Localização: Assembléia Legislativava do Estado do Rio Grande do Sul – Praça Mal. Deodoro, 101, Porto Alegre/RS.
A obra é formada por um conjunto de dez chapas (painéis) de material metálico. As chapas possuem recortes figurativos, por vezes com total remoção de material, mas em sua maioria apenas com a aba de recorte levemente inclinada para o lado de fora. Os painéis são fixados através de parafusos que os prendem a barras encaixadas em perfurações diretas na parede. O material metálico dos painéis tem aspecto fosco e coloração cinza claro. Este material não é magnético Cada painel possui um sistema de iluminação independente em sua parte traseira, o qual é suportado por estruturas de material metálico e parafusos também metálicos.
Informações:
Durante sua carreira Vasco Prado trabalhou com diversos materiais (terracota, madeira, granito, mármore, alumínio anodizado, alumínio pintado e bronze), mas percebe-se que grande parte de suas esculturas tiveram o metal como material de expressão, principalmente o bronze.
O painel Epopeia Farroupilha é resultado de um concurso público promovido pela Assembleia Legislativa no ano de 1972. O concurso para a seleção de um mural artístico para integrar a fachada da sede do Poder Legislativo estabeleceu como normas aos participantes uma total liberdade de tema, concepção e técnica, mas a condição obrigatória era a ocupação total do espaço (6,33m x 34m) reservado ao monumento. O resultado do concurso foi divulgado em 1973, sendo o primeiro prêmio concedido a Vasco Prado. Ele projetou um conjunto de dez painéis tendo como tema a Revolução Farroupilha, visto que o conjunto escultórico seria integrado ao denominado “Palácio Farroupilha” (ALVES, 2004, p. 175; ARAUJO, 1995, p.135).
Com relação ao tema, conforme depoimento do artista, Vasco buscou “fazer algo que fosse de fácil leitura, que tivesse um acentuado caráter didático” (VASCO PRADO apud SONDERMANN, 1974, p.21) e, conforme as pesquisas indicaram, Vasco Prado teria inovado a tradição escultórica sul rio-grandense devido a utilização de um novo material na escultura pública: o alumínio anodizado.
Na época, o painel foi considerado “a obra mais ambiciosa do gênero” a ser realizada na cidade, devido as suas dimensões e a importância do prédio que o abrigaria, sendo que o valor total da obra foi de duzentos e cinco mil cruzeiros (ARAUJO,1995, p.137). Conforme Araujo (1995, p. 135, 137 e 141), a opção pelo uso do alumínio foi a solução encontrada por Vasco em função da grande dimensão da obra, haja vista que possibilitaria o total uso do espaço por um custo não muito elevado, da disponibilidade do material (na época disponível em São Paulo) e do caráter arquitetônico contemporâneo do prédio. Ainda de acordo com a mesma autora, a utilização do espaço vazio – solução encontrada pelo escultor ucraniano vanguardista Alexander Archipenko (1887–1964) – foi redimensionada por Vasco Prado através do recorte espacial efetuado na superfície plana do alumínio, tarefa considerada difícil, como aponta o artista ao comentar que a primeira maquete da obra foi feita completamente errada:
Foi na prática que aprendi que as pequenas dobras teriam que ser feitas todas para o mesmo lado. Outro problema técnico que teve que ser profundamente estudado foi a questão da luz. Essa era uma das condições básicas do projeto, tanto é que a solução alcançada permite uma visão durante o dia, e outra completamente diferente durante a noite (VASCO PRADO apud SONDERMANN, 1974, p. 21).
No que concerne aos procedimentos para a execução da obra, coube a Assembléia Legislativa o fornecimento de andaimes e da mão de obra para a fixação do painel, sendo que os recortes dos quadros de alumínio foram executados pela oficina de Ari Caseli e seu filho, Fidélis Caseli, tornou-se o “braço direito” de Vasco Prado (ARAUJO, 1995, p. 137). Segundo Alves (2004, p. 36), a obra Epopeia Farroupilha foi inaugurada em 8 de janeiro de 1974.
S
ENSAIOS REALIZADOS
Análise por fluorescência de raios-X (equipamento portátil Bruker).
Elementos detectados:
Painéis: Al (majoritário), Si, Fe.
Parafusos: Cu (maj.), Zn, Ni.
Painéis: Alumínio praticamente puro.
Parafusos: Liga de cobre.
Localização: Ambiente urbano (exposição);
Estado de conservação: Os painéis apresentam sujidade principalmente nas regiões mais baixas, assim como riscos e arranhões dispersos e manchas de tinta. Um dos painéis possui em sua parte superior um sistema eletrônico (sensor de iluminação) protegido por uma chapa dobrada recoberta com ferrugem.
Manutenção: Manter a peça limpa e observar evolução da corrosão dos suportes e proteção do sensor de iluminação para evitar escorrimento de produtos de corrosão sobre os painéis.









