Políticas públicas de elevação dos preços de alimentos hipercalóricos e, em contrapartida, de redução dos preços para estimular o consumo de alimentos saudáveis poderiam constituir instrumentos para o enfrentamento da epidemia de obesidade. O argumento é da doutora em Economia Aplicada, Larissa Barbosa Cardoso, que recentemente defendeu sua tese perante banca na UFRGS. Para a pesquisadora, tal estratégia de política pública poderia ser adotada através da regulação de preços ou pela adoção de um modelo específico de política tributária.
Num dos ensaios, intitulado “Sugar-sweetend beverages consumption and price sensitivity and price among brazilian adults: implications for obesity”, para o qual adotou-se o modelo de duas partes para estimar as elasticidades preço-demanda, o estudo apontou que o aumento de 20% no preço de bebidas açucaradas (refrigerantes e sucos) reduz em 12,2% o consumo de refrigerantes, especialmente nos grupos de pessoas que mais consomem este tipo de bebidas. Uma das bases de informação utilizada pela autora é a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE.
A tese também foi composta por outros dois ensaios, denominados: MUDANÇA INTERTEMPORAL DO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL NO BRASIL: QUAL É O EFEITO DO PREÇO DOS ALIMENTOS? e OBESIDADE E TRIBUTAÇÃO SOBRE BEBIDAS AÇUCARADAS: SIMULAÇÃO DOS IMPACTOS ECONÔMICOS A PARTIR DA ANÁLISE DE INSUMO-PRODUTO.
Neste último, Larissa aponta que “uma política tributária sobre refrigerantes tende a gerar poucos efeitos adversos para a economia, com redução da produção do referido setor e daqueles diretamente inter-relacionados sendo compensada pelo aumento na produção de outros setores”, indica. Para a pesquisadora, o temido impacto negativo sobre emprego seria igualmente equalizado pela recolocação dos trabalhadores.
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