O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe) lançou o Boletim Econômico com informações sobre maio de 2021, divulgando os registros do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e do Custo da Cesta Básica na Região Metropolitana de Porto Alegre. Em vídeo, publicado no canal do YouTube da Faculdade, o professor Alessandro Donadio Miebach, coordenador do Iepe, e o economista Éverson Vieira dos Santos, coordenador do cálculo do IPC, comentam sobre os principais destaques do mês.
Em maio, o Índice de Preços ao Consumidor registrou o segundo maior aumento mensal do ano, com uma elevação de 1,17%. “Em apenas cinco meses, estamos com quase a mesma taxa de inflação registrada nos 12 meses do ano passado”, destacou Éverson ao comparar a taxa de 5,56%, correspondente ao acumulado do IPC de janeiro a maio de 2021, com os 5,72% acumulados do índice durante o ano inteiro de 2020. Nos últimos 12 meses, a inflação acumulada é de 10,29%, valor considerado elevado pelos pesquisadores.
O IPC é pesquisado semanal e mensalmente tendo como base as despesas de 565 famílias da Região Metropolitana de Porto Alegre que recebem de um a 21 salários mínimos.
Maiores variações de preço
Os grupos que mais influenciaram o resultado do IPC foram o de alimentação, com variação mensal de 2,05% e acumulada em 12 meses de 14,88%, e dos produtos não alimentares, com elevação mensal de 1,37% e acumulada em 12 meses de 14,24%. “O grupo Alimentação e o grupo Não Alimentares, juntos, respondem por aproximadamente 65% da formação da estrutura do Índice de Preços ao Consumidor. Então, os resultados deles são importantes na determinação do resultado da inflação”, explicou Éverson.
No grupo Alimentação, dentro do consumo domiciliar, os produtos semielaborados aparecem com aumento bastante elevado, registrando taxa de 3,78%. O maior responsável por esse resultado foi o aumento do preço médio das carnes pesquisadas, principalmente a bovina e a de frango. Também ganha atenção o arroz, que ocupou a terceira colocação entre os produtos que mais influenciaram o IPC.
Entre os produtos não alimentares, foi destacada a alta acentuada nos preços médios da gasolina comum, com uma variação de 4,58%. O impacto do produto sobre o Índice de Preços corresponde a cerca de 20% da inflação de maio. Também sofreram aumentos significativos o óleo diesel (5,63%), o álcool combustível (2,91%) e o gás de cozinha (1,96%, no mês, e 12,61%, no ano).
As maiores quedas de preço foram apresentadas em aluguéis (-0,12%), condomínios (-0,23%), manicure (-2,28%) e cortes de cabelo (-1,27%), produtos inseridos no grupo Outros Serviços, que segue demonstrando efeitos da pandemia e do isolamento social sobre os resultados do IPC. De acordo com o professor Alessandro Miebach, é provável que, com o avanço da vacinação e com a retomada das atividades de outros serviços, esse grupo passe a apresentar resultados diferentes.
Cesta básica
Mensalmente, o Iepe também pesquisa o custo do Cesto Básico da Região Metropolitana de Porto Alegre. Em maio, o custo médio dos produtos foi de R$ 1.024,90. Em abril, o valor já havia rompido a barreira dos mil reais e, no último mês, sofreu uma variação de 1,52%.
Os aumentos que mais contribuíram para a inflação foram os da carne de frango (3,36%), da carne bovina (1,10%), do arroz agulha (4,66%) e do óleo de soja (7,35%). As carnes de frango e bovina, juntas, representaram 32,4% da taxa de variação do indicador econômico monetário.
De acordo com o Boletim Econômico, diante do cenário econômico, é pouco provável que o consumidor de baixa renda consiga manter o seu padrão de consumo neste momento.
Mais informações sobre o Boletim Econômico do Iepe podem ser obtidos no site do Centro, ufrgs.br/iepe, ou pelo e-mail iepe@ufrgs.br.


