Homenagem a Vasco Prado – Francisco Stockinger

Localização: Centro Municipal de Cultura Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues – Avenida Érico Veríssimo, 307, Azenha, Porto Alegre/RS.

Francisco Stockinger

A obra é constituída por uma só peça em forma antropomórfica feminina sentada. De textura irregular a superfície apresenta coloração heterogênea, alternando regiões acinzentadas, esverdeadas e amareladas (fig 1, anexo 1). O material é não magnético. O pé esquerdo da figura apresenta região onde e possível ver a coloração amarelada do metal sob a pátina (figura 2, anexo 1).
A obra é uma fundição em bronze, a partir de uma matriz em gesso, de uma “enigmática” figura feminina – parte da temática do escultor – sentada sobre uma base de concreto. A peça é a terceira edição de um total de três cópias e integra uma série de nus femininos produzida a partir de 1995 e, especificamente, a série chamada “Ritos de Passagem” (ALVES, 2004, p.194; ALVES, 2012, p.75). A relação do artista com o bronze permitiu, segundo Scarinci (1987), que Stockinger pudesse expressar “a força primitiva” que ele buscava em suas figuras femininas.
Desse modo, o bronze teria permitido a expressão dessa “força” e também de uma “altivez magnífica” na poética feminina trabalhada pelo artista desde o início da década de 1960 pois, como Scarinci (1964) afirma, houve uma “mudança radical na orientação do pensamento do escultor [que foi] marcada pela descoberta de uma nova técnica e de um novo material. [Foi] nesse quadrante da sua carreira (1960) que Stockinger [descobriu] o bronze e as suas possibilidades expressivas” (SCARINCI, 1987, p.80).
Segundo o artista sua relação com o bronze iniciou em peças em que ele mesmo realizava a fundição, nas quais a forma era considerada mais importante do que a série de cores que poderia ser obtida por meio da pátina. Sua fundição ficava no ateliê de Vila Nova, onde fundia geralmente figuras com menos de um metro.

Quando eu comecei a fazer escultura, a grande maioria dos escultores usava o bronze, e eu, por falta de recursos, resolvi aprender a fundir […]. Comecei com o bronze que eu mesmo fundia. […] A questão da cor nos bronzes é a pátina: diversos sais, diversas composições químicas do bronze, a mistura vai dar uma série de cores diferentes das do bronze. Quem começa a fundir, enamora-se dessas coisas. Perde-se ou ganha-se um tempão lendo e experimentando em busca de cores diferentes. Mas é frescura do artista jovem: o que vale não é a cor, mas a forma do bronze. […] É lá em Vila Nova que fica, também, a fundição; figuras com menos de metro em geral sou eu mesmo que fundo (STOCKINGER, 2002, p.59-99).

Doada à cidade por iniciativa do artista e do colecionador Justo Werlang a obra foi instalada em 10 de novembro de 1998, junto a entrada do Centro Municipal de Cultura e Lazer Lupicínio Rodrigues, para marcar os 20 anos de fundação desta instituição. Em função do falecimento do escultor Vasco Prado, em 9 de dezembro de 1998, a obra teve por intenção homenagear o grande amigo e companheiro de ofício de Stockinger, passando a ser intitulada Homenagem a Vasco Prado (ALVES, 2004, p.194).

Ensaios realizados:
Análise por fluorescência de raios-X (equipamento portátil Bruker).
Elementos detectados:
Cu (majoritário), Zn, Pb.
Liga cobre-zinco (latão).

Localização: Ambiente externo (Urbano);
Estado de conservação: Acúmulo de sujidades na superfície texturizada. Observam-se regiões esbranquiçadas, que podem ser resíduos do molde de fundição e/ou deterioração;
Manutenção: Manter a peça limpa e acompanhar evolução das regiões com produtos esbranquiçados;

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