A pesquisa “A política de acumulação de reservas internacionais no Brasil entre 2005 e 2012: intencionalidade, operacionalidade e impactos econômicos”, realizada por Luiza Valenti, graduada no curso de Ciências Econômicas da UFRGS sob orientação do professor Dr. Carlos Henrique Horn, analisa os fundamentos, a lógica e os efeitos dessa política.
Entre janeiro de 2005 e dezembro de 2012, o Brasil acumulou mais de US$ 370 bilhões em reservas internacionais, representando um crescimento de 590,5% em relação ao início do período e consolidando uma das mais relevantes estratégias macroeconômicas da história recente do país.
Com base em revisão teórica, análise de documentos oficiais e entrevistas com quatro autoridades que atuaram na Secretaria do Tesouro Nacional e no Banco Central do Brasil, a investigação busca responder se a acumulação de reservas refletiu apenas uma reação conjuntural ao cenário externo favorável ou se constituiu uma estratégia deliberada de enfrentamento às assimetrias do Sistema Monetário e Financeiro Internacional.
Os resultados indicam que, embora o ambiente de elevada liquidez global e o boom das commodities tenham favorecido a política, houve intencionalidade e coordenação dos formuladores em ampliar a resiliência da economia a choques externos, reduzir a vulnerabilidade cambial e reforçar a autonomia da política econômica. As entrevistas reforçam a centralidade das reservas como instrumento de proteção em um sistema internacional estruturalmente desigual, evidenciando ainda os efeitos fiscais e monetários decorrentes da sua operacionalização.
*Material produzido como parte das atividades de extensão da disciplina Trabalho de pesquisa científica em Economia, ministrada pelos professores Letícia Oliveira e Sergio Monteiro


