o YouTube, que atualmente é o segundo site mais acessado do mundo, só perdendo para o Facebook. É preciso lembrar que para postar um vídeo, para comentar, para receber atualizações por email, é preciso criar um login, que automaticamente cria um canal. E mesmo para o usuário sem login, que só assiste a vídeos, ele está vendo um resultado de artistas que produziram vídeos pensando nas possibilidades de compartilhamento e interação que o YouTube proporciona.

No próximo post, vamos tratar dessa ideia de encarar o YouTube como rede social.

Referências Bibliográficas

RECUERO, Raquel. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009.

Resumen del artículo "El doble estatuto de la Música en los VideoSongs"

El doble estatuto de la Música en los VideoSongs

In: GUAL, I. B. et al. Actas del IV Congreso internacional sobre análisis fílmico: Nuevas tendencias e hibridaciones de los discursos audiovisuales en la cultura digital contemporánea, Universitat Jaume I, Castellón, Espanha. Ediciones de las ciencias sociales, Madrid, 2011. ISBN: 978-84-87510-57-1

Marcelo Bergamin Conter
Alexandre Rocha da Silva

El artículo se propone a discutir el estatuto de la música en vídeos para web, pensando la producción del sentido a partir de las actualizaciones de la música en todos los elementos del audiovisual, incluso en aquellos no-reconocidamente musicales. Foca los videosongs del grupo Pomplamoose, dirigidos por Jack Conte.

El videosong es un método de edición de vídeos musicales que subvierte la lógica del mercado de la industria fonográfica: diferente del videoclip televisivo tradicional, en que los músicos hacen playback de canciones pré-grabadas, las imágenes de ellos tocando son capturadas en el mismo momento en que el sonido de cada instrumento es grabado. Las trillas de audio son entonces sincronizadas y sobrepuestas en editor de audio, donde son mixadas, y después son sincronizadas con las imágenes en software de edición de vídeo. El resultado en la trilla musical es una canción tradicional, pero en la trilla de imagen, la edición imita las estructuras musicales – es dotado de una musicalidad.

Al asistir a los vídeos hospedados en el canal del YouTube del grupo Pomplamoose, surgieron para nosotros algunas cuestiones: los planos tardan mientras tarda la nota, o son cortados para que la frase musical pueda tardar? Algunas imágenes, que tardan menos de un segundo, al ser montadas en secuencia, imitan una frase musical? Serian esas duraciones audiovisuales en verdad duraciones musicales? Que sentidos son producidos por este montaje?

Para encaminar el desarrollo de tales cuestiones, proponemos denominar las imágenes que tardan en el ecrã de samplers audiovisuales. En el ámbito estrictamente musical, samplers son muestras sonoras digitalizadas, como una nota de piano, y que son utilizadas para componer músicas. En el vídeo en cuestión, serian samplers audiovisuales esos casi-planos que justa-puestos, en repetición o en relación con otros serian capaces de producir una dada musicalidad.

Tal método hace con que la Música sea el protagonista en este tipo de audiovisual. Ella estructura la narrativa y los montajes que de ella advienen. El modo como se hace la edición de las tomadas audiovisuales interpreta elementos significantes de la música, pero cuando agregados no producen necesariamente sentido, tendiendo siempre más para una experiencia estética. El mérito estaría entonces en la capacidad del grupo Pomplamoose reterritorializar la Música en el terreno de los audiovisuales musicales; no producir una música distinta, pero producir diferencia en la Música, utilizando el audiovisual como un instrumento musical capaz de imaginar Música, de presenta-la por medio de imágenes – visuales y sonoras –, por lo tanto.

Siendo así, no nos parece adecuado partir de la análisis de las relaciones entre el visual y el sonoro, como viene haciéndose históricamente en estudios sobre videoclip. Ese modo de observación entiende la música como mero elemento dentro de la trilla sonora. Entendiéndola como una virtualidad, podemos analizar sus relaciones con el audiovisual como un todo (tanto en la trilla visual como en la sonora). Tal pensamiento esperamos que produzca un nuevo modo de comprensión de las prácticas técnicas, culturales y estéticas musicales y audiovisuales que emergen en la cibercultura.

1º Encontro Anual dos Sempós – Fabico/UFRGS, 2011

Sempós: Associação Local dos Chinelões sem Titulação em Comunicação

OBS: a programação sofrerá adições ao longo da semana.


PROGRAMAÇÃO


TERÇA-FEIRA 21/6

16h – RODOVIÁRIA- Fechamento de casa e venda de pasteis

17h – FACHADA DO SALÃO DE ATOS – Protesto contra a valoração quantitativa de produção acadêmica da Capes e da CNPq. Traga sua panela, cadeira de praia, cachorro e chimarrão!

19h – BAMBUS – Coquetel de abertura do congresso


QUARTA-FEIRA 22/6

10h30 – AUDITÓRIO 2 – Sala aberta para o aquecimento para exibição do documentário sobre a vida e a obra de Daniel Johnston

11h – AUDITÓRIO 2 – Exibição e debate do documentário “The Devil and Daniel Johnston” (Clube do Pop) 13h – FERREIRA LANCHES – Reunião-almoço: crítica aos franceses mau-humorados

14h – TIA VILMA –  Mesa (de bar) temática: Repercussão da Compós: enaltação à Luhmann, Flusser, Latour e Chico Rudiger – Por um novo paradigma da epistemologia da comunicação – #NOT

16h – CORREDORES DA FABICO – Pregação de cartazes do Manifesto pelo movimento de retrogradação intelectual do espírito. De volta às experiências primeiras!


QUINTA-FEIRA 23/6

Feriado (que bolsista Sempós não é de ferro)


SEXTA-FEIRA, 24/6


12h – LANCHERIA DO PARQUE – Mesa (de bar) temática: CIBERCULTURA PARA GENTE GRANDE – um panorama para além dos pop stars integrados da fabico


14h – VIENA CAFÉ – Mesa (de bar) temática: COMO LER OS PÓS MODERNOS – esquecendo lyotard, maffesoli, durand e bachelard

17h3o – Odeon – Mesa (de bar) temática: A CULTURA DO LO-FI: NEO ARCADISMO OU COSMÉTICA DO TOSCO?

19h – PÁTIO DA FABICO – Fogueira de São João sustentável. Combustível: livros de Baudrillard, Lyotard, Debord, Foucault, Bhabha, Derrida, e, claro, Paulo Coelho.

21h – PINACOTECA – Laboratório experimental: Rimbaud e o absinto (com Alexandre Rocha da Silva)


SÁBADO, 25/6


20h – SPEED LANCHES – Mesa (de bar) temática: lixo cultural no YouTube

21h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: profile de gente morta no Orkut

22h – CACHORRO DO HÉLIO – Mesa (de bar) temática: clichês futebolísticos na televisão

23h – LAIKA – Festa de encerramento: Boomshakalaika


DOMINGO, 26/6

04h – PAMPA BURGUER – Janta de encerramento

06h – POSTINHO DA VENÂNCIO –  Reunião dos coordenadores de GT