As ruas são do povo: vida noturna e resistências pelas ruas de Porto Alegre

00Make Fabico Weird Again #1

por Ana Luiza Barbosa

Era uma hora da manhã de uma madrugada de domingo e eu e duas amigas estávamos em um dos muitos bares de esquina que tomam conta das ruas da Cidade Baixa, o bairro “boêmio” de Porto Alegre. Um DJ vestido de Papai Noel transformava a atmosfera do que poderia ser apenas mais um estabelecimento em uma aglomeração que extravasava os limites da calçada e adentrava as Ruas Lopo Gonçalves e José do Patrocínio. Entre a boa música e a cerveja gelada, estabelecia-se o começo de um dos muitos caminhos a serem traçados em um fim de semana quente de dezembro.

Já de pijama, eu assistia a uma comédia romântica sentada no sofá no momento em que recebi a notificação mais esperada quando se está sozinha em casa em um sábado à noite: “Vamos fazer algo?!”. Uma hora e algumas pesquisas depois, o Uber nos levava ao apÊzito Bar, que costumava ficar na Lima e Silva, recomendação de alguém em um vídeo do TikTok. Ao chegar lá, deparamo-nos com portas fechadas e poucas pessoas nos arredores. A solução mais óbvia era caminhar até encontrar o movimento.

Durante a noite e para três imigrantes do interior, as ruas da Cidade Baixa parecem se reconfigurar a cada passo, como se estivéssemos em um labirinto sem saída, que não leva a lugar nenhum, mas também leva a todo lugar. Passamos por um, dois, três bares. Nenhum deles era o que procurávamos. Quando não era o público, era o preço, a música, o ambiente. Algo estava errado. Até que uma esquina e um bar desconhecidos se destacaram em meio a tantos outros. O agrupamento de pessoas animadas e o bom som que se propagava no Street da CB se sobressaiu.

Ao nos aproximarmos, foi possível analisar melhor o que acontecia lá. Um bar com a parte interna pequena e algumas mesas na calçada chamava a atenção pelo seu DJ um tanto quanto incomum. No interior do Street, o Papai Noel comandava a controladora e estava prestes a fazer um dos melhores sets que já ouvimos, ganhando facilmente de inúmeras das baladas que cobram entrada para tocar uma conjuntura de músicas que mais parece uma playlist pronta do Spotify.

Em pouco tempo, já estávamos sentadas em cadeiras verdes de plástico e, mesmo sem mesa graças à superlotação do pequeno trecho do passeio disponível, ali ficamos. A primeira cerveja foi mais um dos fatores que confirmou a presença e permanência daquela quantidade de pessoas. Cada gole da Brahma gelada, acompanhado pelo som do funk que contagiava, justificavam aquele ambiente tão característico dos rolês de rua. Ao nosso redor, o que tomava conta era a fumaça de cigarro, as rodas de jovens em torno de uma vodka barata, energético e gelo e o clima de fim de ano – ou, talvez, de apenas mais um dia bem aproveitado.

Os detalhes sobre aquele espaço diziam muito sobre quem o frequenta e por quê. Boa música, bebida acessível, localização central e funcionamento até mais tarde são alguns dos fatores que tornam um movimento de rua bem-sucedido, ou melhor, que levam ao seu surgimento. A aglomeração em torno do Street é uma das inúmeras que se formam na CB e em toda a Porto Alegre. Por cerca de uma e meia da madrugada, decidimos migrar para outra delas.

Uma quadra à frente, observava-se mais uma rua lotada. Caminhar pelos dois lados da Joaquim Nabuco era uma tarefa difícil na madrugada daquele domingo em que a aglomeração na rua era maior que nas casas noturnas e nos bares. Sem cadeiras e sem espaço, tomamos lugar em frente ao Bosque que, embora com estrutura semelhante à do bar anterior, deixava a desejar na música – e também na bebida, já que estavam sem cerveja às duas horas da madrugada. No bar ao lado, somente long neck. Em busca de um litrão, atravessamos até o boteco da esquina onde, finalmente, pudemos saciar a sede de uma noite abafada.

Entre um lugar e outro, perambulamos pela movimentação, conversando, bebendo e curtindo a música. Nesse processo, pude perceber as peculiaridades que estão presentes nos rolês de rua e que fazem parte de sua estrutura. Jovens procurando um lugar para curtir a noite sem hora para acabar, livres para levar sua bebida barata, sua caixa de som com música estourando, sua carteira de cigarro, ou seja, lá o que for. Para quem frequenta esse tipo de evento, o mais importante, além da presença de um grande número de pessoas, é se divertir gastando pouco. Uma cidade repleta de universitários com recursos limitados precisa de um escape que não envolva drinks de mais de quarenta reais, ingressos caros e revista na porta. E esse escape acaba por ser a rua.

Confrontando bares e residências ao seu redor com sua presença e seus barulhos, a crescente multidão em frente ao Janela marcava a resistência daqueles que não se rendem às imposições do capitalismo. Entre os tantos bares que fazem da Cidade Baixa ela mesma, muitos cobram entrada e muitos mais tem preços elevados que barram a entrada de grande parcela da população, ainda que de forma velada. Então, resta à classe baixa duas opções: ou aceitar a exclusão e não frequentar esses lugares, permanecendo à margem, ou tomar conta dos espaços que lhes pertencem independentemente do dinheiro que carregam consigo.

Estar na rua, nesse contexto, é ser visto e ser lembrado. Cada movimento que se forma nos ambientes públicos é uma forma de retomada dos direitos renegados aos invisibilizados pelo sistema. É o aviso de que, mesmo que a propriedade privada os impeça de acessar certos lugares, não pode lhes tirar de outros que são de todos. O rolê de rua é uma luta contra as desigualdades e contra o tolhimento do direito ao lazer. Estar nas ruas de Porto Alegre às três da manhã tomando kit de Ninoff é uma forma de resistência.

Por volta das quatro, tomamos rumo ao que seria o fim da noite. Como em todos os bons rolês, o afterenvolveu comida gordurosa e de qualidade questionável. Do Bosque, caminhamos pelas ruas escuras – mas movimentadas – da Cidade Baixa em busca do lanche mais aclamado das madrugadas porto-alegrenses: um xis do Cavanhas. Rememorando os caminhos que a aventura tomou, encerramos a experiência de barriga cheia e com histórias para contar.

Embora concentrados no bairro noturno de Porto Alegre, os rolês de rua se configuram em outros lugares espalhados pela cidade. Entre eles, alguns se destacam pelas semelhanças ou por seus aspectos diferenciados, apesar de se formarem a partir dos mesmos princípios.

Na esquina entre as Ruas Mariante e Liberdade, no bairro Rio Branco, há um movimento que merece uma menção honrosa. Em torno do Pito Bar, centenas de jovens se reúnem em mais uma das possibilidades que a noite porto-alegrense fornece. O Pito na Rua enche os bares, a calçada e a rua em um rolê que não se restringe aos fins de semana. De terça a sábado, o funcionamento do Pito é um atrativo para a reunião de centenas de pessoas naquele trecho, embora o próprio bar não seja o elemento central desse tumulto. Com um horário reduzido, o movimento que circunda o Pito começa quando ele está fechando as portas e se estende até altas horas da madrugada.

Com aglomerações que, inclusive, dificultam a passagem dos carros, os dois lados da Rua Mariante são lotados por jovens todas as semanas por uma conjuntura de fatores. Cercado por botecos e bares com bebidas baratas que funcionam até tarde da noite, quem vai ao Pito tem a certeza de algumas coisas: terá onde comprar álcool, opções de lanche para a larica e uma rua movimentada. Mukifo, Sheik e Xis da Bruxa são alguns dos estabelecimentos que contribuem para a permanência desse rolê e que são muito frequentados nas noites de Pito.

A ocupação dessas ruas por pessoas que trazem consigo seu som também fomenta a cultura, uma vez que os bares nos arredores trazem a música como um diferencial em relação aos demais, contratando DJs e músicos locais. O Pito em si conta com uma programação que traz artistas quase todas as noites, em uma medida eficaz para atrair público ao mesmo tempo em que torna o acesso à música mais democrático.

Mais uma vez, a rua se converte na casa daqueles que buscam se aventurar por Porto Alegre à procura de uma noite agitada.

O Pito é mais um dos tantos locais que reafirmam presenças socialmente apagadas, dando espaço para a visibilidade das comunidades e dos grupos que ali frequentam. Assim, como afirma Camila Proto, “O som e a apropriação apresentam-se, desta forma, como meio e tática para produção de territórios mutáveis e participativos, através da arte e da emergência cultural popular.” (PROTO, 2020). Nesse contexto, os rolês de rua ultrapassam o lazer e o entretenimento e se convertem em um instrumento social para exibir existências e presenças em lugares que são públicos. Através desses movimentos, é possível gerar o pertencimento do povo onde ele deveria pertencer sempre. A apropriação desses locais é sobre resistir e lutar pelos direitos que são de todos – ou deveriam ser. As ruas são do povo e o povo é das ruas, porque nelas constroi seus afetos, sua cultura e suas vivências.

Referência

PROTO, C. . Territórios Resistentes: arte, som e sociedade. In: José Cláudio S. Castanheira; Dulce Mazer; Pedro Silva Marra; Marcelo Bergamin Conter; Cássio de Borba Lucas; Mario Arruda. (Org.). Poderes do Som: Políticas, escutas e identidades. 1ed.Florianópolis: Insular Livros, 2020, v. 1, p. 121.

Texto realizado como atividade final para a disciplina Seminário de Cultura e Comunicação, Ministrada pelo Prof. Marcelo Bergamin Conter. Publicada na edição #1 da revista digital Make Fabico Weird Again.
Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico), UFRGS, dezembro de 2024.

Aulas Abertas do Núcleo de Pesquisa Semiótica e Sonoridades – 2025/1

O Núcleo de Pesquisa Semiótica e Sonoridades, vinculado à UFRGS e ao GPESC, convida a comunidade acadêmica da Fabico e demais interessados para dois encontros sobre música eletrônica e comunicação.

O objetivo das aulas abertas é o de prestigiar as pessoas que fazem a cena musical local acontecer, apesar de todas as limitações que são impostas ao underground em um contexto de projetos neoliberais de privatização do espaço público. Também pretende-se discutir o papel dos meios de comunicação alternativos e da crítica musical no desenvolvimento das cenas.

A entrada é franca e ambos os eventos ocorrem durante o horário de aula das turmas de Teorias da Comunicação.

Auditório 1 da Fabico, terça, 15 de abril, 18h30

Lançamento da Marginália Metropolitana, uma coletânea de música eletrônica composta por artistas da Grande Porto Alegre, acompanhada de um livro sobre o mesmo tema.

Lançamento da Zine digital Make Fabico Weird Again, uma coletânea de textos sobre música escrita por alunos da Fabico.

Mediação: Isabelle Camargo

Auditório 1 da Fabico, quarta, 16 de abril, 13h30

Painel com a equipe do Coletivo Plano e dos produtores musicais Luiza Pads e Olímpio Machado.

Lançamento da Zine digital Make Fabico Weird Again, uma coletânea de textos sobre música escrita por alunos da Fabico.

Mediação: Larissa Lima

As aulas abertas são organizadas por:

Marcelo Bergamin Conter
Gezebel Bender
Isabelle Camargo
Larissa Lima
Pietro Scopel

Mais sobre os projetos e produtores:

Marginália Metropolitana  Marginália é um projeto grande: uma coletânea, um livro e uma festa de rua. No livro, temos seis textos, de diferentes escritoras e escritores, que se deixaram afetar pela escuta do álbum e produziram artigos, ensaios e devaneios sobre o cenário da música eletrônica na grande Porto Alegre. Também temos uma entrevista, a história dos produtores e produtoras das faixas que compõem o álbum, e a apresentação do coletivo Plano, que produzirá a festa. Já na coletânea, temos sete artistas musicais, com vivências e experiências oriundas da região metropolitana de Porto Alegre, cada um colaborando com duas faixas. Mas, além disso, de maneira transversal, este projeto é uma tentativa de evidenciar e registrar um momento dessa história viva, que está sendo constantemente escrita, por muitas mãos, pés, cabeças, fígados e corações, apesar das limitações materiais e das realidades das nossas cidades. Não se trata, de maneira alguma, de qualquer verdade sobre a cena: como qualquer cena, trata-se de uma ficção. Nossa ficção.

Coletivo Plano
Fundado em 2017 por DJs, produtores(as) e artistas de Porto Alegre – RS, surgiu como um movimento dedicado a desenvolver uma plataforma de expressão e questionar as estruturas socioculturais urbanas através de festas de música eletrônica alternativa, oficinas e rodas de conversa realizadas em espaços públicos e privados. O coletivo aborda temas como preservação, diversidade e segurança. Composto atualmente por Fernanda Rizzo, Fernando Ribeiro, Sérgio Barsotti e Gabriel Scorza, tendo como residentes o fotógrafo Lau Baldo e as performers Laputaines e Fayola Ferreira.

Luiza Pads
Produtora multimídia, designer e DJ da cidade de Porto Alegre. É a idealizadora e produtora da Alfinete, festa itinerante que costura diferentes gêneros, vertentes e conceitos, que recentemente completou um ano de existência circulando por diferentes casas noturnas de Porto Alegre e recebendo diferentes nomes da cena para compor o lineup ao longo das edições. Como DJ, já se apresentou em festas e festivais como o Festival Kino Beat, Plano de Rua, Arruaça, Fita Dupla (da qual era coprodutora), BREU e casas da cidade que são conhecidas por abrirem as portas para a cena. É produtora da banda de pós-punk portoalegrense The Completers, desempenhando também a função de booker. No último ano, também estabeleceu uma parceria de booking e produção com o trio instrumental Pata de Elefante. Como designer, ama criar cartazes de festas e shows, já trabalhando com bandas como Crumb, terraplana, Maurício Pereira, Viridiana, Pedro Cassel, Nina Nicolaiewsky e outros.

Olímpio Machado
Produtor e engenheiro de som com 10 anos de experiência no mercado de áudio, nos últimos 6 anos entrando no circuito nacional de operação de shows, tendo trabalhado em festival como: Lollapalloza (2019 e 2025) Rock In Rio (2023) entre outros. Hoje é operador de PA das bandas: Jovem Dionísio (indicada ao Grammy Latino 2024) e Syon Trio. Atuando também como produtor técnico de vários festivais locais como: Avante (2023) Unimúsica (2022-2025) Porto Verão Alegre (2023-2024) Farol Live (2023-2025). Tendo operado shows para: Tom Zé, Jards Macalé, Rodrigo Amarante, Terno Rei. E atua como baixista da banda Supervão.

Make Fabico Weird Again
Coletânea de textos escritos no âmbito da disciplina de Seminário de Cultura e Comunicação (2024/2) dos cursos de Comunicação da Fabico/UFRGS, o zine digital apresenta entrevistas, críticas, ensaios e análises sobre música, passando por gêneros diversos como funk, rock, eletrônica, samba e punk. Versa também sobre as disputas de espaço e gentrificação urbana pela ótica de estudos de comunicação.

IX Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação – Inscrições para ouvintes aberta

A nona Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação, evento organizado pelo GPESC/UFRGS, será realizada nos dias de 7, 8 e 9 de maio.

Este ano teremos apresentações presenciais no Auditório 2 da Fabico. O evento todo será transmitido pela plataforma MConf, assim será possível assitir como ouvinte nas duas modalidades.

Para se inscrever como ouvinte, clique no link a seguir:https://forms.gle/x8ZcxBgwucM4tXq28

2025 também é o ano que o GPESC faz quinze anos de existência. Vamos contar com uma palestra de encerramento realizada pela Profa. Dra. Ione Bentz, que foi uma das fundadoras do grupo e um dos nomes mais importantes no país na disseminação da semiótica e da expansão da Pós-Graduação em Comunicação. Esta palestra também será transmitida pelo MConf.

Em casos de dúvidas, escreva para nós! Clique aqui.

Aula aberta: Comunicação e Antropoceno – Narrar a intrusão de gaia com imagens sonoras

Imagens das catástrofes climáticas passam diante de nossos olhos em produtos midiáticos diversos, como noticiários, documentários e vídeos em redes sociais, mas os sons empregados nesses materiais, talvez por sua efemeridade, talvez pelo ocularcentrismo característico das sociedades ocidentais, são frequentemente negligenciados por nossa percepção habituada. O Antropoceno irrompe e a intrusão de gaia se faz ver, ouvir e sentir cotidianamente, desde os temporais cada vez mais frequentes até eventos de grande porte como a enchente de maio de 2024. As mudanças de escala e de padrão dos eventos climáticos forçam alterações nas categorias de pensamento a partir das quais até então partiam nossas discussões a respeito da natureza das imagens visuais e sonoras.

No dia 19/11, a partir das 18h30, o Núcleo de Pesquisa Semiótica e Sonoridades oferece uma aula aberta no Auditório 1 da Fabico/UFRGS, contando com a participação especial da artista e pesquisadora Camila Proto. Doutoranda em Artes Visuais pela UFRJ, foi indicada ao 13º Prêmio Açorianos de Artes Plásticas (2020), na categoria “Artista em Início de Carreira”, e recebeu o 6º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea (2023). O evento conta ainda com o Prof. Marcelo Bergamin Conter e os bolsistas de iniciação científica Augusto Schu e Gabriel Ortega.

Apresentaremos alguns primeiros encaminhamentos de um programa de investigação coletivo sobre as narrativas do Antropoceno, com foco no papel das sonoridades em nos surpreender, criar e mover.

O evento integra a disciplina Teorias da Comunicação – Turma B, mas o convite se estende para discentes da Turma A, a toda a comunidade Fabicana e demais interessados.

https://www.instagram.com/p/DCHgku-RFCB

Artigo publicado: Semioses afetivas da música ambiente em playlists do YouTube

Essa semana a revista e-Compós publicou sua edição de 2024, contando com um texto escrito por Marcelo Bergamin Conter, derivado de pesquisa que ele coordenou na época em que era professor no IFRS Campus Alvorada.

Clique aqui para acessar o artigo

O presente pretende, a partir de uma pesquisa exploratória inicial, edificar um arcabouço teórico para a investigação de playlists de música ambiente publicadas no YouTube. É desenvolvido o conceito de semioses afetivas do timbre, agenciamentos sonoros que produzem signos políticos, culturais, tecnológicos e de linguagem a partir das afecções entre ouvintes e sonoridades. A natureza transdisciplinar de nosso arranjo teórico nos provoca a recorrer a metodologias alternativas, provenientes da musicologia, da etnomusicologia e da acústica, para que se avance na investigação de hábitos de escuta de música ambiente em estudos de caso futuros.

IV CIPS :: Silêncios (UFES, Brasil, 4 a 7 de junho de 2025) – Call For Papers

CHAMADA DE TRABALHOS CIENTÍFICOS – Primeira Circular

IV Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades (CIPS) 

Silêncios

Datas:  04 a 07 de junho de 2025

Local: Universidade Federal do Espírito Santo – Vitória/ES – Brasil

Etapa online: 31 de maio de 2025

É conhecida a narrativa do compositor John Cage que, submetido a uma experiência de silêncio profundo em uma câmara anecóica, constatou que ainda conseguia ouvir os sons internos de seu próprio corpo. Essa história nos confronta com a inevitabilidade de um fenômeno complexo, de natureza múltipla e inesgotável: o silêncio.

O silêncio, que pareceria, em princípio, uma contraposição ao som, uma espécie de negativo, revela-se como um transbordamento das fronteiras do audível. A música ocidental explicita a importância incontornável dos silêncios, do pentagrama à sintetização sonora. Na partitura, a pausa é elemento marcado e significante, parte fundamental da própria composição. No digital, o silêncio é um bloco de tempo sem pulsar que se acrescenta à timeline composicional. A ausência de som, pode-se concluir, não é nulidade de sentido, mas sim o resultado parcial de uma maquinação comunicacional mais ampla de jogos de força a serem cartografados sob perspectivas interdisciplinares.

Ao adotar os silêncios como tema, procuramos não apenas tratar de perspectivas discursivas mais formalistas no espectro musical, mas também trazer a discussão para os campos social e político, pensando o silenciamento de povos, de vivências e de repertórios culturais. Apesar da constatação contrária de Cage, o silêncio pode também ser algo que nos acompanha e nos confronta com a ameaça constante da inexistência, do apagamento e da dissolução. Esse paradoxo intrínseco à ideia de silêncio apresenta-se como um importante tema a ser resgatado e atualizado para compreender os desafios do tempo presente no campo das sonoridades.

        A IV CIPS acolhe propostas de apresentações científicas e performances artísticas (para estas, realizaremos uma chamada separada em breve). Recebemos trabalhos que lidem com toda sorte de suporte, formato, mídia que lide com as sonoridades. Algumas das perspectivas, mas não as únicas, que interessam a esta conferência, são:

  • Ecologias sonoras: ruídos que silenciam, silêncios que amplificam;
  • Imagens e silêncios; vazios e ruídos;
  • Tecnologias e modelos de produção de silêncio;
  • Som, imobilidade e morte;
  • Estéticas do silêncio;
  • Ambiências e atmosferas sonoras silenciosas ou que silenciam;
  • Silêncios, seus afetos e processos de significação e sensação; 
  • O silêncio nas práticas composicionais;
  • O devir-silêncio;
  • Políticas e culturas sonoras: sons, silenciamentos, lutas e insurgências de modos de vida contemporâneos.

SUBMISSÃO DE RESUMOS

         Os resumos devem ser submetidos até o dia 6/12/2024 para o e-mail cips.sonoridades@gmail.com nos formatos .doc (ou .docx), informando no assunto do e-mail: “IV CIPS – Resumo”.  

A IV CIPS será um evento presencial, mas contará com uma etapa online para um número limitado de trabalhos científicos aprovados pela comissão científica de proponentes localizados fora da região Sudeste ou fora do Brasil que estejam impossibilitados de participar do evento presencialmente. Reservamos 24 vagas para esta modalidade.

O texto deve estar formatado em fonte Times New Roman, Corpo 12, espaçamento 1,5. No documento, deve constar, nesta ordem:

  • Título da proposta;
  • Proponentes, seus respectivos e-mails e filiação institucional (ou atividade principal); titulação máxima, ocupação ou área de atuação, cidade, estado e país de residência;
  • Resumo de até 500 palavras, indicando tema, objetivos, problema de pesquisa, referencial teórico, metodologia e adesão ao tema geral do evento;
  • Bibliografia de até 5 títulos;
  • Indicação de preferência por apresentação online (número limitado de mesas, apenas para autores de fora do Brasil ou de fora da região Sudeste).

         Os resumos podem ser enviados em português, espanhol ou inglês. Nós iremos nos corresponder com o primeiro autor do trabalho acerca do recebimento e avaliação do resumo.

O que é meio de comunicação hoje?

Por Marcelo Bergamin Conter

Palestra realizada para a aula aberta “Dos meios de comunicação às indústrias criativas”, ocorrida na FAMECOS, PUCRS, em 29 de agosto de 2023

            Quando o professor Deivison Moacir Cezar De Campo me convidou pra falar sobre “o que é meio de comunicação hoje?”, eu imediatamente lembrei de Marshall McLuhan. Ou seja, não interpreto a pergunta querendo respondê-la sugerindo qual é o meio do momento, e sim, como os meios contemporâneos estão transformando radicalmente a forma como nos comunicamos. McLuhan não apenas fez uma análise impressionante dos meios de comunicação de sua época, os anos 1960, como também projetou como estaríamos nos comunicando agora. Operando com uma linguagem similar a da publicidade, ele criou aforismos que mais pareciam slogans publicitários. O mais celebrado, e alguns de vocês já devem ter ouvido, é “o meio é a mensagem”. Mas não nos enganemos: ele não quer dizer com isso que o conteúdo é irrelevante, tampouco uma inversão de valores. O que está implícito ali é que “amensagem é a mudança de escala, cadência ou padrão que este meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas”. Ou seja, o meio configura e controla a proporção e a forma das ações e associações humanas. O Drive-Tru só existe porque existe a malha rodoviária. A lâmpada só liga e essa palestra só pode acontecer neste formato porque turbinas estão girando com a força d’água em Itaipu. O meio pretende-se transparente, como a água do aquário para os peixes, como a televisão que se pretende janela para a realidade.

            Na época em que McLuhan escreveu suas teses, a energia elétrica, a transmissão via satélite, o rádio e a televisão estavam proporcionando ao mundo a possibilidade de tornar a comunicação praticamente instantânea. Nós, que vivemos 60 anos depois destas ideias, já nascemos imersos na comunicação simultânea. Mas eu gostaria hoje de destacar uma diferença que existe entre as mídias da época de McLuhan para as mídias digitais.

            Quando ouvimos rádio AM ou FM a informação é fragmentada e convertida em ondas senoidais que vibram milhões de vezes por segundo, rebatem na ionosfera e perambulam em tempo real pela atmosfera para que qualquer receptor possa sintonizá-la. Com a TV aberta é parecido, mas o sinal passa da ionosfera e é rebatido por satélites.

            Obviamente, quando eu ouço rádio ou vejo TV aberta, eu não posso voltar, assistir de novo, fazer buscas. O fluxo radiofônico ou televisivo se confunde com o fluxo da minha vida. Não é à toa que a TV acompanha nossas rotinas: jornal no café da manhã para sair ao trabalho bem-informado; receitas antes do almoço; jornal de infotenimento no almoço seguido de esportes, para boa digestão; e assim por diante. Era preciso esperar até tarde da noite para ver um episódio novo de uma série, a gente via um único episódio por semana e depois isso era assunto com os amigos para a semana inteira, porque todo mundo assistia tudo ao mesmo tempo. Assim era a vida até a virada do milênio.

            Como bem expressa Philip Dubois, a informática veio para absorver todas as mídias anteriores. Ela traduz qualquer informação visual ou sonora em bits, que podem ser arquivados em unidades de armazenamento como discos rígidos. Navegar pela internet é, sempre, vasculhar um arquivo. Um grande arquivo que seria construído pela comunidade, pelo povo, como muitos profetizaram.

            Diferentemente da instantaneidade e do fluxo constante da televisão e do rádio, os dados que acessamos pelo computador ou celular são sempre uma duplicata de um dado que está arquivado em outro lugar. Enquanto a TV analógica era uma imagem do presente, na internet, tudo é sempre uma imagem do passado. Mesmo quando assistimos “TV ao vivo” pela internet. Quem vê um jogo de futebol pela web e ouve o vizinho que ainda tem rádio gritando gol dois minutos antes sabe do que eu estou falando. É que TV pela internet envolve uma série de procedimentos de codificação, decodificação, buffer, compressão de dados, descompressão de dados, passagem por vários pitstops(servidor, caixa da internet do prédio, modem, computador) e tudo isso causa o famoso delay. Se pesquisarmos pelo endereço da Famecos no Google, daqui mesmo, essa requisição pode sair do continente para voltar com os resultados. No meio do caminho, pode passar por um cabo submarino enquanto um tubarão tenta morder a informação.

            Então, por mais ágil, transparente e aparentemente simultânea que a experiência com a web nos pareça, nós estamos sempre olhando para uma imagem, um som ou um texto do passado, quase como um telescópio que observa a luz de estrelas que não mais existem. Então, retomando a pergunta, o que é meio de comunicação hoje?, eu diria que são os meios que lidam menos com o presente e o futuro e, ao invés disso, investem-se de imagens do passado para reorganizá-lo no presente.

            Lembrando que, de acordo com Henry Bergson, o passado não é o que foi, mas o que é, o que se acumula no presente, como uma bola de neve que incha a medida que avança. O que é meio de comunicação hoje? É o acúmulo de todo o passado dos meios de comunicação. Nós ainda fotografamos, ainda filmamos, ainda escrevemos.

            Gostaria de relembrar outra coisa que o McLuhan disse. Ele percebeu que, toda vez que um novo meio de comunicação surgia, ele precisava imitar as mensagens dos meios anteriores. Quando surge a internet, surge o termo “página” para se referir às URLs, porque era preciso que a web se parecesse com livros, revistas, bibliotecas, algo que já estávamos acostumados, até que ela tomasse sua própria forma. E ela vai fazer isso resgatando o princípio do arquivo, que é a base de todo sistema informático que utilizamos. E um meio de comunicação que tem como fundamento a produção de sentido partindo do tratamento de dados arquivados irá certamente afetar os modos como produzimos cultura.

            Quem percebeu isso com clareza foi o crítico musical Simon Reynolds, que em 2010 escreveu o livro Retromania. Ele reconheceu que entre 2001 e 2010 não surgiu nenhum gênero musical novo que tomasse conta das paradas, mas uma grande revisitação de estéticas de décadas passadas, como é evidente na obra de Amy Winehouse, White Stripes, Strokes, Florence & The Machine, eu adicionaria aí Cachorro Grande, para ficar apenas em alguns exemplos. Ele percebe aí um reflexo dos novos hábitos de escuta de música, que mudam dramaticamente com o advento do Napster, da pirataria e em especial do acesso à memória total da música pop por meio de sites como o YouTube. A nova geração de músicos passa a ser menos influenciada pelas tendências impostas pelo mainstream e as modas do momento e mais pelo mar de informação que o arquivo digital oferece. 

            Na década seguinte, entre 2011 e 2020, softwares de edição não-linear e controladores MIDI irão facilitar processos criativos, mas em cima de samples, a partir do arquivo, portanto. Se na década passada a norma erainspiração no passado, agora parte-se para o sampleamento dos arquivos do passado. Imaginem uma bola de neve que incha à medida que se refere a si própria. O gênero musical que melhor representa esse novo cenário é o vaporwave. Em síntese, trata-se do rearranjo do arquivo audiovisual e sonoro da era da web 1.0 – com todas as suas promessas futurísticas, gráficos assépticos, sons de alerta de sistemas operacionais como Windows 95 etc. – sendo colocados em justaposição com imagens visuais e sonoras relacionadas simbolicamente ao capitalismo financeiro dos anos 1980 – comerciais de TV de multinacionais; Muzak; smooth jazz e outros gêneros musicais típicos de spas, resorts e saguões de hotéis cinco estrelas –. O que o vaporwave fez foi colocar na frente do palco aqueles sons e imagens que antes pensávamos apenas ser parte do fundo para realizarmos um consumo irônico – aquele jingle chato do McDonald’s que trocávamos de canal quando começava, aquela música cafona do Kenny G que tocava na sala de espera do dentista.

            Com o vaporwave relembramos aberturas de seriados, comerciais de TV da nossa infância e percebemos que estas memórias eram compartilhadas não só com nossos amigos, mas com pessoas do mundo inteiro, porque, obviamente, são expressões do capitalismo financeiro. Pickering e Kightley são certeiros ao dizerem que “ao invés de nos lembramos de experiências pessoais, é mais provável que nos lembremos de experiências mediadas e, como tal, a mediação do passado é um processo pelo qual a mídia pode fixar e limitar a memória social”.

            O vaporwave é uma expressão do underground. Do lado do mainstream, estamos vivenciando a era da plataformização, o caminho pelo qual se tem conseguido combater a pirataria, mesmo que isto implique em músicos mal pagos e o enfraquecimento das cenas locais. Nos entregamos às plataformas, mas sem desconfiar que, assim como o vaporwave, elas também realizam as suas operações no arquivo, ressignificando o passado nos seus próprios termos. A plataformização acabou com a utopia da web 1.0, com a ideia de que o mundo virtual seria horizontal e sem fronteiras. Há uma dimensão política por trás disso tudo, uma lógica neoliberal que estabelece controle dos fluxos e da retenção de informação para fins de arquivamento de dados por parte de empresas privadas. Jussi Parikka escreve em seu livro O que é arqueologia da mídia que

O poder não mais é circulado e reproduzido apenas através de espaços físicos e instituições – como a clínica ou a prisão analisadas por Foucault – ou práticas de linguagem, mas ocorre nos interruptores e relés, software e hardware, protocolos e circuitos dos quais nossos sistemas técnicos de mídias são feitos.

            Na época das mídias analógicas, a gente via um televisor na sala e poderia dizer para si “olha, um meio de comunicação”, e depois para o rádio e “olha, outro meio”. Hoje, nós estamos imersos em um meio de comunicação que arquiva tudo o que processa. E com isso eu quero dizer imersos em diferentes sentidos. Primeiro que essa não é uma ideia nova. Muniz Sodré já escreveu sobre o bios midiático, McLuhan sobre a Aldeia Global, e antes ainda, Vernadsky falava em noosfera. Ondas de wi-fi, 4g, 5g, bluetooth, AM, FM, VHF, UHF e tantas outras como a frequência dos bombeiros, da polícia e as rádios piratas, estão ocupando a atmosfera, o que também não é nenhuma novidade. 

            Em 2013, numa Semana da Imagem na Unisinos, Vinícius Andrade Pereira comentou que a ideia de offlinetinha acabado. A gente ainda saía da internet, desconectava o computador, mas quando reconectava tinha que lidar com os emails e demais mensagens que nos enviaram enquanto estávamos fora, porque o arquivamento não para mais. Naquela época, a falsa separação entre real e virtual já começava a erodir. 

            Dez anos depois e a coisa ficou muito mais intensa, porque não existe mais o offline: hoje os programas que utilizamos ou escondem os caminhos pelos quais nós podemos nos desconectar ou sequer nos dão essa opção. Saímos da sociedade disciplinar de Fouacult para a Sociedade de Controle de Deleuze. Luís Martino sintetiza esta ideia, dizendo que “as informações eletrônicas sobre o indivíduo permitem que seus padrões de consumo, lazer e ações cotidianas sejam continuamente monitorados e redesenhados nos gráficos e planilhas”. Sejam as fotos e vídeos que tiramos nas viagens, as opiniões que emitimos nas redes sociais, tudo isto vira arquivo para que o poder circule a partir não só da extração descontrolada dos recursos naturais, como tem sido desde os primeiros estágios do capitalismo, mas também para que o poder circule a partir da mineração descontrolada de nossos dados pessoais. Bifo Berardi denomina este estágio de semiocapitalismo. E é isto que quero dizer com imersão, por que a produção de sentido se confundiu com a produção de capital. A experiência de vida, hoje, é a de viver imerso em um grande meio de comunicação, cada um no seu Show de Truman pessoal, mergulhado na tediosa tarefa de produzir imagens do passado para alimentar o semiocapitalismo. E parece não haver alternativa, porque nós nos conformamos, nós assinamos os termos de condições, nós estamos assistindo a chegada do antropoceno por meio de produtos da industrialização, que é um dos principais agentes da mudança climática. Os meios de comunicação e os meios de poluição são os mesmos. Para Mark Fisher, a situação que vivemos é deprimente, porque se antes o grande problema social na era do capitalismo industrial era o tédio (trabalhar 30 anos numa mesma fábrica e depois se aposentar), o grande problema social do capitalismo tardio é que ele substituiu o tédio pela ansiedade, seja pelo caminho da precarização do trabalho, seja pelo caminho das micro doses de distração que as redes sociais nos oferecem com drops de imagens do passado. Observando por este ângulo crítico, percebemos que as crises políticas, ecológicas, sociais, culturais e sanitárias que estamos vivendo, portanto, são sobretudo uma crise de futuro.

VII Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação

Nos dias 22 e 23 de junho de 2023 ocorreu a VII Jornada de Semiótica e Culturas da Comunicação, realizado pelo Grupo de Culturas de Pesquisa e Comunicação (GPESC) na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (FABICO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), contando com o apoio dos núcleos de pesquisa Corporalidades e a SemSono.

No evento, que ocorreu de forma híbrida, foram apresentados diversos trabalhos de pesquisas finalizadas e em andamento, com posterior discussão.

Os integrantes da SemSono André Santos Marchese e Marcelo Bergamin Conter  apresentaram o trabalho de pesquisa “Everywhere At The End of Sample”: Lembrança e esquecimento de samples sonoros na obra de The Caretaker, que trata-se de uma investigação de uma série de expressões musicais que circulam no YouTube atualmente e que parece inaugurar novos modos de escuta e regimes de signo para a música ambiente. O trabalho faz parte do projeto de pesquisa em andamento “Semioses Afetivas na Música Ambiente Contemporânea”.

O evento, com intensas reflexões e trocas, foi mais uma oportunidade de fortalecer a relação da pesquisa e produção de conhecimento significativo, uma vez, que essa interação potencializa o aprimoramento da qualidade dos trabalhos e reflete na produção acadêmica dos participantes.

III CIPS

De 6 a 9 de junho de 2023, a Linha de Pesquisa Semiótica e Sonoridades (SemSono) participou da III Conferência Internacional de Pesquisa em Sonoridades (III CIPS) na Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói, no Estado do Rio de Janeiro. 

A Conferência teve como tema  Sons do Fim do Mundo e se deu de modo online e presencial. Na modalidade presencial,  foram 24 painéis, dez performances artísticas, e uma exposição abrangendo trabalhos audiovisuais e instalações sonoras. Como palestrantes principais, a professora e pesquisadora Ana Maria Ochoa Gautier – Tulane University (USA), especialista em auralidades, pesquisadora em história decolonial, estudos sonoros e mudanças climáticas e, também, relação entre indústrias criativas; e o  professor Luis Cárcamo-Huechante – The University of Texas at Austin, pesquisador mapuche, que dialoga com textos literários, programas de rádio e música para discutir questões indígenas. Ambos contribuíram com seus conhecimentos e percepções sobre as temáticas de suas pesquisas, proporcionaram diversas reflexões e conjecturas acerca da aliança das temáticas que permeiam suas falas.

Integrantes da  SemSono apresentaram seus trabalhos de pesquisa: Marcelo Bergamin Conter com Timbrando muito, economizando mais ainda: signos da precariedade de bandas brasileiras de rock independente, Ana Christina Cruz Schittler, Marcelo Bergamin Conter e Paulo Albani com Você é a última pessoa da Terra durante um inverno nuclear, Afetos do antropoceno em playlists de dark ambient no YouTube, Camila Proto com A la notácion du temps latént: decalques sonoros do mundo,  Mario Arruda com Estéticas da música pop que resistem ao fim do mundo e Cássio de Borba Lucas com Códigos e Tecnologias da escuta da natureza no mercado de ruídos para o bem-estar.

O grupo ainda colaborou na organização do evento, integrando as comissões organizadora e artística.

Camila Proto, Mário Arruda e Marcelo Bergamin Conter apresentaram, ainda, a performance “Como arranjar uma ilha: movediça” no encerramento do evento que ocorreu no Tropigalpão na Glória-RJ. A conferência foi um catalisador de promoção de conhecimento e reflexões acerca das sonoridades relacionadas com a temática proposta, bem como um espaço de conexão e diálogo entre pesquisadores interessados.

Evento de pesquisa no IFRS Alvorada: VI Jornadas de Semiótica e Culturas da Comunicação

VI Jornadas de Semiótica e Culturas da Comunicação

7 e 8 de Julho de 2022

Inscrições gratuitas para ouvintes até 4 de julho. Clique aqui!

O Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação – GPESC, em parceria com Grupo de Pesquisa Sonoridades, Materialidades da Comunicação e Cultura – SIMC, realiza sua VI jornada de estudos por meio de encontro presencial, na modalidade híbrida, para discutir os projetos de pesquisa de seus integrantes. O evento ocorre nos dias 7 e 8 de julho, nos turnos da manhã e da tarde.

A mesa de abertura do evento contará com as palestras de Marcia Fernanda de Mello Mendes (IFRS) e André Araujo (APPH). A programação completa, com os demais trabalhos a serem apresentados, será divulgada em breve.

O evento ocorrerá de forma híbrida e os interessados em participar como ouvintes poderão assistir ao evento de forma presencial ou online. Não haverá transmissão pública nem gravação do evento em vídeo. Como se trata de projeto de extensão cadastrado, haverá emissão de certificado para quem assistir a mais de 75% do evento.

A inscrição como ouvinte está disponível a todos os interessados até 4 de julho e pode ser feita neste link.

Agradecemos a sua participação!

Realização: 

IFRS Campus Alvorada

SIMC – Grupo de Pesquisa em Sonoridades, Imagem, Materialidades da Comunicação e Cultura

SemSono – Linha de Pesquisa Semiótica e Sonoridades

GPESC – Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação

Apoio: 

FABICO/UFRGS/PPGCOM