O Núcleo de Análise de Política Econômica da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS (Nape) divulgou uma nova edição da sua Carta de Conjuntura. A mais recente publicação do grupo se refere ao quarto trimestre de 2019, abordando questões sobre o desempenho da economia brasileira nos meses de outubro, novembro e dezembro deste ano.
A Carta de Conjuntura do Nape, desta vez, apresenta informações que indicam um crescimento bastante pequeno da economia do Brasil, dado que se situa muito abaixo das necessidades que o país vem enfrentando para gerar empregos e renda. De acordo com a produção, desde o período de recessão iniciado entre 2015 e 2016, a taxa de desemprego tem sido expressivamente elevada, afetando negativamente o mercado de trabalho.
Outro ponto que se insere nesse contexto levantado pela publicação discute o avanço da informalidade do mercado de trabalho, que tende a pressionar para baixo a estrutura de rendimentos de toda a economia. Segundo a Carta, poucas vagas têm sido criadas e, destas, a maioria se dá no setor informal, no qual não há formas de registro oficial de vínculo. Esse tipo de trabalho gera insegurança em relação à estabilidade da ocupação da vaga, além de oferecer, tradicionalmente, menores rendimentos do que os empregos formais.
Um problema adicional vivido no atual mercado de trabalho destacado na última Carta de Conjuntura é a subutilização da mão de obra que vem crescendo desde 2017, quando foram estabelecidas novas regras trabalhistas, que passaram a permitir o trabalho intermitente. Com esse cenário, algumas pessoas que desejam e precisam ter uma carga horária semanal de trabalho maior acabam não encontrando essa possibilidade, o que prejudica seus rendimentos.
Desde 1994, quando o Nape surgiu, são publicadas regularmente as Cartas de Conjuntura, que analisam os principais acontecimentos da conjuntura econômica nacional e internacional e fazem uma avaliação crítica da política econômica do país. A publicação, de periodicidade trimestral, aborda vários aspectos, como a política monetária, a política fiscal, a inflação, o crescimento do PIB e a evolução do mercado de trabalho.
O professor Flávio Fligenspan, coordenador do Nape, defende o papel que as Cartas de Conjuntura exercem ao estabelecerem diálogo entre o que é produzido no ambiente acadêmico e a sociedade em geral. “Cada Carta se constitui como um documento amplo que oferece um panorama geral para a sociedade, sendo usada por jornalistas, estudantes e empresas, facilitando seu entendimento sobre o que está acontecendo na economia, para que possam se posicionar diante da realidade”, enfatiza o docente.
A Carta de Conjuntura do Nape que discute o cenário do quarto trimestre de 2019 pode ser lida na íntegra aqui. As Cartas anteriores também estão disponíveis na página da publicação.
Mais informações pelo e-mail fli@ufrgs.br.


