Arquivo mensais:julho 2025

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“Chamada para Publicações
Boletim GeoÁfrica v. 4. n. 13, julho-dezembro de 2025
Dossiê Temático:
Conflitualidades na África Subsaariana: Atores, Redes e Territórios
A África subsaariana é uma região particularmente exposta aos conflitos armados. As guerras, que flagelaram em graus diversos a quase totalidade dos países, teriam vitimado aproximadamente 10 milhões de pessoas desde a década de 1960. Desde os anos de 1990 observa-se uma recrudescência da conflitualidade armada. Em 2022, foram registrados conflitos armados e casos letais de violência política em 22 países. O fenômeno contribui para a imagem de um continente “naturalmente violento” que, após ter sido usada para legitimar a “missão civilizadora” do homem branco e a colonização europeia, ingressou na galeria das representações essencialistas e preconceituosas da África. Na atualidade, os conflitos são ainda frequentemente adjetivados como étnicos, sangrentos, bárbaros, terroristas etc. por apreciações redutoras minimizando a complexidade de suas causas, características e impactos. Mas, durante décadas, a natureza dos objetivos dos beligerantes conferiu contornos operacionais e narrativos claramente definidos aos conflitos africanos. Os atores das guerras de libertação nacional, das tensões de tipo secessionista ou dos embates armados relacionados à Guerra Fria, buscavam, essencialmente, exercer o controle político sobre determinado território. Mas, a partir da década de 1990, os chamados novos conflitos se singularizam por ter não ter início ou fim muito demarcados e por uma territorialização caracterizada por lógicas de difusão espacial e internacionalização das operações. Mais recentemente, a conflitualidade passou a apresentar um caráter mais multifacetado. Os efeitos das mudanças climáticas, a instabilidade política e geopolítica, as crises sociais e econômicas ou a conjuntura demográfica conferem uma feição mais complexa aos conflitos. A precariedade do controle do Estado sobre os territórios e a degradação dos serviços públicos contribuem para alimentar insurgências cujos atores são múltiplos.
A Comissão Editorial do Boletim GeoÁfrica decidiu consagrar um dossiê temático às conflitualidades contemporâneas na África subsaariana dando destaque a algumas regiões (Sahel, Grandes Lagos, Norte de Moçambique, Chifre da África etc.) e a temáticas como secessionistas; recursos naturais e conflitos; ativismo de grupos terroristas; mudanças climáticas e conflitos de uso do solo; intervenções estrangeiras; refugiados e deslocados; operações de paz; territórios e territorialidades dos conflitos etc. O Boletim GeoÁfrica recebe submissões de artigos científicos, artigos jornalísticos, entrevistas, análise de imagens etc. até o dia 09 de Novembro de 2025 através de nossa plataforma (https://revistas.ufrj.br/index.php/bg/index) ou por e-mail: geoafrica@igeo.ufrj.br. Recebemos, artigos sobre temas diversos para nossa sessão Varia.
Manuscritos em francês (e inglês) também são aceitos. Caso esses artigos tenham sido publicados e continuam relevantes, podemos publicar sua tradução.”

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Primeiro Ministro da Etiopia afirma que mega barragem GERD, no Nilo, está completa.

Via: Aljazeera

“O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, afirmou que uma megabarragem de vários bilhões de dólares no Nilo Azul — que tem causado grande preocupação aos vizinhos a jusante, Egito e Sudão, devido ao seu impacto no abastecimento de água — está concluída e será oficialmente inaugurada em setembro.

Em relação à preocupação regional com a Grande Barragem do Renascimento Etíope (GERD, na sigla em inglês), Abiy declarou nesta quinta-feira, em um discurso ao parlamento: “Aos nossos vizinhos a jusante — Egito e Sudão — nossa mensagem é clara: a Barragem do Renascimento não é uma ameaça, mas uma oportunidade compartilhada… A energia e o desenvolvimento que ela gerará beneficiarão não apenas a Etiópia.”

Egito e Sudão manifestaram preocupações com a operação da GERD, temendo que ela possa comprometer o acesso de ambos às águas vitais do Nilo. As negociações para alcançar um acordo tripartite com a Etiópia não conseguiram avançar.

O Egito, que já enfrenta uma escassez severa de água, considera a barragem uma ameaça existencial, pois depende do Nilo para 97% de suas necessidades hídricas.

A GERD, iniciada em 2011 com um orçamento de 4 bilhões de dólares, é considerada o maior projeto hidrelétrico da África, com 1,8 km de largura e 145 metros de altura.
A Etiópia afirma que a barragem, localizada no Nilo Azul — um dos principais afluentes do rio Nilo — é essencial para seu programa de eletrificação.”

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