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“União Africana no G20: um salto geopolítico e econômico do continente”

Via: G20

“Até a entrada da União Africana (UA) como membro efetivo do G20, a África do Sul era o único integrante do continente africano no grupo. Antes organização internacional convidada, a UA recebeu o status de membro pleno na cúpula do G20 em Delhi, na Índia, no início de setembro de 2023.

A medida dá ao continente o mesmo status que a União Europeia e outros 19 países. O bloco representa cerca de 20% do território mundial e abriga uma população jovem, com potencial produtivo acima da média de outros países.

A professora do departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenadora do Centro Brasileiro de Estudos Africanos (Cebrafrica), Analúcia Danilevicz Pereira, destaca que, enquanto a população mundial envelhece, a população jovem africana deverá duplicar até 2050. O dado sinaliza um importante potencial de força de trabalho, mas também indica um crescimento econômico ascendente.

Economicamente, a União Africana possui um PIB combinado significativo de cerca de US$ 3 trilhões, com uma riqueza abundante em recursos naturais. A região detém 60% dos ativos de energia renovável do mundo e 50% dos minerais essenciais para tecnologias de baixo carbono, o que posiciona a África como uma potência emergente na economia global. É a terceira região mais populosa do mundo, atrás de China e Índia.

A União Africana é uma evolução das primeiras organizações políticas multilaterais africanas, a primeira delas a organização da Unidade Africana, criada em 1963, no contexto do boom emancipatório de independência dos países africanos. Em 2002, a Organização da Unidade Africana foi transformada em União Africana, uma organização continental que integra todos os países.

Sob a presidência brasileira, o G20 enfrentará os desafios relacionados à reestruturação da governança global. A entrada da União Africana no G20 está alinhada a essa meta, proporcionando uma voz mais representativa para os países do chamado Sul Global. Analúcia Pereira ressalta que a presença africana pode desempenhar um papel crucial na reformulação da agenda econômica global, oferecendo novas perspectivas e abordagens.

Ela destaca que a União Africana, ao se integrar ao G20, terá que superar desafios internos, como a unificação de agendas entre seus membros, para influenciar efetivamente as decisões globais. Ao mesmo tempo, a presença africana no G20 oferece uma oportunidade única para o continente influenciar em políticas econômicas e financeiras globais, refletindo suas necessidades e objetivos de desenvolvimento.

Para a pesquisadora, trata-se de um avanço geopolítico importante que reafirma que “mostra um amadurecimento e uma posição que também vai se refletir na política externa desses jovens estados mas, principalmente, numa necessidade que o ingresso no G20 produzirá e que terá que ser resolvida com muita rapidez, que é a União Africana construir uma agenda comum”.

A pesquisadora defende que a entrada da União Africana no G20 é um marco histórico que simboliza não apenas o reconhecimento de seu potencial econômico e demográfico, mas também sua ascensão como um ator influente na governança mundial.

Em harmonia com os objetivos da presidência brasileira no G20, a União Africana terá a oportunidade de contribuir significativamente para a construção de uma ordem econômica global mais equitativa e representativa. “A correlação de forças dentro do G20 também se renova, temos hoje uma tendência a novos alinhamentos internacionais”, pontua a coordenadora do Cebrafrica.

“Estamos vendo uma nova balança de poder se configurando com a entrada da União Africana, que terá um peso que pode redefinir uma agenda importante que diz respeito a temas que são caros aos chamados países em desenvolvimento ou do Sul Global”, avalia.

Em sinergia de agendas e prioridades, o sherpa da União Africana, Albert Muchanga, considera que a experiência africana no combate à desigualdade, à fome e à pobreza pode contribuir para fortalecer a proposta brasileira de criação da Aliança Global contra a Fome e Pobreza.

“Apoiamos completamente as prioridades apresentadas pela presidência brasileira porque têm relevância direta para o continente africano. Nós precisamos embarcar na reforma das instituições políticas e financeiras globais. Todas as pautas são muito importantes e a África vai apoiar”, disse.”

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CEDEAO levanta sanções ao Níger em meio a tensões no bloco da África Ocidental

Via: Al Jazeera

“O bloco regional da África Ocidental está a levantar a maioria das sanções impostas ao Níger durante o golpe do ano passado, num novo impulso ao diálogo após uma série de crises políticas que abalaram a região nos últimos meses.

A cimeira teve como objectivo abordar as ameaças existenciais que a região enfrenta, bem como implorar às três nações lideradas por militares que abandonaram o bloco – Níger, Mali e Burkina Faso – que rescindissem a sua decisão.

Falando no seu discurso de abertura no início da cimeira, o presidente da CEDEAO e Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, disse que o bloco “deve reexaminar a nossa abordagem actual à busca da ordem constitucional em quatro dos nossos Estados-Membros”, referindo-se aos três países suspensos. , bem como a Guiné, que também é liderada por militares.”

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Inscrições Abertas para a 6ª Edição do Curso de Especialização EAD – Relações Internacionais: Geopolítica e Defesa

Estão abertas as inscrições para a Especialização EAD em Relações Internacionais: Geopolítica e Defesa da UFRGS. Com carga horária de 390 horas, o Curso inicia em abril. Para participar da seleção, os candidatos devem preencher o Formulário de Inscrição e anexar a documentação exigida, até 09 de março, no seguinte link.

Confira todas as informações sobre o Curso aqui. Dúvidas devem ser encaminhadas para o e-mail: geopolítica_defesa_ri@ufrgs.br