Com o objetivo de discutir sobre as realidades política, econômica e cultural do Brasil e da União Europeia, a Faculdade de Ciências Econômicas promove o seminário Brasil e União Europeia: perspectivas comparadas. As atividades acontecem no dia 25 de setembro, no auditório da Faculdade, com entrada franca.
Desde a manhã, especialistas brasileiros e europeus debatem sobre temas como União Europeia e Brasil: o valor do multilateralismo nas Relações Internacionais, Migrações e seus desafios: semelhanças e diferenças entre Brasil e União Europeia e Desenvolvimento econômico e sustentabilidade: agendas da União Europeia e do Brasil.
Cultura política e democracia em análise
Dentro da programação do seminário, os professores Pedro Magalhães, da Universidade de Lisboa, e Henrique de Castro, da UFRGS, abordaram o tema Cultura Política e democracia para europeus e para os brasileiros. Em sua exposição, Magalhães abordou as concepções de democracia, tratando sobre o assunto não apenas do ponto de vista europeu ou brasileiro, mas, igualmente, a partir de perspectiva mundial.
De acordo com o pesquisador, a noção de democracia de eleições tende a ser apoiada mais por pessoas com maiores rendimentos e em nações com mais igualdade social. Em regiões menos democráticas, por outro lado, a população com menor renda tende a lutar mais por democracia, pois a vê como possibilidade de melhor a situação de vida. Nesses países, os indivíduos mais ricos buscam apenas manter o seu estatuto social, legitimando a ordem política e social existente.

Já o professor Henrique de Castro apresentou alguns dados brasileiros sobre democracia e cultura política da World Values Survey (WVS) 2018, pesquisa mundial sobre valores socioculturais e políticos realizada em mais de 100 países. De acordo com o docente, no Brasil há um alto apreço formal pela democracia, mas uma baixa adesão real às suas características, de modo que o autoritarismo acaba por persistir. “Isso se deve ao fato de o povo brasileiro mimetizar a elite, agir como se elite fosse e emitir os seus valores. Ou seja, temos um povo antipovo, pois uma vez que a elite acha feio ser povo, o povo acha feio ser povo”, argumentou.
A partir da análise dos dados da pesquisa de valores, Castro explicou que há uma cultura política muito fragmentada no Brasil. No levantamento WVS, quase 100% dos entrevistados responderam ser muito importante que haja eleições honestas no país e 88% concordaram que é importante o governo ser democrático. No entanto, quando questionadas sobre o modo como o Brasil deve ser governado, 46% das pessoas disseram que seria ótimo ou bom ter um governo militar. Ao mesmo tempo, 31% dos indivíduos disseram estar de acordo que o país seja governado por leis religiosas sem partidos ou sem eleições.

A organização do seminário Brasil e União Europeia: perspectivas comparadas é do Grupo de Pesquisa em Cultura Política, Estado e Relações Internacionais (CESPRI/UFRGS), em conjunto com o projeto Diplomacia Pública da UE na América Latina (ALUE) e da FCE.
Fotos: Rochele Zandavalli/UFRGS


