Identificar sinais de alerta é o primeiro passo para buscar ajuda psicológica

Períodos de estresse, tristeza, luto e conflito são situações comuns na vida de qualquer pessoa. Na Universidade, não é difícil ouvir relatos de tensão, noites em claro e dificuldades de aprendizado por parte dos estudantes.

De fato, não há como negar que, ao entrar na Universidade, os alunos vivenciem grandes mudanças: disciplinas em diversos horários, conteúdos novos e até mesmo a pressão de fazer amigos e de ir bem nas avaliações. Tudo isso pode ser um processo bastante difícil para algumas pessoas.

Quem precisa de apoio para situações como essas pode buscar ajuda na Clínica de Atendimento Psicológico da UFRGS, que oferece escuta em Clínica Psicanalítica e Terapia Individual. A Clínica também realiza Acompanhamento Terapêutico, Oficinas Terapêuticas com diferentes grupos, Apresentação de Pacientes e Relaxação (Método Bergés). O espaço é aberto à comunidade e fica na Av. Protásio Alves, 297, 4º andar (entrada pela Rua São Manoel). Os contatos da clínica são 51 3308.2024 e clinicap@ufrgs.br.

Outras alternativas de atendimento psicológico a baixo custo em Porto Alegre podem ser consultadas nesta lista, criada colaborativamente por profissionais, clínicas e estudantes da área de saúde mental. Quem necessita de apoio emocional imediato pode contatar ainda o Centro de Valorização da Vida (CVV), que também atua na prevenção do suicídio. O serviço oferece atendimento voluntário e gratuito a todas as pessoas que querem e que precisam conversar, sob total sigilo, pelo telefone 188 e por e-mail ou chat.

 

Quando procurar um psicólogo?

Em momentos difíceis ou frente a alguns problemas que parecem de difícil solução, muitas pessoas pensam em procurar um psicólogo, mas desistem por diversos motivos, como medo, vergonha, desconhecimento ou até mesmo por não acreditarem que um profissional especializado poderá ajudar. Se você tem dúvidas sobre quando procurar auxílio, esteja atento a alguns sinais de alerta:

 

1) Você sente as emoções com muita intensidade

Se as suas emoções – seja tristeza, paixão, raiva ou irritação – são intensas a ponto de você se questionar ou atrapalhar suas atividades cotidianas, talvez seja hora de buscar ajuda. A ansiedade extrema, por exemplo, pode aumentar a proporção das preocupações, causar angústias desnecessárias e prejudicar a qualidade de vida.

Normalmente, o agravamento destas doenças ocorre quando não conseguimos adequar nossos “desejos” à realidade que nos cerca, de tal modo que lentamente a intensidade do nosso descontentamento aumenta, causando prejuízos em algum campo da nossa vida. Deste modo, fique atento às situações em que normalmente você perde o controle emocional, sejam elas pessoais, profissionais, familiares, afetivas ou outras, e busque auxílio para lidar com elas.

 

2) Você passou por uma situação traumática

Morte na família, término de um relacionamento, desemprego ou doenças graves são exemplos de situações traumáticas que podem afetar profundamente as pessoas envolvidas, causando distanciamento, depressão, problemas para dormir e até mesmo para trabalhar ou estudar.

É recorrente na vida de quem sofreu um trauma o medo de passar pela situação traumática novamente. Por essa razão, pensamentos de desesperança aliados a sentimentos de angústia e tristeza tornam a vida do sujeito um verdadeiro desafio. Caso a pessoa não busque uma ajuda adequada, seu quadro irá evoluir e ela poderá buscar como alternativa o suicídio na tentativa de aliviar sua dor. Assim, não espere que seu problema evolua a esse ponto.

 

3) Você apresenta sintomas de doenças não diagnosticadas

A máxima “o corpo fala” é uma verdade universal: dores de cabeça, de estômago, gripes e resfriados de repetição ou dores repentinas sem motivo aparente podem ser sinais de problemas emocionais não resolvidos.

Várias alterações como “suar frio”, ficar sempre em alerta com medo de algo, taquicardia ou palpitações no peito, tensão muscular, entre outras sensações de desconforto físico podem estar relacionadas com a ansiedade, por exemplo. Assim como alterações no humor, tristeza, solidão ou isolamento social podem estar relacionados à depressão, causando também várias dores pelo corpo. Se você apresenta sintomas inexplicados que um médico não consegue diagnosticar, talvez seja hora de procurar um psicólogo.

 

4) Você precisa de válvulas de escape com frequência

O abuso de álcool ou drogas é um problema sério que precisa de intervenção imediata, mas essas não são as únicas válvulas de escape que oferecem risco aos seus usuários. Alguns tipos de medicamentos ou até mesmo a comida podem ser utilizados para mascarar questões emocionais não resolvidas, apontando para a necessidade de buscar ajuda especializada.

O fato é que essas válvulas acabam servindo como pretexto para criar um problema ainda maior. Uma vez instaurada a dependência, ela traz sérios prejuízos à vida da pessoa – comportamentais, sociais e até em relação à integridade física. Se você está em uma situação em que a dependência causa danos em qualquer âmbito da sua vida, procure por ajuda psicológica, pois existem técnicas eficientes para apoiá-lo em seu processo de reabilitação.

 

5) Você tem uma ideia fixa ou uma vontade que não passa

Aquela intensa necessidade de lavar as mãos com frequência, o desejo de dormir e não mais acordar devido a uma experiência de grande frustração são exemplos de ideias que podem trazer sérios prejuízos para sua vida. Alterações de controle para saciar uma vontade são mais comuns do que se imagina. Pessoas antes do suicídio possuem uma ideia fixa de buscar formas para aliviar ou eliminar a dor insuportável de uma perda, por exemplo. Há ainda aquelas que sofrem com ideias fixas ou vontade de neutralizar pensamentos indesejáveis, como, por exemplo, o de impureza, no caso de lavar as mãos sempre que o pensamento vem.

Detectar esta dificuldade de controlar uma ideia fixa ou a realização de uma vontade com antecedência, e buscar o apoio de um psicólogo para evitar que seu quadro evolua para algum tipo de transtorno psicológico, é fundamental.

 

6) Você se sente constantemente desanimado ou sem energia

Todos passam por dias de preguiça extrema, de ceder à vontade de passar o dia inteiro deitado no sofá. Por outro lado, se esses dias têm se repetido com frequência, ou se você não encontra força de vontade para ceder à apatia, é essencial tomar a decisão de buscar ajuda para quebrar esse círculo vicioso.

Normalmente, a apatia está relacionada a uma diminuição de estímulos afetivos: a pessoa perde a sua capacidade de dizer aquilo que a faz triste, alegre, irritada etc. Apesar de saber da importância afetiva que determinada experiência deveria despertar, ela não consegue sentir nada. Essa incapacidade total ou parcial de obter e de sentir prazer com determinadas experiências na vida está diretamente relacionada com alterações afetivas.

A apatia pode estar relacionada a um estado afetivo próprio de quadros depressivos. Portanto, não demore a procurar ajuda de um especialista para que você volte a ter uma vida menos “obscura” e mais “colorida”.

 

7) Você tem problemas nos seus relacionamentos

Os problemas nos relacionamentos começam efetivamente a trazer danos e prejuízos quando ultrapassam os limites do respeito e da boa convivência dentro de uma relação. E isso pode acontecer por duas vias: uma é quando você ataca e a outra é quando é atacado.

Características de impulsividade e/ou manipulação, agressividade e controle, por exemplo, quando demonstrados de forma recorrente na relação (tanto por parte de quem sofre a agressão quanto de quem agride) são sinais de que você necessita do apoio de um psicólogo para ajudá-lo a construir relações mais saudáveis e respeitosas.

Seja com amigos, colegas de faculdade ou familiares – se você sente que seus relacionamentos estão desgastados, se você não consegue se expressar ou reconhecer suas emoções, ou se os seus relacionamentos trazem infelicidade, o acompanhamento de um psicólogo pode ajudar a resgatar o vínculo esquecido ou a encontrar dentro de si mesmo os motivos para a situação.

 

*Com informações do site Psicologia Viva.

Ilustração: Davide Bonazzi

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