Celebrado no último dia 3 de abril, o Dia do Atuário reforça a relevância de um profissional cuja atuação vai além dos números. Como foi destacado nas redes sociais da Faculdade, em mensagem alusiva à data, “celebramos os atuários, profissionais que dão sentido aos dados, avaliam riscos e constroem segurança para o futuro, essenciais para o equilíbrio econômico e social e para a sustentabilidade das organizações”.
Para a professora Máris Caroline Gosmann, atual coordenadora do Curso de Ciências Atuariais da Faculdade de Ciências Econômicas, a base tradicional da profissão, que envolve seguros, previdência, planos de saúde e gestão de riscos, continua sendo estratégica para a sociedade como um todo. Segundo ela, essas áreas constituem o núcleo da atuação atuarial, mas o alcance do conhecimento da área é ainda mais amplo. Em entrevista concedida à Assessoria de Comunicação da FCE, a professora avalia que essa combinação entre fundamentos tradicionais e capacidade analítica ampliada confere à Ciência Atuarial um papel cada vez mais transversal e estratégico. A seguir, trechos da entrevista:
“As ciências atuariais são estratégicas para a sociedade como um todo. Elas permitem olhar para acontecimentos de baixa probabilidade, mas de alto impacto, e isso faz com que a atuação do atuário vá muito além das bases tradicionais.”
Com experiência em auditoria atuarial e regimes próprios de previdência social (RPPS), a professora destaca que a gestão de riscos no setor público apresenta desafios específicos. Entre eles, está a necessidade de conciliar análises técnicas de longo prazo com contextos políticos marcados por ciclos mais curtos, além de frequentes mudanças legais e econômicas.
“Atuar de forma estritamente técnica no setor público é um desafio extra, porque os regimes próprios de previdência estão inseridos em ambientes políticos com ciclos de quatro anos, enquanto o cálculo atuarial exige uma política de longo prazo.”
Outro ponto levantado por Gosmann diz respeito às dificuldades de acompanhar, na prática, as rápidas mudanças de premissas que impactam os cálculos atuariais, como expectativa de vida, taxas de juros e alterações na legislação.
“As mudanças na legislação, nas taxas de juros e na expectativa de vida nem sempre acompanham a velocidade do cálculo atuarial, o que torna desafiador transformar os números projetados em resultados reais.”
Além das áreas tradicionais, a atuação do atuário tem se expandido para novas frentes, como políticas públicas, gestão de riscos empresariais e, mais recentemente, a modelagem de riscos climáticos. De acordo com a coordenadora, trata‑se de um campo em crescente relevância, no qual o profissional atuário tem papel central.
“O atuário é o profissional preparado para a modelagem e a precificação de riscos climáticos, inclusive em áreas como crédito de carbono, onde é preciso associar probabilidades a valores previstos para o futuro.”
O uso da inteligência artificial também tem transformado a prática atuarial. Para a professora, a tecnologia amplia as possibilidades de modelagem e análise, mas não substitui o profissional. Ao contrário, exige que o atuário esteja cada vez mais preparado para atuar de forma crítica e contextualizada.
“A inteligência artificial não será melhor do que um atuário que sabe utilizá‑la. Um atuário que usa inteligência artificial será sempre superior a uma inteligência artificial isolada.”

Segundo a docente, ficará para trás o profissional que se recusar a compreender e integrar essas ferramentas ao seu trabalho, especialmente em um cenário de riscos cada vez mais complexos. Ao deixar uma mensagem aos estudantes e profissionais da área neste Dia do Atuário, a professora Máris reforça a dimensão social da profissão e a importância de transformar a previsão de riscos em ações concretas de prevenção e cuidado.
“A principal mensagem é que o atuário consiga transformar a previsão de riscos em antecipação, precaução, prevenção e previdência, influenciando positivamente a sociedade.”
O Dia do Atuário, portanto, é também um momento de reconhecimento a quem transforma dados em decisões responsáveis e informação em confiança, contribuindo para o bem‑estar coletivo e para a construção de um futuro mais seguro.


