A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a Cátedra Sérgio Vieira de Melo (CSVM) lançaram no final de maio o estudo Perfil socioeconômico dos refugiados no Brasil: subsídios para elaboração de políticas. A pesquisa, que contou com a participação do Núcleo de estudos, pesquisa e extensão sobre migrações (Nepemigra) e da CSVM UFRGS, surge como um marco na produção de conhecimento tanto sobre o refúgio no Brasil quanto em relação à integração social, educacional e econômica de uma população que se encontra em situação de alta vulnerabilidade.
O trabalho de campo foi realizado entre os dias 13 de junho de 2018 e 20 de fevereiro de 2019, período em que foram entrevistadas cerca de 500 pessoas refugiadas reconhecidas pelo Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) que residem atualmente no Brasil, a fim de analisar variáveis sociodemográficas e laborais. O levantamento, realizado em 14 cidades distribuídas em 8 unidades da federação, resultou em um relatório que apresenta dados a respeito de escolaridade, perfil laboral, integração social, obstáculos à integração e perspectivas futuras da população pesquisada.
O estudo aponta que os refugiados demonstraram capital linguístico e capital escolar considerados acima da média brasileira geral e muito acima da média em relação a da população brasileira negra e parda. Contudo, a pesquisa também indica que essa condição não está sendo traduzida em capital econômico, sob a forma de emprego e renda, visto que quase 80% dos entrevistados apresentam renda familiar mensal inferior a 3 mil reais, sendo que 95 deles têm renda inferior a mil reais por mês em seu domicílio. Além disso, mais de 90% das pessoas que responderam sobre sua condição de residência afirmaram que estão vivendo em moradias alugadas.
Ao considerar o uso das habilidades profissionais no mercado de trabalho, a pesquisa também revela o fenômeno de desclassificação socioeconômica a que são submetidos refugiados e imigrantes em geral. Esse fenômeno, que indica queda no status socioeconômico dos sujeitos envolvidos, pode ser observado pelo fato de os refugiados entrevistados não estarem conseguindo utilizar suas competências profissionais nos atuais trabalhos. Múltiplas razões podem ser responsáveis por esse resultado, como a falta de oportunidades e de informações ou a dificuldade que a grande maioria dos refugiados encontra para revalidar seus diplomas.


Saiba mais detalhes sobre o perfil socioeconômico dos refugiados no Brasil acessando o resumo executivo da pesquisa publicado na página da ACNUR.
Sobre a Cátedra Sérgio Vieira de Melo
Desde 2003, o ACNUR implementa a Cátedra Sérgio Vieira de Mello em cooperação com centros universitários nacionais e com o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE). A CSVM visa difundir o ensino universitário, a pesquisa e a extensão acadêmica sobre temas relacionados ao refúgio, promover a formação acadêmica e a capacitação de professores e estudantes, além de apoiar diretamente refugiados em projetos comunitários.
Sobre refugiados no Brasil
De acordo com os dados do CONARE, do Ministério da Justiça, até o fim de 2018, o Brasil já havia reconhecido mais de 10 mil refugiados provenientes de 105 países, como Síria, República Democrática do Congo, Colômbia, Palestina e Paquistão. O reconhecimento como refugiado é fundamentado por situações de fundado temor, perseguição relacionada a raça, religião, nacionalidade, pertencimento a determinado grupo social ou opinião política. Destes, cerca de 5 mil continuam no país na condição de refugiados, sendo que 52% moram em São Paulo, 17% no Rio de Janeiro e 8% no Paraná. Atualmente, a população síria representa 35% da população refugiada com registro ativo no Brasil.
Para obter mais informações, entre em contato com a professora Verônica Korber Gonçalves, que coordena a Cátedra Sérgio Vieira de Melo na UFRGS, pelo e-mail veronica.goncalves@ufrgs.br.
Foto: ACNUR/L. Leite


