O estudo realizado pelo graduando Bernardo Dillenburg Nunes, graduado em Ciências Econômicas, intitulado Aplicação do índice Alkire-Foster no Brasil: uma análise da pobreza multidimensional nos anos 2019 e 2023, com a orientação do Prof. Thomas Hyeono Kang, teve como objetivo analisar o analisar a evolução da pobreza multidimensional no Brasil no período pré (2019) e pós-pandemia (2023) da COVID-19, utilizando o Índice Alkire Foster adaptado ao contexto brasileiro. Fundamentado na abordagem das capacitações, o estudo partiu do pressuposto de que a pobreza vai além da dimensão monetária, abarcando privações em educação, saúde, trabalho, condições habitacionais e acesso a serviços básicos.
Para alcançar os resultados, foram analisados microdados da PNAD Contínua, com aplicação de uma versão do método Alkire-Foster, capturando a incidência e a intensidade da pobreza. Os resultados revelaram uma redução na proporção de pobres multidimensionais (de 73,9% para 71,6%) e na intensidade das privações (hiato de pobreza caiu de 25,3% para 23,3%), contradizendo a hipótese inicial de agravamento pós-pandemia. As dimensões que mais contribuíram para essa redução foram trabalho (-5,9 p.p.) e educação (-2,4 p.p.), enquanto infraestrutura e saneamento permaneceram como os maiores desafios (54,3% da população privada).
As análises regionais mostraram disparidades persistentes, com estados do Norte e Nordeste apresentando os piores indicadores, apesar de terem registrado reduções na intensidade das privações. O estudo conclui destacando a importância da abordagem da pobreza como fenômeno multidimensional, e oferece uma metodologia replicável para o monitoramento contínuo da pobreza no Brasil.
*Material produzido como parte das atividades de extensão da disciplina Trabalho de pesquisa científica em Economia, ministrada pelos professores Letícia Oliveira e Sergio Monteiro


