A área “Economia da Cultura” é um campo cujo estudo vem crescendo, tanto no Brasil quanto internacionalmente, nos últimos anos. Devido à demanda e interesse por parte dos alunos da Faculdade de Ciências Econômicas em conhecer a abordagem teórica da área, e pela disponibilidade do Professor Leandro Valiati, um dos maiores expoentes no campo, o atual semestre letivo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul abre, pela primeira vez, a disciplina de “Economia, Cultura e Desenvolvimento”, inserida em “Tópicos Especiais de Economia”.
Professor Leandro Valiati na abertura do Observatório de Economia Criativa da UFRGS
O campo econômico da cultura pode ser definido como a reunião de bens derivados da produção artística que ingressam em um mercado e valores, tanto financeiros quanto substantivos a eles associados. Tais bens constituem-se a partir de intervenções artísticas influenciadas por elementos histórico-institucionais, gerando impactos econômicos que podem ser bem compreendidos sob a ótica do desenvolvimento econômico. A disciplina, portanto, busca instrumentalizar os alunos para compreender a constituição de mercados culturais, bem como seu impacto nos padrões socioeconômicos de desenvolvimento contemporâneo. Valiati, em sua abordagem na disciplina, busca interligar a análise clássica e contemporânea da Economia da Cultura, a partir de sua correlação com as características socioeconômicas típicas das práticas, valores e mercados culturais, propondo-se a debater o setor cultural tanto no modelo brasileiro, quanto de outros países.
Em uma área marcada, também, pela discussão acerca dos incentivos e políticas públicas que fomentam o desenvolvimento cultural, os alunos terão a oportunidade de refletir acerca dos estímulos econômicos que promovem tal desenvolvimento em âmbito nacional e global. No entanto, espera-se que os alunos do curso tenham condições de compreender a constituição desse campo, não apenas na teoria, mas sim utilizar seu instrumental teórico para associar as reflexões na sala de aula com sua intervenção na realidade. O momento para tal estudo parece propício; afinal de contas a UFRGS inaugurou seu Observatório de Economia Criativa no início do mês de Agosto, trazendo aos alunos um vislumbre prático da área, levando exemplos de projetos culturais realizados na cidade de Porto Alegre, bem como importantes expoentes teóricos da área, como o holandês Arjo Klamer, da Universidade de Rotterdam.



