Iepe registra inflação mais elevada para o mês de outubro desde 2002

O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe) lançou o Boletim Econômico referente a outubro de 2021, divulgando os registros do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e do Custo da Cesta Básica na Região Metropolitana de Porto Alegre. Em vídeo, publicado no canal do YouTube da Faculdade de Ciências Econômicas, o professor Alessandro Donadio Miebach, coordenador do Iepe, e o economista Éverson Vieira dos Santos, coordenador do cálculo do IPC, comentam sobre os principais destaques do mês.

Os dados de outubro revelam expressivo aumento nos preços médios dos produtos pesquisados pelo Iepe, com o registro de uma inflação de 1,26%. “Faz 19 anos que, para o mês de outubro, não se observa um valor tão elevado. Esse é o maior valor desde 2002”, alertou Éverson. Ao longo de 2021, a inflação acumulada é de 11,03% e, nos últimos 12 meses, de 12,50%. O IPC é pesquisado semanal e mensalmente tendo como base as despesas de 565 famílias da Região Metropolitana de Porto Alegre que recebem de um a 21 salários mínimos.

 

Maiores variações de preço

O grupo dos produtos não alimentares e o grupo de alimentação sofreram os maiores aumentos do mês de outubro, com variação de, respectivamente, 1,82% e 1,51%.  Entres os produtos não alimentares, as variações mais expressivas foram identificadas nos subgrupos Combustíveis, com 4,73%, Educação, Cultura e Informação, com 1,53%, e Habitação, com 1,29%. Dentro do grupo Alimentação, o que mais chama a atenção é a elevação nos preços dos alimentos in natura, que registraram taxa de 4,01%, com destaque para o tomate, que sofreu aumento de 29,91%, e a batata inglesa, cujos preços cresceram 13,54%. Ainda em relação à alimentação, Santos enfatizou que, em outubro, se evidenciou aumento nos valores da maioria dos produtos que compõem o levantamento.

Em relação à queda de preços, receberam destaque a banana, com variação de -2,94%, e o feijão, com redução de -1,54%.

 

Cesta básica

Mensalmente, o Iepe também pesquisa o custo do Cesto Básico da Região Metropolitana de Porto Alegre. Em outubro, o custo médio dos produtos foi de R$ 1.113,40, registrando inflação de 1,96% e aumento de preço em 70% dos componentes do cesto básico.

Além do tomate e da batata inglesa, o gás de cozinha, com aumento de 5,09%, a carne bovina, com elevação de 1,74%, e a carne de frango, com variação de 2,75%, foram os produtos que mais pesaram no bolso do consumidor em outubro. Em 2021, a cesta básica já registrou elevação de 18,20%. No acumulado de 12 meses, o custo aumentou 22,13%.

Segundo o professor Alessandro Miebach, o cenário não permite identificar tendências de arrefecimento. “A gente vai somando os elementos, como a crise de suprimentos global, a questão da energia, a questão do preço internacional de alimentos, uma certa turbulência no mercado de cargas. As exportações brasileiras para a China estão suspensas nos últimos meses. A tendência é que essas turbulências internacionais se mantenham impactando no Índice de Preços”, explicou o docente.

A edição completa do Boletim Econômico está disponível aqui. Mais informações sobre o levantamento podem ser obtidas no site do Iepe, ufrgs.br/iepe, ou pelo e-mail iepe@ufrgs.br.

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